Notas iniciais
Eu deveria ter atualizado mais cedo, entretanto não consegui por vários motivos, me perdoem. O capítulo ficou um pouco maior que o habitual por motivos que vocês entenderam, é uma continuação dos fatos que ocorreram no Natal. É IMPRESCINDÍVEL leitura das notas finais para melhor compreensão do capítulo.

Cuidados.

Quinto.

Sakura não teve muito tempo para pensar sobre o que acabara de acontecer, do outro lado Mikoto já os aguardava com seu típico bom humor para acompanha-los até a sala de jantar, ela ainda de braço dado com Sasuke sentia suas pernas bambas, quando chegou ao cômodo aconchegante ainda conseguia ouvir as canções natalinas que tocavam no aparelho de som e uma mesa farta a agraciou com os mais variados pratos da época do ano, Sakura sentou-se ao lado de Sasuke assim como Hinata ao lado de seu esposo enquanto a matriarca da família os servia tagarelando sobre mil trivialidades, Sakura apenas sorria, gesticulava, sua cabeça estava confusa, mas não tanto quanto seu coração.

Percebeu durante o jantar Naruto e Hinata tratando-a como namorada de seu amigo e isso a constrangia cada vez mais, já Sasuke agia com uma naturalidade assombrosa, imaginou que Mikoto decidiu mentir a seu respeito porque talvez Sasuke fosse sentir-se ainda pior com sua condição caso pensassem que ele precisasse de “uma babá” então decidiu tentar agir o mais próximo do que ela encarou como natural àquela situação.

O jantar prosseguiu de maneira divertida, conversavam sobre a situação do país e algumas outras coisas sem tanta importância, divertindo-se um com a companhia do outro com alguns risos e brincadeiras, até Sasuke participava de maneira ativa dos momentos de descontração e de uma ou outra conversa por mais que evitasse falar tanto para não ser questionado sobre seu eu ou seu estado.

Levantaram-se da mesa conversando um pouco mais quando Naruto olhou o relógio de pulso e cutucou a esposa falando algo ao seu ouvido ela apenas assentiu com um sorriso em seus lábios róseos.

— Nós precisamos ir. – Naruto murmurou por fim por volta das quase dez. – Ainda temos que ir visitar o pai de Hinata, ele não nos perdoara caso não passemos a meia-noite com ele.

— Sim, papai está ansioso para me ver e ver sua neta. – Hinata frisou suas últimas palavras arrancando um riso uníssono. – Foi muito bom reencontrar vocês Sasuke e Mikoto e um prazer conhece-la Sakura. – Hinata abraçou Sakura de maneira gentil e calorosa, assim como a Mikoto e a Sasuke, seu marido cumprimentou o amigo dizendo algumas palavras gentis, abraçou a matriarca que ficou alguns segundos agarrada ao seu afilhado sentindo seu carinho e depois ele foi à direção da jovem de cabelos róseos, abraçou-a e aproveitou a oportunidade para sussurrar algumas palavras em seu ouvido.

— Por favor, não machuque meu amigo. – Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Haruno deixando-a pensativa, eram tão especificas e diferentes do que alguém diria a namorada de seu amigo.

“Não machuque meu amigo...”.

Levaram eles a porta e despediram uma vez mais com beijos e cumprimentos carinhosos e eles seguem seu caminho de mãos dadas.

— Foi um ótimo jantar. – Mikoto disse por fim com um sorriso nos lábios. – Obrigada aos dois. – Mikoto envolveu seu filho e Sakura em um abraço carinhoso apertado deixando-os quase sem ar.

— Eu que agradeço pelo convite. – Sakura admitiu sincera constrangida com tanto amor e carinho, por mais que sua madrinha a amasse ela não era a pessoa mais carinhosa apesar de ter seus momentos “melosos”, ela foi moldada por uma vida de algumas decepções acabou fechando-se como uma maneira de defender-se, isso a fez a compreender ainda mais Sasuke além de sua própria experiência, todos se fechavam e ninguém conseguia se abrir com ninguém, mas alguém tinha que tomar a iniciativa de mudar isso esse ciclo infinito.

