Cuando te vi

18 Submissa


Notas iniciais
Boa leitura!

– É que só o conhecemos fora daqui, na vida baunilha. – Explicou Paola. – Nunca o vimos em

ação!

– Nossa, vão ficar loucas! As submissas aqui fazem fila por ele. Muitas dariam tudo para ser

sua escrava.

– Como assim, escrava? – Não me contive e Paola me deu uma cotovelada. A moça lançou um

olhar duvidoso para nós duas, mas explicou:

– Escrava é quando o relacionamento se estende fora daqui, geralmente em 24/7. – Viu nossa

ignorância e esclareceu: — 24 horas por sete dias da semana. Escrava em tempo integral, inclusive

com coleira. Mas ouvi dizer que o doutor não curte relacionamentos. É só aqui, com quem ele

escolhe e pronto. Nunca fui escolhida.

Ela se lamentou. Como eu estava ansiosa para saber mais sobre ele, perguntei:

– Quer dizer que aqui ele não é submisso?

– Submisso? – Ela riu. – Não há uma célula submissa naquele corpo! Ele é um Dom! De

primeira!

– Só com mulheres, né? – Emendou Paola.

– Claro! – Parecia se divertir.

Paola virou-se para mim. Ergueu uma sobrancelha:

– Chicote? Bondage? Está pronta para isso?

Estremeci, entre horrorizada e excitada. Disfarcei e, só quando a garota falou com o barman,

indaguei baixo:

– O que é bondage?

– É o uso de cordas para imobilização. Isso eu sei. Serve para imobilizar a pessoa, deixá-la

vulnerável aos donos.

– Ah ...

– Angie, você nunca teve uma experiência sexual. E agora ... Um Dom! É demais querida!

Não podia contar para ela, mas só de imaginar João me dominando, me amarrando e fazendo

comigo o que quisesse, me deixava de pernas moles e com a calcinha molhadinha. Mordi os lábios,

cheia de lascívia, olhando em volta, ansiosa para vê-lo.

O clube começou a encher. Pessoas com as mais diversas fantasias, casais homossexuais,

grupos, circulavam por ali. A música continuou, pesada e em estilo gregoriano. Mas no palco

apareceu um DJ no canto, anunciando as atrações da noite. Quando anunciou que uma das donas do

clube faria a abertura oficial da festa, uma bela loira com roupas de época entrou no palco

carregando duas mulheres de quatro em coleiras. Eu a reconheci de imediato e disse baixo a Paola:

– Aquela é Fernanda, a amiga do German e uma das acionistas do clube

– Bonita. Eles tem um caso ou o lance dela são as mulheres?

– Vítor disse que são amigos com privilégios. – Não podia evitar um pouco de ciúmes.

Fernanda parou no meio do palco, em frente ao microfone, e as duas submissas ou escravas

se ajoelharam no chão aos seus pés, uma de cada lado. Com voz rouca e linda, ela agradeceu a

presença de todos, disse que o clube estava fazendo uma comemoração devido ao sucesso de anos,

com cada vez mais adeptos e simpatizantes e que a festa temática iria favorecer a fantasia de cada

um. Convidou a todos para conferir os cômodos do casarão, que em cada um teria um evento

diferente e no palco seriam feitas apresentações.

Ela deu um passo para trás e as duas moças bem vestidas com roupas também de época,

continuaram de joelhos, uma de costas para a outra. Fernanda segurou-as pelo pescoço, sorriu para a

platéia e agradeceu. Quando soltou-as, ambas se ergueram de maneira graciosa e uma delas entregou

à domme um objeto de borracha próprio para dar tapas. Foram até uma parede e ficaram de costas

para a platéia, que aplaudia freneticamente enquanto Fernanda se retirava do palco e era seguida

pelas duas moças silenciosas e obedientes.

– Gostei desse negócio de ser Dona, Domme, rainha, sei lá! – Cochichou Paola. – Seria

interessante deixar os homens aos meus pés, fazendo tudo que eu mandasse!

Eu sorri, sabendo que combinaria perfeitamente com ela.

No palco, subiram dois homens com máscaras que cobriam toda a cabeça, usando apenas uma

sunga fio dental atrás, na frente apenas tapando os sexos, feitas de vinil preto. Deitaram-se no chão

do palco, um de bruços, outro de barriga para cima. Duas mulheres subiram, com botas de salto

altíssimos, uma negra magra e vestida de Zorro erótico e uma loira oxigenada gordinha, de macacão

de vinil vermelho com zíper na frente. Ambas traziam objetos de tortura nas mãos, a negra um chicote

de tiras e a loira um cano fino.

Eu e Paola ficamos estáticas vendo como as duas torturaram e atormentaram os rapazes,

usando o microfone para ofendê-los e humilhá-los com palavras pejorativas, batendo neles, pisando

em partes de seus corpos. O público aplaudia, opinava, delirava. Mas eu estava assustada. Quando

olhei para minha amiga, ela sorria.

– Gosta disso? – Murmurei.

– Faria o mesmo com alguns caras que conheço, com o maior prazer.

Naquele momento, vi Fernanda passar pelo salão, seguida pelas duas moças atrás de si,

sendo cumprimentada pelas pessoas. A maioria a tratava como uma rainha, beijava suas mãos,

abaixava a cabeça. Foi nesse momento que um homem entrou e se dirigiu a ela. Fernanda parou e um

sorriso genuíno suavizou sua expressão.

Ele era alto e usava calça preta de couro, botas pretas e um manto negro com capuz sobre a cabeça, que o escondia, ainda mais para nós. Mas algo fez meu coração disparar, talvez seu jeito de

andar, sua postura, o corpo e altura. Era German. Tive certeza disso. Minha pele ardeu, um frio varreu

minha barriga, emoções fortes e alucinantes me bombardearam.

– Ele chegou. – Murmurei.

– Como sabe?

– Eu sei.

As duas submissas atrás de Fernanda caíram de joelhos no chão e se inclinaram, beijando as

botas dele. Pude ver uma de suas mãos acariciar a cabeça de uma, enquanto parecia entretido em um

assunto com Fernanda. Somente então as duas moças se ergueram e voltaram à posição atrás da

médica, quietas e de cabeça respeitosamente baixa.

– Cara, isso é muito louco. – Sussurrou Paola.

Quando vi que os dois se encaminhavam ao bar, onde estávamos, fiquei trêmula, arrebatada,

muito nervosa. A luz fraca e o capuz não permitiam que visse seu rosto, mas eu sabia que era ele. Sua

presença me dominava por inteiro. Fiquei ali imóvel, sem tentar chamar a atenção. Mas quando parou

e apoiou as mãos sobre o bar, olhei-as, reconhecendo-as mesmo como as de German. Eu já pareciam ter

gravado cada pedaço dele que vi.

– Uma tequila, Lauro. – Sua voz grossa ecoou em cada terminação nervosa do meu corpo.

Parte do corpo de Paola, de costas para ele, me encobria. Mas eu o espiava, muito consciente dele e

do que causava em mim.

– Fiquei com medo que não viesse hoje. – Pude ouvir Fernanda, pois estava perto. As

escravas continuavam silenciosamente atrás dela.

– E quase que não venho mesmo. Não vou demorar, Nanda. Hoje não estou com espírito para

jogar.

– O que houve?

– Nada. Quer beber algo?

– Não. Vamos sentar.

Quando German pegou a Tequila e se virou, vi parte de seu rosto nas sombras. Minha vontade

foi a de cair aos seus pés como as escravas tinham feito ainda há pouco, não para beijar seus pés,

mas para abraçar suas pernas e suplicar uma chance, um pingo de atenção.

Observei-o se afastar com Fernanda até uma parte mais isolada e alta do salão, como um

ambiente privilegiado para ver o resto de nós. Por lá se espalhavam cadeiras como de reis e rainhas,

bem trabalhadas no encosto e nos braços, largas e com estofados de veludo negro. Tinham quatro ali.

Uma estava ocupada por um homem de meia-idade com cara de mau e uma sub nua a seus pés, na

coleira. Fernanda e German o cumprimentaram e ocuparam outras duas, lado a lado. As duas escravas

abaixaram-se sobre os joelhos nos degraus.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari