Cuidados
5 Quarto
CUIDADOS
Quarto.
Já era aproximadamente sete da noite quando chegou ao apartamento dos Uchiha’s ao abrir a porta foi recebida por uma música natalina que ecoava pela casa dando um ar ainda mais festivo, pode então reparar que em alguns enfeites espalhados de maneira divertida dando ainda mais graça a tudo aquilo.
“Mikoto sabia como dar uma festa”
Ela pensou enquanto caminhava, o cheiro da comida deliciosa sendo preparada invadiu suas narinas fazendo seu estômago fazer um barulho alto constrangendo-a, revirou os olhos.
“Vai nos fazer passar vergonha”.
— O que achou? – Sakura deu um pulo para trás, estava tão encantada e distraída com os sons, cheiros e imagens que nem percebeu a aproximação de Mikoto espirituosa e animada como a noite pedia.
— Maravilhoso. – Seus olhos brilhavam Sakura nunca teve um Natal como aquele.
— Sakura queria apresentar a você dois amigos da família! – a conduziu até a sala aonde um homem loiro de olhos extremamente azuis veio em sua direção com um sorriso tão contagiante que Sakura não pode deixar de sorrir de volta.
— Prazer, Naruto Uzumaki. – Ele estendeu a mão na direção da Haruno que a segurou, sua voz era tão alegre como ele aparentava ser.
— Prazer, Sakura Haruno. – Ela então olhou para a mulher ao seu lado, ambos usavam aliança percebeu então que era um casal.
— E essa é Hinata. – Apontou Mikoto feliz para a jovem de cabelos preto azulado longo a atura da cintura, ela tinha uma pele alva que dava contraste a seus olhos perolados belíssimos, Mikoto colocou a mão em sua barriga acarinhando fazendo-a soltar um riso contido, ela parecia tímida. – E esse a gente ainda não sabe.
— Prazer, Sakura, Hinata Uzumaki. – Sua voz era tão doce e angelical quanto sua própria aparência, eles formava um bonito casal Sakura não pode deixar de sorrir imaginando quando encontraria alguém para ter sua própria família.
— Onde está Sasuke? – O sorriso de Mikoto entristeceu-se um pouco.
— Ele está no quarto – ela disse sem jeito – ele aparenta não estar muito disposto a estar conosco, eu gostaria que você tentasse...
— Pode deixar! – Sakura a interrompeu, deixando-os na sala indo na direção do corredor com seu coração na mão, preocupada e angustiada, Sasuke havia ficado tão feliz no dia da neve e aparentava estar assim ao longo dos dias que antecediam essa data, ela não compreendia o motivo da mudança radical, entrou no quarto do rapaz, ele estava deitado na cama encolhido com a roupa que escolheu usar naquela ocasião e sapatos, Sakura aproximou-se com cautela abaixando perto da cama na direção de sua cabeça, sentou-se colocando sua sacola com biscoitos sob o criado mudo e sua pesada mochila próxima à cama dele.
— Sei que está aqui – Sasuke disse por fim aborrecido – você consegue ter passos tão pesados quanto de um elefante.
— Sasuke – disse repreendendo, respirou fundo, não podia se deixar levar por aquelas bobagens, sabia que Sasuke usava isso como forma de autodefesa – o que houve?
— O que faz entender que há algo? – Ele disse dando de ombros.
— ISSO – apontando para ele com sua voz um tom acima que o normal – sua atitude. Você não estava assim... – Dizia com pesar.
— Você não vai entender. – Ele estava quase virando de costas para ela quando ela ergueu a mão segurando seu ombro com carinho impedindo-o.
— Eu posso tentar como venho fazendo desde que cheguei aqui. – Sasuke soltou um suspiro, ela sempre o vencia com sua gentileza e sutileza, ele não era forte o suficiente para não se render aqueles encantos, ela não era como as outras, havia algo diferente e isso foi notável desde o primeiro encontro explosivo que tiveram.
Mesmo que nunca tendo visto seu rosto sabia que ela era linda.
— Tudo estava tão bem – ele começou a falar um pouco acanhado, ela não imagina o quão estava sendo difícil para ele se abrir daquela maneira com alguém – quando Naruto e Hinata chegaram – seus lábios a agraciaram com um pequeno sorriso – eu me senti feliz em receber visitas como há algum tempo eu não ficava e então eu soube que Naruto havia casado, mas como eu relutei por meses para receber visitas não conseguiram me convidar, minha mãe perdeu o casamento do próprio afilhado por minha causa e da minha amargura – Sasuke assumia uma faceta que era algo que até então poucos puderam assistir: ele chorava, e eram poucas coisas no mundo que feriam Sakura ainda depois de tudo o que viveu, mas aquilo a feriu de um jeito que ela não pensou que fosse afetar daquela maneira a surpreendendo. – Ele se formou na faculdade que começamos juntos e eu não terminei, tenho perdido tanto, tanto – Sasuke chorava ainda mais – e eu vou continuar perdendo – disse por fim em um tom amargurado – ela está gravida e quando eu recebi o convite para padrinho eu só saí de lá e me escondi como um rato miserável que sou. – Sakura sabia que naquelas palavras duras muita dor se escondia. – Eu nunca terei nada disso. – Em seu rosto uma sombra de profunda tristeza deixando Sakura de coração partido diante de tudo aquilo, ela não sabia o que dizer se é que havia alguma coisa para falar, tudo era parecia ruim, mas ela tinha que tentar.
— Chega para lá – Sasuke ergueu uma de suas sobrancelhas sem entender o que ela planejava, foi para o canto abrindo um espaço, então sentiu subindo em cima de sua cama assustando-o.
— O que você vai fazer? – Ele questionou perplexo com sua ousadia e atitude, ele pode senti-la deitando ao seu lado, seu hálito quente estava contra seu rosto e um cheiro forte de cereja emanava dela fazendo-o ficar desconcertado, estavam um de frente para o outro e poucos centímetros o separavam.
— Se você vai ficar aqui eu também vou – disse decidida – eu sou sua acompanhante, tenho que ir aonde você for.
— Você está aqui como convidada e não quero que você também acabe perdendo alguma coisa por minha causa. – Seu rosto era uma carranca, escondia dor e ressentimento dele mesmo.
— Eu nunca perderia nada ao estar com você. – Aquelas palavras saíram de meus lábios sem que ela tivesse controle algum delas porque era assim que acontecia quando estavam juntos ainda mais tão perto um do outro, ele despertava coisas dentro dela que ela própria não tinha controle e era algo que a encorajava a ir mais profundo naquelas águas turbulentas.
— Sakura – Sasuke sussurrou e a maneira como ele sussurrou seu nome a fez estremecer e arrepiar-se – é melhor você ir. – Sua voz ela um sussurro quase inaudível.
— Mas eu quero ficar. – Minha voz soava em um tom de desespero, porque era dessa maneira que ela sentia-se desesperada, desesperada para tira-lo daquele estado e trazê-lo de volta para o ponto em que estavam enquanto nevava e o mundo lá fora não tinha a menor importância muito menos sua condição.
— Ninguém quer ficar – novamente sua voz soava triste, sem vida – eu vou perder você também.
Ele também não tinha controle do que dizia, não com ela tão perto, não com seu cheiro invadindo suas narinas, cheiro que ficaria em suas cobertas e intensificariam ainda mais seus pensamentos nela naquela noite antes de adormecer.
Ela despertou sentimentos nele que o mesmo pensou que estivessem mortos junto com a vida que conhecia.
— Eu não vou a algum lugar.
“O único lugar que eu quero estar é em seus braços”.
Era isso o que ela quis dizer, mas não podia, teve medo.
— Porque minha mãe paga seu salário! – Ele cuspiu aquelas palavras que em algum outro momento a magoariam, mas ela lembrava bem do que aconteceu no estacionamento do mercado, aquela era a única forma de defesa que ele conhecia ser ríspido, bruto, para afastar.
“Por que insiste em me afastar Sasuke?”.
Ainda deitados de lado um de frente para o outro Sakura levou ambas as mãos para o rosto do homem fazendo um carinho gentil.
— Eu não vou a canto algum mesmo que você tente me afastar só vai me aproximar ainda mais porque eu sei que esse não é você – desde o momento em que entrou naquele apartamento Sakura não sabia o que encontraria e isso a assustou mais do que qualquer coisa, sua madrinha não entrou em detalhes não quis ser desrespeitosa com a família, mas agora ela percebia que nada que sua madrinha dissesse teria a preparado para aquilo que encontrou um homem lindo e com um coração tão mergulhado nas trevas, mas com um brilho peculiar de uma bondade genuína que a encantariam conforme vinha o conhecendo e apaixonando-se perdidamente – você é Sasuke Uchiha o homem que me ajuda a lavar a louça, montar árvores de Natal, me dá sustos, caçoa do meu jeito bruto e acanhado, você é isso. – Sakura inclinou-se em sua direção e beijou sua testa, arrancando um sorriso dele, ela virou-se esticando o braço alcançando sua sacola e a abrindo tirando com dificuldade um pote de plástico branco dela e abriu a tampa Sasuke pode sentir o cheiro delicioso invadindo o ambiente e entrando sem receios em suas narinas, seu estômago roncou.
— Biscoitos. – Sussurrou. – Você fez. – Não era uma pergunta, ele sabia que tinha sido feito por aquelas habilidosas e gentis mãos, não teria o cheiro que tinha caso não tivesse sido.
Ele levantou saindo da posição em que estava, sentando na cama com cuidado apoiando suas costas na cabeira de madeira maciça, Sakura o acompanhou ficando ao seu lado com seus corpos colados pelo ombro que encostavam um no outro, entregou a ele o pote já aberto.
— Aqui. – Ele levou um dos dedos ao pote e pegou um biscoito agora com ambas as mãos tateavam-no com cuidado e cautela, pode sentir suas diferentes texturas e seu formato peculiar, sorriu de canto levando-o boca, dando uma mordida.
— Árvore de Natal? – Ele questionou depois de terminado de mastigar.
— Sim. Em homenagem ao nosso dia. – Ela ficou vermelha com suas próprias palavras, talvez não devesse ter dito aquilo.
— Você é muito gentil. – Ele tinha o dom de desarma-la em pouquíssimas palavras e nos gestos maus sutis.
Ela levou a mão ao pote para pegar um biscoito então suas mãos se encontraram, seus dedos encostavam um no outro e ela sentiu uma imensa vontade de segurar aquela mão e não mais soltar, ele a atraía e isso era difícil de controlar.
Sasuke timidamente entrelaçou seus dedos nos dela.
— Quando você vai me contar sua história?
Aquilo a surpreendeu.
“Ele tem interesse em saber de mim”.
Mas ela sabia que sua história podia tanto afasta-lo quanto fazê-lo sentir pena e nenhum dos dois parecia ser bom.
— Nem você a sua. – Ela sibilou de volta, sim, ela tinha curiosidade quanto ao seu passado o que houve com seu presente o que seria de seu futuro.
E quanto ao futuro mesmo que ela negasse para todos incluindo para ela mesma gostaria de fazer parte dele.
– Se eu contar eu vou ter que matar você. – Ele sibilou soltando um riso seco.
— Não fuja – ela implorou, mas desviou o olhar sua voz era cheia de terror – talvez nenhum de nós estejamos prontos para falar. – Ela admitiu por fim, ele apenas assentiu. – Você quer que fiquemos ou acha que está pronto para irmos? – Sakura questionou, ela poderia ficar ali toda a noite, mas ela sentiu pena de Mikoto ela preparou toda a casa para aquela ocasião, precisava insistir um pouco mais e arrancar Sasuke daquela situação.
Ele ponderou por algum tempo.
— Eles provavelmente já não querem mais a minha companhia – ele falou com amargura – não depois de tê-los deixado daquela maneira.
— Nós podemos tentar – ela apertou um pouco mais a mão do rapaz – juntos.
Eles soltaram-se Sakura levantou animada, ele estava à sua espera de pé, deu o braço a ele e caminharam devagar saindo do quarto e Sasuke já conseguia ouvir no corredor a conversa animada que quase o fez voltar.
— Eu não quero estragar a festa de ninguém com minha amargura e mau humor. – Ele sussurrou para Haruno.
— Você não vai. – Ela respondeu de volta decidida com um sorriso, os dois chegaram e o olhar dos três, Mikoto, Naruto e Hinata voltaram-se para eles.
— Nós gostaríamos de saber se aqui que está acontecendo uma festa? – Sakura perguntou de maneira divertida, olhou para Sasuke que sorria de canto.
— Nós estávamos esperando para cearmos. – Mikoto disse um pouco mais contida, mas estava feliz em ter a companhia de seu filho à mesa por vontade própria.
— Naruto – Sasuke finalmente disse algo desde que entraram na sala, todos os olharam apreensivos sem saber o que esperar – eu aceito ser padrinho do menino. – Sakura sorriu apertando um pouco mais o braço de Sasuke contra si estava satisfeita e feliz com o passo que ele havia dado.
— Não sabemos se é menino – Hinata disse – pode ser menina, meu pai só teve mulheres. – Ela falava como uma típica mulher que sonhava em ter sua garotinha.
— Sasuke sabe do que fala, se o padrinho sente que é menino dê crédito a ele mulher! – Naruto falava de um jeito debochado, Hinata lançou um olhar mortal – desculpe querida, deve ser menina, uma meninona – ele passou a mão na barriga da esposa com carinho enquanto ela sorria – uma menina tão linda quanto à mãe. – Beijaram-se de maneira doce.
— Sakura nós podemos beber um pouco de água?
— Sim.
Sakura conduziu Sasuke calmamente até a cozinha, deixando-o sozinho enquanto pegava água para ele e quando voltou pôde ver em seu rosto lágrimas tímidas escorrendo de seus olhos negros.
— Sasuke?
— Sakura eu não consigo – a voz do homem continha um desespero que arrepiou até o último fio de cabelo de Haruno – eu não consigo mais. – Parecia uma confissão que estava engasgada há muito tempo e ele precisava colocá-la para fora de qualquer maneira e isso a assustou.
— Sasuke... – Ela deixou o corpo em cima da mesa da cozinha, o abraçou sem pensar duas vezes envolvendo seu corpo exausto de muita dor e lágrimas em seu corpo que só conseguia pensar no bem estar daquele homem que estava em prantos.
— Eu nunca irei ter aquilo, uma vida feliz, um casamento, filhos, minha mãe nunca terá netos. – Aquelas palavras eram duras, mas para ele era sua realidade.
— Se você se der uma oportunidade... – Ela tentou acalma-lo, mas suas palavras tiveram um efeito contrário o enfurecendo ainda mais, agora seu rosto tinha uma expressão de dor e fúria misturando-se uma com a outra.
— Quem vai querer casar com um homem cego? – Ele cuspiu a última palavra com nojo, nojo de si mesmo e sua condição, meu coração estava em conflito por mais que ela soubesse o que dizer teve medo, medo da rejeição, medo de tudo o que ele demonstrava ser fruto apenas de sua solidão e confinamento, mas eu respirei fundo criando coragem.
— Alguém como eu.
Ficamos em silêncio por algum tempo até que ouvimos o som de passos era Naruto.
— Olha só quem está aqui – Naruto dizia de um jeito brincalhão com algo em mãos não muito legível com a falta de iluminação – e eu tenho um visco de Natal.
“Era só o que faltava”.
Naruto chegou perto de Sakura e Sasuke erguendo seu braço o mais alto que pode deixando o visco próximo a suas cabeças, Sakura estava com as bochechas coradas e o rosto de Sasuke era indecifrável.
— Agora vocês já sabem o que fazer, nem parecem dois namorados.
Sakura e Sasuke ficaram atônitos com as palavras que o loiro boca grande disse, não imaginavam se ele estava brincando ou se acreditava seriamente naquilo, Sasuke tateou o ar então Sakura entendeu que ele a procurava ela foi de encontro a ele ficando alguns centímetros de seu rosto, sentido o seu hálito quente em sua face corada.
— Sakura... – Sua voz embargada à fez arrepiar-se, foi inevitável fazer o que fez.
Ela aproximou-se dele ainda mais indo de encontro aos lábios do rapaz beijando-os com carinho envolvendo os lábios dele aos dela aproveitando cada instante daquele momento que poderia ser único então ela iria aproveitar cada segundo ou hora o que fosse como se não houvesse um amanhã, o beijo dele era gentil sua língua envolveu a dela chupando-a em uma mistura exata de luxúria e doçura, beijavam-se com a mesma intensidade de quem esperou por aquilo uma vida e ainda assim queriam mais um do outro porque não era suficiente, seus lábios só separaram quando o ar lhes faltou.
— Isso que é um beijo, hein. – Naruto deu um tapa no ombro do amigo, tinham esquecido completamente da presença – se é que isso era possível – do companheiro barulhento e escandaloso. – Vamos comer, porque tô morrendo de fome.
Sakura pensou no beijo com amor e medo, aquele beijo poderia mudar completamente a relação dos dois ou ele poderia ignorar completamente o ocorrido, ela não sabia qual iria a ferir mais, sentiu uma imensa vontade de chorar e também de voltar no tempo não para impedir o ocorrido, mas para beija-lo um pouco mais se aquela seria a última vez ela o beijaria ainda mais.
— Vamos? – Ele sussurrou com carinho a arrancando de seus pensamentos, ela lhe lançou um sorriso inevitável, ele estendeu o braço a ela que entrelaçou o seu próprio e antes de saíram da cozinha ela pode ouvi-lo falar próximo demais ao seu ouvido provocando arrepios – eu esperei por isso há tanto tempo.
Fale com o autor