Cuando te vi

10 Fim de relação


Notas iniciais
Boa leitura!

Vem, se eu tiver você no meu prazer Se eu pudesse ficar com você ficar com você todo momento em qualquer lugar

Ah, se no desejo você fosse o amor Durante o frio fosse o calor Na minha lua você fosse o mar

Vem, meu coração se enfeitou de céu Se embebedou na luz do teu olhar Queria tanto ter você aqui

Ah, se teu amor fosse igual ao meu

Minha paixão ia brilhar e eu Completamente ia ser feliz.

Angie

Eu consegui evitar Vítor na segunda e na terça-feira, falando com ele só por telefone para saber como ele estava e inventando desculpas para não vê-lo. Na quarta-feira ele insistiu para nos encontrarmos e disse que o motorista o levaria em minha casa. Acabei prometendo que passaria na

casa dele após o trabalho.Saí às cinco da tarde e fui direto para a casa dele, pegando um trânsito terrível. Fiquei no engarrafamento roendo as unhas e pensando que eu gostaria de esperar ele tirar a tipoia e ficar completamente recuperado para terminar tudo. Mas sabia que não dava mais para inventar desculpas e nem ficar fugindo. Era melhor abrir o jogo com ele naquela noite.

Criei coragem por todo trajeto. Cheguei à mansão decidida, embora consciente que seria difícil.

Vítor já me esperava sentado em um confortável sofazinho na varanda iluminada e se levantou

eufórico ao me ver. Mal entrei na varanda, já com o coração doendo pelo mal que eu lhe causaria, ele veio me abraçar com o braço esquerdo e me beijar na boca.

Retribuí seu abraço, mas virei o rosto de leve e ele beijou minha face.

– Angie? — Ele estranhou. — Não está com saudades?

– Claro. — Afastei-me um pouco, forçando um sorriso. — Como você está?

– Melhor agora, que você está aqui. — Fitou-me com atenção — Aconteceu alguma coisa?

– Por que nós não sentamos? — Fugi de seu olhar e me acomodei na poltrona ao lado do sofá, deixando minha bolsa no colo.

– Você está estranha,Anjinha . O que houve? — Vítor se sentou no sofá, ansioso.

– Vítor, precisamos conversar.

Criei toda coragem do mundo e o olhei nos olhos, que ele apertou de leve. Ficou tenso, quieto. Eu sabia que precisava ser o mais direta possível:

– Tenho pensado muito sobre nós dois. Sempre fui sincera com você. Desde o início do nosso namoro tenho dúvidas. Acho que nos precipitamos ao ficarmos noivos...

– Angie...

– Por favor, Vítor, escute.

– Não estou gostando do seu tom. Nem dessa conversa.

– Desculpe, mas preciso falar. Eu não amo você. Gosto demais de você, quero que seja feliz, mas não posso me casar com você. Nem esticar mais esse relacionamento. Juro que eu não queria que fosse assim, fiz de tudo pra que a gente desse certo, mas não consegui me apaixonar. Quero que sejamos apenas amigos.

Durante todo o tempo ele ficou imóvel, me encarando. Então reagiu, empalidecendo e se inclinando para frente. Disse baixo:

– Você não pode estar falando sério.

– Eu estou, Vítor. Por favor, me perdoe. — Vendo a dor no rosto dele, senti meus olhos enchendo de lágrimas. Mas tentei me controlar e me manter firme.

– Angie, escute, você está confusa, meu bem. Vamos fazer o seguinte: você fica um pouco longe de mim, pensa com calma...

– Já pensei. Não faço outra coisa desde que ficamos juntos. Tentei realmente que funcionasse, mas não dá mais. O que sinto não vai mudar.

– Você está jogando nosso futuro fora por sonhos bobos, infantis. Esse amor fora de série que você espera não existe, Angie. O que existe é o que temos, essa amizade, esse carinho, essa cumplicidade. Podemos ser muito felizes juntos.

– Sim, como amigos.

Eu não podia dizer a ele que o amor fora de série com o qual eu sonhava existia sim e que eu já o encontrara. Independente se daria certo ou não, e eu sabia que não, ele anulava qualquer relação amorosa com outro homem que não fosse German.

– Não posso aceitar. — Vítor se levantou de repente e, com a mão que não estava imobilizada, segurou meu braço e me levantou. Seu rosto muito perto do meu demonstrava desespero. — Você não pode fazer isso comigo, meu amor. Eu posso te fazer feliz! Nos dê só mais uma chance!

– Vítor...

– O que você quer que eu faça?

– Que você aceite. — Tentei puxar meu braço de leve, mas ele me abraçou e encostou o rosto em meu cabelo. — Vítor, por favor. Não quero magoar você, mas nada vai me fazer voltar atrás. Você precisa entender. Por favor!

– Não, Angie. Vamos nos casar, você vai ver.

Consegui afastá-lo. Peguei sua mão, pus nela o anel de noivado que tinha me dado e dei dois passos para trás, arrasada por fazer aquilo com ele, mas sabendo que não tinha outro jeito. Caminhei até a entrada da varanda, com o coração doendo. Respirei fundo e me virei para ele. Vítor estava transtornado.

– Não há mais nada a dizer. Desculpe, mas é isso. Pense com calma e aceite. Espero que você fique bem, Vítor. E que seja muito feliz.

– Angie, não vá...

– Por favor, não implore. Fique com Deus.

Eu não aguentava mais vê-lo daquele jeito. Virei e praticamente corri para meu carro, agradecendo por ele não correr atrás de mim e por me deixar ir.

Felizmente Paola não dava aula de ginástica aquela noite na academia em que trabalhava.

Porque dirigi direto para o apartamento dela na Taquara, que ficava na mesma rua em que eu morava.

Mas eu estava nervosa e não podia ir para casa. Não aguentaria minha mãe naquela noite.

Paola abriu a porta para mim, de banho recém tomado, usando já um pijama curto de seda branca que valorizava o tom bem moreno de sua pele, seu cabelo molhado escorrido até os ombros.

– Entre, Angie. Pelo jeito ele não reagiu bem.

– Eu já esperava isso. — Ao passar por ela, beijei-a no rosto e segui para a sala pequena, que possuía apenas um sofá de três lugares, um rack com tv de led de 32 polegadas, som e home theater.

Me joguei no sofá, largando a bolsa no chão.

– Mas terminou tudo mesmo?

– Sim. Com o tempo, ele vai aceitar e encontrar alguém que realmente o ame.

– Contou para Isabel?

– Ainda não. Deus que me ajude quando eu contar. — Corri os dedos entre os cabelos, afastando a franja da testa e dando um suspiro cansado. Passei o dia todo trabalhando e ainda fui direto conversar com Vítor. Estava exausta, mais emocionalmente do que fisicamente.

– E o German?

Paola sentou ao meu lado e cruzou as pernas longas, malhadas e levemente musculosas. Ela tinha um corpo de arrasar, pois vivia dando aulas de ginástica e dança. Pensei por um momento como Vítor podia ter se interessado por mim na balada, com Paola ao meu lado. Os homens ficavam loucos por ela. Mas então lembrei que os dois se detestaram desde o início.

– O que tem ele?

– E quando ele souber que você e Vítor não estão mais noivos?

– Não vai fazer nada. Simplesmente não vamos mais nos encontrar. Você sabe que ele deixou bem claro que não queria saber dessa atração entre a gente.

–Mas com o tempo, talvez. — Ela segurou minha mão e sorriu de leve. — Que azar, gostar logo

do cara que é como irmão do Vítor!

– O que posso fazer?

– Não fique triste, Gi. As coisas se resolvem quando a gente menos espera.

– Eu sei, Paola, mas é tão estranho. Penso nele o tempo todo. Desde que o conheci, minha vida mudou de cabeça pra baixo. Seria tão fácil se a gente pudesse mandar nos sentimentos! Mas não.

Eu faço o Vítor sofrer e sofro pelo German. Fazer o quê?

– Erguer a cabeça e seguir em frente.

– É. Desculpe vir aqui desabafar de novo, mas precisava me acalmar primeiro antes de ir pra casa.

– Deixe de besteira! A casa é sua e sabe disso!

Ficamos conversando e acabei jantando com Paola. Só voltei para casa depois das dez da noite e felizmente fugi do olhar vigilante da minha mãe.

Dormi muito mal e quando acordei, me sentia ainda mais arrasada. Fiz tudo mecanicamente e

quando saí minha mãe começava a se levantar. Eu sabia que ela perguntaria por Vítor, assim saí logo de casa.

Mal cheguei ao Tribunal e comecei a trabalhar, o meu celular tocou. Era Vítor. Pensei em não atender, mas estava preocupada com ele.

– Oi, Vítor.

– Angie. — A voz dele demonstrava tristeza, dor. — Eu não consegui dormir. Preciso ver você, conversar.

– Eu estou trabalhando. — Falei suavemente. — Vítor, o melhor agora é a gente ficar um tempo afastado.

– Mas não consigo! Por favor, querida, você tem que me dar mais uma chance!

– Escute...

– Eu amo você, Angie. Quero me casar com você! Vou realizar todos os seus sonhos! Pode parar de trabalhar, ter quantos filhos quiser, sair pra dançar, comer todas os doces do mundo. O que você quiser eu faço.

– Olha, eu não quero magoar você. Lamento que esteja sofrendo. Mas acabou, Vítor. É definitivo.

– Mas foi tão de repente! O que aconteceu?

– Não foi de repente. Eu venho pensando há um longo tempo. Você sempre soube que eu tinha

dúvidas.

– Eu estava acabando com suas dúvidas! Pelo amor de Deus, me diga a verdade! Você conheceu alguém, é isso? É alguém aí do trabalho? Da balada? — A voz dele estava cheia de raiva. — É o seu príncipe encantado, Angie? Ele apareceu?

Engoli em seco, apavorada. Neguei rapidamente:

– Não há ninguém, Vítor. É como eu disse antes. Venho pensando muito nisso. Não acho justo continuarmos juntos sem amor.

– Mas eu te amo! E posso fazer você me amar! Me dê mais uma chance, Anjinha! Só mais uma!

– Vítor, não adianta insistir. Por favor, aceite.

– Não posso aceitar isso! É loucura!

– É minha decisão. Nunca foi minha intenção magoar você.

– Mas está magoando! O que posso fazer, me diz?

– Só aceitar. Desculpe, preciso trabalhar, Vítor. Tente entender, por favor.

– Não desligue!

– Vítor ...

– Me escute! Vamos nos encontrar! Eu ...

– Não. Desculpe. Fique com Deus.

Desliguei o celular e fiquei quieta, tentando me acalmar. A culpa me roia por dentro. O telefone tocou de novo e era ele. Pus no silencioso e deixei-o dentro da bolsa. Por fim, retornei ao trabalho. Mas passei o dia todo imersa na tristeza.

Qual não foi o meu susto ao chegar em casa e encontrar Vítor sentado no sofá da sala com minha mãe. Eu deveria ter esperado algo assim.

Terminei de fechar a porta e entrei, sentindo o olhar dos dois sobre mim. O de Vítor era desesperado, implorante. O de minha mãe estava gelado, mas demonstrava também uma raiva mal contida.

– Oi. — Falei baixo, me preparando para o pior. Parei de pé ao lado do sofá, segurando a bolsa com força.

Vítor se levantou, sem tirar os olhos de mim. Tive pena ao ver que estava angustiado, bem diferente do rapaz divertido e sorridente com quem eu me acostumara.

– Angie, eu tinha que falar com você pessoalmente.

– Vítor, não quero mais conversar. Já falei o que era preciso e nada vai me fazer mudar de ideia.

– Você deve estar muito confusa, Angie. — Minha mãe também se levantou e eu a encarei.

Para uma mulher de 45 anos, que vivia se alimentando frugalmente, cuidava do corpo e da pele, e estava sempre arrumada e maquiada, ela estava ligeiramente envelhecida para sua idade.

Tudo devido a constante falta de sorriso em seus lábios, ao seu olhar quase sempre frio e meticuloso como de uma águia, ao seu humor ácido.

Eu a amava e agradecia constantemente por tudo o que fez por mim. Mas eu a temia também.

Procurava não decepcioná-la desde pequena, para não ser alvo de sua gelidez e de seu desprezo, que podiam durar por dias. Evitava confrontos, pois ela sempre dava um jeito de sair vitoriosa, não se importando se me magoava no decorrer do processo. Assim, aprendi a não contrariá-la e ela

aprendeu a esperar que eu sempre fizesse a sua vontade. Só que daquela vez ninguém me obrigaria a fazer o que ela queria. Nem ela, nem o Vítor.

Se ele estava ali e já tinha contado sobre o fim do nosso namoro para minha mãe, na certa

esperava encontrar nela uma aliada. Ele sabia como eu a deixava me dominar.

– Desculpe, mas não estou confusa. Estou cansada. — Olhei para ele com firmeza, magoada por sua jogada. — Não quero conversar agora. Vou repetir que não é minha intenção magoar você, mas não é por isso que vou ficar em sua companhia contra a vontade. Acabou. Uma boa noite para vocês

– Angie... — Vítor começou, se desesperando.

– Angie, volte aqui. Vamos conversar como adultos! O seu noivo...

Eu já havia me virado e estava me dirigindo ao corredor da casa. Voltei-me por um momento e fui bem direta:

– Eu não tenho noivo. E se querem conversar, façam bom proveito. Eu vou descansar.

Deixei-os mudos, enquanto entrava em meu quarto e trancava a porta. Larguei a bolsa no chão

e me joguei de bruços na cama, abafando o choro.

Eu me sentia horrível, má, um monstro. Mas não voltei atrás. Fiz o que era preciso.

Notas finais
Vou fazer um grupo pra leitores de fic de Violetta, quem quer entrar deixa o número. @Violeteros_BR beijos Mari