Cuando te vi
3 Primeiro olhar
Notas iniciais
Cade meus comentários? :(
Boa leitura!
Fui para os braços dele e ficamos ali no sofá entre beijos, afagos e conversa. Tentei esquecer todas as minhas dúvidas e me concentrar só nele. Mas minha mente trabalhava a mil por hora.Principalmente sobre seu primo.
O dia da festa chegou e eu estava nervosa ao me aproximar da bela mansão em que Vítor Por mais que eu dissesse a mim mesma que era melhor conhecer logo German Castillo e tirá-lo de uma vez da mente, eu tinha medo de ficar frente a frente com ele. Pois sua foto me abalou e eu não sabia ao certo como reagir sobre isso.– Pare de roer a unha, Angie — Minha mãe falou alto dentro do carro e eu me assustei. — Já estava de novo divagando, menina? Minha mãe dirigia seu próprio carro e eu estava sentada ao seu lado. Tirei o dedo da boca obedientemente e lancei um olhar para Paola, sentada no banco de trás, pelo espelho retrovisor. Paola revirou os olhos escuros, na certa debochando dos modos autoritários e implicantes da minhamãe. Tive vontade de rir, mas não me arrisquei.Eu e Paola havíamos resolvido pegar carona com minha mãe, pois assim poderíamos beber.Minha mãe não tomava nada alcoólico.– Você podia ter colocado aquele vestido rosa novo, que te dei de presente no mês passado. -Continuou minha mãe, com os olhos concentrados no trânsito. — Está simples demais.– É uma festa esporte, à vontade. — Falei pacientemente, pois tinha horas que minha mãe era irritante sobre aquele lance de aparência. Como se não bastasse viver impecável, ela queria que eu seguisse o mesmo caminho. Se eu deixasse, ela me vestiria como uma boneca, como fazia quando euera criança.– Esporte fino. — Ela retrucou friamente. Como uma deixa, lançou um breve olhar para minha calça preta e minha blusinha branca de renda. Olhou de novo pra a estrada e então pelo espelho retrovisor para Paola, que vestia calça colada e uma blusa também colada e preta. A nós duas eladeixou claro seu olhar de desprezo. — Deviam lembrar que a família de Vítor é muito rica e a festa vai ser na mansão deles.– Vítor deve até estar de jeans, mamãe.– Duvido! Com o bom gosto e a classe que ele tem? Você deve se pôr no nível dele, Angie.Eu canso de dizer, mas vocês, jovens de hoje em dia, acham que jeans é pra todo lugar. Nunca se sabe se estão com roupa de ficar em casa ou de sair.Por sorte Paola resolveu ficar quieta. Ela adorava discordar da minha mãe só de implicância, e então elas ficavam medindo forças através de palavras. Era cansativo.Preocupada, eu já ia roer a unha novamente, quando lembrei da bronca da minha mãe e pus de novo a mão no colo. Ela tinha praticamente me obrigado a ir com ela no salão e agora minhas unhas estavam lindas e pintadas de rosa claro, meu cabelo comprido brilhava de tão bem escovado e umasuave maquiagem destacava meus melhores traços. Com tudo isso, fiquei horas no salão e perdi boa parte do meu sábado.– Como é esse cara, Angie?– Que cara? — Me remexi dentro do cinto de segurança e virei um pouco para olhar para Paola.– Esse primo do Vítor.Dei de ombros.– Não sei. Não o conheço também.– Será que é como o primo? — A cara de nojo dela parecia dizer: ¨Chato e enjoado como o primo?¨.Eu ri, pois achava engraçado a implicância infantil entre Paola e Vítor.– Não faço a mínima ideia. Só sei que ele é neurocirurgião, tem trinta anos e ficou quase um ano na Alemanha fazendo Doutorado e especialização em mecanização cerebral.– Caralho! Deve ser um CDF.– Olha a boca, Paola. Não admito palavrões em meu carro.– Desculpe, Isabel. — Paola disse docemente. Depois se voltou para mim e continuou: — Ele não quis trabalhar com o tio e o primo nas empresas da família?– Parece que seu sonho era ser médico.– Hum. E já que ele é tão inteligente, deve ser meio feinho, não é?– Feinho? Por que, um homem não pode ser bonito e inteligente ao mesmo tempo? — Perguntei achando graça.– Vítor é bonito e inteligente. — Disse minha mãe. — Duvido que o primo seja mais do que ele em ambas as coisas.– É? — Paola ergueu uma de suas finas e arqueadas sobrancelhas pra mim.Aquela foto de German veio de imediato na minha mente. E pensei que nunca vi um homem mais impressionantemente bonito do que ele.– Eu não o conheço. — Repeti.– Nem por foto? — Insistiu Paola.– Acho que é bonito. Não reparei bem.Fiquei corada e tive medo que aparecesse um neon colorido na minha testa escrito ¨Mentirosa!¨.– Se não reparou bem deve ser uma boa merda.– Paola! Já falei...– Sim, Isabel, eu lembro. É que eu não sabia que merda também é palavrão. — Paola abriu um grande sorriso debochado.Minha mãe se limitou a franzir os lábios e erguer ainda mais seu nariz bem fino, obviamente desagradada com a presença de Paola em seu carro.Felizmente chegamos logo na entrada da mansão e os seguranças do portão liberaram nossa passagem ao me reconhecer. Seguimos uma estradinha de pedras planas, rodeada de árvores enormes, até pararmos quase em frente ao casarão rosado e lindo. Era uma casa de sonhos e aprimeira vez que fui ali fiquei encantada.Alguns guardadores de carros contratados estavam por ali e um deles, uniformizado, veio se encarregar do carro de mamãe. Descemos e nos dirigimos a um caminho na lateral da casa, que estava iluminado e levava até os fundos, onde ocorreria a festa.
Minha mãe suspirou. Já havia me dito que uma casa assim era seu sonho de consumo. Sempre ficava maravilhada quando ia ali comigo.Uma mulher de terninho escuro e de cabelos presos nos recepcionou, desejou boa festa e nos indicou o caminho, embora eu o conhecesse. Agradecemos e seguimos em frente, até dar em um enorme pátio gramado, bem iluminado, onde cadeiras brancas e mesas com toalhas de linho brancose espelhavam em volta da enorme piscina olímpica. Garçons e convidados circulavam por ali, enquanto uma suave bossa nova era tocada por uma banda em uma pista de dança improvisada em um canto.– Bela casa. — Murmurou Paola, que estava ali pela primeira vez.– É maravilhosa. Angie tirou ou não a sorte grande? — Minha mãe suspirou, toda satisfeita.Tive vontade de dizer que a casa não era minha, que eu não sabia se queria casar com Vítor e que, mesmo que isso acontecesse, eu gostaria de morar em minha própria casa e não na casa dos pais dele. Mas estava nervosa demais olhando em volta e fiquei quieta.Percebi que eu o procurava com o olhar, sentindo o estômago gelado e as mãos levemente trêmulas. Fiquei com vergonha de mim mesma ao notar que minha ansiedade era porque eu conheceria German pessoalmente e não porque eu encontraria meu noivo.– Droga! — Reclamei em voz alta e só me dei conta quando Paola me lançou um olhar curioso.– O que foi, Angie?– Nada.Vi os pais de Vítor ali perto, conversando com um casal. Felizmente muita gente estava à vontade com calça e roupas informais, embora a Laurinha, mãe de Vítor, estivesse elegante num vestido fino e jóias, como minha mãe.– Angie!- Bernardo, pai de Vítor, sorriu amplamente ao me ver. Se despediu do casal e se aproximou de mim com Laurinha.– Oi. — Sorri e os cumprimentei com beijinhos.Bernardo era uma versão mais velha de Vítor, com os cabelos loiros cheios de fios brancos e um pouco mais robusto. Era muito agradável e simpático. Laurinha era mediana, levemente arredondada, com curtos cabelos claros e olhos castanhos vivazes. Elegante, usava roupas sóbrias ede bom gosto. Sempre me tratou bem, mas eu sentia uma reserva da parte dela. Era louca pelo filho e talvez não gostasse de perceber que comigo não acontecia o mesmo. Não sei bem.– Vocês já conhecem minha mãe.– Claro. Seja bem vinda, Isabel. — Disse Bernardo, beijando minha mãe na face.– Obrigada. A festa está linda, Laurinha. — Minha mãe estava visivelmente satisfeita, toda sorrisos, ao beijar a anfitriã.– Queria ter feito uma festa maior, mas meu sobrinho não quis. O que vale é que os amigos vieram. — Disse Laurinha, sorrindo educadamente.– Gostaria de apresentá-los à minha amiga Paola. Estes são Bernardo e Laurinha, pais de Vítor.– Como vão? — Paola e o casal se cumprimentaram com amabilidades.– Onde está Vítor? — Indaguei, lançando de novo um olhar à minha volta.– Ele está por aí com o German. Os dois parecem ter um ano de conversa para pôr em dia. Mas fiquem à vontade, ocupem uma mesa. Se precisarem de algo é só falar.– Obrigada, Bernardo.Seguimos para uma mesa desocupada sob os ramos frondosos de uma árvore. Mal nos acomodamos, um garçom veio com uma bandeja de vinho e champanhe e coquetel sem álcool.– Tem cerveja? — Perguntou Paola.– Sim, senhora. Vou trazer.– Pra mim também, por favor.Minha mãe me olhou de cara feia.– Cerveja? Vocês só bebem essa porcaria? Sabia que cerveja deixa a barriga inchada e engorda?– Sabia, mamãe. Mas vamos beber pouco.- Eu fiquei de pé e disse a elas: — Volto logo. Vou avisar ao Vítor que já cheguei.Elas concordaram e eu me afastei. Andando devagar, fui prestando atenção nas pessoas, procurando meu noivo. Eu me sentia estranhamente irrequieta e queria voltar logo ao normal. Para isso era melhor conhecer pessoalmente o primo dele de uma vez.Não vi Vítor por ali. Parei perto de uma mesa com belíssimos arranjos florais, ao lado da piscina, e olhei em volta de vagar. Pessoas iam e vinham, conversavam, riam, bebiam. Me distraí com a música que a banda tocava, cantarolando baixinho a letra de ESSE SEU OLHAR, da Nara Leão:¨Esse seu olharQuando encontra o meuFala de umas coisasQue eu não posso acreditarDoce é sonhar e pensarQue você gosta de mimComo eu de vocêMas a ilusãoQuando...¨Eu me calei abruptamente quando o vi. Era ele. German Castillo, a poucos metros de mim,conversando com um casal. Eu o reconheci de imediato.Fiquei imóvel, olhando pra ele. Uma onda de sensações desconexas e desconhecidas me envolveu, como se tirasse o chão sob meus pés. Se a foto dele me abalou, nada havia me preparado para a sua presença verdadeira, real.Meu coração passou a bater como um louco em meu peito. Fiquei terrivelmente abalada, encantada, nocauteada por ele. Pensei, meio grogue, que aquilo existia mesmo. Atração ou amor à primeira vista, não sei, aquele abalo que uma pessoa sofria só de olhar para outra, como li diversas vezes nos romances açucarados que eu tanto gostava.Não era sonho ou tolice. Não era loucura. Era real, meu corpo inteiro parecia se conectar à presença dele, irremediavelmente atraído. E minha mente... Meu Deus, eu nem conseguia pensar direito!A música continuou. As pessoas passavam, a vida continuava igual. E eu ali, só olhando para ele.Era lindo de morrer. A foto não fazia jus a ele. Engoli em seco, bebendo de sua imagem como se estivesse morta de sede.Ele conversava amigavelmente com o casal, praticamente de frente pra mim. Usava jeans escuro, camisa branca com as mangas dobradas e o primeiro botão aberto e confortáveis sapatos de couro. Era bem alto e, embora esguio, era visivelmente musculoso. Tinha ombros largos e era umtipo grande, másculo, incrivelmente viril e charmoso, o que se notava só pelo jeito que falava e pela postura corporal. Seus cabelos eram densos, curtos, muito negros. O rosto anguloso possuía traços bem marcados, como o nariz reto, o maxilar quadrado e o queixo firme. Mas a boca era carnuda.Sobrancelhas grossas e negras emolduravam seus olhos penetrantes, que eu sabia ser de um azul bem escuro pela foto.Embora sua aparência fosse belíssima, havia algo mais atraente nele, que era inexplicável à primeira vista. Talvez fosse seu olhar muito atento e profundo, ou a maneira como o corpo dele parecia exalar força, graça, algo meio como de um animal selvagem, pronto para dar o bote ou atacar.Respirei fundo, tentando me recuperar, percebendo que eu estava ali, completamente pasma por ele, abalada até a alma, e que precisava reagir. Procurei me acalmar. Foi então que ele olhou para mim.Fiquei imóvel, como se seu olhar intenso me congelasse no lugar. Mas por dentro eu fervi, queimando por ele. Só por ele.João Valente também ficou imóvel. Seu olhar até então relaxado foi se tornando lentamente sério, penetrante, como se escurecesse. Por um momento o casal que dizia algo a ele foi esquecido. A festa, a música, tudo foi esquecido. Era só eu e ele ali, ligados por uma força invisível, mas tão realcomo um cabo de aço. Dava para sentir a energia que vibrou entre nós, pura, soltando faíscas.Arfei, pois já não conseguia respirar direito. Ele pareceu notar, pois reagiu com aquela aura selvagem que notei nele. Como se estivesse pronto pra a caça. Sem dizer nada ao casal, veio decidido em minha direção, sem afastar os olhos nem por um minuto dos meus.Eu estava perdida.
Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari
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