Cuore Di Bella
32 Capítulo 25
Eu parecia uma criança de cinco anos sendo repreendida pelo pai. Charlie tinha o bigode torto, um tique no olho, um olhar duro, o nariz tremendo e os lábios em uma linha fina, secos. Me arrependi de ter feito Thomas dormir para conversar com ele, pelo menos com o gordinho do lado, Charlie ia amolecer e não gritar. Passei as últimas duas horas contando e recontando minuciosamente cada coisa – dentro da minha memória – para meu pai e irmão, que gravaram toda conversa, a fim de criarem uma minuta e depoimento prévio. Já nos preparando para qualquer coisa.
Charlie acreditava que eu não seria envolvida na morte de James pela falta de contato com Jane e os Volturi desde o fim da minha gravidez. E também entreguei a eles a gravação da ligação da semana passada e o extrato da conta detalhada que Edward tinha pedido na operadora hoje cedo. De qualquer modo, eu estava me sentindo mais segura. E um pouco com raiva... Eu não aguentava mais a espiral de ter James na minha vida... Só queria viver longe dele. Vivo ou morto. Em compensação, não mandei ninguém matar ninguém e era por isso a injustiça de possivelmente estar envolvida com isso.
Eu entendi Charlie. Se Thomas estivesse envolvido com algo do tipo ia ficar tão furiosa. E também entendia a cautela que Edward determinou sobre nossos passos. Foi uma coincidência um vizinho nos procurar e propor segurança na rua. Nossa casa ficava no fim, na parte sem saída, então, tínhamos uma cabine com três seguranças. Carros e pedestres só entravam com autorização. Quase um condomínio fechado.
Jacob já tinha entrado em contato com uns amigos do consulado, o casamento de Victória era real, então, sua estadia no país estava tranquila. E também foi enviada uma indicação de um advogado que residia em Seattle para acompanhá-la caso também fosse envolvida. Jacob tinha certeza que iríamos ser chamados pelo FBI. Não era sobre James, ele era peixe pequeno, isca para agarrarem os Volturi.
– Você não sabe o quão dou graças a Deus que você está aqui agora, Bella. – Charlie suspirou esfregando as mãos no rosto. Ele estava cansado. – Se você estivesse na Itália e isso tivesse acontecido, filha eu enlouqueceria.
– Sinto muito... – sussurrei engolindo o choro. Eu estava errada e tinha que aguentar as consequências dos meus atos, porém, não havia nada além de ‘sinto muito’ que poderia dizer.
– VOVÔÔÔ! – Seth entrou correndo, totalmente desajeitado e cumprido como o pai, agarrando as pernas de Charlie;
– Oi garotão! – Charlie sorriu com as rugas de expressão suavizando rapidamente – Que saudade, meu homem. Por onde andou?
– Na escola! – gritou animado batendo palmas. O olhar de Jacob tinha um brilho que eu reconhecia em Edward. Um brilho apaixonado.
– E o beijo do papai?
Seth saiu correndo e se jogou nos braços do pai e encheu de beijo.
– Ei, estou com inveja! Tia Bella não merece beijo? — provoquei ganhando vários beijos babados. — Que gostoso! Que saudade de você!
– Bonita tia Bella.
– Eu sei que sou bonita! — pisquei fazendo cosquinhas e ele gritou animado, mas outro grito me chamou atenção. Era como se um alarme disparasse na minha cabeça. Edward estava com o rosto amassado, cabelo bagunçado e com um Thomas igualmente sonolento gritando animado ao ver tanta gente. Meu gordinho estava uma pestinha para chamar atenção. — Olha quem acordou com o papai!
– Oi amor... Ele acabou me fazendo dormir. — Edward sorriu sem graça. Já imaginava que ele fosse dormir e pela demora ao descer. Ele só ia colocá-lo no berço. — Perdi muita coisa?
– Perdeu tudo... Terminamos de conversar. Está tudo bem. — Charlie respondeu pegando Seth no colo — Agora eu vou paparicar meus netos um pouco. Me dá essa criança aqui. — disse e Edward ajeitou Thomas no seu colo. Meu lado mãe ficou desesperado porque meu filho poderia se mexer rápido e cair. Ou Charlie se descuidar e ele escorregar — Isabella! Eu cansei de carregar você e Jacob no colo e ainda separando briga. Me dê um pouco mais de crédito.
– Mas eu não falei nada! — defendi-me rapidamente me encolhendo nos braços de Edward, que ria, claro.
– Vá lá pra cima e faça companhia ao seu marido um pouco, deixa que fico com as crianças. Se ele chorar, te chamo. — Charlie piscou todo conspiratório para Edward, que riu mais ainda e me jogou sobre os ombros.
– Homem da caverna, devagar comigo na escada. — gritei batendo na sua bunda.
– Querida, minha intenção é não cansar você. Só depois que a porta tiver fechada.
– Edward... Meu pai está te ouvindo. — murmurei envergonhada com a gargalhada de Charlie.
– Ele sabe o que fiz com você para Thomas estar aqui. Ele ama tanto o neto que está grato por isso. — provocou subindo os primeiros degraus da escada — E se você for silenciosa, ele nem vai desconfiar. — sussurrou
No quarto, nós não fizemos nada demais. Só ficamos abraçados... Brincando com nossos dedos, trocando beijinhos carinhosos, conversando baixo sobre coisas da nossa nova rotina. Acertamos novos horários que não estavam dando certo, planejamos um pouco mais sobre seu aniversário e falamos sobre a gravidez de Alice. Uma semana tinha dado o que falar!
Thomas tinha sido bonzinho e dormido a maior parte da noite, então, aproveitamos muito bem. E como aproveitamos! Ele chegou por volta das onze horas da noite em casa. Nós brincamos com o pequeno juntos, ele apagou e nós continuamos a brincar, conseguimos tirar um cochilo antes de o gordinho acordar com toda disposição. Edward quis ser bonzinho e me deixar dormir, mas ficou brincando com nosso pequeno delicado feito um mamute na cama. Não sei quantas tapas levei e quantos gritos me assustaram até desistir.
Em algum momento da tarde, Charlie trouxe Thomas. Ele estava resmungando e com aquele olhar magoado até o momento que nos viu. Eu o amamentei e fiz um cafuné nos seus impossíveis cabelos até cair em um cochilo gostoso com o seio na boca.
– Tão perfeito. – Edward sussurrou beijando a bochecha do gordinho – Na hora de dormir ele está com essa mania, reparou? De segurar a gente com força. – apontou para mãozinha dele agarrando meu cabelo
– Duas noites brincando na nossa cama e adormecendo com a gente está acostumando-o mal. A gente não pode dar mole ou daqui a pouco vai acordar no berço e chorar.
– Tão pequeno e tão cheio de marra. Ele não gostou quando briguei com ele sobre morder minha camiseta. – Edward riu levemente arrastando o nariz pelo rostinho dele e por consequência, meu seio.
Eram momentos tão simples, tão normais que eu me sentia tão completa. Era o meu lugar. Ser mãe e ser esposa. Não era nada sobre Itália, cozinhas típicas ou viver longe. Eu nasci para ser mãe de família. Mãe da família do Edward... De nenhum outro.
.~.
Meu gordinho estava engatinhando. Eu fiquei sorrindo como uma boba quando aprendeu a sentar sozinho (ou chorei surpresa quando virou no berço sozinho). Não satisfeito de começar a progressivamente, agora estava querendo correr. Principalmente se a gente ameaçasse pegá-lo, ria de se acabar, olhando sobre o ombro e caindo de cara no chão. Nem sempre chorava, mas nunca parava.
