Cuando te vi
4 Mulher errada
Notas iniciais
Só um comentário?
Boa leitura!
German Castillo
Coisa mais bonita é você,Assim,Justinho vocêEu juro, eu não sei porque vocêVocê é mais bonita que a flor,Quem dera,A primavera da florTivesse todo esse aromaDe beleza que é o amorPerfumando a natureza,Numa forma de mulherPorque tão linda assim não existe a florOs olhos dela eram verdes. Grandes, brilhantes e expressivos olhos como de criança. Nunca havia visto olhos tão doces e luminosos como os daquela moça.Foi só olhar pra ela que senti um baque dentro de mim, como se tudo tivesse parado e então voltado a funcionar com vivacidade redobrada. Fui pego desprevenido e por um momento não tive ação. Meu pensamento, sempre tão controlado e racional, por um momento vacilou, perdido nadoçura tão feminina e suave daquela mulher.Quem era ela?Eu havia me educado para controlar meus sentimentos. Mas estava ali confuso, abalado, totalmente envolvido por uma completa desconhecida. Sem saber o que pensar, notei que ela parecia igualmente abalada e que nem por um momento desviou os olhos dos meus.Minha primeira reação foi recuar. Sensações assim intensas e cruas me assustavam e me remetiam a épocas em que não tive controle da minha vida. Há anos eu aprendi a pisar somente em terreno seguro e manter as rédeas sobre minha própria vida. E agora, bastou um olhar e eu me sentiainseguro, atraído, totalmente envolvido em emoções intensas e até mesmo desconhecidas.Agi até mesmo antes de pensar sobre o que eu fazia. Andei até ela, decidido a saber quem era e porque me atraiu com tanta força. Estava convencido que havia uma explicação racional para o modo que eu me sentia, disposto a descobrir que talvez tudo não tenha passado de imaginação ou deuma troca de energia passageira, que se desvaneceria se eu falasse com ela.Vi como ela arregalou os olhos ao me ver aproximando.Era uma graça, parada ali perto de um belo arranjo de flores, com seus cabelos reluzente cortados em camadas e espalhados por seus ombros e peito, bem longos. Uma franja displicente caía em sua testa, até as sobrancelhas escuras bem delineadas. Era linda, de um jeito doce e suave, mediana, esguia, mas com curvas nos lugares certos. E aqueles olhos...Já vi mulheres mais lindas que ela. Mais exuberantes, sensuais, maravilhosas. Não podia ser a sua aparência que me abalava daquele jeito. Então, o que era?De repente, alguém entrou no meu campo de visão, escondendo a imagem dela. Parei abruptamente a alguns passos antes de alcançá-la, quando reconheci Vítor, que se dirigiu a ela e a abraçou e beijou, bem na minha frente.Porra. Era a noiva dele.Fiquei sem ação, olhando enquanto ele parecia feliz da vida com ela nos braços. Ela ficou imóvel, sem reagir, deixando que ele a abraçasse e dissesse palavras de carinho.Não sei ao certo o que senti. Raiva, decepção, uma mistura incongruente de sentimentos.Então aquela era a famosa Angie por quem Vítor estava loucamente apaixonado, de quem falou milhares de vezes pelo telefone e pela internet. A garota maravilhosa que relutava em ficar com ele, mas que ele lutava com afinco para conquistar. Eu podia entendê-lo um pouco nesse momento, levando em consideração a maneira que ela mexeu comigo.Pensei em dar meia volta e me afastar logo, mas não tive escolha quando Vítor a soltou e olhou para trás, como se seguisse seu olhar. Ele parecia estranhar o jeito dela, mas seu rosto se abriu num sorriso ao me ver.– German, vem aqui, cara. Quero te apresentar minha noiva! — Ele foi para o lado dela, todosatisfeito, abraçando-a pelo ombro.Meu olhar encontrou com o dela. Seus olhos estavam bem abertos e ela mordeu o lábio nervosamente, ficando vermelha.A raiva, um velho e conhecido sentimento meu, estranhamente me acalmou. A maravilhosaAngie, pudica e pura, vivia olhando para outros homens, encarando-os descaradamente quando o noivo não estava por perto.Terminei de me aproximar e parei bem na frente dela, sem desviar o olhar de seu rosto.Corada, ela arfou um pouco, sem conseguir tirar os olhos dos meus. De perto era ainda mais bonita, com a pele branca macia e sem máculas e os lábios obscenamente carnudos e rosados. Era pequena também e sua cabeça chegava na altura dos meus ombros.– Então, você é a famosa Angie. — Sorri friamente para ela.Ela empalideceu e só então baixou o olhar. Depois fitou Vítor nervosamente, quase sem se mexer. Reparei como meu primo a abraçava protetoramente, como se não quisesse se separar nem por um momento dela.– É ela mesmo! — Vítor nem parecia notar a energia vibrante entre mim e sua noiva. Estava radiante, mais feliz do que já o vi na vida. — Angie, este é meu primo, meu irmão, German.Ela fez um grande esforço para me olhar e sorrir. Era óbvio que estava nervosa. Talvez não soubesse que eu era o primo do noivo e agora estava sem graça por ter sido pega em flagrante me paquerando.– É um prazer, Angie. — Aparentemente, eu estava controlado, até frio. Mas sentia uma estranha raiva do que aquela mulher me fez sentir. Ainda sentia a enorme atração que ela despertava em mim, misturada com a decepção por ela ser uma garota qualquer, que nem respeitava o noivo na
casa dele.Estendi minha mão, que ela olhou como se estivesse com medo de tocar. Finalmente senti a pele macia de sua palma contra a minha e seus dedos finos estavam trêmulos, frios. Uma corrente pura de energia, de química, percorreu nossas mãos. Ela arregalou de novo os olhos e respirou fundo, soltando logo o aperto e envolvendo os braços em torno da própria cintura.– E então? — Vítor olhou de mim para ela, na expectativa. — Vocês não dizem nada?Eu tinha muito a dizer, mas resolvi ver o que ela diria.Angie parecia muda. Por fim, abriu os lábios e falou baixo, com voz suave:– Vítor fala muito de você. Como... Como foi sua viagem?– Tranquila. — Respondi, encarando-a. — Melhor agora, que voltei para casa.Ela forçou um sorriso, lançou um olhar a Vítor e se mexeu um pouco, incomodada. Ele riu e disse pra mim:– Não ligue, ela é um pouco tímida. Fique à vontade, meu bem. O German tem essa cara de mau mas não morde. Não é cara?– Eu até mordo, mas não todo mundo. Pessoas doces e puras como você, segundo os elogios de Vítor, estão a salvo.Vítor achou graça. Ela pareceu indecisa, sem saber se eu brincava ou não. Obviamente sentia que algo não ia bem. Resolvi ir mais além.– Quer dizer que você conquistou meu primo. Já marcaram a data do casamento?– Bem que eu queria. — Vítor olhou pra ela, esperançoso, apertando de leve seu ombro. — Mas tem uma pessoa aqui que está indecisa, sabe. Não é, Anjinha?Angie apenas sorriu, sem graça. Suas bochechas estavam rosadas. Ela olhava pra todolado, menos pra mim.–Você é bem jovem, Angie. Talvez queira aproveitar mais a vida antes de casar, certo?– Eu... Não sei.– Você pode aproveitar a vida comigo. — Emendou Vítor. Ele olhou pra mim. — Disse a ela que conto com você pra me ajudar a convencê-la a se casar comigo, German.– Eu? Como posso fazer isso?– Você é decidido e sabe o que fazer para conseguir o que quer. Dois contra um é mais fácil. -Ele sorriu.Era óbvio que Vítor estava apaixonado por ela, assim como estava claro que ela não correspondia. Parecia muito incomodada e mal olhava pra ele. Como ele não percebia aquilo? Por que ela estava com ele? Por que era bem apessoado e rico? E por que ficou olhando pra mim daquelejeito, na casa dele?Decidi que descobriria tudo aquilo. E se aquela mulher queria se dar bem em cima do meu primo, eu não deixaria. Vítor e meus tios eram as pessoas que eu mais amava na vida e eu faria de tudo para que eles não sofressem.– Vou ajudar você, Vítor. A começar por agora.Ela ergueu os olhos de imediato e encarou os meus. Parecia assustada, como se não soubesse o que esperar.Senti de novo aquele baque dentro de mim, aquele sentimento estranho e desconhecido que não dependia da minha vontade. Isso me tornou mais decidido a afastar aquela mulher. Pelo jeito ela não afetava somente ao Vítor, mas a mim também.– Dance comigo, Angie. Vou convencer você das virtudes do meu primo.– Não. — Ela disse baixo, quase apavorada.– Vá, meu bem. — Disse Vítor bem humorado — Ele já disse que não morde moças boazinhas como você.– Não aceito recusa. — Aproveitei seu estado de completo nervosismo eu segurei sua mão.Estava lá, aquela energia pura e quente entre nós. Não parei para analisar aquilo. Decidido, mantive sua mão pequena firmemente na minha, sorri para Vítor e levei-a para a pista de dança, um tanto afastada dali.Alguns casais dançavam e eu tentei me concentrar na música. Era lenta, gostosa, melodiosa. Cupido, de Maria Rita.Parei no centro da pista, virei para ela e nós nos fitamos. Ela respirava irregularmente, com os lábios ligeiramente abertos e os olhos arregalados. Percebi que ela sentia também aquela química incontrolável entre nós. É por isso que ela me olhou tanto? Ficou tão nocauteada quanto eu? Oucostumava fazer aquilo, paquerar qualquer um? Por isso não queria casar ainda. Ou fingia não querer casar para envolver ainda mais Vítor e deixá-lo louco por ela.Com raiva, puxei-a pela mão e nossos corpos quase se tocaram. Apoiei a outra mão em suas costas e senti seu cabelo sedoso nos meus dedos. O perfume ou o xampu dela era suave, algo com um toque de morango, bem gostoso. Comecei a dançar lentamente, sem deixar de olhar pra ela. E ela olhava pra mim, quase em pânico, arfante. Senti sua mão apertar a minha com força, como um reflexo, enquanto a outra se segurava em meu ombro. Ela tremia visivelmente.– Quem é você? — Perguntei furioso.Ela piscou, se esforçando para me acompanhar na dança. Murmurou:– Como assim?– Por que estava me encarando antes do Vítor chegar?Angie não parecia ter esperado que eu fosse tão direto. Ficou vermelha e visivelmente envergonhada. Na mesma hora baixou os olhos.– Vamos deixar de joguinhos. Olhe pra mim e responda.Ela ergueu os olhos na mesma hora, assustada.– Eu não sei. — disse baixinho.– Não sabe? Costuma fazer isso quando ele não está por perto?– Fazer o quê?– Paquerar outros homens.– Não! — Seus olhos brilharam com aversão. — Eu não estava paquerando.– Não? Estava fazendo o quê? Me comendo com os olhos?Ela arregalou seus olhos, chocada, parando de dançar. Mas não deixei, me movi, obrigando-a a me acompanhar. Estávamos nos fitando, o mundo parecia esquecido. A raiva borbulhava dentro de mim, permeada com a atração incontrolável que me envolvia. Eu a segurava com firmeza, pois ela parecia prestes a fugir. Resolvi deixar tudo claro de uma vez:– Há meses Vítor fala de você pra mim. Mesmo na Alemanha, pude perceber o quanto você se tornou importante pra ele. Nunca o vi falar em casamento e agora ele não fala de outra coisa.Confesso que fiquei curioso pra conhecer a famosa Anjinha, que parecia perfeita, sem espinhos, um anjo de mulher. E quando a conheço, ela está olhando pra mim com desejo. Quero que você me explique isso.Angie engoliu em seco. Continuou a dançar mecanicamente, mas olhou em volta, para disfarçar ou para se acalmar, não sei bem. Respirava irregularmente e continuava trêmula. Não dei espaço para que ela tentasse fugir ou me distrair. Continuei a esperar, sem deixar de olhar seu rosto, que era muito expressivo.Por fim, ela pareceu mais calma. Olhou nos meus olhos e disse suavemente:– Não sou assim. Sei que pode parecer estranho, mas nem eu sei direito o que aconteceu. Não paquero outros homens. Não estava paquerando você. Quero dizer, não era o que eu queria. Nunca aconteceu isso comigo. Eu vi você e... eu ainda não entendi. Desculpe.Ela parecia prestes a chorar. Seu olhar era puro, confuso, sincero. Fiquei estarrecido ao perceber que talvez ela estivesse dizendo a verdade. A atração que senti por ela à primeira vista pode ter sido recíproca. Mas eu tinha uma desconfiança natural com as mulheres, fruto do meupassado conturbado com duas delas. Não sabia até que ponto aquela ali era verdadeira.– Não quero que o Vítor se magoe com você. — Falei friamente. — Ele é como um irmão pra mim. O que quer que tenha acontecido entre a gente deve ficar esquecido. Espero realmente que tenha sido um caso isolado, pois vou ficar de olho em você.– Não precisa ficar de olho em mim, nem se preocupar. Também não tenho a intenção de magoar o Vítor. — Ela ergueu um pouco o queixo, chateada. — Acho melhor esquecermos tudo isso.Não sei o que aconteceu e nem quero saber. Tudo o que quero é ficar em paz.– Tudo bem. — Concordei, pois o recado foi dado.– Não quero dançar. Quero voltar para o meu noivo.Aquelas palavras me atingiram. De alguma forma, eu queria ficar mais tempo ali com ela entre os braços, sentindo seu suave cheiro de morango e seu cabelo macio roçando nos meus dedos.Mas o forte desejo só me fez perceber o quanto tudo aquilo era errado.– É claro. — Concordei na hora, soltando-a.Ela deu um passo para trás e me olhou. Seus olhos arredondados e caramelados brilhavam com uma emoção indescritível. No fundo de mim senti que ela também não queria se afastar. Fiquei bem sério e friamente lhe indiquei o caminho com o braço.Angie acenou de leve com a cabeça e voltou pelo mesmo caminho que viemos. Eu a segui, não conseguindo deixar de notar como o cabelo loiro, liso e pesado se esparramava em camadas até o meio de suas costas. Ou como a calça preta marcava seus quadris arredondados e sua bunda emforma de coração. Apesar de pequena e esguia, ela era curvilínea.O desejo mais uma vez me engolfou e tive vontade de xingar um palavrão. Ela era a mulher errada. E mesmo que não fosse, eu nunca me envolvia seriamente com as mulheres. Aprendi a manter sempre o controle. Ela era um perigo pra mim, sob todos os aspectos.
Decidi que eu a evitaria ao máximo.Angie não era mulher para mim. E eu desconfiava que também não era para Vítor.
Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari
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