Cuando te vi

30 No restaurante


Notas iniciais
Boa leitura!

Pra você guardei o amor Que nunca soube dar O amor que tive e vi sem me deixar Sentir sem conseguir provar Sem entregar E repartir Pra você guardei o amor Que sempre quis mostrar O amor que vive em mim vem visitar Sorrir, vem colorir solar Vem esquentar E permitir Quem acolher o que ele tem e traz Quem entender o que ele diz No giz do gesto o jeito pronto Do piscar dos cílios Que o convite do silêncio

Exibe em cada olhar.

Angie

Entrei no restaurante ansiosa, tremendo, com o coração disparado. Usando um vestido preto

que se moldava em meu corpo, com os cabelos presos de modo displicente, uma maquiagem que

valorizava meus olhos e sapatos de salto, eu tinha me arrumado pensando só em agradar German. Tinha

pesquisado o restaurante na internet e descobri que era luxuoso, usava-se traje fino. E quando vi German

a uma mesa perto da janela, lindíssimo em um terno escuro, não me arrependi da produção.

Parei por um momento, tentando me acalmar, mas todos os terminais nervosos do meu corpo

gritavam descontroladamente ao fitá-lo. Saudade, amor, ansiedade, dúvida, desejo, tudo se revolvia

loucamente dentro de mim. German estava distraído, falando algo com o garçom e aproveitei para

apreciá-lo, notando como o terno caía nele perfeitamente, o cabelo bem penteado, a barba feita,

aqueles traços que pareciam gravados ininterruptamente em minha mente e seus olhos, que eu amava.

Respirei fundo e forcei minhas pernas trêmulas a irem até ele, minha saudade falando mais

alto que tudo. O garçom se afastou e German me viu. Estremeci sob o impacto do seu olhar.

Hipnotizada, percebi como se tornou mais intenso ao me ver, suas pálpebras pesando, suas

sobrancelhas formando um vinco no meio. Levantou-se, elegante, quando me aproximei.

– Angie. – Sua mão foi em meu braço, ao mesmo tempo terna e segura. Beijou suavemente meu

rosto perto dos lábios e estremeci, arfando levemente, embriagada por seu perfume delicioso, quase

me jogando em seus braços. Emocionada, forcei um sorriso quando se afastou e agradeci baixinho ao puxar uma cadeira para mim. – Tudo bem?

– Sim, tudo. – Sentei, escondendo minhas mãos trêmulas no colo, fitando-o com olhos bem

abertos, finalmente feliz e sem a angústia daqueles últimos dias, sem saber se ia me procurar ou não.

– Você está linda. – disse baixo, seu olhar me apreciando devagar.

– Obrigada. Você também. – Sorri.

– Obrigado. – Sorriu também, recostando-se na cadeira, mas aquela aura viril ainda muito

intensa para dizer que estava relaxado. Tinha dentes brancos, bem feitos como todo resto dele.

Pensei se teria algum defeito físico, mas não vi nenhum. – Pedi vinho para nós dois. Importa-se?

– Não, adoro vinho. – Fiquei feliz por ter perguntado. Não sabia bem se aquela relação de

dominação e submissão se estendia também fora da cama. Para mim, German era naturalmente um

dominador, nos mínimos gestos. Mas provavelmente para o mundo mostrava apenas uma parte disso.

Senti seu olhar em meu colo, subindo pelo pescoço, deslizando nas minhas orelhas, cabelo e

rosto, até encontrar meus olhos. Fiquei parada, aproveitando aquela carícia sem toque, esquecendo

do mundo a minha volta. Foi quando pôs a mão sobre a mesa e fez deslizar algo em minha direção.

Baixei o olhar e retirou a mão, mostrando uma caixa retangular de veludo negro. Ergui rapidamente

os olhos e German disse baixo:

– Para você.

Mordi os lábios, surpresa, nervosa, feliz. Sorri.

– Para mim? Mas ... Não precisava.

– É seu, Angie.

Segurei a caixa e a abri com cuidado, meus dedos trêmulos. Havia um lindíssimo colar de

ouro fino, com um pingente arredondado cravejado de rubis naturais. Acompanhando, um par de

brincos pendurados, no mesmo modelo, belíssimo. Olhei-o, emocionada.

– Eu ... Obrigada. É lindo demais.

– Você gostou?

– Adorei!

– Tire seus brincos. Vou pôr em você. Comprei pensando que combinariam com seus lábios.

– Quando German se levantou, eu já era uma massa ansiosa de sentimentos exaltados, como meu coração

muito acelerado. Tirei meus brincos e ele parou atrás de mim, deslizando o colar em meu pescoço,

prendendo na nuca. Fiquei arrepiada ao sentir a ponta de seus dedos em minha pele.

Quando terminou de pôr o cordão, acariciou suavemente minha nuca e pescoço. Fui invadida

por um desejo avassalador, meu corpo todo ardendo, reagindo. Voltou à sua cadeira e seu olhar

intenso, que parecia me devorar, só me abalou ainda mais. Tentando não tremer muito, pus meus

brincos novos e deixei que me admirasse.- E então? – Indaguei baixinho.

– Linda. Quando usá-los, pense em mim.

– Eu já penso em você todo o tempo. – Murmurei.

– Angie ... – German ia dizer mais algo, sua voz num timbre rouco, duro, mas naquele momento o

garçom se aproximou trazendo o vinho e nos servindo.

Apenas nos olhamos. Eu me sentia feliz e excitada. Não por ter ganhado jóias caras, mas por

ele ter tido a preocupação de comprar algo para mim e a gentileza de me presentear. Se fosse uma

flor, eu já ficaria feliz. Ainda mais sabendo que escolheu os rubis pensando em meus lábios, como

tinha dito.

– Vamos pedir agora? – Indagou, abrindo o cardápio e indicando o meu, à minha frente.

– Pode escolher por mim?

– Claro. Tem alguma preferência de carne?

– Não. Como tudo.

German fez o pedido e provamos o vinho tinto delicioso.

– Como foram os últimos dias para você? – Indagou, sem deixar de me observar.

– Mais ou menos. – Fui sincera. Tentei não prestar tanta atenção ao desejo claro entre nós,

que tornava o ambiente mais pesado e quente. – E os seus?

– Comuns.

– Voltou a trabalhar?

– Sim, no hospital e na clínica.

Meus olhos desceram em sua mão em volta da taça, nos dedos longos e bem feitos. Lembrei

daqueles dedos em mim e estremeci, muito excitada, ansiosa. Mas me forcei a empurrar tudo aquilo a

um canto e aproveitar a companhia dele.

– É incrível imaginar que pode abrir a cabeça de uma pessoa, curá-la de alguma doença,

salvar uma vida.

– Nem sempre isso é possível, Angie. Infelizmente algumas cirurgias fracassam.

Fitei seus olhos.

– Eu sei. Mas a maioria dá certo, não é? Isso é tão ... Maravilhoso! – Suspirei e German sorriu.

Acabamos conversando sobre banalidades, gostos, música, livros, lugares. Fui relaxando aos

poucos, tomei mais uma taça de vinho, apreciei a comida deliciosa e a ótima companhia. German

também pareceu mais relaxado, apesar do desejo que nos envolvia não ter diminuído nem um pouco.

Apenas esperava a hora certa.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari