Cuando te vi

40 Seu fofo


Notas iniciais
Boa leitura!

Olha, você tem todas as coisas Que um dia eu sonhei pra mim A cabeça cheia de problemas Não me importo, eu gosto mesmo assim Tem os olhos cheios de esperança De uma cor que mais ninguém possui Me traz meu passado e as lembranças Coisas que eu quis ser e não fui Olha, você vive tão distante Muito além do que eu posso ter E eu que sempre fui tão inconstante Te juro, meu amor, agora é pra valer Olha, vem comigo aonde eu for Seja minha amante e meu amor Vem seguir comigo o meu caminho E viver a vida só de amor

Angie

Eu acordei e a primeira coisa que fiz foi procurar German na cama. Meu coração já disparava,

lembranças da noite anterior e daquela madrugada retornando à minha mente, fazendo minha barriga

se contorcer nervosamente. Fiquei surpresa ao notar que minhas mãos estavam livres e eu estava

sozinha e nua sob o edredom, deitada de lado.

Movi-me, olhando em volta, mas não havia sinal dele. O ar ainda estava ligado, mas a

persiana erguida deixava ver o sol lá fora. Fechei os olhos por um momento, recordando algumas

cenas e ficando excitada, arfando baixinho. Meu Deus, o que tinha sido tudo aquilo? Desde o modo

como me olhou no Loretta, intenso e duro, parecendo furioso, como se ordenasse que viesse até ele,

até aquela madrugada, tinha feito tudo o que quis comigo. E eu deixei. Pior, eu gostei de cada minuto.

Não conseguia entender o que estava acontecendo comigo. Eu, que sempre fui contida, tímida,

romântica, agora me submetia a um homem que me levava amarrada em um carro seminua, morrendo

de medo de ser vista daquela maneira; que apanhava de chinelos na bunda, quando nem minha mãe

tinha feito aquilo quando era criança; que deixava me usar e prender na cama. E que apesar de tudo

isso, tinha orgasmos fora de série, múltiplos, e ficava ainda mais apaixonada por ele.

Eu seria uma pessoa doente? Ou entre quatro paredes fosse normal loucuras como aquela?

Nem tinha como comparar, já que German foi meu primeiro homem. Só sabia que me sentir dominada,

usada por ele, me enchia de tesão, de um gozo que superava qualquer coisa que sequer um dia

imaginei.

Pensando friamente, as dúvidas surgiam. Mas o problema que era impossível ser fria com

German perto de mim. Eu enlouquecia, ardia, queria mais. Mesmo assustada, com medo, almejava o que

me daria, como se perdesse toda a vontade, só o visse a minha frente. Mas não podia negar que

ficava confusa e temia o desconhecido, o que mais ele prepararia para mim. E também ficava

arrebatada, exatamente pela expectativa, por saber que ao final estaria gozando daquele modo

incontrolável e absurdo.

Abri os olhos e afastei o edredom, um pouco trêmula. Totalmente nua, fui ao banheiro e tomei

uma chuveirada rápida. Escovei o dente, penteei o cabelo molhado e me enrolei em uma toalha, pois

minha bolsa e minha roupa tinham ficado na sala. Respirei fundo, criei coragem e fui procurar German,

já sentindo um misto de ansiedade e excitação só de pensar em vê-lo.

Descalça, parei na sala enorme e vazia. Uma música clássica, intercalada com sons da

natureza, tocava num aparelho de som. Sobre uma das poltronas, minha roupa e minha bolsa estavam

me esperando. Mas antes que pudesse ir até elas, German veio do terraço e parou ao me ver. Meu

coração deu um salto louco e caiu disparado. Todo meu ser reagiu à sua presença e me vi

imobilizada por seus olhos tão azuis e sua beleza estonteante.

Descalço como eu, usava apenas uma cueca boxe preta. Seus cabelos negros estavam despenteados, cada parte do seu corpo parecendo gritar: me olhe. Mas eu não apenas olhava. Eu

babava, encantada, cheia de desejo e amor.

German e me perdi de vez. Algum dia eu poderia fitá-lo sem me sentir daquele jeito?

Completamente fora de mim?

– Até que enfim acordou, dorminhoca. Ia te chamar.

– Já ... Já é tarde?

– Quase nove horas. – Estendeu-me a mão. – Venha, preparei a mesa de café da manhã pra

gente aqui no terraço. Deve estar faminta.

Foi só German falar para sentir o estômago roncar. Sorri sem graça e disse, já dando alguns

passos:

– Vou pegar minha roupa e ...

– Fique assim. Pra que ter o trabalho de se vestir, se daqui a pouco vou deixar você nua?

Seu tom era de brincadeira, mas seu sorriso parecia de um lobo. Senti o olhar varrer meu

corpo quando me aproximei e segurei sua mão. Na mesma hora German puxou-me entre seus braços,

baixando a cabeça para fitar meus olhos. Indagou rouco:

– E meu beijo de bom-dia?

Meu coração parecia socar minhas costelas. Minhas pernas estavam bambas e a respiração

entrecortada. Reagia completamente a ele, embriagada, entregue. Sem me conter, deslizei as mãos até

seu pescoço, fiquei na ponta dos pés e encostei meus lábios nos dele. German me puxou para si e abriu a

boca, sua língua penetrando a minha, sua mão amparando minha cabeça para melhor me beijar.

Foi delicioso. Não hesitei em retribuir, sentir seu gosto, o toque de seus lábios e língua, a

sensação embriagante de começar o dia com um beijo daqueles. Na mesma hora fiquei cheia de

paixão, o corpo quente, o sangue acelerado.

German afastou-se um pouco, deu-me leves beijos e murmurou rouco:

– Bom dia, Angie.

– Bom dia. – Sussurrei.

Acariciou meu cabelo e deu um passo para trás. Meus olhos o correram rapidamente e fiquei

corada ao ver o contorno de seu pênis grande e grosso contra a cueca preta. Ele sorriu, divertido.

Mas não disse nada. Segurou minha mão e me levou ao terraço.

Era como um paraíso particular. O céu azul e límpido sobre nossas cabeças, a brisa suave, as

lajotas brancas e frias sob nossos pés. À direita, em uma elevação de madeira ficava uma espécie de

deque com piscina, com vista fantástica para a praia lá embaixo. À esquerda espreguiçadeiras

cremes, plantas espalhadas e bem cuidadas, uma mesa de madeira clara e redonda, cheia de coisas

deliciosas, rodeadas por cadeiras belíssimas, do mesmo material.

– Nossa, começar o dia assim ... Que maravilha! – Sorri.

German me acompanhou e puxou uma cadeira para mim, indo logo depois se acomodar em outra.

– Fique à vontade, Angie.Sirva-se.

– Obrigada.

Era muita coisa para uma pessoa só. Aquele homem lindo, maravilhoso e sexy como o

demônio ali, o terraço esplêndido, o dia maravilhoso, a bela música de fundo e o café da manhã

farto, cheio de coisas que eu gostava. Feliz, pus café na xícara, passei manteiga em um pãozinho e me

deliciei.

German também se serviu e, por um momento, ficamos em silêncio. Mas então ele puxou assunto:

– Vai passar o dia comigo?

Fitei seus olhos azuis, sem poder deixar de sorrir. Era engraçado que até mesmo perguntando,

sendo educado, ele tinha um jeito autoritário, como se desse uma ordem. Sabia que era dele mesmo.

Um macho alfa em sua essência.

– Não sei. É um convite?

– Pode apostar.

– Depende do que vou ganhar se ficar. – Eu o provoquei, sentindo-me estranhamente à

vontade. German parecia se divertir e comentou:

– Talvez esteja com medo de pagar para ver.

– Medo não é bem a palavra. Não quer me dar uma dica?

– Surpresa. É sempre melhor.

Sorrimos um para o outro e me deliciei com aquele sorriso e o meu café. Lembrei das vezes

que me disse que nunca ficaríamos juntos e agora estávamos ali, íntimos, seminus, mais juntos que

duas pessoas poderiam ficar. Senti o desejo e a felicidade pura me bombardear, mas guardei para

mim. Só queria aproveitar ao máximo.

– Então, acho que vou arriscar. – Falei, fitando-o.

Deus do céu, era lindo e gostoso demais! Não dava para ficar imune vendo seu rosto

anguloso, seus olhos azuis, os ombros largos e o peito musculoso ali à mostra. Tinha hora que dava

vontade de me beliscar para saber se era verdade.

Tomamos nosso café da manhã em um clima distraído e ameno, conversando banalidades.

Perguntei sobre a sua volta ao hospital, à clínica particular, admirando a bela profissão que tinha.

Depois levamos juntos as coisas da mesa para a cozinha. Estava voltando de lá para pegar as xícaras

que tinham ficado lá fora, quando meu celular tocou dentro da bolsa.

Fui até a poltrona e só ao ver o número de Paola, com várias outras ligações perdidas dela,

que me dei conta do modo como saí do Loretta, sem dizer nada. Sentei e atendi na hora.

– Sua louca! Quer me matar do coração? – Gritou Paola.

Notas finais
@WorldOfAlonso @Violeteros_BR beijos Mari