Cuando te vi

27 Vou conquistá-lo


Notas iniciais
Boa leitura!

Olhos fechados Pra te encontrar Não estou ao seu lado

Mas posso sonhar Aonde quer que eu vá Levo você no olhar

Aonde quer que eu vá Aonde quer que eu vá... Não sei bem certo Se é só ilusão Se é você já perto Se é intuição E aonde quer que eu vá Levo você no olhar Aonde quer que eu vá

Aonde quer que eu vá...

Angie

– Onde você passou a noite, Angie? – Minha mãe estava sentada na sala naquele domingo

de manhã e se levantou assim que entrei. Olhou-me de cima abaixo e fez uma careta. – Que roupa é

essa?

Eu tinha deixado a máscara dentro da bolsa, mas ainda usava a roupa preta com que fui ao

clube. Não consegui encará-la, um tanto cabisbaixa, chateada, louca para ir ao meu quarto e ficar

sozinha. Mas me forcei a explicar:

– Fui a um baile de fantasia com Paola e dormi lá. Deixei recado, mamãe.

– Está com uma cara!

– Cansaço. Preciso de um banho.

Antes que eu saísse da sala, ela me chamou, um tanto irritada:

– Angie, você está diferente! O que é? – Analisou-me criticamente e suspirei. Antes que

pudesse dizer algo, veio para perto de mim e continuou a falar: — Queria tanto que pusesse sua cabeça

no lugar, minha filha! Olha só! Deixar um rapaz como Vítor, louco por você, que te daria o mundo,

para ficar para cima e para baixo com aquela desbocada! Você precisa ... — Mãe, por favor, hoje não ...

– Ele vai acabar arrumando outra moça e aí você vai se arrepender!

Eu a encarei e fui firme:

– Tomara que aconteça de Vítor encontrar outra moça, pois não volto para ele e isso é

definitivo. Acabou. Desculpe, mas preciso descansar e organizar minhas coisas para trabalhar

amanhã. – Sem esperar mais, afastei-me pelo corredor.

Entrei em meu quarto, tranquei a porta e larguei a bolsa em uma cadeira. Desabei na cama,

olhando o teto, abalada, confusa, com raiva, eufórica, triste, tudo ao mesmo tempo. Estava dolorida,

partes do meu corpo sensíveis, músculos que nem sabia que tinha doendo, como se tivesse feito muita

ginástica. E com German preenchendo cada pensamento meu.

Fechei os olhos por um momento e fui invadida por sensações e sentimentos fortes, intensos,

cheios de luxúria e amor. Meu Deus, eu tinha transado com German! Tinha me entregado a ele como

nunca pensei que fosse possível! Ele esteve dentro de mim, me tocou e beijou, fez tudo o que quis

comigo e deixei, alucinada e entregue, aproveitando cada momento, mesmo aqueles em que tive

medo.

Podia ainda sentir sua boca na minha, sua língua, seu gosto. O corpo musculoso sobre o meu,

investindo em mim, penetrando-me daquele jeito profundo e duro, seu olhar me devorando, cada

parte dele tomando conta de mim, até que me perdi de tanto prazer e tanto amor ... Pensei que fosse

estalar com todo aquele desejo absurdo, abissal. Ainda estava estonteada, sem poder crer que vivi

tanta coisa ao mesmo tempo. Tinha sido assustador e maravilhoso! Além de qualquer coisa que

sequer um dia sonhei.

Mas lágrimas vieram aos meus olhos ao lembrar daquela manhã, desde que acordei. Quando

abri os olhos e o vi naquele roupão branco, olhando para mim como se quisesse me comer inteira,

tinha tremido e sentido o estômago gelado de antecipação. Mesmo toda dolorida, tinha desejado

ardentemente que viesse até a cama e me pegasse. Queria abraçá-lo, beijá-lo, tocá-lo, falar com ele,

ouvir sua voz, passar o dia todo em sua companhia. Mas aquela visita tinha estragado tudo. Fernanda.

Quando German saiu para atender e me mandou ficar no quarto, eu estava apertada para fazer

xixi e fui ao banheiro silenciosamente, fechando a porta. Fiz também a higiene matinal, lavei o rosto

e escovei os dentes com uma escova fechada que tinha na gaveta. Voltei ao quarto, ansiosa, dolorida,

com medo que a visita fosse Vítor.

