Cuando te vi

19 Homem dominador


Notas iniciais
Boa leitura!

Do bar, eu os fitava, como súdita diante de tronos. Mas eu nem reparava direito nos outros.

Percebia cada pequeno movimento de German, sentindo-me presa dos meus sentimentos por ele e da sua

presença. Era exatamente como da primeira vez que o vi, como se estivesse diante de um animal

selvagem, arisco. Ali, aquela sensação parecia ainda mais potente. Eu podia entender claramente por

que era um dominador. Naquele local, não havia disfarces. Ele emanava poder e virilidade, um

macho alfa em seu ambiente.

– Porra, Angie. Uma coisa tenho que admitir. – Paola disse perto de mim. – Você tem bom

gosto. Acho que toda mulher hetero aqui hoje está com a calcinha molhadinha.

– Até você? – Encarei-a.

– Não sou de ferro, amiga. – Deu de ombros, sorrindo para me provocar. Olhei em volta e

constatei que tinha razão. Muitas das mulheres perto de nós cochichavam e lançavam olhares para a

direção de German. Lembrei do que a menina do bar tinha dito e senti ciúmes. Me dei conta que, com a

aparência dele, poderia ter qualquer mulher, escolher a mais linda, a melhor. E me senti um tanto

incomodada ao me dar conta que não era nenhuma das duas coisas, no máximo uma bonitinha. Como

podia ter a pretensão de ser importante para German como ele era para mim?

Eles não demoraram muito ali, só o bastante para conversarem um pouco e German terminar sua

bebida. Então se levantaram e o observei atravessar o salão, seguido por Fernanda e pelas escravas.

Passaram em frente ao palco e sumiram no corredor.

– Vamos lá ver onde estão indo. – Paola se ergueu de um pulo. Outras pessoas os seguiram e

não fomos exceção.

Um corredor com paredes de pedras e luz difusa, comprido, nos levou até alguns cômodos

que se espalhavam pelos dois lados. Nunca fiquei tão chocada com as coisas que vi ali. Parei na

porta de um deles, com Paola ao lado, ao ver uma mulher no chão, acorrentada como um cachorro,

sentada com as mãos presas para trás e uma mordaça na boca. Algumas pessoas entravam ali, diziam

coisas a ela, a humilhavam ou admiravam.

Seguimos adiante e passamos por outro, que era uma espécie de cela para cachorro, um canil.

Lá três pessoas estavam seminuas e prisioneiras. Mais pessoas se reuniam ali, para ver um Dom

humilhando-os. Estremeci, sem acreditar naquele mundo tão diferente do meu.

Vimos muita coisa. Celas, quartos, pessoas amarradas em cama sendo torturadas com velas

ou apanhando, homens submissos chupando os pés de sua rainha, quartos particulares com portas

trancadas onde ocorriam sessões íntimas, outras que passamos adiante. Então chegamos a um cômodo

maior, onde se reuniam várias pessoas. Uma música assustadora, com gemidos, tocava nos

amplificadores. E foi ali, a um canto, que eu e Paola paramos.

Meu coração disparava. Parecia uma masmorra medieval, desde a iluminação até a decoração sombria. Em um canto, havia uma cruz de madeira. Em outro, uma espécie de cavalo

também de madeira. Depois, um estrado com algemas, cadeiras cheias de amarras e outras correntes

penduradas do chão, parede e teto. Ganchos também. Mas tudo aquilo notei de maneira superficial.

Meus olhos estavam fixos em German, no centro de tudo, com Fernanda ao seu lado. Na frente dele, uma

bela moça com cabelos longos, castanho-claros, completamente nua. Era bem feita, a pele imaculada,

a bunda empinada.

Encostei-me a um canto da parede, ansiosa, agoniada. Tentava me preparar psicologicamente

para ver German em ação, saber um pouco mais dele. Medo e excitação me envolviam e pensava como

eu, uma garota que até então não tinha deixado nenhum homem me tocar intimamente nem nos seios,

estar ali, apaixonada por um homem que tinha prazeres muito mais perversos que os meus. Era

chocante e ao mesmo tempo extremamente excitante. Algo totalmente novo para mim.

O ciúme também vinha violento, ao imaginá-lo com aquela mulher ou qualquer outra. Mas

tentava me controlar, me portar apenas como expectadora, observar. Ao meu lado, Paola permanecia

quieta. Assim como as pessoas que se reuniam por ali para assistir. O silêncio era quebrado apenas

pela música sinistra, profunda. Meu coração batia forte, a respiração acelerada.

German estava de perfil para mim, mas o capuz do manto negro cobria seu rosto. Acho que

entendi o conceito das fantasias ali. Tudo parecia mais real e dramático, naquele ambiente de

masmorra, com aquelas roupas negras e cheias de suspense. Ele segurava uma corda bege, que

envolvia nos cotovelos da moça, juntos em suas costas. Suas mãos eram eficientes e firmes, como se

tivesse muita prática no assunto. Eu o olhava, mal podendo puxar o ar para os pulmões.

Então amarrou os pulsos dela e começou um intrincado trabalho com as cordas, que passava

pela frente do corpo dela, em volta da cintura e dos seios, dando nós, como se a vestisse toda só com

cordas, dos ombros para baixo. Percebi que cabeça e pescoço ficaram livres, talvez para evitar

asfixia, e também que estava firme, mas não apertado, como se acompanhasse o formato do corpo

dela. Quando ficou toda amarrada, caiu de joelhos com as pernas abertas. E foi a vez de correntes

descerem do teto com ganchos, certamente acionadas por alguém.

German foi para trás dela e vi uma parte de seu rosto, duro e concentrado. Prendeu um gancho

grande nas cordas de suas costas e depois mais um, ao lado. Fez um sinal com a mão e a corrente

começou a subir, içando a moça cada vez mais, até que ficou pendurada no ar. Fernanda foi até uma

mesinha ali perto, pegou um chicote longo e fino e entregou a ele, indo para um lado.

Quando estalou o chicote no chão, fazendo um barulho de açoite, eu me assustei e quase

gritei. Levei a mão à boca, nervosa, com olhos arregalados. Parecia um carrasco, um inquisidor, que

faria sua vítima confessar todos os pecados sob tortura. Ao mesmo tempo que eu estremecia de

medo, até mesmo de aversão, sentia cada terminal nervoso do meu corpo alerta, quente, eriçado.

Precisava do apoio da parede para não perder o equilíbrio com minhas pernas bambas.

Quando German se posicionou e deu o primeiro golpe, envolvendo o chicote no corpo da moça

como uma língua de serpente, mordi os lábios, arfante. Ela gemeu e abriu a boca, balançando. E daí

começou. As chicotadas eram nas costas, cintura, quadris, bunda e pernas. Ela miava, se debatia nas

cordas, mas ficava óbvio para todos como a dor a deixava excitada, seu rosto contorcido pelo

prazer.

Depois de umas nove ou dez chicotadas, German entregou-o a Fernanda. Aproximou-se da moça

e o quadril dela estava na altura de sua cabeça. Segurou seu tornozelo com firmeza e abriu mais suas

pernas. A moça fitou-o cheia de desejo e ronronou quando seus dedos tocaram em sua vulva depilada

que brilhava de seus líquidos. Dois dedos a penetraram fortemente e ela soltou um gritinho agudo.

Perdi o ar, sentindo minha vagina convulsionar e arder tanto que chegou a doer. Algo quente e

grosso desceu do meu ventre e escorreu para a calcinha. Imobilizada, eu olhava aquilo, seus dedos

indo e vindo dentro da garota, que se balançava e abria mais as pernas, enquanto a outra mão

masculina imobilizava seu tornozelo.

– Não goze. – Foi a única coisa que ouvi German dizer, uma ordem firme e com voz autoritária.

Ela estremeceu e lutou para se manter quieta, cerrando os lábios fortemente, arquejando enquanto

sentia os dedos dentro de si. Em sua pele clara, havia riscos avermelhados do chicote que a lambeu

um pouco antes.

German tirou os dedos, largou-a, deu um passo para trás e fez um gesto com a mão. A corrente

que a sustentava começou a descer, com outras, até que a moça pisou no chão e imediatamente

abaixou a cabeça perante ele e caiu de joelhos. Depois se deitou no chão de barriga para cima. Ele

começou a prender um entrelaçado de corda sob seus joelhos, quadris e ombros e depois todos eles

nos ganchos. Outro sinal e as correntes se ergueram. Aos poucos ela ficou na horizontal, suspensa,

como se estivesse deitada no ar, as pernas dobradas e abertas, na altura dos quadris dele. Contornoua

e parou entre suas pernas. Seus dedos foram de novo dentro da vulva inchada e suspiros foram

ouvidos da plateia, junto com os gemidos da moça, enquanto a penetrava duramente. Quando enterrou

três dedos, deu uma palmada forte na bunda com a outra mão. Ela gritou, jogou a cabeça para trás,

balançou, totalmente sob seu domínio.

Não podia tirar meus olhos daquela cena forte e pornográfica. Nada na vida poderia ter me

preparado para algo assim e eu permanecia tensa, acuminada, excessivamente cheia de luxúria. O

choque, o medo e o desejo me engolfavam, como forças antagônicas brigando dentro de mim. Não

podia acreditar que aquele homem dominador, que manipulava cordas e chicote, que enfiava os

dedos na mulher e batia em sua bunda, fosse o mesmo que conheci, que me beijou daquele jeito

apaixonado na boate, que deixou claro mais de uma vez que não teria nada sério comigo. Um médico

renomado, inteligente, com família. E um carrasco.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari