Cuando te vi

47 No clube


Notas iniciais
Boa leitura!

Ninguém me faz Amor tão bem Como você Ninguém mais Me enlouquece de prazer Como ninguém jamais Ah! Meu homem Você é demais Não tinha notado Você se chegando

Tentei me esconder Do seu olhar Do seu amor Você me cercando E eu me envolvendo E hoje o seu estilo Eu sei de cor

German

Quando parei o carro em frente ao prédio de Angie, ela já me esperava lá embaixo e entrou

correndo, apressada, parecendo ansiosa. Olhou-me e disse logo:

– Vamos, German, minha mãe ta na minha cola.

Eu pus o carro em movimento, enquanto ela apertava o cinto. Lancei um olhar de relance,

percebendo sua aflição.

– O que houve?

– Descobriu que não passei a noite e o dia com Paola e fez uma verdadeira inquisição. Meus

Deus, foi um sufoco conseguir sair! Pensei que me seguiria, mas acho que escapei antes que se desse

conta. – Recostou-se no banco, suspirando, me olhando.

– E o que disse a ela?

– Não falei o nome, mas tem certeza que estou saindo com alguém. Temos que ter muito

cuidado, conheço minha mãe. Nunca desiste de nada.

Fiquei quieto. Pensei que só teríamos aquele mês e que não queria que Vítor soubesse do meu

caso com Angie. Precisávamos, sim, ser cuidadosos. Dirigi e ficamos em silêncio um tempo, cada um

mergulhado em seus pensamentos. Ao parar o carro em um sinal, eu a fitei, reparando o quanto estava

linda maquiada, com um vestido cor de vinho frente única e sandálias finas de salto alto. Não resisti,

estiquei a mão e apertei sua coxa, dizendo baixo:

– Você está linda, Angie.

Ela sorriu nervosamente, lambendo os lábios, respirando fundo. Passou os olhos em minha calça e camisa pretas, retrucando:

– E você continua lindo, como sempre.

– Obrigado.

– Deve ouvir isso todo dia, né? – Virou-se um pouco no banco, me olhando melhor. Acabei

sorrindo e pus o carro em movimento de novo, concentrando-me na direção.

– Hoje você foi a primeira pessoa a me dizer.

– Claro, passou o dia todo comigo. – Sorriu também. – Mas não seja modesto. Deve ficar

cansado pelo modo que as mulheres te olham.

– Nem esquento com isso. – Mudei de assunto. – Está nervosa?

– Por ir ao clube? Sim. German, promete que não faremos nada lá?

– Prometo. Seremos meros expectadores.

Sabia que devia estar desconfortável. Aliás, eu já começava a me arrepender de levá-la até

lá. Estava sem falar com Fernanda desde que a encontrei no corredor do hospital e sabia que devia

estar chateada comigo, que precisávamos de tempo para conversar e acabar com aquele mal estar. Eu

pretendia voltar às boas com ela e ainda acostumar Angie um pouco com meu mundo. Aquela ida ao

clube poderia servir para as duas coisas.

Tentei puxar assunto, descontraí-la um pouco enquanto seguíamos até lá. Logo falávamos de

futebol, de política e, sem nem que eu soubesse como, o assunto acabou em nossas primeiras

paqueras de escola. Angie dizia:

– Eu era apaixonada pelo Marcos André no quarto ano. E ele por mim. Mandávamos cartinhas

um para o outro e ficávamos sorrindo um para o outro a aula inteira. Minha mãe dizia que a cabeça

dele era enorme e parecia uma draga. Sempre que ia me buscar, dizia torcendo o nariz: “ Cadê

aquele cabeça de draga?”, mas eu nem ligava. Fazia desenhos de nós dois juntos e jurava que nos

casaríamos. Mas aí ele saiu da escola. Anos depois, eu já estava no Ensino Médio, encontrei com ele

e o irmão e ele disse que queria trocar uma ideia comigo. Fiquei impressionada de como era feio! –

Riu, sem graça. – Aí disse que não e nunca mais o vi.

– Coitado do Cabeça de Draga. – Disse divertido.

– Coisa de criança. E você, já se apaixonou na escola?

Lembrei que, devido às loucuras dos meus pais, nunca fui um garoto inocente. Já olhava as

meninas imaginando um monte de sacanagem. Mas acabei lembrando de uma delas, que tinha sido

diferente das outras.

– Tinha uma loirinha que estudou comigo quando eu tinha onze anos e eu me apaixonei por

ela. Seu sorriso era lindo, olhos claros e era muito simpática. Sentava na cadeira à minha frente e eu

ficava admirando seus cabelos compridos. Passamos a fazer os trabalhos juntos e eu gostava mesmo

dela. Acho que gostava de mim também. Mas quando ficávamos mais íntimos, meus pais cismaram de viajar e me tiraram da escola. Nunca mais a vi.

– Quem diria, você apaixonado! – Angie sorriu abertamente. – Qual o nome dela?

– Erica. Erica Stefanini, se não me engano.

Dali em diante o clima entre nós ficou mais leve, descontraído, lembrando coisas amenas e

agradáveis. Mas quando chegamos em Cosme Velho e os seguranças abriram o portão do casarão do

clube para meu carro passar direto, Angie ficou novamente calada.

Estacionei, saí e dei a volta para abrir a porta para ela. Angie desceu, visivelmente nervosa.

Encostei-a no carro e segurei seu rosto entre as mãos. Olhando-a nos olhos, falei baixo:

– Não é uma tortura, Angie. Vamos ficar apenas um pouco. Se estiver demais para você,

saímos, ok?

– Tá. Não vai me deixar sozinha, né?

– Não, fique tranquila.

Angie estava ali por minha causa, mesmo incomodada, nervosa. Senti uma ligação forte com ela

e, sem poder resistir, beijei suavemente sua boca. Foi um beijo gostoso, quente, só nosso.

Entramos. Ainda era dez da noite e o clube apenas começava a encher. Eu estava de mãos

dadas com Angie, mesmo sabendo o que aquilo significaria ali. Era algo que nunca tinha acontecido.

Sempre era um dominante. Entrava sozinho e, quando saía acompanhado, a mulher vinha atrás de

mim. Quem me conhecia ia estranhar. Principalmente Fernanda. Mas não podia deixar Angie como uma

simples submissa. Eu tinha prometido cuidar dela ali e era o que faria.

No salão tocava uma música gótica, de Ordo Rosario. Pessoas circulavam. Havia muito rosto

novo ali, desconhecido, significando que convites haviam se estendido a outras pessoas, para

conhecerem o clube. Como sempre, o preto, roupas e vinil e couro, era o que predominava. Muitas

pessoas me cumprimentaram, todas olhando curiosas para Angie.

Alguns dançavam, outros se espalhavam nas mesas bebendo e consumindo, outros ainda no

bar. O palco estava vazio e não havia sinal de Fernanda. Eu esqueci o meu papel de dominante ali,

cercado de olhares pidões de submissas. Agi como um visitante, relaxado, acompanhado. Sei que

muitos poderiam estranhar, principalmente outro Dom, que geralmente eram como reis naquele lugar.

Mas nunca me importei com a opinião dos outros. Eu fazia o que tinha vontade, o que achava certo e

ponto final.

Levei Angie ao bar, onde sentamos e pedi duas cervejas. Naquela noite o barman era Charles,

que me cumprimentou e olhou para Angie, talvez tão surpreendido como os outros. Enquanto tomava

um gole da minha cerveja, eu a via olhando em volta.

Notas finais
@WorldOfAlonsoBr @Violeteros_BR beijos Mari