Cuando te vi

13 Esquece ela


Notas iniciais
Boa leitura!

A noite é longa O dia sem graça Eu já fiz de tudo

A saudade não passa Cadê o mundo Que eu vivia E você carregou?

– Meu Deus do céu! — Murmurei, enxugando os olhos. — Você e Vítor! Quem podia imaginar!

– Angie, fiquei com medo que você...

– Pare de besteira! Não tenho mais nada com ele!

Sentamos direito no sofá e segurei novamente as suas mãos. Eu sorria para ela.

– Se você tivesse me dado uma pista que gostava dele.

– Eu não gostava. Quero dizer, já o tinha visto por aí antes de vocês namorarem e dava umas

espiadas nele. Mas depois achei que ele era mesmo mimado, filhinho de papai. Agora ontem... Eu me

aproveitei de um bêbado!

Comecei a rir novamente e ela me empurrou de leve.

– Porra, Angie! Pare com isso!

– Tá. — Respirei fundo. — Conte tudo, anda!

– A gente se beijou, caiu na cama e... bom, o resto você já sabe.

– E depois?

– Acabei dormindo com ele. De manhã o clima ficou estranho. A gente ficou muito sem graça.

E ele me pediu desculpas. Queria que eu jurasse que não ia contar pra você. Como se tivéssemos

segredos uma com a outra! – Balançou a cabeça, irritada. – Sabe o que o idiota disse? Que estava

sem transar um tempão e, bêbado, sofrendo por você, perdeu a cabeça. Mas que aquilo nunca mais ia

acontecer. Que ele a amava e morreria se você nunca mais voltasse para ele.

– Ah, que babaca! – Exclamei, vendo que estava chateada. – No final das contas Vítor é

mesmo bem infantil.

– Angie, você jura que não ficou chateada? Eu nunca me ofereci pra ele! Aconteceu e ...

– Paola, eu nunca devia ter namorado o Vítor. Se ao menos desconfiasse que você gostava

dele ...

– Eu não gosto! Foi sexo! E se quer saber, é um babacão mesmo! Merece um belo chute na

bunda! – Fitou-me. — E com o German?

– Isso é outra conversa. — Suspirei, ainda feliz por ela. — Não vai dar em nada mesmo. Ele

acha que é uma traição com Vítor.

– Quem sabe agora...

– Não. Ele deixou claro, de novo, que não muda de ideia. Aliás, percebi que você pediu pra

ele me dar uma carona só para que eu pudesse ficar um pouco mais perto dele.

– Isso, mas também estava preocupada. Ontem você estava sem carro e fui com o meu para

nos levar pra casa. Viu que eu nem bebi. Não queria te deixar lá sozinha.

– Certo.

– Gostei dele pelo pouco que nos falamos ao telefone. Tem uma voz!

– Ontem nós nos beijamos na boate.

– Sério? – Arregalou os olhos. – Então o negócio é melhor do que pensei! Como foi?

– Maravilhoso. – Suspirei, olhando para minhas mãos. – Mas German disse que nunca mais vai

acontecer.

– Não fique assim. Tudo acaba se ajeitando.

– Estou me sentindo mal, acho que sou uma desalmada, Paola. Por que se German me quisesse,

eu ficaria com ele, mesmo ele sendo quase um irmão de Vítor. – Ergui os olhos, agoniada. – A única

pessoa que pode me impedir de correr atrás de German é ele mesmo.

– Você não é desalmada, pare de dizer besteira. Dê tempo ao tempo.

– É. E ainda mais agora. Sei lá, para Vítor acho que sou apenas um desafio. – Fitei-a. – O fato

de ter ficado com você demonstra isso. Ele não me ama de verdade. Mas essa insistência só atrasa a

vida de todo mundo.

– Angie, os homens podem amar e transar com outras. Foi como ele disse, estava na seca e

bêbado. Tenho consciência que o que rolou foi só sexo. E acho que gosta mesmo de você. – Deus de

ombros, como se não se importasse. Mas eu a conhecia bem demais para saber que, no fundo, estava

magoada.

– Não sei. Essa implicância toda entre vocês dois. Talvez haja muito mais aí.

– Não tem nada. Vamos esquecer esse assunto. É tudo complicado demais!

Concordei com a cabeça. Mas no fundo, eu pensava que Vítor podia seguir o caminho dele e

entender que o que tinha tido entre a gente não ia dar em nada. Talvez assim pudesse ver como Paola

era maravilhosa. Agora eu começava a desconfiar que ela gostava dele e me xingava interiormente

por não ter me dado conta por tanto tempo. E quanto a German, não queria desistir ainda. E sabia que se

uma oportunidade aparecesse, eu a agarraria com unhas e dentes.

German

Eu não acreditei no que minha tia me contava, no sábado quando cheguei à mansão para saber

de Vítor. Eu e ela estávamos na sala, sentados lado a lado no sofá.

