Notas iniciais
Boa leitura!

Agora, que faço eu da vida sem você?

Você não me ensinou a te esquecer

Você só me ensinou a te querer

E te querendo eu vou tentando te encontrar

Você só me ensinou a te querer

E te querendo eu vou tentando te encontrar

Vou me perdendo

Buscando em outros braços seus abraços

Perdido no vazio de outros passos

Do abismo em que você se retirou

E me atirou e me deixou aqui sozinho

Angie

A semana foi uma tortura. Por vários motivos.

Eu praticamente me arrastei para o trabalho. Quase não dormia nem comia com saudade de

German. Aquele sábado que passamos juntos em seu apartamento não saía da minha cabeça. Assim

como cada sorriso ou olhar dele, sua voz, seu toque, tudo. E para piorar tudo, minha mãe ligava, me

chamava de infantil, tentava me forçar a voltar para casa.

Só para coroar, Vítor me cercou depois do expediente na porta do fórum, insistindo em

conversar, tentando me convencer a sair com ele, entrar em seu carro. Fui educada, mas fria. Deixei

claro que não voltaria para ele. E parti o mais rápido possível.

Na terça ele me ligou. Não atendi. Na quarta me procurou de novo e vi que me seguiu de

carro até o prédio de Paola. Fingi não ver. Na quinta apareceu no restaurante em que eu almoçava no

intervalo do trabalho, com chocolates e flores. Disse que me amava. Perguntou quem era o homem

que conheci, se ainda estava com ele, que me aceitaria de qualquer maneira. Bem séria, expliquei

que eu não tinha ninguém e falei pela milésima vez que só estava me irritando com aquela

perseguição, que devia aceitar o fim e seguir com sua vida. Que se não me deixasse em paz eu

pararia de falar com ele. Vi que saiu de lá arrasado, parecendo finalmente aceitar que era o fim.

Levou com ele as flores e o chocolate.

Cheguei exausta no apartamento de Paola. Depois de um banho, caí na cama e fiquei lá, morta

pra vida. Fazer Vítor sofrer me desolava, mas ele precisava aceitar, nem que fosse da pior maneira.

Já passava das oito da noite quando minha amiga entrou no quarto e acendeu a luz, fitandome.

– Vai dizer que nada de jantar hoje de novo?

– To sem fome.

– Ah, chega dessa tortura, Angie! Pelo amor de Deus, levanta dessa cama!

– Me deixa, Paola.

– Levanta! Vamos jantar! Fiz sopa de abóbora com carne seca, sei que adora! E comprei uma

fatia de torta pra gente dividir. Vem logo. – E já me puxou para fora das cobertas.

– Meu Deus, sempre tem alguém querendo me mandar fazer alguma coisa! – Reclamei,

enquanto me arrastava pelo braço até a cozinha, me empurrando para a cadeira. Sorriu e pôs um

prato de sopa na minha frente.

– Toma tudo!

Rolei os olhos. Mas comecei a comer. Estava realmente gostosa e me animei a continuar.

Satisfeita, Paola sentou em frente, atacando o seu prato.

– O que faremos amanhã? Loretta?

– Quero ficar em meu canto.

– Angie, vai ficar assim nessa fossa o resto da vida?

– Não é fossa.

– Não? Imagino se fosse! Emagreceu, está com olheiras, se arrasta por aí! Tem que reagir,

menina.

– Eu sei, Paola. – Suspirei, largando a colher, suspirando. – Mas de que adianta sair? Para

dar de cara com Vítor em cada lugar?

– Ele é ridículo. – Balançou a cabeça. – Vamos ao Loretta amanhã, como sempre fazemos.

Amanhã a Lu vai cantar lá. Dane-se aqueles primos Valente! Se o babaca aparecer lá, derrubo uma

jarra de chope na cabeça dele!

Acabamos sorrindo.

– Falo sério. É sacanagem parar sua vida por causa do crianção mimado. Vamos dançar e vai

voltar outra.

– Amanhã a gente vê.

No dia seguinte, saí mais cedo do trabalho, passei em casa quando minha mãe não estava e

peguei mais umas coisas. No apartamento de Paola, nos preparamos para sair, embora eu só quisesse

ficar na cama. Tinha quase certeza que Vítor apareceria por lá.

Ao chegarmos e nos encaminharmos a nossa mesa de sempre, lembrei de sexta-feira passada,

quando German chegou ali e praticamente me arrastou para fora. Olhei em volta, rezando para que

acontecesse de novo, embora soubesse que seria impossível.

Cumprimentei todo mundo e sentei. Paola já pedia cerveja pra gente. Eu mal prestava

atenção, pensando como German estaria. Naquela noite teria saído com Fernanda? Ou quem sabe

estivesse jogando com suas cordas e chicote no clube?

– Oi, Angie. – Ricardo chegou e veio se sentar ao meu lado, beijando meu rosto, avaliando-me

com o olhar. – Tudo bem?

– Tudo. – Sorri.

– Esteve doente?

– Não.

– Bom ver você aqui. Da outra vez saiu tão de repente.

Senti sua curiosidade, o modo como me olhava.

– É, eu tinha que ir. – Desconversei. Não me sentia à vontade ali com ele. Tinha medo que

Vítor aparecesse de repente e fizesse escândalo. Já ia inventar uma desculpa para sair quando

Ricardo disse, segurando minha mão sobre a mesa:

– Escute, Angie. Sei que as coisas não estão fáceis para você. Mas queria te dizer uma coisa.

Sempre gostei da sua companhia. – Seus olhos castanhos estavam fixos nos meus e quase pus a mão

em sua boca, para impedi-lo de falar. Eu não queria ouvir nada daquilo. Mas fiquei impotente,

enquanto continuava: — Se pudesse me dar uma chance. Sabe que sempre fomos amigos, mas ... To

muito a fim de você.

Meu Deus, e essa agora! Delicadamente, puxei a mão que ele segurava. Antes que pudesse

dizer qualquer coisa, Vítor se materializou ao meu lado, furioso:

– Então é esse seu amigo de merda! Eu sabia!

Tomei um susto e Ricardo na mesma hora levantou, encarando-o. Ah, não! De novo não!

Perdi a paciência e me levantei também, virando Para meu ex-noivo muito irritada.

– Eu não aguento mais! Suma, Vítor! Estou cansada disso!

– Não acredito que me deixou por ele! – Apontou para Ricardo, cheio de raiva. – Esse é seu

amor? E você, que sempre disse que era só amizade! Como pôde fazer isso comigo, Angie?

– Fazer o que? Tá maluco? Cansei de falar com você! Chega! Nunca mais quero que se dirija

a mim, Vítor, tá escutando? – Eu estava descontrolada, toda a tensão e o sofrimento daqueles dias

vindo à tona, deixando-me trêmula, cansada da mesma ladainha.

Mas pareceu nem me ouvir, dominado demais pela fúria.

– Transou com ele? – Perguntou alto, fora de si.

– O que?

– Você é um babaca! Cai fora! Não ta vendo que a Angie não quer mais saber de você? –

Ricardo falou brusco atrás de mim, encarando-o.

Vários dos nossos amigos tinham se levantado. Paola veio para perto, olhando para Vítor

muito irritada. Mas esse parecia só ter olhos para Ricardo, sedento de sangue.

– Vou te mostrar quem é babaca! – E partiu para cima de Ricardo. Foi rápido e o primeiro

soco derrubou o rapaz em cima da mesa, sobre tulipas, entornando tudo. Desesperada, não acreditei

naquilo. Ricardo levantou furioso e o atacou.

Notas finais
@WorldOfAlonsoBr @Violeteros_BR beijos Mari