Não demorou muito e German voltou diferente, fechado, frio, mal me olhando. Indaguei, um tanto

sem graça, sem saber como me portar depois de tudo que tinha acontecido entre a gente:

– Era o Vítor?

– Não. – Foi seco. Entrou em seu closet e eu aguardei, segurando o lençol sobre o peito, ansiosa, mordendo os lábios. Quando voltou, usava uma calça jeans que se moldava em cada

músculo do seu corpo, deixando-o lindo demais. Ainda mais sem camisa. Deixou um par de tênis no

chão e sentou-se na poltrona em frente, calçando um de cada vez, ignorando-me.

Fui para a beira da cama e pus os pés para fora, ainda segurando o lençol no corpo,

incomodada, nervosa, abalada por sua presença, pelo desejo de estar perto dele novamente, mas sem

saber como me portar ou o que dizer. Olhei-o e meu coração disparou. Senti o amor me envolver

com tanta força que até estremeci. Como uma pessoa podia ter tanto poder assim sobre a outra, sem

nem precisar tocar?

German estava meio de perfil para mim, um tanto pensativo, uma ruga de preocupação na testa.

Seus cabelos úmidos caíam despenteados sobre a testa. Observei cada traço dele, desde as

sobrancelhas grossas, passando pelos olhos azuis penetrantes, pelo nariz fino, os lábios bem

marcados, o queixo firme com covinha, a sombra de barba no maxilar anguloso, até seus ombros

largos e peito forte.

– German ... – Chamei-o num fio de voz, cheia de paixão mal contida, ardendo por ele.

Seus olhos voltaram-se para mim. Por um momento vi que a atração que tínhamos um pelo

outro falou mais alto. Fiquei sem ar com o desejo com que fitou-me. Esqueci de tudo. Tremi e arfei

um pouco, ignorando meu corpo dolorido, louca para tê-lo de novo junto a mim. Imaginei-me jogando

o lençol para o lado e indo nua até ele, implorando para me beijar e tocar, me fazer dele. Mas então

German piscou, respirou fundo e se levantou, quebrando a energia que pulsava. Deu-me as costas, pegou

uma camisa azul e começou a se vestir, dizendo baixo:

– Vou levar você em casa, Angie.

Engoli em seco, querendo saber o que havia de errado. Indaguei:

– Quem era a visita?

Pensei que não responderia. Mas me olhou, agora mais frio, abotoando a camisa.

– Fernanda.

O ciúme veio tão forte que quase chorei. Tentei me controlar, entendendo por que ele estava

assim. Lembrei da noite anterior, quando disse que amava Fernanda e não abriria mão dela naquele

mês por mim. E de Vítor me dizendo uma vez que João contara a ele que, se um dia decidisse se

casar, seria com ela.

Fiquei tão abalada, tão sem saber o que fazer, que quando German saiu do quarto dizendo que

me esperaria na sala, não tive coragem de dizer nada, com medo de não me controlar e chorar. Vestime

como um robô, peguei minhas coisas e o segui. Não aceitei café-da-manhã, pois ofereceu como se

estivesse com pressa de se livrar de mim. Saímos e fizemos a viagem de carro até meu prédio em

silêncio.

Eu me sentia horrível, arrasada, abandonada. Tinha perdido minha virgindade com um homem dominador, que manipulava prazer e dor com a mesma intimidade, que tinha me elevado a desejos e

sentimentos nunca antes sentidos, para então me desprezar assim pela manhã, como se eu tivesse sido

só uma foda a mais, sem importância. Como se estivesse louco para me ver pelas costas e correr

logo para os braços de Fernanda. A dor que me dominava era absurda e eu não podia fazer nada mais

que sofrer em silêncio, pois nunca me prometeu nada. Apenas um mês.

Quando parou em frente ao meu prédio, desceu logo enquanto eu tirava o cinto de segurança e

abriu a porta para mim. Não tive coragem de olhá-lo e desci, quieta. Somente quando bateu a porta,

eu murmurei:

– Tchau, German.

Foi quando segurou meu braço e me encostou no carro. Ergui os olhos de imediato e meu

coração disparou ao dar com seus olhos azuis e penetrantes nos meus, tão cheios de intensidade e

sentimentos

– Angie ... Olha, hoje não sou boa companhia. Não é nada com você. Só preciso de um tempo e

acho que você também. Foi tudo rápido demais.

Eu não consegui dizer nada. Sabia que o ciúme me embargava, pois ele estava assim por que

Fernanda tinha aparecido. Preferia estar com ela do que comigo. Tinha certeza de que a procuraria

tão logo saísse dali e aquilo me deixava arrasada. Só de imaginá-lo transando com ela, beijando-a,

fazendo muito mais do que fizera comigo, eu tinha vontade de morrer.

Acariciou meu rosto, olhando-me de um jeito tão dominador e único, que parecia querer me

devorar ali, e não a ela. Mas se fosse verdade, teria ficado comigo. Não me traria em casa.

– Você está bem?

– Sim. – Menti.

– Sente dor?

– Um pouco dolorida.

– Cuide-se, Angie. Eu ... Adorei cada minuto que passei com você. Nunca quis ser o primeiro

de ninguém, mas não me arrependo de nada. Vou procurá-la logo. – Tirou o celular do bolso. – Fale

o seu número.

Eu falei e ele gravou. Depois me fitou de novo, deslizando os olhos até minha boca, a energia

viva nos rondando, a atração ali presente. Pensei que me beijaria, mas me soltou e deu um passo para

trás, muito sério. Soube que era a hora de ir, mas vacilei. Parecia que nunca mais o veria e quase

supliquei. Mas no último minuto, acenei com a cabeça e, sem condições de dizer mais nada, corri

para entrar em meu prédio, sem olhar para trás.

Agora eu estava ali, sozinha, sem saber o que pensar ou o que esperar, entendendo que não

viveria um conto de fadas como tantas vezes sonhei, mas uma história cheia de emoções intensas e contraditórias, com um homem duro, que poderia me elevar nos prazeres mais absurdos mas também

na pior das dores.

Meu celular tocou e o tirei do bolso, ansiosa, pensando se poderia ser ele. Mas não era.

– Oi, Paola.

– Está em casa?

– Sim.

– To chegando aí.

– Paola ... – Mas ela já desligava. Sabia que ia me espremer até saber tudo. Criando coragem,

fui para o banheiro tomar banho e me trocar. Quando saí com o cabelo molhado, usando short e

camiseta, ela já estava sentada em minha cama, olhando-me preocupada de cima a baixo, como se

esperasse me ver sem algum pedaço.

– Ai, Anjinha, estava tão preocupada! Chegou há muito tempo?

– Ainda há pouco. – Sentei ao seu lado, começando a desembaraçar o cabelo com um pente

largo. Fugi de seu olhar atento, perscrutador.

– Para quem passou a noite com o homem da sua vida, você parece triste demais, querida.

Droga, ele te machucou?

– Não. Quero dizer, mais ou menos.

– Ah, meu Deus! Usou aquele chicote em você? Na sua primeira vez? – Parecia horrorizada.

– Paola, German não usou o chicote. Só ... – Calei-me, muito vermelha, sem coragem de olhá-la.

– Só o quê?

– É coisa nossa.

– Coisa nossa uma ova! Pode contar tudo! Agora!

Suspirei e a encarei. Vi que estava nervosa e preocupada. Segurei sua mão com carinho e

acabei sorrindo. Um tanto sem graça, confessei:

– Gozei três vezes ontem, Paola. E de maneiras que nunca imaginei que fossem possíveis.

– Três vezes? – Arregalou os olhos. – Caralho, a minha primeira vez foi horrível! Tive raiva

do cara, que só me machucou e você ... Porra, Angie!

– Você é doida. – Sacudi a cabeça, sorrindo, deixando o pente de lado.

– Mas se foi assim, quer dizer que German ... Bem, ele não te bateu nem nada assim, não é? – Viu

minha cara e respirou fundo. – Desgraçado! Olha, to preocupada com isso. Você sempre foi

romântica, até boba. E ele ... Ele é muito tarado!

– Paola, pare com isso.

– Mas, querida, como pode uma coisa dessas?

– Eu sabia como seria, fui avisada, quis assim mesmo. E vou falar a verdade, foi maravilhoso.

Faria tudo de novo. Nunca imaginei que existisse um homem como German, Paola. Acontece que ... — O que?

– Hoje de manhã, quando acordamos, tivemos uma visita.

– Merda! O Vítor! Puta que pariu!

– Hei, calma! Não foi o Vítor. Foi a Fernanda.

– A loira das escravas?

– É.

– E aí?

– Não sei. Fiquei no quarto, ele foi falar com Fernanda e voltou todo esquisito. Mal me olhou

e me trouxe logo embora. Parecia que queria se ver logo livre de mim e correr para ela. – Sem que

pudesse me controlar, senti os olhos cheios de lágrimas.

– Anjinha ... – Paola me abraçou e comecei a chorar, por tudo. Pela maneira intensa e dura

como iniciei minha vida sexual, mesmo tendo me dado prazer, pelo desprezo de German depois, pelo

ciúme louco que eu sentia agora. – Os homens são uns canalhas! Vê se pode isso! Depois que

conseguem o que querem, se comportam como uns filhos da puta!

– Desculpe. – Me afastei, enxugando os olhos. — O pior de tudo foi que German me avisou.

Deixou claro que não a deixaria por mim.

– Não a deixaria? Mas eles tem compromisso?

– São amigos e amantes. Tem uma cumplicidade muito forte, estão juntos há anos. – Funguei e

consegui olhá-la, mais controlada. – Disse que tiveram problemas sérios na vida e um sempre esteve

com o outro. Se ela precisar dele, não vai vacilar em me deixar e vai para os braços dela. Como

posso concorrer com isso, Paola?

– E você aceitou?

– Estou louca por ele. Aceitaria qualquer coisa!

– Para ficar sofrendo assim, Angie?

– Longe de German vai ser pior. E meu tempo é curto.

– Como assim? – Franziu o cenho.

– Vamos ficar juntos só por um mês. Vítor decidiu viajar e ficar fora nesse período. E German

não quer que ninguém saiba da gente, por causa dele. Será nosso segredo, com tempo certo para

começar e terminar.

– Poxa, Angie ... – Ela suspirou. – Amiga, onde você foi se meter! Tá caidinha por ele. E depois

de um mês, já pensou como vai ficar?

– É melhor do que nada.

Paola ficou quieta, evidentemente preocupada e pensativa. Eu forcei um sorriso e cutuquei-a

com o ombro.

– São escolhas minhas. Estou arriscando.

– É que parece tão confuso! German é complicado demais. Desde que conheço você por gente,

sonha com seu príncipe encantado, um cara lindo e apaixonado que a faria muito feliz. Conheceu esse

cara, era o Vítor. Ele te daria o mundo, Angie. E o deixou para viver essa montanha russa com German,

um dominador sadomasoquista com aquele encosto loiro do lado, tudo bem, lindo de morrer, com

aquele pau ... Desculpe, mas não teve como não reparar ... Bem, o cara é furada na certa! É puro

sofrimento, querida.

– Não amo Vítor. Amo o German. E se tenho um mês, é o tempo que vou usar para tentar

conquistá-lo, Paola.

– Como? Fazendo as vontades dele? Sendo espancada?

– Não é assim.

– É assim! Olha quantas regras você tem que seguir. E ele? – Estava irritada. – Está fazendo

um favor a você, brincando com a ingênua ex-noiva do primo?

Fiquei magoada e me senti um nada, uma pobre coitada burra e usada. Paola notou na hora e

segurou minhas mãos.

– Desculpe, perdi a cabeça. É que sei o quanto você é especial, eu te amo como minha irmã.

Não quero ver ninguém te tratando menos do que você merece. German é um babaca como o primo dele,

se não percebe isso! – Respirou fundo, encarando-me. – Só me prometa uma coisa, Angie. Não faça

nada que não queira só por ele.

– Não farei. Engraçado, German me pediu a mesma coisa. Sabe, fiquei arrasada por não passar

hoje o dia com ele, mas agora acho que foi bom. Vou ter um tempo para pensar, me reequilibrar, ver

as coisas como realmente são.

– Isso mesmo. E sabe que pode me contar tudo, não é? Vou sempre tentar olhar pelo que for

melhor para você.

– Eu sei, meu bem. – Abracei-a, emocionada, sensível. Tinha sido muita coisa ao mesmo

tempo, tudo muito intenso e novo.

Agora eu precisava de tempo. Quando encontrasse German de novo, tentaria ser mais forte, agir

mais com a cabeça do que com o coração. O problema seria conseguir.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari