Cuando te vi

64 Presente


Notas iniciais
Boa leitura!

Como pode ser gostar de alguém

E esse tal alguém não ser seu

Fico desejando nós gastando o mar

Pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus

Para lhe esquecer

Mas só de pedir me lembro

Minha linda flor

Meu jasmim será

Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim

Sempre que estou indo, volto atrás

Estou entregue a ponto de estar sempre só

Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa

O tempo sem você

Mas pode sim

Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir,

Não há solidão, nem pena

Nessa doação, milagres do amor

Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa

O tempo sem você

Mas pode sim

Ser sim amado e tudo acontecer

Quero dançar com você

Dançar com você

Quero dançar com você

Dançar com você

Angie

– Se você tivesse me falado que o seu príncipe encantado era German Castillo, eu não teria

insistido tanto no Vítor. – Minha mãe comentou cinco dias depois, enquanto tomávamos o café da

manhã antes de ir trabalhar. Estava sempre dizendo algo do tipo. – Um médico lindo desses e tão

rico! Até que você não é nenhuma boba. E então, quando se verão novamente?

Eu a fitei, mastigando um pedaço de pão. Às vezes era melhor ignorar minha mãe. Agora que

sabia uma parte da história, Vítor foi completamente esquecido e German virou seu alvo favorito.

Passou a me tratar bem, animada com minha nova oportunidade. Era de dar nos nervos.

– Vocês marcaram alguma coisa, querida?

– Não, mãe, não marcamos nada.

– Hum ...

Antes que começasse com suas idéias, levantei logo, mal terminando meu café. Deixei a

xícara dentro da pia e praticamente corri para escovar os dentes e passar um batom. Em minutos já

tinha me despedido dela e saído de casa.

Foi mais um dia como os anteriores. Dolorido, sofrido, preenchido por lembranças,

pensamentos e saudades de German.

Nunca pensei tanto na minha vida. Ao contrário do que disse a ele, sobre não saber se o

amava, eu tinha certeza que sim. Amava-o demais, ficar cada segundo longe dele era uma tortura e

não conseguia esquecer de sua voz murmurando que me amava. Fechava os olhos e repetia aquela

cena inúmeras vezes, até conseguir acreditar. No fundo, era tudo o que eu mais queria.

Todavia, eu ainda tinha muitas mágoas e dúvidas. Aquelas cenas do clube tinham me

magoado e chocado. O ciúme que senti dele com Fernanda doía demais. E no fundo, o que eu sabia

de German? Praticamente nada. Só o pouco que me dissera, que foi criado em meios às festas loucas dos

pais. Talvez isso tivesse moldado a personalidade e os gostos dele. Gostos que eu não sabia se

poderia dar conta.

As cenas violentas naquele clube, completamente pornográficas e secas, as chicotadas que

marcavam a pele dolorosamente, os castigos, tudo ainda me assustava a ponto de pensar em correr

para outro lado. Mas então lembrava daquela sábado que passei em seu apartamento, do jogo de

sinuca, do seu olhar quente e agressivo, mas também cheio de paixão, do seu sorriso diabólico, das

palmadas, junto com beijos deliciosos, com o prazer extraordinário e delirante que me fazia sentir, e

ficava confusa. Até que percebi a diferença entre o que tivemos e aquela filmagem. Não era apenas o

fato de João ter se controlado comigo. Mesmo jogando, usando aquele chicote de fitas, o chinela ou a

palmatória, foi de um jeito que, se fosse sincera comigo mesma, admitiria que gostei. Fiquei em

êxtase, além do meu limite, experimentando uma luxúria tão potente que até viciava.

Tudo aquilo poderia ter parecido até assustador em um primeiro momento, mas me dava

prazer, muito. A diferença que notei foi que comigo não foi só o sexo com jogos mais brutos e

dominação, como naquela filmagem. German participou com sentimentos, com preocupação, com

cuidado. Seus olhares, seus sorrisos, seus beijos eram para mim. Com Fernanda e Adriana foi uma

máquina, o rosto frio, como se uma outra pessoa estivesse apenas usando o corpo dele. Lembro o

jeito que me cheirava, acariciava, penetrava. Era todo ele, completo. E foi isso que começou a me fazer acreditar que gostava de mim. Que poderia ter ainda uma chance pra gente, desde que realmente

quiséssemos tentar.

Ainda estava magoada, com medo, com ciúme. Mas abrandava, desejava-o tanto que doía, só

pensava nele. Minha vida virou um círculo vicioso de acordar, trabalhar, voltar e ir para meu quarto,

só lembrar de German. Sabia que nada seria fácil. Tinha Fernanda no caminho. Tinha muito mais que

não sabia sobre ele. E minha própria inexperiência. Era um mundo para vencer. Mas o meu amor

nunca diminuía. Nunca.

Naquela quarta-feira, quando cheguei ao meu apartamento, minha mãe abriu a porta toda

sorridente e animada, como poucas vezes vi.

– O que houve?

– Encomenda pra você.

Quando entrei, vi sobre a mesa de centro uma orquídea linda e rara, em um vaso aquário com

um cachorrinho branco de pelúcia. Ao lado, uma caixa embalada com fita, com o símbolo de uma das

docerias mais caras do Rio de Janeiro. Aproximei-me devagar, meu coração disparando, sem

conseguir tirar os olhos dos presentes. Atrás de mim, minha mãe estava na expectativa.

Segurei o jarro com a orquídea e de imediato me apaixonei pelo cachorrinho fofo que vinha

com ela. Então deixei-a na mesa e peguei a caixa, desfazendo o laço. Era uma fatia de torta pequena e

quadrada, feita de chocolate com morango. Com dedos trêmulos, abri o pequeno cartãozinho que

vinha no jarro.

Gostaria de estar aí, vendo você comer essa torta, Angie.

Os morangos me lembram você.

Muitas saudades.

G.C

Lágrimas vieram aos meus olhos. Não apenas pelos presentes, que eu adorara, mas por tudo.

Lembrei da vez que disse que adorava me ver saborear uma torta, que ficava extremamente excitado.

E também pelo que representavam: romantismo. O dominador duro e avesso a relacionamentos

tentava me conquistar com flores, bichinhos e doces. O que poderia ser mais romântico que isso?

– É tudo lindo, mas esse doce vai te engordar uns dois quilos, Angeles. – Comentou minha

mãe. E completou, satisfeita: – Começa assim, depois vai te dar jóias.

– Ele já me deu. – Murmurei, lembrando do colar e dos brincos de ouro com rubi, que

guardava com todo cuidado.

– Já? Que maravilha! Então ...

– O valor não importa, mãe, e sim o que significam para mim. – Uma lágrima escorreu por

minha face e tentei disfarçar, muito emocionada. Fechei a caixinha da torta, peguei meus presentes e

disse a ela. – Vou ao meu quarto.

– Vai ligar pra ele e agradecer, não é?

– Sim.

Fugi, antes que ficasse insistindo no assunto.

Deitei na cama, peguei o cachorrinho fofo e cheiroso e o abracei. Lágrimas desceram por meu

rosto e tive uma vontade imensa de ver German, de correr para ele e me entregar totalmente, arriscar

tudo, esquecer o que me fazia sofrer horrores longe dele. Senti que boa parte da minha mágoa e dos

meus medos se foi, que meu amor por ele ocupou ainda mais espaço dentro de mim. Mas algo ainda

me travava, dúvidas e ressentimentos, muito tendo a ver com a presença de Fernanda na vida dele.

Eu me contive. Sabia que teria que pelo menos ligar e agradecer, mas estava sem coragem de

ouvir a voz dele. Era tudo muito recente ainda. Apenas quatro dias. E acabei adiando. Pelo menos até

me sentir preparada. E não tão magoada ainda.

Notas finais
@WorldOfAlonsoBr @Violeteros_BR beijos Mari