Cuando te vi

12 Não acredito


Notas iniciais
Boa leitura!

¨Ando de vagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais Cada um de nós compõe a sua história E cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz...¨

Angie

Quase não dormi naquela noite. Rolei na cama febril, cheia de amor e desejo, sem poder tirar

German da mente. Recordava milhares e milhares de vezes o seu cheiro, seu gosto, suas mãos, seu

corpo. Gemia baixinho, agoniada. Tinha sido maravilhoso sentir seu corpo musculoso contra o meu, a língua em minha boca, seu membro duro e tão volumoso contra minha vulva encharcada dentro da calcinha.

Se German tivesse me pedido para fazer amor com ele, eu não vacilaria nem por um segundo.

Faria tudo que ele quisesse. Agora eu podia entender porque às vezes as pessoas perdiam a cabeça

quando estavam apaixonadas. Era uma loucura, tão arrebatador e cegante, tão intenso! Tão dolorido

Ao mesmo tempo que me enchia de júbilo, feliz por ter tido aqueles momentos com ele, eu era atacada pelo desespero de saber que estaria privada de estar perto dele. Tudo por que não confiei em meus instintos e namorei, fiquei noiva de Vítor, mesmo sabendo que não era o homem da

minha vida. Se eu tivesse me mantido fiel aos meus sonhos e desejo, poderia encontrá-lo agora e

seria livre. Estaria com German sem empecilhos.

De madrugada eu estava sobre os lençóis amarfanhados, ardendo, precisando tanto de um

alívio para meu corpo febril, tão repleta de pensamentos pecaminosos com German, que quando vi me

tocava, fechando os olhos, imaginando que era ele ali comigo, percorrendo seus dedos longos por

minha pele, beijando minha boca.

Acariciei meus seios sobre a camisola fina, gemendo, sentindo minha vagina ficar molhadinha. Não era imune ao desejo nem ao meu próprio corpo. Já tinha me masturbado antes, sabia qual era a sensação de ter um orgasmo. Mas sempre sozinha. Nunca permiti nada mais íntimo, pois

não suportaria qualquer um me tocando daquele jeito. Mas agora sim eu queria outra pessoa comigo.

German.

Quase podia sentir sua boca na minha. Entreabri os lábios, mergulhando os dedos dentro da

minha calcinha, acariciando devagarzinho meu clitóris. Imagens eróticas de German ali encheram minha

mente e arquejei, fora de mim. Ondulei, queimando, desejando, querendo. Gozei assim, gemendo

baixinho o nome dele, da maneira mais intensa que já tinha conseguido. E depois fiquei lá, deitada na

penumbra, chorando baixinho. Por tudo que eu queria e tinha esperado. E que agora era tirado de

mim. Só consegui dormir muito tempo depois.

Quando acordei, fiz tudo mecanicamente, German em cada um dos meus pensamentos.

Fiquei preocupada, pois não consegui mais falar com Paola desde a noite anterior no Loretta.

Seu celular estava desligado e ela não atendia o telefone domiciliar.

No sábado de manhã resolvi esperar ficar um pouco mais tarde e ir ao apartamento dela,

saber se estava tudo bem. Eu terminava de tomar meu café da manhã quando minha mãe entrou na

cozinha, com olhar azedo em minha direção. Fingi não perceber e, notando que ela estava toda

arrumada, mais do que o normal, perguntei:

– Vai sair?

– Minha amiga me indicou uma cartomante. Disse que é excelente.

– Cartomante? — Pus minha xícara de café-com-leite no pires e olhei-a desconfiada. — Não

sabia que a senhora ia em cartomantes.

– Já fui algumas vezes.

Ela se serviu de café puro e sentou na minha frente.

– Por que vai ler a sua sorte?

– Não vou para mim. É para você.

– Pra mim?

– Você não me explica nada e vive fazendo besteiras ultimamente. Quero saber por que e o

que devo fazer.

– Não deve fazer nada, mamãe. A vida é minha e eu tomo minhas decisões.

– Decisões erradas!

– Para mim, não. E explico muito bem tudo. Já deixei claro um milhão de vezes que não amo

Vítor! O que a senhora não entendeu?

– Amor! Você é tão bobinha! Olha o que o amor fez comigo! Me deixou grávida e sozinha,

com uma filha para criar.

– E a senhora se saiu muito bem!

– Eu também pensava assim. Mas agora vejo a garota fraca e boba, cheia de minhocas na

cabeça, que eu criei!

Fiquei quieta, magoada. Estava cansada daquele estresse, de discutir com minha mãe toda vez

que estávamos no mesmo local.

– Aonde você vai, Angie ? — Ela perguntou com o nariz em pé, ao ver que eu me levantava.

– Sair.

– Pra onde?

– Vou encontrar Paola.

– Ah, aquela lá! Má influência! Sempre te avisei que essa daí não te leva pra lugar nenhum!

– Tá, mãe. — Já fui saindo. Passei rapidamente em meu quarto, peguei minha bolsa e fugi de

casa antes que ela viesse falar mais coisas.

Caminhei até o prédio de Paola, perto do meu. Seu Zé, o porteiro que me conhecia há muito

tempo, me deixou subir sem interfonar para ela. Quando toquei a campainha em sua porta, já era

quase dez horas da manhã.

Não demorou muito e Paola abriu a porta. Fiquei surpresa ao vê-la com a maquiagem

borrada, descalça e com a mesma roupa com que saíra na noite anterior.

– O que houve?

Ela ficou vermelha como um pimentão. Arregalei os olhos, pois eu nunca a tinha visto corar.

– Paola?

– Entre, Angie.

Caminhamos até o sofá e nos sentamos lado a lado. Ela parecia nervosa, evitando meu olhar.

– Não consegui falar com você desde ontem, quando foi levar Vítor em casa. O que

aconteceu? Por que ainda está com essa roupa?

– Acabei de chegar.

– Onde você estava?

Ela passou a mão pelos cabelos, ajeitando-os atrás da orelha. Só então me encarou.

– Na casa do Vítor.

– Na casa do Vítor? — Falei, muito surpresa. — Mas como isso aconteceu?

– Ele estava bêbado e dormiu no carro. Quando chegamos lá, a mãe dele estava muito

preocupada e o acordou com uns esporros dignos de uma lavadeira do morro. Nós o acompanhamos

até o quarto e ele ficou pedindo desculpas, até ela se acalmar. Quando vi que estava tudo bem, eu ia

vir embora. Mas aí ele perguntou se eu não podia ficar e conversar com ele. A mãe dele saiu e eu

fiquei.

Ela passou de novo a mão pelo cabelo e fechou os olhos por um momento.

– Olha, Angie, me desculpa, tá? Foi sem querer.

– O quê? — Franzi o cenho. Por fim, arregalei os olhos. — Não acredito!

– Que merda! — Ela enfiou o rosto nas mãos.

– Paola, você e Vítor...

– Nem sei como aconteceu! — Ela se virou pra mim e segurou minhas mãos, nervosa. -

Ficamos sozinhos, ele me agradeceu, pediu desculpas, começou a falar de você, aí eu disse que ele

era um babaca molengão... Esculachei com ele! Quando vi, a gente estava se agarrando em cima da

cama. Ai, que merda!

Fiquei imóvel, encarando seus envergonhados olhos castanho-escuros. Por fim caí para trás

no sofá, rindo às gargalhadas.

– Angie?

Soltei suas mãos para segurar meu estômago, pois eu não conseguia parar de rir.

– Angie, você ficou louca? Hei!

– Ahhhh...

Cheguei a chorar de tanto rir.

– Pare com isso! — Paola começou a rir também. — Angie!

Ela se jogou em cima de mim. Nós nos abraçamos em meio às gargalhadas, até ficarmos

exaustas.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari