Notas iniciais
Olá, gostaria muito de agradecer e quem favoritou e aqueles que estão acompanhando a nossa jornada, fico imensamente grata e aqueles que comentaram tem um espacinho especial no meu ♥. Em itálico está o bilhete de dona Mikoto e a narração em letra normal entre o bilhete e pá -Q Boa leitura. Leiam as notas finais.

CUIDADOS

Primeiro.

O sono de Sakura naquele dia era diferente dos outros dias, seu semblante era um pouco mais tranquilo, mesmo em meio a um sono agitado pela ansiedade do começo do dia que a aguardava, sua maior preocupação a vida financeira havia acabado, acordou subitamente alguns segundos antes do despertador soar e ecoar por todo o quarto, ela desligou o alarme soltando um suspiro, ainda com os olhos envoltos pela nevoa do sono.

— Espero que o dia seja agradável. – Espreguiçou-se desajeitadamente, levantou da cama jogando o fino lençol que cobria seu corpo de lado e a ajeitou bufando na luta diária com o lençol de elástico. – Assim que eu gosto. – Disse de maneira autoritária após enfim terminar de ajeitar as cobertas.

Ainda com sono foi até sua cômoda, um móvel pequeno, mas bonito onde guardava suas roupas, nunca teve muita coisa, tirou um vestido amarelo rodado, com decote canoa sua altura ia dois palmos acima do joelho, valorizando seu corpo de maneira discreta, adequado para o ambiente de trabalho mesmo com sua cor muito extravagante amarelo vitoriano com bolinhas na cor preta, pegou sua sapatilha preta e foi ao banheiro, fez sua higiene matinal com calma, ainda era cedo dando uma última olhada no celular antes de colocar uma música para tocar e animar a manhã.

Fez o último ajuste em sua roupa, pegou sua bolsa e saiu do minúsculo apartamento, para sua surpresa algo estava colado em sua porta, algo terrível, sua boca formou-se um “O”, se viu alarmada e perdida, agarrou o papel e desceu as escadas em polvorosa, mas acabou encontrando o seu objetivo no meio caminho.

Era um aviso de despejo.

— Sarutobi, não faça isso, por favor. – Implorou, sua voz transmitia desespero.

Hiruzen Sarutobi era um homem de idade, sua aparência era de um sujeito rabugento e carrancudo, mas quem o conhecia sabia de seu coração bondoso e gentil.

— Sakura, me desculpe, eu não queria fazer isso. – Os olhos esmeraldinos se enchiam de lágrimas, isso não podia estar acontecendo, “Não hoje, não quando minha vida começava a entrar nos eixos” refletiu de maneira desolada.

— Eu arrumei um novo emprego – Sarutobi olhou desconfiado, ele vinha adiando isso há algum tempo, mas não poderia mais porque ele dependia do dinheiro dos alugueis, por mais que gostasse da menina ela era a inquilina que mais lhe dava trabalho por ser a que mais tinha débitos em atraso, se perdoava um, não poderia simplesmente cobrar de outros que talvez estivessem em uma situação tão ruim ou pior que a dela, não era algo justo. – É um emprego bom, serei cuidadora de um rapaz deficiente, juro que até fim do mês eu pago e em breve eu quitarei meus débitos. – Ela não tinha certeza de suas palavras, mas a única coisa que ainda não havia morrido eram suas esperanças, portanto faria de tudo para permanecer nesse emprego.

— Você tem até o fim do mês, nada mais e nada menos. – Ele disse decidido, um sorriso formou-se nos lábios rosados de batom cereja de Sakura, ela o abraçou com carinho, impossível não fazê-lo ele estava a salvando.

— Agora me deixe ir lá, tenho que trabalhar. – Falou animada saltitante enquanto descia as escadas do prédio na direção da rua a caminho da estação de metrô que não era tão longe, ela podia ir a pé tranquilamente.

Claro que ela não precisava passar por aquilo, era humilhante, sua madrinha poderia facilmente ajuda-la, mas já lhe devia tanto e tinha que definitivamente começar a caminhar pelas próprias pernas não a teria pra sempre mesmo que esse pensamento fosse triste demais para pensar, “Ela ainda é jovem isso não vai acontecer...” pensava consigo mesma balançando a cabeça negativamente tentando desvencilhar sua mente de coisas ruins enquanto entrava na estação movimentada.

A viagem foi tranquila e nos mesmos vinte minutos do dia anterior.

Chegou ao prédio dos Uchiha, sorriu satisfeita e contente, o metrô a fascinava por essa pontualidade e comodidade, entrou no prédio sendo recebida pelo olhar atento do porteiro que não a olhou desconfiado, mas sim hipnotizado pela sua beleza singular, era um rapaz um pouco mais velho de cabelos ruivos e olhos castanhos deixou o sistema de monitoramento de lado e chamou a jovem mulher que foi na sua direção com um fio de curiosidade em sua testa.

— Aqui – ele estendeu a mão abrindo-a revelando um objeto de metal brilhante: uma chave – a senhora do apartamento 101 pediu que lhe entregasse. – Sakura agarrou a chave, com um sorriso esperou por alguns momentos o elevador que demorava um pouco sem conseguir controlar sua ansiedade foi direto para a porta que dava acesso às escadas em passos largos subiu quando deu de cara com o apartamento sentiu seu estômago remexer, ao colocar a chave e girar a maçaneta podia jurar que iria desmaiar.

— Controle-se Sakura, ou vai parecer uma louca. – Quase sem se conter, abriu a porta e aparentemente a casa estava vazia, se não fosse pelo som da música no quarto ao final do corredor diria que estava sozinha, foi até a cozinha pegar um copo de água, ao chegar lá se deparou com um ambiente muito bem equipado e requintado, aparentemente a senhora Uchiha gostava de cozinhar, tudo era de excelente gosto quando foi até a geladeira pode ver folhas grudadas na porta presas por alguns imãs de natalinos charmosos com seu nome no topo, pegou-as e leu.

Sakura não tive tempo de espera-la, estarei voltando hoje para as minhas atividades, mas saiba que vou com o coração tranquilo— Sakura não pode deixar de sorrir por causa das palavras que vieram a seguir – por sua causa, em anexo a este bilhete está a lista da documentação que quero que a traga para a assinatura do contrato de trabalho, não se esqueça de trazer amanhã e caso saiba dirigir quero que traga também sua carteira de motorista para incluirmos você no seguro do carro, irá levar Sasuke para passear algumas vezes, caso não tenha o leve mesmo assim, andar fará bem e sua companhia parece agradabilíssima, mesmo que ele não queira sair— A jovem de olhos esmeraldas franziu o cenho, ela tinha carteira, mas não quer dizer que sabia dirigir, não que fosse péssima, mas não era boa, engoliu a seco, tirou a CNH por causa de sua madrinha, ela pagou, mas como não tem carro para manter a prática do que aprendeu e tampouco queria causar estragos no carro de sua madrinha não dirigia há algum tempo “Vou pensar se digo ou não...” – Sasuke sabe mexer no micro-ondas, ele sabe exatamente onde fica tudo nessa casa portanto é proibido tirar as coisas de lugar, ele demorou algum tempo para gravar — Sakura lia com calma agradecida por ter aquelas instruções escritas minuciosamente já se imaginava esquecendo-as causando desconforto, encontrou uma caneta em cima da geladeira sublinhando aquelas últimas palavras – quando ele estiver tomando banho, eu gostaria que ajeitasse um pouco o quarto dele, ele não gosta disso, se sente mal, ainda mais dependente do que sua condição o faz ser, já que nem seu próprio quarto consegue arrumar então o faço quando ele não está por perto para passar desapercebido, mesmo em suas condições ele percebe tudo. Suas tarefas são basicamente essas, almoçar com ele, ajuda-lo a sair um pouco de casa, e ele ama chá, e é imprescindível que faça companhia a ele durante as refeições — Sakura fez um careta. “Acho que alguém não vai gostar muito disso” – o dinheiro de sua passagem está dentro do envelope em cima da geladeira, meus telefones estão em uma lista anexada também e me ligue qualquer hora do dia caso seja importante ou tenha alguma dúvida, e por gentileza deixe um número de contato também e dentro do pote transparente que fica em cima da mesa tem dinheiro para emergências, ou caso queira sair com Sasuke para algum lugar, use-o sem problemas. — Não pode deixar de olhar e para seu espanto naquele pote poderia ter facilmente quatrocentos e cinquenta reais “Que tipo de emergência poderia acontecer? Fugir para Oklahoma?”. – Seu horário de saída é às 18h.”

Sakura olhou para o relógio da cozinha 8h09mins, decidiu fazer o café da manhã Sasuke já estava acordado e possivelmente com fome, preparou algumas torradas com geleira e um suco de uva.

— Muito bom. – Murmurou enquanto terminava de fazer a mesa, tomando cuidado para não tirar as coisas dos seus devidos lugar e lembrando-se de onde elas estavam antes, “É como pisar em ovos”.

— Mas podia ser pior, oh se podia. – Resmungou resignada, decidida a chama-lo para o café, revirou os olhos torcendo para que aquele fosse um dos seus dias bons. Saiu da cozinha com calma e a música que tocava ecoando pelo corredor era agradável Panic! At The Disco – I Write Sins Not Tragedies cantarolava em seus pensamentos enquanto batia na porta, Sasuke nem se deu ao trabalho de respondê-la, ela revirou os lábios.

— Grosso. – Sussurrou entre dentes semicerrados. – Eu vou entrar! – Anunciou a entrada abrindo a porta e lá estava ele como ontem sentado na cama, seu rosto era sério, mas dava a ele um charme indescritível.

— Gostei da música Uchiha. – Ele tinha um controle na mão e com poucos movimentos com os dedos trocou a música, “Para que eu fui falar?”, Sakura sabia ele queria irrita-la, ele sorriu de canto.

