Cuando te vi

54 Casamento com Nanda


Notas iniciais
Boa leitura!

Os dois se engalfinharam e minha primeira reação de pânico foi separá-los. Mas me meti na hora errada.

No meio da confusão, Vítor acertou um soco de raspão em meu maxilar e fui arremessada de

lado, tropeçando na cadeira e indo ao chão.

– Angie! – Paola gritou. Na hora os dois pararam de lutar, paralisados ao ver a cena. Muita

gente tinha parado para ver a confusão. Paola e Cláudio, outro amigo meu, me ajudaram a levantar.

Todo o lado direito do meu rosto parecia dormente e eu estava ligeiramente tonta. – Isso já é demais!

Paola se voltou furiosa para Vítor e avançou para ele, empurrando seu peito com as duas

mãos, fazendo-o ir para trás.

– Seu desgraçado mimado! Se você aparecer mais uma vez na frente da Angie eu te mato, tá

ouvindo? Qual é a tua? Tu é surdo, mudo ou só idiota mesmo, porra?

– Eu não queria ... Meu Deus, a Angie ... Foi sem querer! – Olhou desesperado para Paola, que

o encarava bem de perto, encurralando-o numa mesa, metendo o dedo na cara dele.

– Você nunca quer nada, não é, bebezão? Só sabe choramingar e fazer merda! Vê se cresce!

Tá infernizando a vida dela! A Angie vai acabar ficando com nojo de você. Quem pode gostar de um

chato sem noção assim? Puta que pariu! Vontade de arrebentar a tua cara!

Com a mão sobre o rosto dolorido, eu os olhava. Paola parecia uma fera. Vítor a encarava

com cara de desespero, sem saber o que dizer, o arrependimento em pessoa. Naquela hora os

seguranças do clube se aproximaram para saber da confusão e Paola apontou para Vítor e Ricardo:

– São esses dois aqui! Na briguinha de galo deles, acertaram minha amiga!

– Mas foi ele que começou! – Defendeu-se Ricardo.

No meio do bolo, os dois acabaram sendo levados para fora. Ricardo reclamava sem parar.

Vítor olhou com vergonha para mim e depois para Paola. Por fim abaixou os olhos e saiu.

Conseguiram gelo para mim e fiquei sentada segurando um lenço com gelo sobre o maxilar

dolorido e um pouco inchado. Feliz mente o soco não viera em cheio. Mas eu esperava que pelo

menos tivesse servido para pôr um ponto final naquela perseguição de Vítor.

– Tá tudo bem? – Paola perguntou, preocupada.

– Tudo, foi só de raspão.

– Cara, que ódio dele! Se pudesse eu matava o Vítor! – Respirou fundo. – Vou ali buscar uma

água pra você e já venho.

Concordei com a cabeça. Meus amigos me cercavam com cuidados, mas para mim a noite

havia acabado. Tudo que eu queria era deitar e dormir. E esquecer tudo aquilo.

Vem, se eu tiver você no meu prazer

Se eu pudesse ficar com você

Todo momento, em qualquer lugar

Ah, se no desejo você fosse o amor

Durante o frio fosse o calor

Na minha lua você fosse o mar

Vem, meu coração se enfeitou de céu

Se embebedou na luz do seu olhar

Queria tanto ter você aqui

Ah, se teu amor fosse igual ao meu

Minha paixão ia brilhar e eu

Completamente ia ser feliz

German

Naquele sábado à noite eu fui com Fernanda ao casamento de um médico amigo nosso que

trabalhava na Santa Casa. Foi em uma mansão luxuosa onde a família da noiva morava. Champanhe

de melhor qualidade circulava, garçons serviam o tempo todo, os convidados se divertiam na pista

de dança.

Por mais de uma vez Fernanda me chamou para dançar, mas eu estava especialmente mal

humorado naquele dia. Não era boa companhia para ninguém, nem para mim mesmo. Era uma

daquelas noites em que nem deveria ter saído de casa.

Sentado a uma mesa, eu tomava mais champanhe do que deveria, pois ainda ia voltar

dirigindo. Olhava em volta, mas na verdade meu pensamento estava longe dali. Pensava naquela

semana, em como tentei evitar Vítor, mas ele insistia em ligar e desabafar, dizer o quanto estava

tentando ter Angie de volta. Nas vezes em que a procurava. Por fim, dei um fora nele e não voltei a dar

entrada para que me procurasse. Era uma história encerrada para mim. Já passara do limite.

– German, o que você tem? – Fernanda, sentada ao meu lado, indagou, um tanto irritada. – Nem te

reconheço mais!

Eu a olhei, sério, deixando a taça vazia sobre a mesa.

– Do que está falando?

– Do que estou falando? – Riu sem vontade. – Você ainda pergunta?

Não respondi. Mantive-me apenas encarando-a.

– Nem parece o cara que sempre conheci. Tá distante, diferente.

– Não diga besteira.

– Ah, é? Então me diz, por que está com essa cara? Por que o mau humor a semana toda?

– Só estou cansado.

– Engraçado o seu cansaço ter começado exatamente desde que mandou aquela sonsinha

passear. – Ironizou.

– Angie não é sonsa.

– Nossa, mas que defesa rápida! Tá vendo só? Nem dá para acreditar. Só falta dizer que está

a fim dela de verdade! – Seu olhar era frio. Mas não tanto como o meu de volta. Insistiu: — É isso?

– Não quero discutir esse assunto.

– German... – Fernanda veio mais para perto, segurou o meu braço, bem séria. – Sempre fomos

amigos. Agora você não me procura mais. Não me conta o que está acontecendo. Nunca mais foi ao

clube sozinho. Sabe há quanto tempo não transamos? Desde que ficou com a noiva do Vítor.

– Ela não é noiva dele. E não estou entendendo tanta cobrança, Nanda. – Franzi o cenho,

tentando esconder parte da minha irritação.

– Mas não é cobrança! É preocupação!

– Eu estou bem.

– Ah, está? Diz isso na minha cara?

– E por que não diria?

– Tá certo. Então, vamos sair. Não sente falta de usar o seu chicote? O seu cinto? Sabe que

não sou cheia de frescura, pode bater até marcar! Aposto que com a tal Anjinha mal deu uns

tapinhas! E você precisa mais do que isso, amigo. Se continuasse com ela, acabaria perdendo o

controle uma hora ou outra. Vi a cara dela no clube. Não suportaria. Nunca mais ia querer ver você.

Não respondi. O pior de tudo é que Fernanda devia ter razão. Eu precisava daqueles jogos,

era uma parte de mim. Estranhamente, com Angie, ainda controlei parte de quem eu era. Mas uma hora

ou outra viria à tona. E talvez eu a machucasse mais do que ela poderia suportar. Mais uma vez sabia

que tinha sido melhor me afastar o quanto antes. Éramos de mundos e gostos bem diferentes.

Pensei em tudo que eu e Nanda fazíamos na cama. Se saísse com ela agora, perderia parte

daquele mau humor, daquele incômodo que me acompanhava a semana toda. Poderia ser eu mesmo,

livre de qualquer controle, nos meus momentos mais brutos, mais de dominação e dor. Fernanda se

submeteria a tudo que eu quisesse, que eu precisasse. Tínhamos ido inúmeras vezes além dos nossos

limites. E eu precisava daquilo.

O problema foi que não senti o desejo. Olhando-a ali, linda na minha frente, disposta a tudo,

sofri um baque ao me dar conta que preferia até o sexo tradicional com Angie do que o

sadomasoquismo que tanto me atraía com Nanda. Era confuso, além de qualquer compreensão. Até

por que sentia que precisava soltar aquela fera irracional que de vez em quando surgia e me

consumia por dentro. Então por que estava tão reticente? Por que nas minhas maiores fantasias me

via dominando completamente Angie, mostrando a ela quem eu realmente era.

Notas finais
Podem matar Vítor eu deixo. @WorldOfAlonsoBr @Violeteros_BR beijos Mari