Notas iniciais
Boa leitura!

Ela me observava, pesando minhas palavras, pensativa. Meus olhos desceram por seus seios,

seu corpo nu, o cheiro de sexo impregnado em nós. E então a abracei, apoiei sua cabeça em meu

ombro, acariciei seu cabelo. Disse baixo:

– Ainda está em tempo de você desistir.

– Eu não posso. Eu não quero. – Falou baixinho também, me abraçando forte, se encaixando

em meus braços.

– Eu não garanto nada, Angie. É bem possível que exija demais de você.

– Então, vamos conhecer os meus limites. – Beijou suavemente meu rosto, passou a mão em

meu cabelo.

Fechei os olhos um momento, dividido. Eu a queria e ao mesmo tempo a temia. Por que nosso

prazo era de um mês, quando Vítor voltaria e eu teria que encarar minhas ações e minhas culpas. Mas

com tudo aquilo, meu maior medo era de me envolver além do que podia. Por tudo, por meu passado,

minhas escolhas, por Vítor, por quem eu era e Angie também. Por que no fundo, ela só tinha visto ainda

uma parte de mim. A fera que eu era, eu tentava conter. Mas por quanto tempo?

Esse turu turu turu aqui dentro

Que faz turu turu quando você passa

Meu olhar decora cada movimento

Até seu sorriso me deixa sem graça

Se eu pudesse te prender,

dominar seus sentimentos,

Controlar seu passos,

ler sua agenda e pensamentos

Mas meu frágil coração

acelera o batimento e faz turu turu turu turu tu...

Esse turu tatuado no meu peito

Gruda e o turu turu turu não tem jeito

Deixa sua marca no meu dia-a-dia

Nesse misto de prazer e agonia

Nem estou dormindo mais,

Já não saio com os amigos

Sinto falta dessa paz que encontrei no seu sorriso

Qualquer coisa entre nós vem crescendo pouco a pouco

E já não nos deixa à sós isso vai nos deixar loucos

Se é amor, sei lá!

só sei que sem você parei de respirar

E é você chegar pra esse turu turu turu vir me atormentar

Se esse turu tatuado no meu peito

Gruda e o turu, turu, turu, não tem jeito

Deixa sua marca no meu dia-a-dia

Nesse misto de prazer e agonia

Eu desisto de entender

É um sinal que estamos vivos

Pra esse amor que vai crescer

Não há lógica nos livros

E quem poderá prever

Um romance imprevisível

Com um turu, turu, turu, turu, turu, turu, tu

Angie

Passei o sábado com German e foi maravilhoso. Se houvesse qualquer dúvida que eu o amava (

e não havia!), acabaria naquele dia. Por que me apaixonei ainda mais, como se fosse possível. Foram

horas só nossas, de amor, risadas, carícias e momentos de descontração.

Tomamos banho de piscina nus, nos secamos ao sol, ficamos como Adão e Eva em nosso

paraíso particular. Conversamos sobre diversos assuntos, falamos de coisas do passado, escola,

família, amigos, trabalho. E parávamos de falar para nos beijar, fosse dentro da piscina quando me

encostou no ladrilho e saqueou minha boca, ou quando me deitou na espreguiçadeira e simplesmente

ficamos trocando carícias.

Pediu comida em um restaurante e comemos juntos. Depois conversamos mais, ouvimos

música e resolvemos jogar uma partida de sinuca. Eu consegui convencê-lo a me emprestar uma

camisa e prendi o cabelo em uma rabo-de-cavalo. Após o banho ele também pôs uma bermuda e

camisa branca. E fomos para a bela sala de jogos.

Era linda, com parede de tijolinhos, mesa de carteado, bar, tevê onde ele colocou em um

show ao vivo, sofás brancos. Fui animada até a mesa de sinuca e German organizou as bolas na mesa,

me entregando um taco e me olhando com um sorriso sedutor.

– O que vamos apostar?

– Nada. – Sorri de volta.

– Mas aí não tem graça. – E provocou: — Não disse que ninguém vence você aqui? Ou está

com medo de perder?

Analisei-o com os olhos. Eu era ótima, adorava jogar sinuca e treinava há anos. Mas

conhecendo German, seu jeito de quem não gostava de perder e, tendo uma mesa daquelas em casa,

calculei que seria um oponente de peso. E tinha medo do que ele poderia exigir se ganhasse.

Confessei:

– Estou com medo, sim.

– Vai recuar?

Sorria, divertido, à vontade. Seu sorriso era estonteante, lindíssimo. Por um momento só o

admirei, indecisa.

– E então, Angie?

– Vamos ver ...

– Não. Eu quero apostar. — O sorriso ampliou-se. – Faça seu pedido que faço o meu.

Engoli em seco. Mas vendo-o tão divertido, solto, acabei concordando.

– Certo. Se eu ganhar, quero prender você naquelas algemas da cama. Será meu submisso.

German deu uma gargalhada. Acabei rindo também. Recostou o quadril na mesa, avaliando-me

com o olhar brilhante.

– Essa é sua fantasia sexual?

– Acho que seria bem interessante.

– É? E o que faria comigo?

– Surpresa.

– Tudo bem, aceito.

Meu sorriso se ampliou. E então João completou:

– Agora faço o meu. Se eu ganhar, vai ao clube comigo hoje à noite.

Meu sorriso morreu nos lábios na hora. Antes que eu negasse, German aproximou-se e ergueu

meu queixo, fitando meus olhos.

– Não jogaremos lá. A não ser que você queira. Minha intenção é que possa se sentir mais à

vontade com o ambiente.

– Eu não quero ir, German.

– Você não foi lá, atrás de mim? Agora vai comigo. Prometo que não faremos nada, a não ser

que você me peça.

– Mas e se alguém me reconhecer e contar a Vítor?

– Vítor não tem conhecidos lá. Não se preocupe.

Fui então diretamente ao que me incomodava:

– E Fernanda?

– O que tem ela? – Prestava atenção em mim, sério.

– Ela pode não gostar. E ficaria um clima estranho, já que você e ela ... e você e eu ...

– Fernanda é minha amiga, Angie, acima de tudo. A única coisa que pode acontecer é receber

uma cantada dela. – Sorriu meio de lado. Arregalei os olhos.

– O que?

– Mas fique tranquila, ninguém vai mexer com você. O que me diz?

Pensei, incomodada, que realmente não queria ir. Mas se era importante para German, eu faria

um esforço. Ergui o rosto e disse, atrevida:

– Vai ter que me ganhar primeiro.

– Vou ganhar.

E o jogo começou. Foi acirrado, disputado. A cada tacada, um passava à frente do outro. Eu

me animava, cheia de esperança de ganhar. Quando era minha vez de jogar, German ficava me

observando e só isso já servia para tirar parte da minha concentração. Quando me inclinava para

mirar uma bola, sentia seu olhar nas pernas nuas, na parte onde a camisa subia, nos seios soltos sob

ela. Esperava que estivesse se distraindo tanto quanto eu.

Notas finais
@WorldOfAlonso @Violeteros_BR beijos Mari