Cuando te vi

65 Hora da verdade


Notas iniciais
Boa leitura!

Como vai você ?

Eu preciso saber da sua vida

Peça a alguém pra me contar sobre o seu dia

Anoiteceu e eu preciso só saber

Como vai você ?

Que já modificou a minha vida

Razão de minha paz já esquecida

Nem sei se gosto mais de mim ou de você

Vem, que a sede de te amar me faz melhor

Eu quero amanhecer ao seu redor

Preciso tanto me fazer feliz

Vem, que o tempo pode afastar nós dois

Não deixe tanta vida pra depois

Eu só preciso saber

Como vai você

German

Angie não tinha me ligado. Quinta-feira chegou e passou e ela não se pronunciou sobre as lembranças que mandei para ela. Saí do hospital cansado após um dia de cirurgias, mas

principalmente abalado por sua falta de contato. Nunca pensei que amar uma pessoa fosse tão

doloroso. Comecei a entender um pouco o desespero de Vítor quando ela terminou o noivado. Era

uma sensação que consumia, latejava, tomava por inteiro.

Estava quase pegando o carro e indo atrás dela. Então lembrei que precisava do seu tempo e

que talvez não quisesse me ver agora. Eu tinha que aceitar e me controlar. Mas, porra, era difícil

demais conter os próprios sentimentos e esperar. Muito difícil.

Resolvi passar na casa dos meus tios, pois não os via há alguns dias e por que não queria

ficar sozinho. Precisava me distrair com algo e só voltar para casa quando fosse para cair na cama

exausto. Ter o menor tempo possível com meus pensamentos, desejos e culpas.

Eles ficaram felizes demais com a visita e Paola estava lá com Vítor para jantar. Vê-la me fez

lembrar ainda mais de Angie e, assim que tive a oportunidade de ficar perto dela, perguntei:

– Como a Angie está?

– Bem. – Fitou-me meio desconfiada, como se não soubesse qual era a minha intenção

verdadeira. – Aquela sua amiga acabou conseguindo o que queria.

– Eu sei. Mas colaborei com tudo.

– Colaborou com o quê? – Vítor se aproximou trazendo vinho e taças pra gente. Ficamos

quietos e ele franziu o cenho. – Não acham que está na hora de me contarem esses segredinhos? Você

teve algum rolo com a Angie, German?

Eu fitei meu primo, meu amigo, meu irmão. Tinha cansado de mentiras, de me esconder.

Muito sério, expliquei:

– Eu gostei de Angie assim que a vi, Vítor.

Ficou surpreso, parado com a garrafa na mão antes de encher a taça de Paola.

– Quer dizer que foi por sua causa ... – Começou, mas a namorada o interrompeu:

– Eles não tiveram nada até você estar fora da parada, querido. Aliás, German dispensou a Angie

por sua causa. Não se preocupe, não foi um corno!

– Paola! – Fitou-a irritado e depois a mim. – Por que não me disse nada?

– Foi muita confusão, Vítor. Muita culpa, nossa amizade, meu passado, tudo. Mas nunca quis

magoar ou trair você.

Ele ficou quieto um tempo. Depois olhou para Paola e seu semblante suavizou. Sorriu para

mim:

– Disso eu tenho certeza, cara. Não se preocupe.

Foi um jantar agradável, mas todo o tempo pensei como seria melhor se Angie estivesse ali

comigo. Senti um vazio estranho dentro de mim, que era praticamente uma tortura.

Naquele lar, onde me senti realmente amado e querido, no meio de pessoas que eu adorava, senti que parte do meu passado pesado ia ficando para trás. Sim, eu tinha começado a vida em meio a

um caos. Tinha sido acostumado e apresentado a prazeres e desejos diferentes, mas também tinha

sido criado a partir dos doze anos por aquela família que cuidou de mim e me incutiu valores. Eu

tinha os dois lados dentro de mim e minhas próprias escolhas. Não era um refém da culpa ou do

medo. Não precisava me fechar para o mundo, me limitar, fugir. E finalmente me tocar daquilo foi

uma espécie de catarse.

– Você parece tão tristinho, meu bem. Aconteceu alguma coisa? – Minha tia Laurinha

perguntou, ao insistir em me acompanhar até o carro após o jantar, abraçada a minha cintura.

– Não, está tudo bem.

– Tem certeza? Isso está me cheirando a paixão. – Sorriu, olhando-me com carinho.

– Não se preocupe, estou legal.

– Tem a ver com a Angie?

Encontrei seus olhos castanhos, surpreso. Ela balançou a cabeça.

– Reparei mais de uma vez o modo como se olhavam. Fiquei muito nervosa na época,

imaginando meus dois meninos brigando por causa dela. Mas felizmente Vítor se recuperou e agora

está com Paola. E você, German?

Nunca fui de desabafar, pedir conselhos, me abrir. Tomava minhas próprias decisões e

convivia com elas. Mas acabei confessando:

– Estou esperando por ela, tia. Meti os pés pelas mãos.

– Não se preocupe. – Sorriu e acariciou meu rosto. — Angie com certeza viu o que já sabemos há

muito tempo. Não vai deixar você escapar. Só se for muito boba.

Eu a abracei e por um momento fechei os olhos, sentindo-me de novo um garoto, que chegou

ali desconfiado, sem saber o que era uma família de verdade. Fui conquistado aos poucos. Tentava

todo dia retribuir o amor que me deram.

Nos despedimos com carinho e segui meu caminho.

Notas finais
Eu amo essa Paola kkkkkkkkk @WorldOfAlonsoBr @Violeteros_BR beijos Mari