Cupcake
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Fecho a porta instantaneamente. Não consigo acreditar. Como Santana Lopez conseguiu meu endereço? E morar comigo? O QUÊ?
– Berry, abra a porta. Eu sei que sou uma latina muito quente, mas está congelando aqui fora. – Santana ironiza enquanto toca a campainha insistentemente.
Abro a porta bem devagar, tentando reorganizar meus pensamentos. Essa não é a hora de se desesperar, é a hora de ajudar... Santana.
– Apartamento legal, decoração estranha demais. Combina com você. – Santana diz revirando os olhos, entrando na sala e se jogando no sofá.
– Vo-você quer alguma coisa? – falo numa tentativa falha de parecer no controle da situação.
– Hum...
Escuto um barulho de chaves caindo no chão, viro na direção e vejo Kurt completamente boquiaberto, petrificado. O observo por alguns segundos e reparo em quão amassada está sua roupa. A noite dele foi COM CERTEZA melhor do que a minha.
– Ahn, oi? – Kurt diz ainda meio aéreo.
– Porcelana – Santana o cumprimenta com uma reverência estranha – Eu vim morar com a Berry, mas parece que ela já tem um colega de quarto.
Kurt me olha intrigado e eu devolvo um olhar desesperado.
Suspiro alto, isso não estava nos meus planos.
– Santana, eu não sei o que você está fazendo aqui em Nova York, mas... Nós não podemos te ajudar. – Kurt diz cauteloso.
O rosto de Santana deixa de expressar confiança e uma careta insegura surge.
– Olha, eu não tenho para onde ir. E-eu só preciso de um lugar para ficar por um curto período de tempo. Prometo ajudar com tudo! – Santana enfatiza – Eu preciso de vocês.
Arregalo os olhos. Ok, eu não esperava isso. Santana fragilizada? Nova York é mesmo a cidade dos sonhos ou alucinações.
– Tudo bem – concordo e Kurt me fuzila com o olhar.
– Rachel... – Kurt começa, mas eu o interrompo dizendo:
– Venha conhecer seu quarto, Santana!
Ajudo a latina a arrumar o quarto, arrastando alguns móveis e desempacotando alguns itens de decoração. Congelo olhando fixamente para um porta-retratos, havia uma foto de Santana e Quinn no casamento de Emma e Will.
– Berry, você deveria estar dormindo. – Santana diz tapando os olhos com as mãos, sinal de puro cansaço – Você não precisa ficar me ajudando.
– Estou sem sono – respondo ainda olhando para a foto – Como ela está?
– Hã? – Santana tira as mãos dos olhos e olha para a foto em minhas mãos – Eu não tenho falado muito com Quinn, mas acredito que ela não esteja nada bem.
Meu coração falha uma batida. O que teria acontecido com Quinn?
– Ela teve alguns problemas com o pessoal de Yale. – Santana continua, me observando atentamente – Quinn estava pensando em até mudar de Universidade.
– Por que ela não fala mais comigo? – pergunto
– Não sei. – Santana responde sincera – Acho que os problemas tomaram conta dela, mas logo ela volta ser a Ice Queen de sempre.
Encaro Santana, percebendo a estranheza dessa conversa. Porém, ela parece não ligar e apenas se joga na cama. Volto a observar o porta-retratos e, alguns silenciosos minutos depois, o coloco na mesinha de canto.
– E a Brittany? – pergunto, tentando ser agradável e entender o motivo de a latina aparecer no meio da noite em meu apartamento, sem aviso prévio.
A pergunta parece ter o efeito contrário do que eu esperava. Santana se levanta bruscamente e massageia as têmporas, andando de um lado pro outro do quarto. Abro a boca para me desculpar, mas Santana não dá uma oportunidade de fala.
– Nem comece anã. – ela me repreende visivelmente alterada — Brittany e eu terminamos o namoro.
Santana pausa e senta novamente na cama.
– Terminamos porque ela me traiu com o Sam. – Santana diz e explode em prantos.
Me aproximo dela e sento ao seu lado na cama. Inevitavelmente, lágrimas teimosas surgem em meus olhos. Abraço levemente Santana, esperando com que ela se acalme um pouco.
Aos poucos, os soluços vão diminuindo e a respiração de Santana começa a voltar ao normal.
– Eu entendo. – sussurro e Santana me olha confusa – Finn me traiu com a primeira garota que ele viu lá no acampamento militar e ainda me mandou fotos.
– QUE FILHO DA PUTA! EU PESSOALMENTE QUERO ENFIAR A MÃO NA CARA DO FINNÚTIL. – Santana grita a plenos pulmões.
– São 4 da manhã, Santana. – digo rindo, mas isso não impede a latina de me puxar para pular na cama com ela.
Gargalho alto e grito coisas inteligíveis, aliviando toda a mágoa que estava instalada em mim. Santana faz o mesmo e sorri como eu nunca tinha visto antes. Vamos parando aos poucos e por fim nos jogamos na cama.
– Sabe Rachel, acho que até podemos nos tornar amigas. – Santana diz e me surpreendo por ela ter me chamado pelo meu primeiro nome e ainda ter feito uma proposta dessas.
Apenas sorrio e me levanto. Caminho até a porta e viro em direção à latina:
– Yeah, você até que é legal, Santana. Boa noite.
– Boa noite, Berry. Cuidado para não babar sonhando com a Quinnie. – Santana diz e coro violentamente.
Não entendo o porquê de eu corar, mas Santana parece entender, pois gargalha intensamente.
– Retiro totalmente o que disse sobre você ser legal. – falo rapidamente e corro em direção ao meu quarto, evitando ser alvo de mais gozações de Santana.
Escuto a sonora risada da latina e penso automaticamente no que ela disse sobre sonhar com Quinn. Sinto minhas bochechas esquentarem e tento em vão espantar meus pensamentos. Bufo, por que estou com vergonha?
Duas semanas se passaram e minha convivência com Santana foi ficando cada vez melhor. A latina arrumou um emprego, começou a estudar e provou que realmente já não era aquela garota impulsiva do McKinley.
Kurt desconfiou das reais intenções de Santana nos primeiros dias, mas depois ela conseguiu convencê-lo de que tinha mudado. Portanto, agora nosso apartamento não era composto de três colegas e, sim, por três amigos.
Brody não apareceu mais e Kurt também não o mencionou em nenhuma de nossas conversas. Porém, hoje ele não teria escapatória, finalmente entraríamos no campus do veterano para uma palestra, a palestra que inicia nossas vidas de estudantes universitários.
– Não acredito que finalmente vamos para NYADA. – Kurt diz animado
– Não acredito que você mentiu para meus pais só para que eu viesse para Nova York antes. – retruco com um sorriso
– Foi uma mentira necessária, Barbra.
A palestra já durava cerca de uma hora e consistia numa apresentação breve de todas as regras e normas da instituição. Os alunos devem frequentar todas as aulas e, após de um semestre no mínimo, escolher a carreira que gostariam de seguir.
Brody sentou na frente do palestrante, não conversou e nem virou para trás. Saiu antes do final e não retornou. Vi Kurt se remexer incomodado e não aguentei:
– O que aconteceu entre você e o Brody? – sussurro.
– Beijos e mentiras. — Kurt responde no mesmo tom.
– Mentiras? – pergunto curiosa.
– Ele não me contou que era professor estagiário daqui e nem que tem um affair com a Cassandra. – Kurt diz um pouco mais alto – Um garoto que conheci na entrada que me disse.
Cassandra July é simplesmente a professora de dança mais respeitada de toda Nova York. Todos os alunos que caem em sua sala são aqueles considerados prodígios, as futuras estrelas da Broadway. Meu sonho é ser uma desses alunos.
Kurt encara um ponto ao longe. Sigo o olhar de Kurt e vejo Brody conversando com Cassandra.
– Não entendo, Brody disse com todas as sílabas que é gay. – falo para Kurt.
– Aparentemente – Kurt diz para mim e volta encarar Brody ao longe – ele mantém uma relação secreta com Cassandra para continuar sendo professor estagiário.
Volto a prestar atenção na palestra e faço algumas anotações. As aulas começam efetivamente apenas amanhã, então todos foram dispensados.
Kurt se junta com o garoto fofoqueiro que conheceu na entrada e os dois seguem para o Central Park. Vejo Brody acenar para mim e respondo com um sorriso. Ele tenta se aproximar, mas sou mais rápida e saio de NYADA.
Chego em casa por volta das duas da tarde, exausta. Santana não está em casa, então almoço sozinha um macarrão vegan que estava congelado e vou para meu quarto, descansar.
Acordo com o insistente toque do meu celular. Atendo e uma latina estridente começa a gritar do outro lado:
– RACHEL, EU A VI! A QUINN ESTÁ EM NOVA YORK!
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