“Droga... Uchiha”.

— O que você estava dizendo mesmo? – Ele perguntou de maneira despretensiosa, jogando os cabelos de lado, mesmo em sua condição sabia do poder que tinha sob as garotas.

— Preparei seu café, torradas com geleia.

— Eu quero panquecas com calda de morango. – Sakura não acreditava no que ouviu, ele definitivamente queria irrita-la.

— Tudo bem Uchiha. – Disse ela tentando ao máximo não transparecer sua irritação. Virou-se de costas fechando a porta caminhando até a cozinha bufando para preparar as panquecas “Que pessoa mais difícil, onde você foi se meter Sakura?”, enquanto preparava beliscava as torradas, não ela iria desperdiça-las ainda mais quentinhas e deliciosas, mas guardando espaço para o café já que teria de acompanha-lo em pouco tempo tudo estava pronto novamente, subiu dessa vez desanimada, temendo mais alguma malcriação dele.

— Já está pronto. – Ele levantou sem dizer nada a expressão do seu rosto era impossível de ser lida de tão neutra, Sakura soltou um suspiro de alívio. Ele passou por ela que sussurrou – Quer ajuda? – Ele não disse nada, mesmo sem entender o motivo apenas estendeu a mão para ela quando seus dedos se encontram sentiram um arrepio mútuo que tentaram da melhor maneira disfarçar, Sasuke há muito tempo não tinha contato com alguma pessoa e principalmente uma mulher culpou isso a sensação diferente que sentiu quanto àqueles dedos delicados vieram de encontro aos seus, Sakura tentava não pensar, mas quanto mais evitava mais era levada novamente para o instante em que segurou a mão dele e sua cabeça dava voltas.

Caminharam para a cozinha em silêncio mesmo relutante Sakura o soltou deixando que ele se sentasse por si mesmo, lembrava-se das palavras de Mikoto, não queria que ele pensasse que ela seria sua babá.

“Talvez dama de companhia? Porra Sakura, não quer que ele se sinta como um bebê, mas quer que ele pense que é uma senhora de idade, puta que pariu”.

Ele tateava a mesa com cuidado, identificando primeiramente onde cada objeto estava sentido sua textura, guardando sua localização no pequeno espaço, Sakura não conseguia deixar de olha-lo, era impressionante como o corpo humano assim que perdi um de seus sentidos aprimorava outros para dar vasão à perda.

Sasuke levou uma das panquecas à boca com um pouco de calda, de maneira inevitável soltou um pequeno sorriso “Elas eram deliciosas... Droga”, não poderia simplesmente manda-la embora e falar para sua mãe que era péssima na cozinha, mesmo que uma parte de si quisesse muito que ela fosse, havia uma parte que por algum motivo queria ela mais próximo possível.

— O que achou? – Sakura o roubou de seus pensamentos, mesmo com o sorriso quando ele mordiscou o alimento tendo a deixado satisfeita queria ter o prazer de ouvir dos lábios dele.

— Melhor do que imaginei. – Ele disse com desdém enquanto continuava comendo.

“Que diabos significava isso? Que ele imaginou que ela fosse péssima, mas que não era de todo mal?”.

— Obrigada. – Ele deu de ombros, mesmo que ele não admitisse o fato dele continuar comendo era um indicador de sim estava bom.

Comerem em silêncio, o único som era de seus garfos, Sakura odiava aquilo, mas aos poucos algo dentro de si dizia que conseguiria quebrar aquela barreira que ele colocava.

— Se quiser eu lavo a louça.

— Tudo bem – sua voz parecia um sussurro inaudível – eu tiro a mesa. – Eles levantaram juntos, Sasuke foi a pia enquanto Sakura lhe entrega as louças com cautela, ele demorava um pouco na tarefa seus movimentos eram calmos e cautelosos, mas era admirável o fato dele conseguir executá-la por mais amargurado que ele parecesse ser Sakura conseguia enxergar nele uma boa vontade fenomenal que a encantava, ele terminou de lava-la e ela guardou com cuidado para deixar tudo onde estava. – Precisa de algo mais Uchiha? – Sasuke apenas balançou a cabeça negativamente enquanto saia do ambiente tateando com os móveis para se localizar, ele estava evitando toca-la novamente.

Ela soltou um suspiro.

— Teremos longos dias pela frente. – Sussurrando para si mesma depois de se ver sozinha.

E assim foi em meio a silêncio e algumas pequenas patadas o dia acabou e a sensação que ficou no peito de ambos foi uma imensa e louca vontade de estar juntos mesmo que não admitissem.

Notas finais
A fic não será uma long, acredito que uns dez capítulos no máximo, ainda estou vendo isso, mas a primeiro momento é isso... E aí o que será que vai resultar dessa convivência? Não deixem de comentar, o comentário de vocês é muito importante. Beijos de mousse de morango ♥