Cuando te vi

62 German é meu


Notas iniciais
Boa leitura!

Não me excitei. Antes senti meus olhos se encherem de lágrimas, horrorizada e decepcionada, cheia de ciúme e raiva, por vê-lo bater e transar, por vê-lo em sua essência. A maior parte do tempo

fodeu Fernanda, fez de tudo imaginável com ela, comeu-a em todos os lugares. Eles pareciam se

conhecer bem, perfeitos um para o outro em sua violência. E por último o vi gozar sentado naquela

poltrona, com ela montada sobre ele, abraçando-a forte.

Desliguei o celular e fechei os olhos, arrasada. Senti-me suja e usada, pois tudo que fez

comigo parecia um aperitivo perto daquilo que acabei de ver. O que vivemos pareceu sem

importância, um ato banal de um homem acostumado a transar, ser obedecido, tratar as mulheres

como escravas. Aquele ali era German. E se eu continuasse com ele, era a única coisa que receberia.

Sexo e violência.

Senti uma grande vontade de chorar, mas respirei fundo até me controlar. Quando consegui

certo equilíbrio, saí do reservado e dei direto com Fernanda recostada na pia, esperando por mim no

banheiro vazio. Ela sorriu e disse friamente:

– Gostou do filminho pornô?

Nunca senti tanto ódio na vida. Minha vontade foi a de arrancar aquele sorriso da sua cara

com uns bons tapas. Mas talvez aquela louca gostasse.

– Por que me mandou isso?

– Ora, minha querida, já falei. A hora em que quiser, estamos disponíveis para você. – Seu

olhar percorreu jocosamente meu corpo e lambeu os lábios. – Viu como jogamos juntos. Podemos

amarrar você como fizemos com Adriana. Eu me divertiria um bocado!

Fiquei imóvel, gelada, meu coração parecendo socar meu peito. Fernanda continuou:

– German disse que você é tímida, mas bem gostosinha. Um pouco baunilha ainda, mas sou ótima

em preparar escravinhas.

– Ele falou de mim?

– Não se ofenda. Somos muito íntimos. Me conta tudo. Veja bem, estamos juntos há treze

anos. Não é para qualquer um, sabe? – Seu sorriso se ampliou, mas o olhar continuava o mesmo,

muito frio. – Não sou ciumenta. Até gosto das garotas que ele arruma. Você por exemplo. É uma

graça. Adoraria te foder junto com ele. Mas me preocupo, Angeles. Me preocupo quando ficam

assim, apaixonadas como você. Sofrimento na certa, querida. German é esse aí que viu no vídeo, livre,

puro. Por isso volta sempre pra mim. Por que não o julgo e por que pode ser ele mesmo comigo.

– Todo esse discurso é para deixar claro o meu lugar e o seu na vida do German. Só uma

pergunta, se está tão segura disso, por que se preocupar? Por que está morrendo de ciúmes? – Fui tão

fria quanto ela.

– Ciúmes, eu? Não! – Riu, balançando a cabeça. – Na verdade, como falei antes, também

desejo sua companhia. Para provar, deixo aqui um convite. Que tal sair daqui hoje comigo e com

German? Prometo que não vai se arrepender.

– Obrigada, mas devo recusar. – O ódio me consumia, a ponto de me dificultar a respiração,

mas ergui o queixo, tentei aparentar uma calma que não sentia. – Eu teria que estar muito necessitada

ou louca para transar com você e felizmente não é o caso.

– Ah, Angie ... – Riu, como se eu a divertisse.

Cansada de tudo aquilo, dirigi-me a porta. Mas então senti Fernanda na minha lateral segurar

meu braço com força e me virar para ela. Todo riso tinha sumido. Estava pálida, feroz, furiosa. Seus

olhos malignos sem nenhum disfarce quando me ameaçou:

– Fique longe dele. German é meu.

Surpresa com a mudança, puxei o braço, furiosa também.

– Fique você longe de mim. – E saí daquele inferno.

Não tive condições de voltar à mesa. Saí do restaurante e entrei em meu carro. Lá dentro me

debrucei sobre o volante e comecei a chorar convulsivamente. De dor, raiva, decepção, desespero.

Como eu podia ter me envolvido daquele jeito com um homem como German, que brincava com a

violência, que tinha aquele lado assustador e que carregava aquela bruxa pela vida como uma

maldição? Meu Deus, onde eu havia me enfiado?

Chorei muito. Meu celular começou a tocar e pensei em ignorá-lo, mas sabia que devia ser

Paola, preocupada com minha demora. Enxuguei o rosto, respirei fundo e atendi:

– Angie, pelo amor de Deus, onde você se enfiou?

– Estou indo para casa. Não me senti muito bem, Paola.

– Mas querida, o que ...

– Não posso falar agora, estou dirigindo. Depois explico.

– Mas você está bem?

– Sim.

– Querida, desculpe. Eu sabia que German ia, mas não sabia que levaria aquela mala. Armei

para que ele ficasse com ciúmes de Caio e se desse conta que ...

– Depois a gente se fala, Paola.

– Tá. Jura que me liga?

– Ligo.

– Tchau. Se cuida.

Desliguei e liguei o carro, precisando me afastar o quanto antes daquele lugar.

Eu não me acostumo sem seus beijos

E não sei viver sem seus abraços

Aprendi que pouco tempo é muito

Se estou longe dos seus braços

E por isso eu te procuro tanto

E te telefono a toda hora

Pra dizer mais uma vez "te amo"

Como estou dizendo agora

Faço qualquer coisa nessa vida

Pra ficar um pouco do seu lado

Todo mundo diz que não existe

Ninguém mais apaixonado

Meu amor, você é minha vida

Sua vida eu também sei que sou

Cada vez mais juntos

Quem procura por você

Sabe onde estou

Olha, eu te amo tanto e você sabe

Sou capaz de tudo se preciso

Só pra ver brilhar a todo instante

No seu rosto esse sorriso

German

– Ela disse que se sentiu mal e foi para casa. – Explicou Paola à mesa. Olhou acusadoramente

para Fernanda. – Você a viu no banheiro?

– Não, quando cheguei lá estava vazio. – Deu de ombros, tranquila.

Eu a encarei, perturbado, pensando se Fernanda teria dito algo que fez Angie ir embora. Mas

sorriu para mim, docemente. Irritado, tive certeza que sim. Na mesma hora me levantei.

– Preciso ir também.

– Mas já? – Vítor se surpreendeu. – Gente, o que está acontecendo aqui?

– German... – Fernanda se levantou. Furioso, peguei dinheiro da carteira e pus sobre a mesa.

– Para as contas do restaurante. E para seu táxi, Fernanda

– Mas ... – Arregalou os olhos, empalidecendo. – Como assim, pro táxi? German ...

Sob o olhar atônito de todos, comecei a me afastar. Fernanda não se controlou, dizendo alto

às minhas costas:

– Não acredito que vai atrás dela! German!

Eu a ignorei e segui em frente.

Há pouco mais de duas semanas, quando estive no clube com Fernanda e Adriana, eu tinha

finalmente entendido por que Angie desde o primeiro momento foi tão diferente e especial. Por que eu

amava. Foi difícil me acostumar com essa ideia e depois disso continuei lutando contra meus

sentimentos.

Então Vítor me disse que tinha desistido de vez dela e estava saindo com Paola. Pensei em

procurar Angie. Mas continuei resistindo, pois no fundo sentia medo. Medo de quem eu era e do que

gostava, medo de criar ilusões tanto pra ela quanto para mim e causar sofrimento. A vida inteira fui

de um jeito. Mudar agora era praticamente impossível. E fui deixando o tempo passar, tentando lutar

da maneira que eu sabia.

Saí outras vezes com Fernanda, fui ao clube, joguei pesado. Mas aquele sentimento único não

me deixava aproveitar e curtir como fiz tantas vezes antes, quando me entregava ao BDSM e tinha

prazeres inomináveis. E agora, ao ver Angie de repente, sem esperar, me dei conta que tudo aquilo não

importava mais. Não era o que eu queria, então por que me forçava? Por que torturava a mim

mesmo?

Ainda não tinha todas as respostas. Tinha só uma: Eu amava Angie de uma maneira absurda e

estava sofrendo o diabo longe dela. Eu a queria para mim. E pela primeira vez quis sair da minha

redoma e arriscar.

Peguei o carro e me dirigi para o apartamento dela. Por dentro eu estava muito nervoso, cheio

de dúvidas e inseguranças, como um bebê que dá os primeiros passos. Mas se viver longe dela seria

aquele inferno, se eu me roeria de ciúmes imaginando-a com outro homem, como aconteceu naquela

noite com Caio, eu preferia arriscar tudo. E era o que ia fazer.

Desci do carro em frente ao prédio em que morava e falei com o porteiro, que interfonou para

o apartamento dela. Fiquei aliviado quando me deixou subir. Quando toquei a campainha, não foi

Ana quem me atendeu, mas a mãe dela.

– German Castillo, mas que surpresa! Nem acreditei quando o porteiro avisou que era você. Entre,

meu filho. – Parecia realmente surpresa, seus olhos me fitando de cima a baixo, ansiosa para agradar.

– Desculpe incomodar a essa hora, Isabel. Mas preciso falar com a Angie. – Fui para o meio de

uma sala pequena, mas confortável e feminina, muito agradável. Dava para sentir o calor de Angie ali.

– Olha, ela chegou toda estranha e se trancou no quarto. Vou chamá-la e ...

Notas finais
@WorldOfAlonsoBr @Violeteros_BR beijos Mari