Cuando te vi

26 E agora?


Notas iniciais
Boa leitura!

Aqui Eu nunca disse que iria ser A pessoa certa pra você

Mas sou eu quem te adora Se fico um tempo sem te procurar

É pra saudade nos aproximar E eu já não vejo a hora

Eu não consigo esconder Certo ou errado, eu quero ter você

Você sabe que eu não sei jogar Não é meu dom representar

Não dá pra disfarçar Eu tento aparentar frieza mas não dá

É como uma represa pronta pra jorrar Querendo iluminar

A estrada, a casa, o quarto onde você está Não dá pra ocultar Algo preso quer sair do meu olhar Atravessar montanhas e te alcançar Tocar o seu olhar Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

German

Eu acordei com o sol iluminando o quarto. Abri os olhos sonolentos e na mesma hora fui

invadido por uma sensação de que havia algo importante naquele dia. Quase que imediatamente

lembrei da noite anterior e busquei Angie na cama. Quando meus olhos deram com ela, senti um baque

por dentro e fiquei imóvel, apenas olhando-a.

Deitada de bruços, com os cabelos longos e castanhos espalhados pelas costas nuas, ela

estava com o rosto virado para o outro lado, uma perna esticada e a outra dobrada, O lençol tinha

descido até os quadris e dava para ver o início de sua bunda redondinha e macia.

A ereção com que acordava toda manhã ficou ainda mais dura. Sensações quentes, lascivas,

percorreram meu corpo. Fui engolfado pelo desejo, mas também por sentimentos que iam além, de

júbilo e alegria, simplesmente pelo fato dela estar ali. Flashes da noite anterior vieram à minha

mente, o modo como seu corpo recebeu o meu, como me senti ao estar dentro dela, a textura de sua

pele e cabelo, seu cheiro delicioso de morango que parecia impregnado em mim.

Fiquei assustado com a intensidade dos meus sentimentos. Por isso lutei contra a vontade de

puxá-la para mim, abrir suas pernas e penetrá-la como eu queria, até me esvair todo dentro dela.

Pulei da cama, ansioso, nervoso. Desde o início eu sabia que Angie era perigosa para mim. Agora

aquilo só se tornava ainda mais patente.

Tomei uma chuveirada rápida, vesti um roupão branco e voltava descalço ao quarto, lutando

para me controlar, quando a campainha tocou. Parei estático. Angie acordou e se moveu na cama,

olhando em volta, se virando. Quando me viu, seus olhos se arregalaram e brilharam. Tardiamente se

deu conta dos seios nus e puxou o lençol para cima, ficando corada, sorrindo um pouco tímida.

A campainha tocou de novo e respirei fundo, pois poucas pessoas eram liberadas pela

recepção para subir direto. E nenhuma delas eu queria que visse Angie ali. Fiquei com medo que

pudesse ser Vítor. Culpa me engolfou, mas não perdi tempo com aquilo. Falei baixo:

– Fique aqui, Angie.

– Tá. – Ela concordou com a cabeça, linda e pura. Tive vontade de ignorar quem quer que

fosse e ir beijá-la. Mas respirei fundo e saí do quarto.

Quando cheguei até a porta da frente, olhei pelo olho mágico e dei com Fernanda. Porra.

Suspirei e abri a porta.

– Oi, querido. Já tomou café da manhã? – Deu-me um beijo nos lábios e entrou no

apartamento, mostrando-me duas sacolas. – Trouxe delícias dessa padaria que tem aqui perto!

Sorriu para mim, linda e jovial em jeans, os cabelos soltos pelos ombros, os olhos verdes

brilhando. Só então fechei a porta. Quando a encarei em silêncio, seu sorriso diminuiu e indagou:

– Hei, aconteceu alguma coisa? Desde ontem você está esquisito. Quando saiu sem se

despedir, fiquei preocupada. German? — Estou acompanhado, Nanda.

– O quê? – Ela arregalou um pouco os olhos, surpresa. – Aqui?

– É, aqui.

– Mas ... Você não traz ninguém aqui! Nenhuma mulher.

– Essa eu trouxe.

– Meu Deus. Não sei nem o que falar. – Parecia pálida, realmente surpresa. Franziu o cenho.

– Pensei que ... Bom, desculpe aparecer assim. É que não tem esse negócio de avisar entre nós dois.

– Claro que não. – Passei a mão pelo cabelo úmido, tanto eu quanto ela desconfortáveis.

Lançou um olhar em direção ao corredor, onde ficava o quarto.

– Por isso estava estranho. Conheceu alguém. E deve ser importante, ou ela não estaria aqui.

Entre nós não havia ciúmes ou cobranças. Por isso me senti mais à vontade, mesmo sabendo

que Fernanda tinha razão e que a única mulher com quem eu transava que deixava frequentar meu

apartamento era ela, por nossa relação antiga e de amizade sincera. Sabíamos tudo um do outro e

percebi seu incômodo, relacionando-o mais ao fato de não ter lhe contado nada do que por ciúme.

– É complicado, Nanda.

– Imagino. – Fitou-me atentamente. – É uma submissa?

– Mais ou menos.

– Como assim?

– Eu a iniciei ontem.

– Complicado mesmo. Baunilha. Deve ser mesmo importante. Posso saber quem é ou é um

segredo? – Mantive-me em silêncio, pensativo. Confiava cegamente em Fernanda, mas algo me

travava. Eu ainda não queria expor Angie. E havia Vítor. Ainda me sentia um traidor. – Tudo bem, não

precisa dizer nada. Vou indo.

Ia se dirigir à porta, mas passou por mim e segurei seu braço. Vi que estava magoada e

acabei abrindo o jogo:

– Eu ia contar a você. É que ainda não entendo bem o que aconteceu. Ela é a ex-noiva do

Vítor.

Fernanda franziu o cenho, estática.

– Fala sério? E ele sabe?

– Não pode nem sonhar.

– German, o que deu em você? É louco por seu primo, sua família ... E sabe que Vítor está

desesperado por causa dela.

Soltei seu braço, irritado por me fazer sentir pior. Fernanda se arrependeu de imediato e me

abraçou — Desculpe. Só tomei um susto. É que não esperava isso.

– Nem eu, Nanda. Mas aconteceu.

– Agora to preocupada. – Acariciou meu rosto e deu um passo para trás. – Você não é de agir

sem pensar. Posso fazer alguma coisa?

– Não.

– Ah, German ... Meu amigo, cuidado. Olha lá onde está se metendo!

– É temporário. E está tudo sob controle. Não se preocupe.

– Certo. Cuide-se, ta bom? E se precisar de mim, sabe onde me encontrar. – Estendeu-me as

sacolas. – Toma, divida o café-da-manhã com ela.

Eu me senti tão culpado, que por um momento tive raiva por ficar com a Angie e ver Fernanda

sair dali bem diferente do que tinha entrado. Ela era importante demais para mim.

– Não. Esse café era nosso. Prometo recompensá-la logo.

– Eu insisto. – Deixou as sacolas sobre o aparador do Hall e suspirou. – Depois a gente se

fala.

– Procuro você ainda hoje.

– Não esquenta. – Beijou meu rosto e abriu a porta.

– Fernanda ...

– Sim? – Virou, quieta, sem sorrir.

– É temporário.

– Eu sei. Sempre é. – Soprou-me um beijo e saiu.

A culpa que senti foi ainda mais forte naquela manhã. Se eu me sentia assim perto de

Fernanda, como seria ao encarar Vítor?

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari