Cuando te vi
52 Relembrando o passado
Notas iniciais
Boa leitura!
Mesmo de longe eu queria te fazer,
Sentir tudo o que eu sinto por você,Às vezes queria poder te ter,Às vezes me sinto invisível pra você,E eu vou voar pra algum lugar com você, com vocêPra te encontrar, te dizer...Te ter aqui, faz parte do meu jogo,Me faz feliz, poder te ver de novo,Vou te mostrar,que falta muito pouco,Pra eu olhar no teu olho e dizerAmo VocêGermanMeus tios ligaram perguntando se eu não queria ir buscar Vítor no aeroporto, às cinco datarde daquele domingo. Inventei um compromisso e disse que na segunda passaria lá depois de sairdo Hospital. Passei o resto do dia sozinho em meu apartamento.Tentei me distrair, ler algumas revistas médicas, assistir um jogo, mas estava agitado demais.No final da tarde fui à praia em frente e dei um mergulho. Mas continuei do mesmo jeito,incomodado, agoniado, nervoso. Angie me perturbara além da conta. E acabei tendo que confessar amim mesmo que estava já sentindo a falta dela.Não foi fácil. Deitado na espreguiçadeira do terraço, olhando a noite estrelada, passado epresente se misturaram na minha mente. O que mais odiava na vida era me sentir inseguro, comoacontecia agora, longe de Angie, com o que despertava em mim. Acho que por isso eu e Fernanda nosdávamos tão bem. Com ela eu me sentia seguro. Não havia ameaça. Pelo menos nunca tinha tido.Senti aquilo duas vezes antes, insegurança. Quando minha mãe se matou e deixou o bilhete deque não viveria sem mim. Era a culpa. De alguma forma provoquei aquilo. Fiquei perdido na época.E aos vinte e um anos, quando Angélica também se matou. Mas essa não deixou um bilhete. Nãoprecisou.Fechei os olhos por um momento, atormentado. Chegava quase à beira do pânico em meuspensamentos mais íntimos sobre aquilo. Nove anos tinham se passado, mas parecia que foi ontem. Acena se repetia sem parar. Lembrando-me sempre do que o amor doentio podia causar. E que euparecia atrair.Conheci Angélica em uma festa de tema BDSM. Eu tinha ido com Fernanda e ela jogou comnós dois. Éramos todos jovens e até inexperientes. Foi uma noite e tanto e repetimos. Mais de umavez.O que me chamou a atenção nela foi a beleza fora do comum e a alegria. Animava-se comtudo. Começava a fazer sucesso como modelo, tinha dinheiro, a vida que queria. E adorava searriscar. Aos poucos passou a me procurar sem Fernanda. Foi uma daquelas atrações loucas. Jovensque se devoravam sexualmente. Cada vez mais. Só que foi se tornando possessiva, ciumenta, até comFernanda. Comecei a me encher. E quando quis me obrigar a escolher entre as duas, optei por minhaamiga. Deixei claro que não me forçaria a nada.Ficou obcecada em me fazer amá-la. Mudou de táticas. Suavizou, voltou atrás. Numa noite,em que bebi demais, me levou ao seu apartamento e nem lembro, mas transamos e não useicamisinha. Ficou grávida.Foi um susto. Meus tios ficaram chocados, eu era novo demais, fazia faculdade. Ela não tinhafamília. Começou a fazer pressão para casamento. Eu disse que assumiria tudo. Participaria naeducação do nosso filho. Mas não casaria. O seu jeito possessivo, sempre chorando, cada vez maischantagista e agressivo me fazia afastar ainda mais dela. Pagava suas contas, preparava tudo para achegada do bebê, minha tia tentava ajudar, aconselhar, a visitava sempre. Dizia que ficaria em nossacasa quando meu filho nascesse, por um tempo.Estava com sete meses de gravidez e acabei me acostumando que seria pai. Estava ansiosocom aquela chegada. Mas Angélica me tirava do sério. Toda vez que ia vê-la, acabava gritando,chorando, quebrando coisas. A empregada até saía de perto, com medo.Uma vez, quando estávamos nos dando ainda bem, comentei que minha mãe tinha se matado eme sentia culpado. E então passou a dizer que se mataria também. Ameaçava isso cada vez mais.Exigia que dormisse com ela, que casasse, que a amasse. Foi um inferno. Era uma tortura visitá-la.Só o fazia pelo bebê. Pensava em ficar com a criança quando nascesse, pois era uma loucadescontrolada.Até que chegou aquela noite. Tinha bebido, coisa que sempre causava briga entre a gente.Ficou gritando que se mataria, que eu só queria o bebê, que quando nascesse não ligaria mais paraela. A empregada já saía de fininho quando, de repente, Angélica correu para o terraço do 19º andar.Não houve tempo de palavras, de segurá-la, de nada. Em uma crise de loucura, ou simplesmente parame afetar da única maneira que poderia, jogou-se lá de cima. Matou a si mesma e ao meu filhoinocente, que nem teve chance de nascer.Eu nunca tirei aquela cena da cabeça. A sensação de impotência, o terror, a culpa, odesespero. Se não fosse a empregada ter assistido tudo, talvez ainda fosse incriminado como suspeitode assassinato. Dali desisti de ter filhos, de ter um relacionamento. Eu já era difícil, com meusdesejos que para muitos seriam taras. Com a criação que tive. E com dois suicídios nas costas.
Demorei anos para conseguir ao menos viver sem relembrar aquilo a cada respirada. Eumantinha em um canto, escondido. Mas odiava despertar sentimentos de posse. Terminava sempreque a mulher dava um indício daquilo. E não tinha sido difícil. Afinal de contas, nunca me apaixonei.Agora Angie complicava tudo. A melhor coisa era realmente esquecê-la. Tinha que me manterlonge dela, por Vítor e por mim mesmo. Até minha vida voltar ao normal, ao que sempre foi.O pior era me convencer disso.
Notas finais
@WorldOfAlonsoBr @Violeteros_BR beijos Mari
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