Cuando te vi
60 Ex noivo/Ex amante
Notas iniciais
Boa leitura!
– Mãe, escute. Como já cansei de dizer, eu e Vítor não temos mais nada. Só contei para que a
senhora entendesse de vez.– Mas a Paola jogou sujo!– Estão felizes, isso que importa.– Claro que está feliz! Aposto que vai dar logo um jeito de prender o rapaz, coisa que vocêdevia ter feito. Deixou-o pelo tal estranho e está agora sozinha. Quem vai morar naquela mansão?Quem vai ser paparicada e ter quantos carros quiser? Não me conformo!Suspirei. Paciente, caminhei até ela e beijei seu rosto.– Acalme-se, dona Isabel. To saindo, ta? Tchau.– Angie, escute. – Segurou minha mão e me fitou nos olhos. – Se você quiser, acho que Vítorainda volta, querida. Mostre a ele que ...– Não. Tchau, mãe.Ficou me olhando sair, sua expressão desolada. Mas agora não se enganaria mais.Fui para a casa de Paola, pois a levaria de carro. Lá no tal restaurante maravilhoso e novo naBarra, encontraríamos Vítor. Eu ainda me sentia incomodada com aquela saída, não tinha nada a versair com eles segurando vela. Mas parece que Vítor tinha uns amigos lá que ela não conhecia e nãoqueria ficar como um peixe fora d’água, daí me carregar junto. Fiz de tudo par não ir, mas Paola nãome deixou em paz até que concordei. Quando dava para ser insistente, o melhor era dizer logo sim oua pessoa acabava doida.Quando entrou no meu carro, linda em um vestidinho vermelho que a deixava um arraso,assoviei e riu toda satisfeita. Olhou minha calça colada e preta com blusinha prateada, quecombinava com grandes argolas, e assoviou também. Pus o carro em movimento, insistindo:– Nada a ver eu sair com vocês. Vítor ainda fica todo sem graça perto de mim e eu também. Eainda vou segurar vela.– Não vai, amiga, terão outras pessoas lá. Além do mais, se ficarem perto um do outro maisvezes, logo esquecem que foram namorados, que ele foi um babaca chato e que atrasou sua vida.Afinal, minha melhor amiga e meu namorado tem que se dar bem.– Que loucura! Quando eu ia imaginar uma coisa dessas. Mas agora não tem mais jeito, né?Vamos lá. Acho que é a primeira sexta-feira que não vamos ao Loretta.– É mesmo! Estamos viciadas naquele lugar.Acabamos rindo e falando de outras coisas.O tal restaurante era uma cobertura de frente para o mar com pista de dança a céu aberto, umgrupo maravilhoso em um palco tocando e cantando músicas nacionais e estrangeiras, decoraçãoalegre, elegante e jovial ao mesmo tempo. Era inauguração do lugar e o dono era amigo de Vítor, por isso ele conseguiu reservar uma das melhores mesas, com vista para a pista e a banda.Pensei que a mesa dele estaria cheia de amigos, mas só havia Vítor e um rapaz moreno muitobonito. Quando chegamos, Vítor se levantou para beijar Paola, ficou meio sem graça sem saber comome cumprimentar e acabou me dando um beijo rápido no rosto. Era realmente constrangedor e pegueiPaola nos observando. Por mais que fingisse que era tudo normal, sabia que também ficava meioincomodada com a situação. Mas como disse, era melhor encarar logo de vez.– Esse é meu amigo, Caio. Minha namorada Paola e nossa amiga, Angie.– Como vai, Paola? – O rapaz beijou-a e se voltou para mim. Tinha belos olhos negros edevia ter uns vinte e seis ou vinte e sete anos. Um gato. Sorriu e me beijou também na face. – É umgrande prazer, Angie. Nunca vi um nome combinar tanto com uma pessoa.– Obrigada ... Eu acho.Sorri também. Nos acomodamos e logo o garçom trazia bebidas para todos. Como estavadirigindo, fiquei só no suco.– Isso aqui é lindo! – Exclamou Paola, animada. – Mais tarde vamos nos acabar na pista, Angie!– É claro!– Gosta de dançar? – Caio puxou assunto, seu olhar bem interessado sondando meu rosto.– Gosto muito.Era simpático e logo conversávamos, nós quatro. O tempo todo eu pensava na loucura deestar ali com Vítor, vendo-o juntinho de Paola, quando há um mês atrás podia jurar que nunca medeixaria em paz. Mas dava graças a Deus por isso.Por um momento sonhei um pouquinho que, em vez de Caio, quem estava ali comigo era German.Afinal, o maior empecilho sempre tinha sido Vítor. E agora não havia mais. Como seria maravilhoso,poder ficar com ele sem nos esconder, sermos um casal de namorados. Claro, era apenas um sonho.No entanto, enquanto a conversa rolava na mesa, eu o vi a certa distância, usando uma camisabranca que o deixava ainda mais maravilhoso. Pisquei, achando que minha vontade foi tão intensaque o materializei. No entanto, quando vi Fernanda ao seu lado, senti como se tomasse um soco eempalideci. Era um pesadelo.Nervosa, com o coração disparado, vi-os se aproximando. Fui engolfada pelo ciúme, pelador, mas acima de tudo pela saudade. Meu Deus, eu não o via há um mês! Trinta dias sofrendo,penando, chorando. Meus olhos o comeram, meu corpo todo quase entrou em combustão, fui invadidapor uma miríade de sentimentos, onde o amor absurdo que sentia por ele era maior que tudo.
German não tinha me visto. Estava ainda mais lindo, como se fosse possível. Respirei fundo etentei me controlar, me recuperar antes que chegasse perto. Olhei desesperada para Paola e, quandome encarou, viu que havia algo errado. Antes que ela perguntasse algo, ergui os olhos novamente efitei os olhos de German, parado ao lado da nossa mesa. Parecia muito surpreso em me ver ali.Nem reparei em Fernanda ou no resto do mundo. Só bebi de sua visão, tão dolorida eapaixonada que senti como se levasse mil socos ao mesmo tempo, bombardeada de todos os lados.Aquela energia forte e densa que nos ligava, nos atraía como um ímã, era perturbadora. E o que mesalvou de ficar lá, estatelada olhando para ele foi Vítor, que se levantou para cumprimentá-los.German teve que se virar para falar com o primo e desviei os olhos, dando com os de Fernanda,frios, cheios de veneno e algo mais maligno, que não entendi bem o que era. Sorria para mim, masera pura falsidade. Eu a ignorei, me concentrando em disfarçar e agir normalmente.Fitei Paola e sua cara de culpada me fez entender que ela sabia o tempo todo que German estariaali hoje e não me dissera nada. Entendi então por que insistira tanto que eu viesse. Me pediudesculpas com o olhar. Ah, ela ouviria muito depois!– Nanda, bom ter você com a gente! – Vítor estava todo animado. – Sentem-se! Acho quetodos aqui se conhecem, né? Lembram-se de Caio? Estava sempre lá em casa.– Claro. Como vai, Caio? – German o apertou a mão dele. Mesmo sem olhá-lo, eu seguia seusmovimentos pelo canto dos olhos. Sua voz grossa, meio rouca, fez meu corpo reagir, acender.– Tudo bem. – Caio e Fernanda se cumprimentaram. E quando German disse meu nome, não tevejeito, tive que encará-lo:– Angie.Como se encara o amor da sua vida, o homem que não saía nem um segundo do seupensamento? Olhando para ele como para um estranho na rua? Sendo obrigada a fingir que eraeducada e estava tudo bem quando só tinha vontade de se encolher e chorar? Como se não doessehorrores vê-lo na companhia da única mulher que dizia amar?– Oi, German, tudo bem? – Sorri e estendi o sorriso à sua acompanhante. Acenei com a cabeça: -Fernanda.– Angeles! Que surpresa! – Sorriu também.Eles se sentaram. German ficou exatamente na minha frente e eu não sabia para onde olhar, aindamais sentindo que seus olhos estavam fixos em mim. Felizmente Caio falou comigo, solícito, e tiveonde me direcionar:– Quer mais um suco?– Não, obrigada. Depois peço outro.– Bom, a mesa está completa! Que tal um vinho? – Indagou Vítor, mais à vontade, seu braçoem volta do ombro de Paola.Enquanto os outros respondiam e brincavam, pensei que ironia a minha. Estava na mesa commeu ex noivo, meu ex amante e agora Caio, que parecia estar interessado em ser alguma coisa meu.Alguém poderia estar em situação mais incômoda? E o pior, sendo obrigada a engolir Fernanda, que mantinha os olhos sobre mim como um águia.
Notas finais
@WorldOfAlonsoBr @Violeteros_BR beijos Mari
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