Eu gravei vários vídeos dele engatinhando, puxando novos brinquedos, tentando ficar em pé sozinho, puxando as coisas da mesa e se melecando com a comida. Um biscoito virava massa de modelar babada. Tudo era muito, mas muito gostoso. Meu gorducho era um sapeca tão perfeito que me deixava louca de amor.
Já estava a meia hora observando Edward contar uma história de dormir. Era algo da mente dele. Um casal de ursos que tinham um bebê urso e várias aventuras. Thomas não estava dormindo e nem tão perto. Seu olhar estava atento e alegre, acompanhando cada mínimo movimento do pai... Entendendo perfeitamente e rindo.
– Eu peço para fazer Thomas dormir e você está agitando-o ainda mais? – perguntei assustando-o. Edward deu um pulo e virou sorrindo traquinamente.
– Talvez tenha me empolgado. – deu os ombros e continuei séria – Tá, nós vamos dormir agora.
– Não, eu vou fazê-lo dormir e você vai ajudar Emmett na organização das mesas com o pessoal do buffet. É seu aniversário, não meu.
– Tensão pré menstrual? – provocou
– Tensão pós Alice. – rebati irritada empurrando-o do quarto.
– Amo você, tá?
– Cai fora. – sorri fechando a porta – Também te amo.
– Eu sei. – respondeu do lado de fora – Abre a porta, quero te dar um beijo.
– Todos. – respondi abrindo a porta de novo e ele me agarrou, beijando-me de uma maneira tão gostosa que fiquei sem ar, querendo mais quando ele se foi. Edward estava me deixando louca desde o momento que abriu os olhos esta manhã.
Nós ficamos nos agarrando feitos adolescentes na cama e ele não fez mais nada. Quando achei que teria sexo bom e gostoso logo cedo de bom dia, ele saiu da cama e foi tomar banho. Fiquei sem entender nada! Eu tinha ido dormir toda cheirosa, com o cabelo feito, perfume especial, camisola de seda... E ganhei um beijinho de boa noite.
Durante o café da manhã quis que eu sentasse no seu colo, ficou me agarrando, beijando, me empurrando contra paredes, apertando minha bunda, chupando meu pescoço, falando obscenidades e nada! Estava quase tendo um orgasmo por pensamento! Se ele fizesse isso mais uma vez iria estuprá-lo!
– Mamãe está ficando doida com seu papai. – sussurrei para Thomas, que já estava no meu colo mais para lá do que para cá. – Tomara que você se canse muito na festa do seu pai e durma a noite toda.
– Coisa feia, mamãe! Manipulando o bebê. – Edward riu encostado na porta.
– Coisa feia ouvir conversa alheia. – retruquei colocando Thomas no berço e deixando o leãozinho que ele adorava bem ao lado.
– Então a mamãe está ficando louca comigo, é? – Edward sussurrou me abraçando por trás – Eu realmente estava planejando isso... Te deixar pegando fogo o dia inteiro para te pegar de jeito mais tarde.
– Edward... – choraminguei me esfregando nele – Você só pode estar brincando comigo!
– Pareço brincando com você? – disse girando meu corpo e empurrando-me contra parede, atacando minha boca famintamente e espremendo meu corpo me erguendo pelo seu quadril.
– Eu quero tanto você... – sussurrei ofegante mordendo seus lábios – Não faz isso comigo, amor.
– Faço sim... – murmurou se esfregando mais ainda – Eu sou louco por você.
– Te amo, bobinho. – sorri beijando-o novamente e ele me ergueu no seu colo – Amor, nós estamos no quarto do nosso filho de oito meses. – sussurrei meio que empurrando-o. – Vamos para o nosso...
Edward riu, me carregando no colo até o nosso quarto, me jogando na cama.
– Tentando fazer uma irmãzinha para Thomas? – Emmett perguntou assustando nós dois
– Emmett! Cai fora! – Edward gritou rindo – Desaparece!
– Deixem isso para depois... Alice está dando um escândalo com o cara do buffet... Vocês podem pausar e resolver?
