Cupcake
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Vou para casa o mais rápido que consigo e sinto todas as partes do meu corpo doerem. Me jogo no sofá ainda com a roupa de dança e gemo audivelmente de dor. Santana me observa rapidamente e solta uma risada escandalosa.
– Muito exercício, Berry? Ou os rapazes que não te deixam descansar? — Santana pergunta entre risos.
– Que engraçada, Santana. – digo e rio ironicamente – Seria ótimo se fossem rapazes me perturbando.
– Uh, tem certeza? Pensei que você quisesse certa loira aí. – Santana provoca e eu coro.
Quinn, uma semana que não a vejo ou falo com ela.
Santana ri e diz:
– Conversei com Quinn ontem.
Pulo do sofá e encaro Santana, sedenta por notícias da loira. A latina se ajeita um pouco na cadeira e sua expressão fica séria. Ficamos alguns minutos nos encarando até ela começar a me contar:
–Olha, Berry, ela me pediu segredo sobre algumas coisas, então eu não vou te contar tudo.
Assinto levemente em compreensão ainda curiosa. O que Quinn esconderia de mim?
– Ela está arrependida por ter saído daquele jeito, ainda mais porque você nem sabia que ela saia com garotas. – Santana diz calmamente, pontuando bem as frases.
Olho confusa para Santana tentando entender se existe algo nas entrelinhas.
– Ela quer se desculpar com você...pessoalmente.
– É só isso? – pergunto a Santana.
– S-sim – Santana gagueja – Que horas são? Eu estou atrasada, tenho que ir!
Estranho a rapidez com que Santana sai do apartamento e tento segui-la, porém sou impedida por Kurt.
– Barbra, vá tomar um banho AGORA! – ele ordena e continua – Ah, passei na Starbucks hoje cedo e uma amiga sua pediu para eu te avisar que ela ainda espera uma ligação sua e...
Saio correndo para o quarto e busco o papel com o número de telefone de Dani, ela deve ser algum tipo de ser mágico, uma fada madrinha talvez. Disco rapidamente e sou atendida no segundo toque:
– Alô? – Dani diz confusa
– Dani, sou eu, Rachel! – respondo animada – Kurt me lembrou de você!
– Oi, Rachel! Pois é, pensei que você não tivesse gostado de me reencontrar. – Dani fala brincalhona – Você nunca foi boa com a memória.
– Verdade – digo levemente envergonhada, lembrando-me da vez em que esqueci de por fermento nas pizzas e elas ficaram parecidas com sola de sapato.
– Bom, a que devo a honra desta ligação? — Dani pergunta entre risos
– Eu estava pensando se você gostaria de vir aqui em meu apartamento, aí podemos conversar melhor e...
– Claro! – ela diz animada – Quando e que horas?
– Ah, pode ser daqui a pouco, quando seu turno terminar? Eu te mando o endereço por mensagem. – respondo
– Oh meu deus, sim! Estou indo já, hoje foi meu dia de folga. — Dani fala – Até mais!
Desligo a ligação, mando o endereço e corro para o banheiro gritando:
– TEREMOS VISITA, KURT. VÁ COMPRAR COMIDA!
Ouço Kurt bufar e a porta de entrada se fechar. Tomo banho apressadamente e consigo me arrumar em quinze minutos, bem a tempo de abrir a porta e me deparar com Dani toda descabelada.
– Subir escadas não é o meu forte. – Dani diz e eu rio, dando passagem.
Dani observa o local enquanto se ajeita.
– Sente-se, por favor. Você quer uma água? – ofereço
– Oh, sim, por favor. – Dani responde se sentando no sofá – Apartamento muito bonito, Rachel.
Entrego a água e me sento de frente para Dani que murmura um ‘obrigada’, tomando em um gole só todo o conteúdo.
Rio levemente com o exagero de Dani. Ouço a porta abrir e vejo Kurt entrar na sala com vários pacotes da padaria mágica dos cupcakes, a Charm City Bakery.