— E se ambos quiserem – ela apontou tanto para Sasuke como Sakura com seu dedo indicador, em seus lábios um sorriso maroto estava desenhado – tenho uma surpresa para nós três. – Sua voz soava misteriosa e divertida, Sakura esboçou um sorriso espontâneo.

— Estou curiosa. – Sibilou mordendo o lábio inferior.

— Então vamos crianças. – Sasuke até o momento não disse nada, apenas estendeu o braço para que Sakura o acompanhasse como sempre fazia e assim fez, saíram do apartamento murmurando algumas palavras gentis para quem os via como “feliz natal”, “felicidades” e etc sob o silêncio misterioso de Mikoto que permanecia escondendo o jogo sobre onde estavam os levanto, ao chegarem ao portão principal do prédio sentiram em seus pés uma cama fina de neve que cobria o chão, sentiam a neve tocar seus corpos desde as suas cabeças desnudas de tocas ou gorros aos seus dedos sem luvas, Sasuke abriu a boca sentindo-a em seus lábios desenhados e Sakura colocou a língua para fora não tinha gosto algum de coisa alguma, mas mesmo assim a fazia recordar-se do momento mais bonito que viveu com o homem ao seu lado, Mikoto lançava alguns olhares para os dois divertindo-se era como se seu filho voltasse a ser criança ao lado daquela garota que tinha um espírito tão cheio de luz o arrancava das trevas.

— Chegamos! – Mikoto sussurrou e então Sakura finalmente se deu conta de onde estavam seus olhos brilharam de emoção era uma praça aberta com alguns brinquedos, algumas pessoas aglomeradas se espremiam buscando uma posição boa para ver tudo de maneira confortável.

— Onde estamos? – Sussurrou de maneira curiosa para ela o homem.

— É um coral Sasuke. – Ela disse animada com o que estava diante dela.

Aproximou-se com os seus acompanhantes para o centro da atenção e no meio da praça um grupo de crianças de aproximadamente sete a quinze anos preparavam-se para cantar, Sakura sentiu vontade de chorar ao vê-las tão de perto, quanto mais às olhava via a si mesma em cada rosto ou olhar ansioso.

Três das crianças mais velhas acenaram quando a viram e ela acenou de volta dando um largo sorriso a elas.

— Sakura as conhece? – Perguntou Mikoto curiosa.

— Elas são do orfanato Santa Ângela. – Sakura sibilou, Sasuke ficou intrigado com o que acabara de ouvir, franziu o cenho lembrando de que em outra ocasião Sakura mencionara crianças e quanto mais ele tentava entender mais confuso ficava quanto àqueles pedaços desfragmentados do passado de sua querida acompanhante que mexia com seus sentimentos.

Mikoto não disse nada, ela sabia um pouco sobre Sakura, sua amiga contou um pouco sobre aquela misteriosa garota sem revelar muito para que a jovem não tivesse a vida exposta para alguém desconhecido seu passado difícil a levou a aceita-la em sua casa e a tê-la como alguém de confiança somente alguém assim entenderia seu filho.

— Vai começar. – Sakura assentiu assim como Sasuke.

Noite feliz!

As vozes começaram a cantar todas as crianças juntas em harmonia, uma música que Sakura conhecia bem um dia foi ela ali, conhecia a sensação do medo de falhar, de ser vaia pela multidão algo que nunca o ocorreu em todo o tempo que faziam isso, mas não deixava de ser assustador ser o “centro das atenções” mesmo que fosse por alguns momentos de uma noite.

Noite feliz!
Ó Senhor, Deus de amor,

Sakura sem perceber começara a cantarolar mais baixo consigo mesma sendo ouvida atentamente pela ouvidos de seu companheiro que acabou por deixar as crianças de lado e voltando sua atenção completamente a ela.

Pobrezinho nasceu em Belém,
Eis na lapa Jesus, nosso Bem!
Dorme em paz, ó Jesus.
Dorme em paz, ó Jesus.

Sakura cantarolava afundando em lágrimas tímidas que escorriam de seus olhos sem que ela tivesse controle algum por elas Natal despertava nela um misto de emoções que poderia resumir-se em saudade.


Noite feliz! Noite feliz!
Ó Jesus, Deus da luz,
Quão amável é teu coração,
Que quiseste nascer nosso irmão;
E a nós todos salvar!
E a nós todos salvar!

Sasuke mesmo que não pudesse vê-la sentia sua angústia, ouvia seu choro e sua canção e aquilo o deixou talvez mais angustiado do que ela própria porque se pudesse secaria cada lágrima que insistia em cair de seus olhos e a curaria de todo o sofrimento que a afligia mesmo que ele próprio não pudesse se curar.

— Sakura... – Ele sussurrou, ela secou as lágrimas agilmente parando de cantarolar – podemos sair um pouco, multidões me deixam, você sabe. – Ele mentiu, só queria acabar com o sofrimento da jovem, Mikoto de tão envolvida nem percebeu quando eles sumiram na multidão a música estava perto do fim, mas algumas outras viriam.


Noite feliz! Noite feliz!
Eis que no ar, vem cantar
Aos pastores os anjos dos céus,
Anunciando a chegada de Deus,
De Jesus Salvador!
De Jesus Salvador!

Sakura caminhou até o lugar mais afastado que conseguiu sem poder sair da praça para não alarmar Mikoto trazendo Sasuke de mãos dadas consigo, ficando debaixo de algumas árvores com seus galhos e folhas os cobrindo protegendo-os parcialmente da neve que começava a cair com um pouco mais de força.

— Eu sei que talvez você queira falar ou só não esteja pronta para isso – o Uchiha ia falando sem saber exatamente como colocar pra fora a bagunça de coisas que se passavam pela sua mente, apertou a mão da moça com um pouco mais de jeito na intenção de fazê-la senti-lo com ela já que era o máximo que podia fazer dadas as circunstâncias – mas saiba que eu estarei aqui para ouvir. – Em seus lábios formou-se um sorriso de canto e sua voz ganhou um tom cheio de ironia – já que agora somos namorados.

Sakura pigarreou estupefata, ele conseguia transformar uma enorme mentira em uma piada.

— Não me lembro de quando você me pediu em namoro. – Sussurrou provocativa aproximando-se mais do rapaz, ele podia sentir a presença dela avassaladora, ele nunca foi um conquistador, muito pelo contrário, nunca gostou da tamanha atenção que as mulheres davam a ele sempre soube escolher quem era alvo de suas investidas, mas em alguns momentos ele sentia-se como um menininho que estava amando pela primeira, então ele percebeu a palavra que usou amor.

“Será que a amo?” questionou-se inevitavelmente.

— De nós dois você sempre tomou a iniciativa – ponderava suas palavras de maneira delicada, não sabia como começar havia somente um jeito do começo – talvez eu devesse começar a tomar um pouco as rédeas da situação – ele disse em um tom divertido com um sorriso sem vida nos lábios – talvez assim você confie em mim. – Sua voz foi interrompida abruptamente por ela.

— Eu confio. – Confessou.

— Nos conhecemos há algum tempo e mesmo assim somos estranhos um para com o outro, talvez devamos começar a mudar isso por mais doloroso que seja tocar em velhas feridas – Sakura desviou o olhar, ele ainda segurava sua mão com seus dedos entrelaçados um no outro.

“Era isso mesmo que ele estava prestes a fazer?”.

— Éramos uma família unida e feliz – Sasuke começou e em seus olhos um brilho diferente surgiu – Sakura nós nunca imaginávamos que algo pudesse acontecer conosco era impensável, meu irmão e eu éramos os melhores amigos inseparáveis, mesmo com cinco anos de diferença nos entendíamos muito bem, nosso avô por parte de mãe era militar um homem moldado por uma vida difícil que criou a filha sozinha depois que a mulher os abandonou meu irmão o admirava e isso o fez escolher o caminho que levou ele a morte.

Sakura ouvia com atenção, as mãos de Sasuke começavam a suar, ela pensou em detê-lo pedir que ele parasse, mas não o fez quem sabe acima de tudo ele não quisesse apenas desabafar com alguém e impedi-lo poderia inibi-lo a isso.

– 97’ foi o ano que Itachi se alistou, minha mãe e meu pai ficaram furiosos, mas o apoiaram, infelizmente meu avô não viveu tempo suficiente para ver isso acontecer ele morreu de um infarto fulminante dias antes de Itachi completar dezoito nunca o vi sofrer daquela maneira, meu irmão trilhava um belo caminho nas forças armadas, ele nasceu para isso como um dom nato – Sasuke sorriu mesmo que não quisesse fazê-lo era inevitável, lembrar do irmão o fazia sentir-se alegre e triste ao mesmo tempo de um jeito que um sentimento misturava-se a outro e ele nunca sabia onde um começava e o outro terminava – meu pai era um homem de bolsa de valores que com seu “toque de ouro” nos fez alcançar o inimaginável quanto a dinheiro, nunca passamos ou passaremos necessidade devido seu faro.

A família de Sasuke tinha suas peculiaridades que fascinavam Haruno quanto mais ela ouvia falar de seus mais ela gostaria de saber como um imã eles a atraíam.

— E então o onze de setembro aconteceu – os lábios de Haruno formaram-se um “O”, ela tinha doze anos que aconteceu, mas mesmo que tivesse dois ela lembraria, não tinha um americano vivo naquela época que não se lembrasse daquela desgraça, a nação que sempre teve os olhos do mundo voltados para si pelos mais variados motivos em principal pela inveja de seu estilo de vida e seu pioneirismo, recebeu naquele dia e nos dias seguintes condolências e lágrimas, o onze de setembro os marcou, alguns mais que outros e Sasuke parecia ser um daqueles que sofreu na pele o ocorrido – meu pai trabalha no prédio que ruiu primeiro e acompanhamos tudo pela cobertura dos diversos canais de TV, eles nos tiraram nosso pai e uma parte de nós morreu com ele.

Sakura questionou-se mais de uma vez depois do que ouviu se teria forças para continuar ouvindo, mas ela teria que ser forte para apoia-lo naquele momento.

— Naquele mesmo ano Bush decidiu instalar a chamada Guerra ao Terror ou Guerra ao Terrorismo como ficou conhecida à estratégia militar global usada para combater o terrorismo, tropas e mais tropas invadiram e ocuparam países como Afeganistão e Iraque. Itachi não precisou ser convocado ele próprio se ofereceu a morte do nosso pai precisava ter algum tipo de justiça ou vingança – Sasuke cuspiu aquelas carregadas de dor – quando fiz dezoito anos em 2002 tentei me alistar, mas não me aceitaram, fui rejeitado e aquilo feriu meu ego, relutei em acreditar no que aconteceu comigo então tentei seguir outro caminho comecei junto com Naruto a faculdade de direito e lá eu conheci ela, Karin Uzumaki, uma prima do meu amigo.

A expressão de Sasuke era indecifrável.

— Nós começamos a namorar e nos entendíamos bem, ela tinha interesses parecidos com os meus então caminhávamos para o inevitável, depois de três anos e meio de relacionamento nosso noivado aconteceu e foi algo reservado, eu estava feliz, mas nenhuma felicidade teria me preparado para o que aconteceu algum tempo depois. – Sakura pode ver algumas lágrimas escorrendo dos olhos de ônix do moreno, ela levou a mão livre até seu rosto e as secou com as pontas dos dedos trêmulos, odiava vê-lo assim.

— Vinte e cinco de maio de 2006 – ele falou com os dentes semicerrados – nunca vou esquecer essa data, estávamos em casa assistindo TV quando nossa campainha tocou, fui com minha mãe atender e vimos que eram homens vestidos com uniformes do exército nos entreolhamos assustados e eles nos olhavam com pena, – Sasuke chorava ainda mais, Sakura soltou sua mão e envolveu sua cintura com seu braço, colocando a cabeça dele em seu ombro deixando-o sentir aquela dor e coloca-la para fora – eles vieram nos comunicar que meu irmão foi capturado e assassinado por tropas inimigas e seu corpo não seria devolvido, sentimos naquele momento outra parte de nos morrer, nos despedimos daqueles homens e choramos juntos minha mãe e eu abraçados só nos restava um ao outro, todos partiram nos deixando como fumaça que escapa pelos dedos.

Sakura apertou um pouco mais o abraço dando uma leve sensação de conforto ao homem que chorava desesperadamente.

— Acabei entrando em depressão o que me fez abandonar a faculdade faltando pouquíssimos períodos para acabar, minha amargura separava eu e Karin ainda mais nos distanciávamos à medida que eu ia afundando, ela até tentou me alcançar, mas eu estava fundo demais para conseguir ser resgatado – Sakura balançou a cabeça negativamente, para ela sempre havia alguma esperança – durante uma de nossas intermináveis brigas eu me descontrolei e acabei caindo da escada do terceiro andar da casa da família dela, não lembra muito sobre a situação ou como ocorreu, apenas lembro-me de quando acordei no hospital parecia que eu ainda dormia porque tudo estava escuro e eu só ouvia vozes e mais vozes e nenhuma imagem. – A expressão de Sasuke era triste, ele já não chorava mais, talvez já estivesse resignado a sua condição diferente dos outros acontecimentos e perdas – eles disseram que foi a queda, tentamos ir atrás de médicos, mas não há uma cura para algo quebrado – ele riu sem vida – há seis meses não vejo a luz do dia é como se minha vida tivesse sido entregue há uma longa noite que nunca acaba. – Sakura tentou colocar-se no lugar dele, mas era inimaginável – Karin não aguentou a pressão de estar com um homem cego e terminamos não a culpo.

Sakura entendeu porque ele a afastou e queria todos o mais longe possível, ele não queria perder mais ninguém.

— Se ela te amasse de verdade teria ficado. – Disse sem pensar muito sobre o efeito das minhas palavras nele, pude sentir minhas bochechas queimarem.

— Acho que ela não era como você... – Ele sussurrou deixando-a ainda mais corada, ela o soltou aproximando-se do rosto do rapaz depositando um beijo em seus lábios, um beijo doce carregado de ternura envolveu o rosto dele em suas mãos enquanto ele retribuía o beijo intensificando ainda mais o momento que partilhavam.

Afastaram-se um pouco acanhados.

— Obrigada por dividir comigo sua vida. – Ela sussurrou grata pelo voto de confiança. – Minha vida é uma bagunça – ela disse em um tom divertido, mas sem humor – minha mãe era prostituta – Sasuke ficou com uma expressão assustada na face e a pouca cor de seu rosto alvo sumira – eu soube por que era isso que tinha escrito na minha ficha: mãe: Mebuki Haruno; profissão: prostituta; pai: desconhecido, o governo não pensa que um dia você vai ler isso ou que você talvez não saiba de certas coisas e que ler isso em um papel sem apoio não seria a melhor maneira de descobrir – Sakura soltou um suspiro – talvez no fundo ele não dê importância somos apenas números para eles. – Admitiu, sua voz trazia profundo pesar.

— Você nunca vai ser um número para mim...

Sakura não pode deixar de sorrir, mesmo nas piores horas ele conseguia fazê-la feliz.

— Minha mãe morreu quando eu tinha nove anos, eu a vi morrer – Sasuke ouvia aquelas palavras sem saber o que fazer só a ideia daquilo o fazia querer morrer junto com sua mãe – ela apareceu um pouco estranha em casa, pensei que fosse álcool, mas não foi percebi enquanto dei banho nela, seu corpo cheio de hematomas e machucados, ela foi agredida e segundo o laudo da polícia também gentilmente anexado a minha ficha – suas palavras carregavam um ar de amargura e dor, ela detestava o governo e tinha motivos mais que suficientes para isso, em momento algum ele pensou em protege-la – e drogada por um dos clientes morreu de overdose em meus braços, eu gritei por ajuda e ninguém apareceu, fiquei com ela dias que pareceram horas nem fome ou sede senti nossa casa foi invadida pela polícia, uma denúncia feita o mau cheiro começava a incomodar então fui estática tirada do seu corpo e mandada para um orfanato o mesmo que orfanato das crianças do coral que ouvíamos há pouco – então Sasuke começou a entender tudo – eu tinha praticamente dez anos, completamente fora do padrão de adoção então fui ficando e cuidando das crianças menores que iam chegando e perdendo-as sempre que eram adotadas, mas eu ficava feliz em vê-las indo para lares e profundamente triste quando alguém voltava.

Sasuke não conseguia acreditar que alguém teria coragem de devolver uma criança como uma roupa que não lhe servia.

