Notas iniciais
Leiam as notas finais.

CUIDADOS

Terceiro.

Sakura espreguiçou-se desajeitadamente, desligou o alarme do celular impaciente e aborrecida daria qualquer coisa para dormir mais cinco minutos ou cinco horas, ainda estava magoada, mas não podia negar que o Uchiha tinha a tocado de uma maneira com seu pedido de desculpa que estava sendo difícil manter-se zangada com ele por mais tempo, ela bufou.

Levantou da cama com o lençol ainda enroscado na perna, deu um chute que o levou para longe, estava com muito frio, passou a mão ao redor dos braços com os lábios trêmulos, aproximou-se do pequeno basculante e entendeu, uma camada grossa de neve tomou conta da cidade, soltou um suspiro admirando aquela visão magnifica não nevava em muito tempo isso só queria dizer uma coisa, o Natal estava chegando, seu estômago embrulhou não que ela odiasse essa época do ano, na verdade gostava até mesmo que não tivesse motivos para tanto, mas era uma das poucas épocas de prosperidade no lugar que ela chamou de lar por muitos anos, mas ainda havia os aspectos que ela não gostava tanto, franziu o cenho.

Escolheu roupas quentes e confortáveis para encarar o frio lá fora.

“O metrô vai estar lotado”, revirou os olhos, se apressando para se arrumar para seu dia começar logo.

E como imaginou o metrô estava cheio não pode nem aproveitar a viagem sentada, mas teve um ou dois momentos de diversão quando típicos corais da época do ano entravam de vagão em vagão cantarolando músicas divertidas pedindo donativos para creches e orfanatos, Sakura depositou algumas moedas com uma nota de cinco dólares em uma das meias de Papai Noel que uma jovem de cabelos ruivos carregava.

Desceu do metrô com o coração apertado por não poder doar mais, caminhou com calma até chegar ao prédio e o porteiro estava lá, ela sabia reconhecer quando alguém tinha interesse, mas definitivamente não era mútuo, não que ele fosse desagradável ou tivesse uma aparência ruim, muito pelo contrário, só basicamente não era o seu tipo, ele a encarou com um sorriso.

— Bom dia senhorita.

— Pode me chamar de Sakura, já disse. – Ela falou de maneira educada. – E bom dia.

— Minha educação não me permite. – ele sussurrou de maneira modesta, com um sorriso cretino nos lábios.

“Galanteador”.

— Mas posso dizer que estou impressionado com a senhorita – ele sibilou de maneira provocativa – normalmente as enfermeiras não ficam por tanto tempo aí – ele apontou o dedão para cima, claramente referindo-se ao apartamento 101, logicamente ao Uchiha – elas fogem antes dos três primeiros dias.

— Talvez eu seja diferente. – Disse de maneira decidida.

— Isso se nota de longe. – Ele a olhou de cima abaixo por detrás do seu balcão de informações. – Vamos ver até quando vai durar. – Ele parecia desafia-la, ou algo assim, não imaginava que a fama dele corria pelos corredores do prédio dessa maneira, ela andou sem lhe dar mais atenção, conseguia imaginar as pessoas daquele lugar fazendo um verdadeiro bolão (aposta) para ver quanto tempo iria durar a próxima pessoa, revirou os olhos.

“Pessoas são podres divertindo-se com a desgraça alheia”.

Chegando ao apartamento sentiu uma paz em seu peito, por mais difícil que seja a convivência com o morador nada peculiar do apartamento 101 ele a fazia sentir-se útil e viva como nunca se sentiu antes.

Foi até a sala e lá em cima da mesa de centro havia uma grande caixa com um bilhete em cima, afoita movida pela curiosidade sentou-se no tapete da sala tirando o bilhete e o lendo com atenção.

Sakura, cá estou eu pedindo mais um pequeno favor, quero que monte nossa árvore de Natal— Sakura sorriu como uma menininha seus olhos brilhavam, imaginando o tamanho da árvore e os enfeites maravilhosos que aquela enorme caixa escondiam, Mikoto era uma mulher de muito bom gosto, capricho e zelo, sendo assim não esperava menos dela – e caso queira, gostaria de convida-la para cear conosco na noite do dia vinte quarto para o dia vinte e cinco de dezembro, poderá dormir aqui claro — ela se sentiu lisonjeada com o convite, nunca teve natais excepcionais longe disso na realidade – muito longe mesmo – sua madrinha deixou de comemorar o feriado há algum tempo quando seu primeiro namorado Dan sofreu um acidente de carro devido a uma nevasca que fez com que seu carro deslizasse e se chocasse contra o poste, ele passou dias no hospital entre a vida e a morte lutando até o último segundo e no dia 2 de janeiro de 2003 ele faleceu, já havia se passado quatro anos indo para o quinto ano desde o ocorrido e ela ainda não havia superado, mesmo que ela não deixasse de lhe presentear, não era a mesma coisa como nos filmes com uma ceia, uma família reunida, imaginava que aquele ano seria como em alguns outros ela sentada em uma lanchonete comendo panquecas ou bolo com chocolate quente. – não sinta obrigada a aceitar.”. – Terminou de ler com um sorriso nos lábios que mal lhe cabia na face, era uma alegria imensa que sentia com aquele singelo convite.