– Hey, Kurt, esta é Dani. Dani este é Kurt, meu melhor amigo. – digo e faço as respectivas apresentações.
– Oi, Kurt. É bom saber o nome do cara mais estiloso que já foi no Starbucks. – Dani fala enquanto ajuda Kurt com os pacotes.
– Wow, obrigado. Trabalhar na Vogue ajuda um pouco com isso tudo. – Kurt diz entre risos – é um prazer te conhecer, Dani.
– Oh meu deus, você trabalha na Vogue? – Dani pergunta chocada e Kurt assente – Já sinto que vamos ser grandes amigos.
Kurt e eu rimos. Dani é definitivamente a pessoa mais animada que já conheci.
– Bom, vamos comer? – digo já abrindo os pacotes.
– Rachel é obcecada com esses cupcakes. – Kurt fala e ri da minha empolgação.
Pego um bolinho e mordo. Solto gemidos altos de aprovação e Dani gargalha junto ao Kurt.
Kurt inicia uma conversa altamente divertida com Dani sobre moda. Observo a interação dos dois e levanto apenas para jogar as embalagens. Me assusto com a porta batendo e Santana entrando aparentemente furiosa.
– Yo odio a los hijos de puta de esta ciudad! – Santana exclama alto, conversando consigo mesma.
Alguns minutos depois de xingar todos os seres possíveis de Nova York, Santana se dá conta de que não está sozinha e fica levemente ruborizada quando vê Dani.
– Oi? – Santana cumprimenta envergonhada.
Rio alto e Santana me fuzila com o olhar.
– Dani, esta é Santana. Santana esta é Dani, uma amiga minha. – digo apresentando-as.
Dani se levanta e vai até Santana que estende a mão amigavelmente. Porém, a garota nos surpreende dando um beijo sutil no canto da boca da latina sussurrando algo audível apenas para ela.
Troco olhares com Kurt que murmura ‘novo casal’ para mim.
Santana quebra a tensão do momento, me chamando para acompanhá-la até o quarto. E Dani se senta, continuando a conversa com Kurt naturalmente.
Santana fecha a porta e desliza até se sentar encostada na mesma.
– Berry, eu estou tendo um ataque. A s-sua amiga quer me deixar louca? E-eu estou tendo a-aquela coisa, sabe? A-aquele suor estranho... Dios mío, o que ta acontecendo comigo?
Sorrio maliciosamente para Santana e rio de seu nervosismo.
– Dani já ganhou seu coração, Sant? – pergunto com um falso ar ingênuo.
Santana me encara brava e suspira.
– Eu estou confusa, tá legal? E-eu não esperava por isso.
– Ninguém esperava. Aliás, eu nem sabia que ela era gay.
Ouço passos e vozes se aproximando e Santana parece cada vez mais desesperada.
– Rach, eu e Dani vamos comprar mais cupcakes e já voltamos, ok? — Kurt diz do outro lado.
Abro um pouco a porta e sorrio abertamente.
– Traga os de limão também! – peço e Kurt revira os olhos.
Dani parece um pouco desconfortável com o ‘gelo’ de Santana e então eu abro totalmente a porta, revelando a latina que ainda estava tensa. Vejo Dani abrir um sorriso gigante e Santana corresponder o mesmo.
–Mudança de planos, Kurt. Vamos deixar Dani aqui com Santana porque eu quero fiscalizar mais os sabores dos cupcakes. – digo e o empurro para a saída, piscando para Dani.
Ando pelas ruas por mais ou menos uma hora e meia com Kurt, até decidirmos parar na Quinta Avenida. Entro numa loja arrastada por Kurt. Pelo vidro, avisto o local onde Quinn trabalha e fico um pouco tensa. Quando Quinn falaria comigo?
– Barbra, estou falando com você! – Kurt chama minha atenção mostrando duas camisas – Azul ou verde?
– Ah, oi! – respondo aérea – Azul, combina com seus olhos.
Espero pacientemente por Kurt para sairmos da loja e então finalmente irmos à padaria. Ao entrar no estabelecimento já vejo milhares de cupcakes no balcão e corro para lá como se minha vida dependesse dos bolinhos, o que é uma verdade.
– Bem-vinda a Charm City Bakery. – cumprimenta um rapaz simpático — Sou Blaine e estou a sua disposição.
– Oh meu deus! – É a única coisa que consigo dizer quando vejo uma fornada de cupcakes de limão chegando.
Kurt se aproxima de mim ofegante e apoia as mãos no joelho antes de falar algo que não consigo entender.
– O que você...
– Hey, Kurt. – Blaine me interrompe cumprimentando a Kurt.
– Oi, Blaine! – Kurt diz e percebo pela troca de olhares que eles são bem mais íntimos do que parecia.
– Você o conhece? – pergunto discretamente a Kurt enquanto Blaine atende outros clientes.
– Sim, ele sempre me atende quando venho aqui. – Kurt responde suspendendo os ombros e sinto que ele está escondendo algo.
Antes que eu possa questionar mais, Blaine volta para nos atender.
– Então, no que posso ajudar?
– Quero quatro caixas dos cupcakes de limão, duas dos de baunilha e uma dos de chocolate. – digo lambendo os lábios e Kurt me belisca lançando um olhar reprovador.
– Barbra! Você não pode comer tantos cupcakes. Você é uma artista. Seu corpo é o seu veículo de trabalho, portanto, merece cuidados especiais. – Kurt diz com um tom severo de mãe que arranca pequenos risos de Blaine.
– Ok, mamãe. Me dê apenas uma caixa com três cupcakes de baunilha e o resto de limão, por favor. — digo por fim.
Blaine volta com caixa e a entrega para Kurt piscando. Com certeza Kurt está me escondendo algo.
– CHEGAMOS! – grito assim que entro em casa para evitar ver qualquer cena inapropriada. E, felizmente, a única coisa que vejo é Santana de roupão na cozinha.
– Não grite, Berry! Dani está dormindo e eu quero ser a pessoa que vai acordá-la. – Santana diz com seu habitual tom sarcástico, mas seu sorriso não nega que ela está mais feliz.
Sorrio inocentemente e pisco meus olhos lentamente murmurando um desculpa.
Santana revira os olhos e pega o pacote da padaria de Kurt que solta um longo suspiro cansado.
– Eu vou me deitar, garotas. Boa noite! – Kurt diz e eu o observo desconfiada, assentindo com a cabeça. Ele ainda tinha que me explicar sobre aquilo com o tal Blaine.
– Boa noite. – Santana responde enquanto mastiga um dos cupcakes e rapidamente me dou conta que é um de limão.
– Hey, larga isso! – digo e Santana ri diabolicamente enquanto começa a correr pela casa.
Reviro os olhos e a persigo, mas não consigo acompanhá-la e ela entra em seu quarto com o cupcake. Bufo, a vida está sendo muito injusta comigo.
Acordo com os constantes gritos de Santana:
– DESLIGA ESSA PORRA, BERRY. É DOMINGO E EU QUERO DESCANSAR.
Levanto meio atordoada e desligo o despertador. Desisto de tentar dormir mais, então vou para a cozinha fazer o café da manhã. Porém, antes de chegar lá, meu celular começa a tocar novamente e eu corro para desligá-lo e não escutar mais gritos.
Pego o celular e vejo um nome que eu não esperava no visor: Finn. Recuso a ligação, não há mais nada para falar com ele. Respiro fundo várias vezes e caminho para a cozinha. Qualquer coisa que envolve Finn é desagradável.