— Tsunade me apadrinhou quando eu tinha quinze anos, ela me contou sobre sua vida, suas alegrias e tristezas, vitórias e decepções – Sasuke tateou com cuidado a procura a mão livre de Haruno a segurou, levando-a em seus lábios beijando com doçura — demorou até que eu conseguisse confiar que houvesse algo para mim lá fora e mesmo com minha relutância ela não desistiu em momento algum – Sasuke sorriu de lado, eles foram parecidos um dia e aquilo ascendeu nele uma chama de esperança de que se alguém como ele que sofreu conseguia ser do jeito que era ela ele talvez ainda tivesse alguma chance por menor que fosse – então ela me deu um curso de enfermagem para que eu pudesse ter um futuro e Sasuke eu me sentia pela primeira vez uma chama de independência crescer em mim, eu acabei indo atrás de um emprego como jovem aprendiz, fiquei lá até meu curso de enfermagem terminar e cá estou eu, não conseguia emprego na área porque não tinha experiência fora os estágios, mas sem emprego como adquirir experiência? – Sakura soltou um riso gracioso que fez Sasuke rir também.

“Era um dilema e tanto” ele pensou.

— Obrigada por se abrir – Sasuke agradeceu e realmente estava grato em todos os aspectos que a palavra poderia ter, por ela ouvi-lo por permitir que ele a ouvisse. – Obrigada por aceitar o emprego mais difícil que vai ter e a missão de me acompanhar daqui até quando você ainda desejar.

— Então será por um longo, longo – ela inclinou-se e beijou mais uma vez, um beijo simples, apenas um selar de lábios um no outro – tempo.

Notas finais
Eu preparei uma linha do tempo. 09/06/1979 – Itachi nasceu. 23/07/1984 – Sasuke nasceu. 28/03/1989 – Sakura nasceu. 10/06/1997 – Itachi se alista no exercito aos 18 anos. 03/05/1999 – A mãe de Sakura morre e em decorrência de uma overdose provocada por um cliente, Sakura vai para o orfanato. 11/09/2001 – Atentado terrorista, Fugaku pai de Itachi e Sasuke morre em decorrência do atentado. 07/10/2001 O início da Guerra ao Terror ou Guerra ao Terrorismo – é uma campanha militar desencadeada pelos Estados Unidos aos ataques do Onze de Setembro. 24/07/2002 – Sasuke não consegue se alistar no exercito para sua amargura. 02/01/2003 – Dan namorado de Tsunade morre. 24/01/2003 – Começa a cursar direito junto com seu melhor amigo Naruto, conhece Karin e começa a namora-la. 06/12/2004 – Sakura é apadrinhada por Tsunade. 03/03/2005 – Sakura fica sob custódia de Tsunade. 23/03/2005 – Tsunade dá um curso de enfermagem a Sakura. 17/11/2005 – Para não depender mais da tia, Sakura consegue um emprego de jovem aprendiz para trabalhar como operadora de telemarketing. 25/04/2006 – Sakura se forma em enfermagem. 19/05/2006 – Sasuke e Karin ficam noivos. 21/05/2006 – Itachi é assassinado por tropas inimigas e seu corpo não é devolvido. 25/05/2006 – Sasuke e Mikoto descobrem que Itachi morreu. 06/07/2006 – Sasuke entra em depressão e abandona o curso de direito, mas continua com Karin. 31/05/2007 – Durante uma briga com Karin, Sasuke acaba caindo da escada ficando desacordado por alguns dias. 03/06/2007 – Sasuke acorda 23/06/2007 – Karin termina com Sasuke. 23/07/2007 – Sakura consegue o COREN – registro do conselho de enfermagem. E sai do emprego de jovem aprendiz; 07/12/2007 – Sakura começa a trabalhar na casa dos Uchiha’s. Sim, foi difícil pra caramba montar tudo isso e ter nexo e linha cronológica certinha, espero ter agradado. Quero agradecer mais uma vez pelo carinho que venho recebendo ♥ Por favor, não deixem de dar a opinião de vocês é importante pra caramba. Caso tenham tempo e gostem da minha escrita gostaria de lhes apresentar minha nova história: https://fanfiction.com.br/historia/720267/Coquetel_Molotov/ Também SasuSaku, óbvio.