Sakura colocou as mãos em cima do objeto sentindo uma tentação de abrir a caixa, mas teve uma ideia, sem pensar muito a respeito deixou tirou os sapatos pesados colocando-os em um canto da sala e atravessou o corredor como um raio e abriu a porta sem bater, Sasuke assustou-se um pouco com o barulho da porta e a chegada tão súbita de sua companheira, ele lia um livro calmamente sentado em sua poltrona enquanto esperava que ela chegasse, mesmo que não pudesse vê-la seu cheiro era inconfundível e único.

— Sasuke... – Ela lhe lançou um olhar doce, depois do que aconteceu ontem ela não podia negar o enxergava de uma maneira diferente, ela conseguiu ver o que ele mostrou possivelmente a poucos.

Ele sorriu de canto, um sorriso despretensioso.

— Aprendeu meu nome? – Sibilou as palavras de maneira embargada, soletrando cada letra, se divertindo com aquilo, deixou o livro ao lado da poltrona de couro.

— Não me faça esquecer Uchiha. – Murmurou fingindo impaciência frisando a última palavra por fim para provoca-lo. – É Natal, digo daqui uma semana – ele parecia não lhe dar muita atenção – sua mãe me pediu para montar a árvore gostaria de saber se gostaria de me ajudar... – Ele ficou em silêncio por longos segundos que soaram como horas.

“Droga”.

Pensou em voltar, ele nunca iria querer isso, revirou os olhos pensando na idiotice que era aquela ideia quando então ele se colocou de pé, em passos largos em foi na direção dele dando o braço e juntos caminharam em silêncio ela tomou aquilo como um sim.

— Chegamos. – Ela disse com doçura. – Vou me sentar no chão será melhor para montarmos.

Ela se sentou no enorme tapete enquanto colocava a caixa grande e um pouco pesada no chão, ele com cuidado tateando os móveis próximos para se acomodar, quando finalmente se sentou ficou com seus joelhos roçando na perna esquerda de Haruno que sentia a proximidade com grande tensão tentando ignorar o fato de estarem tão juntos.

Ela abriu a caixa e sua boca formou-se um “O” maravilhada com os enfeites, delicados e com alguns feitos de porcelana pintados com primor e dedicação de um verdadeiro artesão e em perfeito estado de conservação, pegou-os com cautela com medo de danifica-los completamente encantada pelos detalhes.

— Sasuke eles são lindos... – Sussurrou de maneira tímida com as bochechas levemente coradas.

— Eu sei. – Respondeu de maneira monossilábica mesmo que não fosse exatamente essa sua intenção.

Sasuke sempre gostou do feriado de Natal, sua família se reunia, não havia reuniões de negócios e nem problemas que os impedisse de estar juntos desde que seu pai e seu irmão se foram nada mais foi o mesmo então era estranho estar ali com alguém que não era sua mãe e em sua condição atual, imaginava que quando chegasse àquela época do ano novamente algo aconteceria e sua condição mudaria, mas não aconteceu.

Sakura ignorou o jeito dele, estava animada demais para ficar aborrecida por tão pouco, além do mais não era algo muito comum o gosto pelo Natal à maioria ficava entediada ou aborrecida.

Mesmo que Sakura tenha imaginado uma árvore grande e majestosa nada a preparou para aquilo, a árvore era imensa, aproximadamente um metrô e meio, olhava maravilhada ela tomando cor e forma conforme seus enfeites iam para os galhos, empolgada pelo clima festivo que começava a tomar conta do lugar, muito diferente da minúscula árvore de seu antigo lar com enfeites antigos, desbotados e alguns até um pouco amassados.

Sasuke parecia inerte a tudo aquilo com movimentos calmos e cautelosos, mas aparentemente sem muito interesse, ela franziu o cenho, sentiu que precisava mudar aquilo.

— Sasuke está maravilhoso!

— Que bom... – Ele murmurou sem muito interesse, enquanto dedilhava os galhos, ele ficava com a parte inferior, onde tinha maior segurança em manusear, Sakura lhe passava o enfeite e ele cuidadosamente o colocava.

— Obrigada por me ajudar – ela disse com sinceridade, mesmo que ele não estivesse se divertindo tanto como ela, era bom passar alguns momentos com ele que não fosse entre sarcasmos e ironias – lá fora está tão lindo... – Soltou um suspiro.

— Se você diz... – Ele deu de ombros, ela então entendeu como era estupido dizer essas coisas para alguém cego.

“Burra, burra, burra mil vezes burra Haruno”.

Ela estava sendo péssima, mas teve uma ideia para aplacar aquilo, continuaram com a tarefa por longos minutos.

— Acabamos. – Ela disse satisfeita colocando a mão na cintura admirada pela beleza do objeto a sua frente, conectou o pisca-pisca na tomada e foi como se a magia do Natal invadisse o lugar.

Sasuke ficava em silêncio ainda mais quieto que o habitual, com cuidado se colocou de pé soltando um suspiro.

— Vamos comer Sakura, estou com fome. – Disse com sinceridade, ela levou a mão à boca assustada.

— Oh! – Soltou uma exclamação alarmada. – Me desculpe Sasuke, vamos sim.

Seguiram juntos para a cozinha, Sakura preparou algumas torradas era a única coisa rápida que ela conseguiu pensar já que tinha planos, deu uma olhada para a janela.

— Perfeito... – Sussurrou para si mesma com um sorriso satisfeito nos lábios.

— O que você disse? – Sasuke perguntou curioso erguendo uma de suas sobrancelhas.

— Está muito interessado em mim, hein Uchiha? – Ela disse provocativa enquanto o servia.

— Não seja tão convencida Haruno. – Ele sibilou enquanto leva a torrada à boca mastigando-a com calma bebendo seu suco de laranja.

Sakura continuou a ignorar sua pergunta, atiçando sua curiosidade, enquanto devorava as torradas com uma generosa cama de geleia deliciando-se, ele comia com cautela tentando adivinhar o que a mulher planejava, arrancando um sorriso ou dois dos lábios da jovem de cabelos rosa.

Aproveitando sua distração Sakura correu para a sala calçando seus sapatos novamente, eram difíceis de calçar por serem um pouco pesados, mas apropriados para a época do ano, a mantinham seca e protegida, voltou já devidamente calçada com um sorriso.

— Já acabou não é mesmo – disse Sakura tirando o prato da mesa – venha comigo. – Agarrando a mão dele sem aviso.

— Ei, se eu quisesse mais. – Ele falou fingindo indignação.

— Eu te conheço. – Seu jeito de falar era decidido e cheio de energia, Sasuke soltou um riso difícil de ser contido.

— Convencida. – Ele levantou-se da cadeira sendo conduzido até o quarto, Sakura o soltou caminhando até o enorme closet do homem enquanto procurava por algo. – O que você tá aprontando? Me puxa, me solta. – Fingiu indignação enquanto gesticulava com as mãos.

— Você vai ver. – Sua fala era misteriosa, intrigando ainda mais o rapaz.

Depois de algum tempo procurando no enorme closet encontrou o que desejava, com os itens em mãos levou-os consigo até o homem e entregou a ele.

— Vista e calce isso, nós vamos dar um pequeno passeio!

— De carro?!

— Não seu bobo, a pé mesmo, coloque logo.

Sasuke vestiu o casaco e calçou os sapatos de couro resmungando como é de praxe, enquanto Sakura ria em um momento ou outro de sua curiosidade latente fazendo-o resmungar ainda mais, bufando contrariado.

Depois de pronto ele estendeu a braço, oferecendo a ela que entrelaçou ao dela, caminharam com cuidado até sair do quarto e por todo o corredor, Sakura segurou a maçaneta, mas voltou atrás, sentiu um frio na barriga.

— Esquecemos seus óculos. – Lembrava-se da última vez que saíram e como foi desastroso, ela tinha que entendê-lo a condição que ele tinha era algo difícil demais para pessoas como ela que tinham vivência diferente entenderem então se ele sentia-se melhor com os óculos ela não podia trata-lo da maneira como o tratou o obrigando a abrir mão de algo que o deixava confortável.

— Tudo bem. – Murmurou de maneira séria e decidida para a surpresa da jovem de olhos verdes que o olhou duvidosa.

— Tem certeza? – Ele não disse nada, apenas assentiu com a cabeça.

“Será que é por mim?”.

Aquilo ficou nos pensamentos de Sakura por bastante tempo e por mais que ela não quisesse foi difícil desvencilhar da ideia de que ele havia mudado sua opinião quanto a isso ou pelo menos decidiu fazer diferente pela briga que tiveram e isso a fez sentir um “quentinho” no coração que a deixou emocionada.

