Cuando te vi
34 Não quero dividir com ninguém
Notas iniciais
Boa leitura!
Ela arregalou mais os olhos e concordou com a cabeça.
– Agora entendo. – Já que estávamos conversando e ainda tínhamos tempo, resolveu sabermais: — Vi algumas coisas naquele clube que me deixaram surpresas. Uma mulher presa no chão e amordaçada como um cão, algumas pessoas em gaiolas, homens sendo pisoteados. Você faz essascoisas também?– Não. Tem gente que gosta de coisas mais pesadas, tanto de fazer com os outros quanto quefaçam com eles. Acidentes sérios às vezes acontecem aí. Duas vezes precisaram de mim comomédico no clube. Uma foi quando um dominador cortou sua escrava com uma lâmina. Ambosgostavam de sangue e jogavam em um dos quartos particulares. Mas ele exagerou e acertou umaartéria.– Meu Deus! – Angie estava assustada, fitando-me com horror. – O que aconteceu?– Estanquei a hemorragia e ela precisou ficar internada.– Mas como pode algo assim?– Você ainda não viu nada.– E o outro caso?– Asfixia. Fui chamado correndo pois um Dom amarrou a sub, mas não teve cuidado de evitaro pescoço. Quando a ergueu na corda, quase a enforcou. Acabou dando tempo de socorrer, masmuitas pessoas se entregam nas mãos de pessoas inexperientes e tudo pode acontecer. Se eu fossecontar aqui os absurdos que fazem, Angie, você ficaria traumatizada.Ela escutava com atenção, esquecendo até de seu café.– Já aconteceu algum acidente com você?– Não. Há uma diferença básica entre BDSM como erotismo, sendo consensual e tendo umapalavra segura, do BDSM chamado de TPE ou Total Troca de Poder. Neste o dominador oudominadora, chamado de Top, tem poder absoluto sobre a pessoa que se submete e não há palavrasegura. O Top faz tudo o que quiser, não apenas na hora da transa, mas em todos os momentos.– E isso acontece mesmo?– Eu acho muito difícil conseguir manter tal controle, mas muita gente tenta. Acho tambémperigoso. Quando há uma palavra segura, significa que há um limite, Angie. Lembra quando disse paranão esquecer sua palavra e usá-la quando não quiser algo? É uma troca. Você confia em mim e tem odireito de dar um basta, a hora em que quiser. – Olhei-a com firmeza. – Uma pessoa que se deixaamarrar e amordaçar por outra, sem confiar, corre um sério risco de encontrar um verdadeiro sádicono caminho, que não vai respeitar a palavra segura e que vai se satisfazer não com o sexo em si, mascom a quantidade de dor e tortura que provoca.– É tudo tão estranho. Quero dizer, você não é dominador só entre quatro paredes. Já percebique seu jeito é assim. Acho que mesmo que fosse baunilha, ia ser dominador.– Com certeza. É uma característica minha desde criança, que foi alimentada. Gosto dessetipo de sexo mais agressivo, mas não sou exatamente sádico ou masoquista. Mesmo com o chicote ou com o cinto, sei o quanto o outro quer ou suporta. Não bato para ferir realmente. E as mulheres queaceitam isso tem uma escolha. Mas tem cada coisa que não dá para acreditar. Com agulhas, urina,fezes, sangue, surras que deixam sequelas, torturas, mumificação, proibição de ingerir alimentos ououtras inúmeras coisas.– Nossa ...E agora Fernanda vinha falar em levar Angie ao clube. Ela talvez até fosse, por minha causa,mas tenho certeza que não se sentiria à vontade. Eu a queria lá sim. Ficava com tesão só de imaginarfazer meus jogos com ela nas cordas e em tudo mais. No entanto, não me sentia preparado paradividi-la, nem mesmo com Fernanda. Eu a queria só para mim.Quando saí do hospital naquela sexta, resolvi fazer uma surprese e aparecer no Loretta, queela frequentava na Lapa. É claro que lá não poderia tocá-la, o local era cheio de conhecidos. Maspoderia aproveitar para apreciá-la, jogar um pouco, antes de trazê-la para meu apartamento.
Notas finais
Obrigada Rosy pela linda recomendação, também te amo @Violeteros_BR beijos Mari
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