Chegando lá, vejo Santana e Dani no maior amasso. Tento voltar para meu quarto, mas Santana percebe minha presença e se afasta levemente de Dani. Observo o comportamento das duas por alguns instantes até Dani quebrar o silêncio:
– Eu tenho que ir. Te ligo depois?
– Com certeza, gata. – Santana responde arqueando a sobrancelha e consequentemente arrancando risos de Dani.
– Hey, Rach, você pode me acompanhar até a porta? – Dani pede e eu assinto levemente sob o olhar ciumento de Santana.
Dani sussurra alguma coisa que deixa a expressão de Santana mais leve e então finalmente me acompanha.
– Você queria me contar algo, não é? Me desculpa por ter...meio que esquecido disso? – Dani questiona e percebo uma marca roxa em seu pescoço.
– Não se preocupe, Dani. Com certeza nos veremos mais aqui, certo? – digo e aponto disfarçadamente para a marca.
As bochechas de Dani ficam rapidamente vermelhas e ela tapa o pescoço.
– Oh, acho que sim. – ela diz ficando cada vez mais envergonhada.
– Tinha a ver com uma pessoa, preciso da sua ajuda. – explico.
– Finn? – Dani pergunta e então me lembro da ligação. O que Finn queria depois de tanto tempo?
– Não... Eu e Finn terminamos faz um tempo já. – respondo e as bochechas de Dani voltam a se ruborizar.
– Meu deus, me desculpe. Eu sempre falo dele e isso deve ser muito desagradável.
– Hey, tudo bem. Você não sabia. – digo e Dani observa seu relógio de pulso – Você tem que ir, certo?
– Sim ou então vou me atrasar para o trabalho. – Dani responde enquanto me abraça, se despedindo – É realmente um saco trabalhar de Domingo. Até mais!
– Até! – falo enquanto rio da velocidade em que Dani desce as escadas.
Fecho a porta e uma latina interrogadora me espera na sala.
– Acordou com o pé esquerdo, Berry? – Santana me pergunta observando minha expressão que deveria estar assustadoramente tensa.
– Finn me ligou – digo e Santana me encara profundamente- Mas eu não atendi.
– O que será que ele quer? Acho bom ele não te procurar ou então eu enfio a mão na cara dele até...
– Relaxa, Sant. Está tudo bem, acho que ele não é capaz disso. – interrompo mudando de assunto – Mas, então, como foi com a Dani?
Santana levanta uma sobrancelha e sorri maliciosamente.
–Foi maravilhoso! Mas nem vem que não vou te contar ainda.
– Por que não? – pergunto e faço minha melhor cara de cachorrinho abandonado.
– Porque...
–BOM DIA, GAROTAS DA MINHA VIDA! –Kurt interrompe Santana, animadíssimo.
– Que nojo, Hummel. – Santana diz revirando os olhos.
– Bom dia! – o cumprimento de volta – Vejo que o senhor está animado, aconteceu algo que não estou sabendo?
– Tenho um encontro hoje – Kurt diz sorrindo – com o Blaine!
Então era isso!
– Oh meu deus, que legal! – Santana ironiza – Também vou sair hoje, então não me esperem para o almoço nem para o jantar.
– Que horas seria esse seu encontro, Kurt? – pergunto temendo a possibilidade de ter que passar o dia INTEIRO sozinha.
– Hum, daqui uns quarenta minutos e não tenho hora para voltar. – Kurt responde enquanto come rapidamente uma panqueca e sai correndo para se arrumar.
Bato a cabeça no balcão dramaticamente enquanto bufo. Ótimo, ficarei sozinha.
Após assistir quatro temporadas de America’s Next Top Model seguidas, a campainha toca e eu me levanto preguiçosamente.
–Estou indo! – grito e caminho em passos largos até a porta.
Abro-a e arregalo os olhos um pouco surpresa.
– Hey, Rachel! – Quinn me cumprimenta envergonhada – E-eu preciso falar com você, po-posso entrar?
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