Partiram do apartamento alguns momentos antes do almoço, prefiram optar pelo elevador pela segurança e para o bem de Sasuke, entraram no elevador e nele já havia três pessoas dentro, todas em silêncio que olhavam para a jovem e para o homem ao seu lado algumas vezes, até que antes de chegarem ao térreo uma senhorinha aparentemente simpática sussurrou de maneira tímida.

— Vocês formam um lindo casal... – Sakura não disse nada, estava lisonjeada e assustada com o que acabara de ouvir, a porta se abriu diante deles todos saíram Sakura ainda estava imóvel sem conseguir mover um músculo esquecendo completamente como se anda.

— Sakura? – A voz do moreno a tirou de sua condição e fez com que ela conseguisse sair do cubículo respirando fundo tentando se recuperar do que acabara de escutar, era algo intenso por mais simples e sem más intenções que tenham sido aquelas palavras. – Você está bem? – Sua boca se abriu, mas não saía som algum, até que conseguiu falar.

— Eu não gosto muito de elevadores. – Mentiu, estava nervosa.

— E quem gosta? – Sua voz tinha um tom leve e descontraído que fez Haruno rir, então ela percebeu.

“Ele não desmentiu... Talvez ele não tenha ouvido ela falou tão baixo”.

Sim, ele não havia desmentindo que eles eram um bonito casal ela não sabia ao certo como se sentir diante daquilo, mas mesmo que não tivesse a menor importância era tarde demais para acreditar que fosse assim, ela realmente viu algo ali, na omissão e lidar com aquilo seria difícil tendo ele a centímetros de distância.

— Aonde nós vamos se é que posso saber?

— Não ainda, mas logo entendera.

Ela disse ainda tentando manter o mistério, chegando à entrada do prédio conseguia ver pelas enormes janelas de vidro a neve que caía com intensidade do lado de fora, não pode deixar de sorrir, o puxou consigo para fora abrindo a porta sendo seguida pelo olhar do porteiro.

— Ei, mocinha não vá... – Ela nem deu atenção ignorando-o completamente.

Sakura e Sasuke finalmente alcançaram a calçada do prédio e então ele entendeu o motivo de tanto mistério, estava em todos os lugares em seus pés, conseguia senti-los pisar em algo macio, em suas mãos sem luvas, tocando-o com sua delicadeza, levou a mão direita à boca, sentiu o gelado invadir suas papilas gustativas e em seus lábios formou-se um sorriso, o sorriso mais lindo que a Haruno já viu em toda sua vida um sorriso contagiante que a fez sorrir também e ficar admirada com a maneira como ele parecia uma chama intensa e viva um verdadeiro sol somente dela pelo menos naquele pequeno momento.

— Está nevando... – Ele finalmente conseguiu dizer acanhado, de braços abertos recebendo a neve em seu corpo enquanto Haruno abria a boca deixando-a cair em sua língua que estava para fora soltando alguns risos.

— Sim – respondeu alegre – e eu queria tanto que você pudesse sentir isso, mesmo que não possa ver Sasuke está aqui em todos os lugares e ninguém pode tirar essa sensação de você nem mesmo a cegueira.

Sasuke estava claramente emocionado com as palavras de Sakura que mal conseguia acreditar na coragem que havia tomado para conseguir dizer aquelas coisas.

— É Natal Sakura... – Ele sussurrou anestesiado com a sensação que ela lhe proporcionou, palavras não eram suficientes para que ele conseguisse demonstrar o quão grato estava por aquele momento único em sua vida, uma centelha de felicidade brotava em seu peito algo que há muito não ocorria – Obrigada... – Sasuke a procurou tateando o ar até encontrar seu braço, Sakura o olhava aproximando-se mais do moreno que com cuidado e meio desajeitadamente a abraçou com carinho, ela retribuía o abraço acarinhando suas costas envolvidos naquele momento único.

— Eu lhe convidaria para a ceia de Natal, mas imagino que você tenha planos... – Sussurrou tímido e ainda mais acanhado que antes enquanto permanecia com a jovem de cabelos róseos em seus braços.

— Não, não... Eu não tenho... – Respondeu de volta com a voz trêmula, mentia para si mesma acreditando ser pela neve que começava a aumentar a intensidade, por mais que tenha sido maravilhoso o convite gentil que a mãe do rapaz a fizera, nada era melhor do que ouvi-lo convidá-la por vontade própria genuinamente querendo sua companhia.

— Você vem então?

— Sim.

Notas finais
Tentarei publicar o "especial de Natal" antes do Natal(?). Obrigada pelo carinho que vocês tem tido por mim e pela história. Não deixem de comentar, a opinião de vocês é muito importante.