– Merda. – sussurrei ouvindo Thomas chorar – Ele não dormiu nem 20 minutos! Inferno!
Thomas me abraçou tão apertado que parecia meses sem me ver. Ele não queria me soltar, queria ficar agarradinho. Não que estivesse reclamando, meu filhote era tudo que queria apertar na vida e o pai dele principalmente.
– Isabella, olha bem pra mim! – Alice estalou os dedos com aquele olhar ultrajado. Minha família estava com cara de quem estava engolindo o riso. Até Thomas chegou A virar o rostinho e depois desistiu, soltando um suspiro preguiçoso e fechando os olhos. – Você acha que meus hormônios grávidos não querem ter uma rapidinha com meu marido? – gritou e Jasper escondeu o rosto entre as mãos.
– Bom... Eu entendo. – murmurei um pouco pensativa – Vocês podem usar um dos quartos de hóspedes... – dei os ombros e a família inteira caiu na gargalhada. Ela ficou irritada e saiu batendo pé – Falei nada demais.
– Agora Bella, eu achei que vocês teriam deiscência de se comportar no quarto da criança de vocês... – Carlisle disse se forçando todo compreensivo – Por isso que Thomas está assim, não quer te soltar. Ele viu o pai te deflorando! – disse rindo e eu estapeei a nuca de Emmett.
– Fofoqueiro. Vou fazer Rosalie ser minha essa semana e te deixar na seca. – ralhei puxando sua orelha.
– Ei, calma! Eles só me perguntaram o que vocês estavam fazendo e eu disse: Fazendo sexo no quarto de Thomas. – retrucou massageando a orelha e foi inevitável, até eu ri – Thomas, sua mãe tem um aperto forte. Melhor se comportar ou saber correr muito rápido. – murmurou levando sua garrafa de cerveja a orelha.
– Agora é só esperar os poucos convidados chegarem, o que Alice tanto quer? – Edward perguntou e ela voltou para a cozinha com bico, abraçando o irmão – O que você quer, maninha?
– Um bolo de chocolate. Eu estou velha... Fazendo 32 anos! – choramingou na camisa de Edward e eu revirei os olhos, beijando a testa do meu gordinho.
– Amorzinho da mamãe, o que você tem? – sussurrei esfregando meu nariz na sua testa e ele bocejou – Preguiça? Daqui a pouco tem que acordar para almoçar. Vovó fez uma papinha tão gostosa. – disse e ele abriu os olhos, prestando atenção em mim. – Está com fome, gordinho?
Thomas ficou balbuciando coisas na sua língua de bebê de forma preguiçosa. Eu respondia o que achava que ele estava falando, mordendo com os lábios seus dedinhos, beijando sua bochecha deliciosa. Thomas sorria com seus dois dentinhos e tocava meu rosto pedindo mais atenção. Até que percebi tudo no perfeito silencio e todos eles tinham sorrisos doces, observando-me interagir com meu bebê.
Fiquei tão envergonhada que dei as costas e eles riram alto. Até Charlie estava tirando fotos do celular dele. Edward e Alice me abraçaram apertado, sorrindo do meu estado de vergonha.
– Seus bobos. – murmurei tentando me recompor – Isso não se faz.
– Agora todo mundo entende o que eu passo o dia inteiro... Não canso de assistir você interagir com o nosso bebê. – sussurrou beijando-me na bochecha. – Agora, quem vai almoçar com o papai?
Edward colocou Thomas na cadeirinha. Foi falar em comida que a criança começou a sacudir as pernas e a gritar batendo na mesa. Esme chegou a brincar que esse comportamento era típico de Emmett e Rosalie concordou na hora.
– Sem colocar a mão na comida, Thomas. – Edward disse severamente – Agora lambe esse dedo sujo. – brincou puxando a mãozinha babada e melada de purê de batata para limpar.
A campainha começou a tocar desde esse momento. Eram amigos de Alice. Amigos de Edward. Amigos dos dois. Amigos de Carlisle e Esme... E de repente estava tudo tão cheio, os garçons do buffet não paravam um segundo sequer... Thomas ficou no colo do pai rodando pela festa, indo no colo de Deus e o mundo, babando metade da mulherada que estavam babando no meu território.
Jéssica estava comendo observando com um brilho orgulhoso Mike andar com Landon pela festa. Edward e ele revezavam sobre quem estava mais fofo sendo pai. Nós duas agora trocávamos figurinhas constante sobre nossas crias e tínhamos uma felicidade imensa com isso. Era engraçado porque “ontem” eu a ouvia dizer seu amor por Mike e eu pela culinária.
Angela e Ben estavam no México gravando um novo filme, eles ligaram desejando parabéns e iriamos nos visitar assim que ficassem em Los Angeles. Garrett e Tanya estavam tão concentrados um no outro que acho que mal perceberam a festa passar... Ela parecia feliz. Menos uma dando em cima do meu homem.
– Bella, você baba mais do que eu! – Esme brincou me abraçando.
– Seu filho é lindo, Esme. E nós fizemos uma criaturinha mais linda ainda. É impossível não babar. – suspirei vendo meu filho escalar o colo do pai ao fugir das cosquinhas de Mark. Ele e Bree estavam firmes e fortes até hoje... Tão apaixonados que era bonito de ver.
O amor tem guinadas loucas. Foi preciso a menina levar um tiro no lugar dele para abrirem os olhos pelo o que sentiam um pelo o outro.
– E eu fico feliz... Meu filho é tão bonito sendo pai. Como mãe, me sinto orgulhosa.
– E eu agradecida.
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Quando Thomas estava comemorando seu décimo mês, eu estava comemorando meu vigésimo oitavo aniversário. Nós tivemos uma festa pequena, ao contrário de Edward e Alice. Também não conhecia tanta gente assim... Foi muito divertido! Tivemos um Karaokê, fiz rodadas de massas variadas com sobremesas a escolha do convidado. Claro que precisei da ajuda de uma equipe, mas foi o melhor presente de aniversário que Edward poderia me dar... Comandar minha própria cozinha no meu aniversário.
Thomas estava tão espoleta! Ele estava quase falando papai, pelo menos fazia um som parecido toda vez que queria Edward. Ele já não mamava mais com tanta frequência no peito, dormia horas mais prologadas, estava ficando firme de pé e dava passinhos minúsculos apoiado nas coisas ou conosco dando suporte. Seus pés eram meios apressados e o gordinho parecia um patinho desengonçado querendo correr.
Ele reconhecia coisas e pessoas e estava cada vez mais seleto com suas preferencias. Seu café da manhã preferido era purê de maça. Seu almoço era bolo de abobora e adorava pequenos pedaços de cenoura cozida. Ele fazia uma bagunça com papinha de espinafre e gostava de beliscar comida de gente grande. Sua mamadeira era um santo graal. Vivia em um altar de ouro, porque o menino quando via faltava sair de alegria.
De noite ele ficava em pé no berço e chamava por papai. Era uma sequencia de ‘papapapa’ e ele batia na grade pedindo atenção. Às vezes queria mamar. Às vezes queria colo. Às vezes tinha a sensação que só queria tirar a gente da cama ou do sexo.
Thomas também estava mais amiguinho. Ele conseguia interagir com Landon e Caroline. Apesar de ela brincar mais com Seth do que com os pequenos.
Como agora, ele estava tentando enfiar um brinquedo na boca de Edward que estava dormindo. Em algum momento entre ficar de olho em Thomas enquanto eu cozinhava o almoço, Edward dormiu. Sei que o pimentinha já tinha arrancado duas folhas da minha plantinha do corredor, ligado a televisão e espalhado sua caixa de brinquedos no chão do sala.
Assim que me viu, agachou no chão e veio engatinhando com um sorriso tão gostoso que me ajoelhei para esperá-lo. Ele começou a balbuciar coisas, apontando para o pai como se estivesse contando o que fez.
– Tudo bem, menino do relatório. Vamos acordar o papai para almoçar? – disse beijando sua bochecha e ele sorriu com seus oito dentinhos na boca. Ontem ele tinha dois... Só eu sei as febres que ele teve nesse período. E os choros que eu tive.
– PAPA! – Thomas gritou batendo no rosto do pai dele, completamente animado.
– Devagar, filhote de mamute. – ralhei brincando puxando-o para longe do rosto de Edward, que tinha os olhos despertos e um sorriso preguiçoso – Oi papai dorminhoco.
Edward estava dedicando-se um artigo cientifico no qual ele podia ganhar um prêmio por inovar a maneira que cateterismos são feitos em pessoas acima de 60 anos. Foi algo que ele descobriu e queria dividir isso com a sociedade de medicina. Sim, sociedade porque eles possuem um mundo no qual eu só fui entender depois de ir em alguns eventos.
Eu não estava culpando-o por estar cansado... Até estava ajudando a revisar uns capítulos. Tudo que poderia ajudar era ortograficamente. O resto eu não entendia, só estava aprendendo.
– Almoço pronto? Estou com fome. – Edward sorriu meio bocejando – E eu preciso dormir mais... Ou vou cair.
– Depois do almoço você deita um pouco... Vem comer, saco vazio que não para em pé. Fiz bolo de batata que você gosta.
Enquanto Edward dormia, fiz algumas ligações. Até o momento eu não tinha recebido nada de Jane. Absolutamente nada. Victória e eu trocamos e-mails, telefonemas como sempre. Ela tinha sua vida e eu a minha, mas nós teríamos uma ligação para sempre. Nós nos salvamos de um homem que tentou matar nós duas... Era forte demais para ignorar.
Charlie já tinha entrado em contato com algumas autoridades do consulado. Nós estávamos preocupados com isso, mesmo que minha vida não tivesse mais nada a ver. Eu era casada, tinha um filho, um endereço fixo e uma união estável com amigos e família.
Thomas estava agitado, pentelhando pra caramba e eu tive que manter minha pequena fera longe do pai. Depois resolvi tomar um banho com ele para acalmar os ânimos e Edward acordou e terminou me ajudando, mas o resultado foi os três apagados na cama pelo resto da tarde até o meio da noite.
– Família de preguiçosos – bocejei observando Thomas se espreguiçar gostosamente e depois se aninhar no peito do pai e enrolar a mãozinha na camiseta.
– Nós estávamos cansados... Eu e você. Gordinho só veio na onda. – murmurou com a voz rouca de sono. – Quer sair para jantar e passear um pouco?
– Ah, eu quero... – sorri levantando-me devagar – Fica com o gordinho que eu me arrumo rapidinho, tá? – inclinei-me para beijá-lo. – Já volto.
Escolhi uma calça jeans, sapatilhas e uma blusa fácil de tirar se precisasse trocar ou amamentar Thomas na rua. Passei um pouco de maquiagem e fiz uns cachos com babyliss na ponta do meu cabelo.
– Ual... Desista, vamos colocá-lo no berço e ficar em casa. – Edward sorriu me provocando.
– Salve isso para mais tarde. Eu vou colocar uma roupa nessa criança preguiçosa! – sorri fazendo cosquinhas em Thomas e ele riu gostosamente, fazendo biquinhos de preguiça. – Filho, acorda... Nós vamos passear.
Em resposta, ele rolou de lado não querendo levantar. Meio que não me dando atenção. Ri e tirei sua camiseta e meias de ficar em casa. Edward veio com um conjunto de roupa pra ele e foi tomar banho. Thomas fez birra chutando as pernas no ar, não querendo vestir a bermuda.
Depois de pronto, ele estava emburrado. Não queria brincar, a música do carro passou despercebido. Ele tinha uma personalidade impossível... E era tão pequeno. Edward e eu ficamos rindo disso até chegarmos um restaurante que a torta de queijo era maravilhosa.
Thomas fez tanta graça no restaurante que o casal de senhores ao nosso lado ficou encantado e brincou com ele. Ele quis subir na mesa, enfiar a mão na minha comida, quis brincar com Edward e comeu praticamente um pedaço de torta. Foi uma graça total.
– Vamos colocar esse tênis para gastar... Vem gordinho. – Edward chamou para andar um pouquinho no chão, na orla da praia. Os cabelos ruivos, puxados para o bronze como do pai estavam todo para o alto, ele gargalhava a cada passinho que dava.
Thomas soltou um grito animado quando reconheceu Mark e Bree antes de mim ou Edward. Ele quis sair correndo para o colo do super tio (como Mark se auto titulava).
– Meu campeão! Que saudade! – Mark gritou rodopiando Thomas. – Oi gente, que surpresa!
– Se tivéssemos combinado, não iria dar certo. – Bree sorriu me abraçando – Como vão?
– Estamos bem, resolvemos aproveitar a noite e gastar energias do gordinho. – respondi rindo de Thomas puxando os cabelos de Mark com força.
– Vamos sentar ali... – Edward ofereceu apontando para um quiosque na praia. – Namorando a luz do luar, Mark?
– Edward! – ralhei. Ele ainda estava implicando muito as súbitas mudanças apaixonadas de Mark – Deixa de ser chato.
– O que eu fiz?
– Nada. – revirei os olhos e dei a Thomas um biscoito para se distrair.
– Na verdade, Mark e eu queremos fazer um convite a vocês. – Bree disse docemente e eu arfei ao ver o anel de noivado na sua mão. Ela sorriu brilhantemente e ergueu pra mim – É tão lindo! Não é? Um máximo!
– Perfeito! Me conta isso!
– Querem ser nossos padrinhos? – disparou e eu assenti abraçando-a apertado com Thomas no meio – Você me ajuda nos preparativos? Eu não tenho amigos aqui para me ajudar!
Nós passamos a noite inteira falando sobre casamentos, vestidos de noiva, casas de festas, decorações e buffet. Nós combinamos de almoçar juntas no dia seguinte quando Thomas estava cansado demais para ser legal e começou a emburrar de novo. Também estava muito tarde e já passava da sua hora de dormir.
Edward estava silencioso. De alguma maneira isso me incomodou... Deitados na cama, cada um do seu lado, em completo total silencio estranho. Minha mente ainda vagava com ideias de vestido de noiva e decorações que ela poderia gostar... Até que ele me tocou. Entrelaçou nossas mãos.
– Eu fiz errado de novo, não é? – sussurrou baixinho e eu fiquei confusa – Tirei mais alguma coisa de você.
– Do que você está falando?
– Eu não sabia que você queria casar até hoje... Que você tinha esse sonho. – murmurou e eu fiquei atordoada.
– Eu não tinha pensado nisso... – sussurrei evitando seu olhar.
E agora, eu queria casar. Queria vestir branco e caminhar ao altar. Mas isso era tarde para nós.
~x~
N/A: Não pulando a parte tensa da fanfic, será que rola uma cerimonia? Rewiews me :)
Mais alguns capítulos e estamos finalizando. E assim, voltarei as postagens regulares da outra fanfic que também está chegando ao fim.
N/B:Pulando a parte tensa da fic... temos mais um capítulo com muita fofura de Thomas. Sinto que vou sentir muita falta dessa criança quando chegar a hora da fic acabar... aiai. Bella pensa que é tarde para casar assim, de branco e tudo, mas nunca é tarde.. tomara que ela consiga o que quer né?? Comentem amores xx LeiliPattz
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