Cuando te vi
1 Prológo
Notas iniciais
Eu o vi pela primeira vez em uma foto.
Desde o primeiro momento em que o fitei, naquela fotografia sobre o aparador da sala, senti
que algo dentro de mim mudou. Foi estranho e intenso. Avassalador. Nenhum homem real havia me
abalado tanto em meus vinte e dois anos de vida. Como uma foto, sem vida, sem movimento, podia
mexer tanto comigo? Seus olhos pareciam fixar os meus, tão intensos e profundos que senti a pele
arrepiada e o coração acelerado no peito. Tentei raciocinar com clareza. Mas tudo o que consegui fazer foi ficar parada, olhando para ele e para esse nosso amor proibido.
Esse seu olhar, quando encontra o meu fala de umas coisas, que eu não posso acreditar doce é sonhar e pensar que você gosta de mim como eu de você.Mas será ilusão?
O pior de tudo foi que isso aconteceu no escritório da mansão em que meu noivo morava com os pais e que o homem da foto não era o meu noivo. Era o primo dele, de quem eu já ouvi muito falar,mas que estava fazendo doutorado na Alemanha e eu ainda não conhecia. Nunca o tinha visto, até aquele dia em que Vítor me deixou sozinha no escritório e saiu por um momento, e então meus olhos
se fixaram naquela foto.
Isso já havia acontecido há uns dois meses, mas ainda me incomodava. E agora, que Vítor estava em meu apartamento, sentado confortavelmente no sofá, contando pra mim e para minha mãe que o primo chegaria naquele fim de semana, aquela foto parecia ainda mais vívida em minha mente.
Eu me remexi no sofá, incomodada e com sentimento de culpa, sem saber ao certo o que era tudo aquilo. Fitei minha mão, entrelaçada com a de Vítor em seu colo, e a linda aliança com um diamante solitário que brilhava em meu dedo anular direito. Noiva. Meu Deus, eu ainda me assustava por ter concordado em ficar noiva tão rápido. Nós nos conhecíamos há apenas oito meses! E Vítor
insistia em casamento. Logo ergui os olhos para o belo homem ao meu lado, que conversava animadamente com minha mãe, sem sequer imaginar tudo o que passava em minha mente. Vítor era o sonho de qualquer mulher.
Alto, loiro, lindo, rico, bom caráter. Todas as minhas amigas me invejavam. Bem, todas não. Paola, minha melhor amiga, o achava pedante e mimado. Mas todas as outras, até a minha mãe, não se cansavam de falar que tirei a sorte grande quando um homem daqueles se apaixonou por mim e fez de tudo para me conquistar.
Eu mesma tentava me convencer que eu era uma sortuda. Por que então aquela dúvida espezinhando dentro de mim? Por que eu fugia e não marcava a data do casamento? Por que aquele homem moreno de densos cabelos negros e olhar penetrante, que só vi na foto, era o rosto que eu via em minha mente todas as noites ao me deitar para dormir e ao me levantar?
Fale com o autor