– Deixa ver se entendi. Vítor passou a noite com a amiga de Angie, que o trouxe para casa

ontem? Aquela de quem ele não gostava?

– Isso mesmo. – Tia Laurinha acabou sorrindo. – Dá pra entender esse garoto? Passou dias

desesperado pelo fim do noivado e bastou aquela moça bonita ficar no quarto sozinha com ele e os

dois dormiram juntos. Agora está lá no escritório, pondo o trabalho em dia no computador, todo

calado.

– Vou falar com ele.

– Vê se passa um pouco do seu juízo pra ele.

Sorri antes de sair da sala e ir até o escritório. Vítor estava à vontade em um sofá, recostado

e com um notebook apoiado nas pernas.

– Posso entrar?

– German! Claro, cara. – Vítor se sentou direito, fechou o notebook e o pôs na mesinha ao lado.

Parecia abatido.

Sentei na poltrona em frente, já dizendo:

– Vim pra cá preocupado com você, mas tia Laurinha disse que a noite foi realmente boa.

Ele corou e passou a mão pelo cabelo claro e ondulado, um pouco sem graça.

– Cara, ontem foi um dia louco. Acabei bebendo e fui atrás da Angie lá na Lapa. Falei um monte

de besteira. Acho que ela ficou com pena e disse que me traria em casa. Já estava ligando para um

táxi, quando a Paola começou a me dar esporro. Tomou a frente de tudo e quase me arrastou pra fora

do bar.

– Sei disso. Fui até lá atrás de você e a Angieme contou. Falei também com a Paola por

telefone, quando ela estava trazendo você para casa.

– Pois é. German, estou dizendo, foi uma loucura. Ela me levou pro quarto com a minha mãe. As

duas falaram muito e eu prometi que deixaria a Angie em paz. Mas eu precisava conversar e pedi pra

Paola ficar um pouco. Na verdade, eu ainda queria arrumar um jeito de reconquistar a Angie e achei

que ter Paola como aliada era a melhor saída.

Vítor se remexeu no sofá. Quando me olhou, parecia confuso:

– A Paola notou logo minha jogada e me chamou de idiota, molengão, porra, me xingou de

várias coisas. Ela estava exaltada, com o rosto perto do meu e aí, não sei direito o que aconteceu. De

repente fiquei bem consciente que ela tem uma boca linda, de que os seios dela quase encostavam em

mim e quando vi eu a deixava muda com um beijo. Foi muito rápido. De repente ela me agarrava e

beijava também e... aconteceu.

Eu o observava. Estava cabisbaixo.

– Não parece muito feliz.

– E não to mesmo. Aconteceu por que passei meses na seca com a Angie e estava bêbado. Mas

não é Paola que quero. E agora ela vai contar pra Angie e me ferrar de vez. – Ficou pálido. – Que

merda que eu fiz!

Vítor se levantou, passando a mão no cabelo. Se dirigiu até o bar ali perto e pegou uma

garrafinha de cerveja no frigobar.

– Quer uma?

– Quero.

Ele destampou duas, me deu uma e voltou a se sentar tomando um gole da sua. Então me olhou

e tentou explicar:

– Depois que Paola foi embora, fiquei tentando entender tudo o que aconteceu. Cara, ela é um

mulherão, do tipo que sempre gostei. Mas eu amo a Angie. Ela tem um jeitinho especial, doce,

feminina, diferente de todas as mulheres que já conheci. Com ela eu me sinto bem, feliz, seguro. Não

posso desistir do amor da minha vida assim.

– Mas se ela não quer, Vítor, você tem que aceitar.

– Não posso. Preciso fazer alguma coisa. Ainda mais agora, depois desse vacilo com Paola. –

Recostou-se, arrasado.

Fiquei quieto e foi impossível não pensar na noite anterior, com Angie nos meus braços, a voz

dela dizendo que me esperaria, nem que fosse por dez anos. E o desejo absurdo de jogar tudo para o

alto e ficar com ela. Mas agora, vendo Vítor, me dava conta que agi certo. Ele ainda estava ligado

demais nela para aguentar algo assim vindo de mim. Mesmo tendo transado com a melhor amiga dela

na noite anterior.

– Cara, me dá uma ajuda. Fale com a Angie. – Vítor me encarou, como um garoto perdido.

– Ficou louco? – Eu me levantei. – A única coisa que posso fazer é dizer para você aceitar.

Mas como sei que não vai adiantar, só peço que lembre o que uma obsessão pode fazer a uma

pessoa. Minha mãe e Angélica eram assim comigo. E olha o que fizeram. Nunca acaba bem.

– Mas não sou como elas. – Se defendeu.

– Sempre achei que não. Mas cuidado para não passar dos limites. Vou lá, Vítor.

– Tá, cara, vou pensar em tudo.

– Faça isso.

E saí. Talvez fosse melhor ficar o mais distante possível daquela história.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari