Cuando te vi

6 Completamente apaixonada


Notas iniciais
Boa leitura!

Paola mal aguentava sua vontade de fazer perguntas e no carro falou:

– Acho que vou dormir na sua casa hoje, Angie.

Às vezes uma dormia na casa da outra, principalmente quando queríamos conversar

longamente. Sabendo que ela não sossegaria até saber boa parte daquela história, eu concordei.

Minha mãe não parava de tecer elogios à festa, à mansão, a Vítor e sua família. Por fim

chegamos ao nosso prédio e depois ao nosso pequeno apartamento. Eu a beijei desejando boa noite e

fui para meu quarto com Paola.

Ela se jogou em minha cama e foi só eu fechar a porta para ela me intimar:

– Vamos lá, diga tudo.

– Eu não queria falar nada agora. — Deixei a bolsa sobre a cômoda e me sentei cansadamente

em uma poltrona para soltar as tiras de minhas sandálias. — Estou arrasada. Parece que um caminhão

me atropelou.

– Que caminhão! Angie, que história é essa? O primo do Vítor? Não podia escolher alguém que

não causasse tanto transtorno?

Suspirei, me recostando na poltrona e soprando a franja em minha testa. Olhei pra ela.

– Se eu pudesse escolher...

– Como isso aconteceu?

– Não sei, Paola. Olhei pra ele e fui nocauteada.

– Eu entendo. Ele é um Deus! Mas querida, você precisa entender que isso não é amor à

primeira vista. Às vezes isso acontece, essa química entre duas pessoas que acabam de se conhecer.

Sabe como se resolve? Com beijos, amassos e, se for possível, uma boa foda. E aí passa.

– Pode ser. Mas sei que não é isso. — Descalça, apoiei os pés na poltrona e abracei meus

joelhos. — Há dois meses vi a foto dele na casa do Vítor e me senti... abalada. Não consegui mais tirálo

da mente. Achei que isso acabaria quando eu o conhecesse. Só que foi pior, Paola. Não consegui

tirar os olhos dele. Me senti viva, em chamas, maravilhada. E quando ele me olhou... Meu Deus,

pensei que eu fosse morrer sufocada com as emoções que me atacaram.

– Porra, Angie, só você mesmo pra ser tão romântica! — Ela sentou com as pernas dobradas

embaixo do corpo, sem deixar de me encarar. — Vive falando em encontrar o amor de sua vida. Não

queria nem namorar o Vítor pra esperar esse amor. Até ele sabe disso. E agora, depois de ver esse

cara só uma vez, acha que está apaixonada por ele.

– Eu estou. — Afirmei, pois sentia isso no mais íntimo de mim.

– Como? O que você sabe dele, da personalidade dele? Como alguém pode se apaixonar por

uma pessoa sem saber se ele presta, se é um antipático, ou se gosta de arrotar e peidar na sua frente?

– Todo mundo peida e arrota. Você já cansou de fazer isso na minha frente.

– Ah, esquece. Você entendeu!

Sim, eu tinha entendido. Lembrei de Vítor falando dos desejos diferentes dele, seu

relacionamento com Fernanda, seus problemas do passado. Havia muita coisa na vida dele que

poderia me assustar, mas nada impedia aquele sentimento avassalador dentro de mim, que me

consumia tão completamente que eu me sentia toda dele.

– Paola, não o conheço mesmo. Mas independente de qualquer coisa, sei o que estou sentindo.

É a coisa mais intensa e absurda do mundo, mas eu duvido que eu sinta novamente por outro homem.

– Mordi meus lábios, pois eu queria falar muito, mas nada poderia descrever os meus sentimentos.

Paola correu os dedos entre os cabelos quase negros.

– Você sabe onde está se metendo?

– Não estou me metendo em lugar nenhum. Vou terminar com o Vítor e ficar na minha. Sei que

German não vai querer nada com a ex-namorada do primo. Eles se amam como irmãos. É tudo

complicado demais e não sou eu que vou causar problemas pra eles. Mas sei o que sinto e sei que

não posso mais ficar com Vítor me sentindo assim.

– Tá. E ele, o tal German? Ele percebeu alguma coisa?

– Ele não sabia que eu era noiva do Vítor. Viu que eu estava encarando-o e veio na minha

direção. Mas aí o Vítor apareceu e nos apresentou.

– Que merda! E aí?

– Foi terrível! — Engoli em seco.- Ele ficou me olhando de um jeito quase acusador, com raiva

mal disfarçada. Me chamou pra dançar e deixou claro que me achava uma garota à toa, que

paquerava os homens nas costas do noivo. Disse até que eu estava comendo-o com os olhos! Quase

morri de vergonha!

Paola me fitava com olhos arregalados. Por fim, caiu na risada.

– Meu Deus, que loucura! Você, a doce e tímida Angie comendo o primo do noivo com os

olhos!

– Não sei onde está a graça. — Reclamei, encarando-a. — O pior de tudo é que ele tinha razão.

Só não sabia que era a primeira vez que eu fazia isso.

– Ah, Angie! Onde você foi se meter! Tem certeza que vai se separar do Vítor? Ele vai ficar

arrasado!

– Pensei que você o achasse mimado e filhinho de mamãe. Que ia gostar quando eu me

separasse dele.

– Eu acho isso mesmo. Mas o cara quer se casar com você. Fez de tudo pra te conquistar.

–Sei disso. Juro que não queria magoá-lo, Paola. Mas não posso levar isso adiante, entende?

– Sim. Acha que não tem mesmo uma chance com o German, talvez quando a poeira baixar?

– Ele me disse para esquecer o que quer que eu tenha sentido por ele e que nunca magoaria o

primo. Talvez depois eu nem o veja mais. Isso já me faz sofrer agora, mas não quero me sentir assim.

Foi muita coisa acontecendo de uma vez. Preciso agir com calma, para fazer tudo certo.

– É, querida, que enrascada! — Ela balançou a cabeça. — Sabe que pode contar comigo, não é?

– Sei. Vou precisar do seu ombro para chorar. — Sorri pra ela. — Só guarde segredo por

enquanto. Minha mãe vai ficar revoltada quando souber que me separei de Vítor.

– Revoltada é pouco. O sonho dela sempre foi te ver casada com um partidão. Vítor era

melhor do que a encomenda. Ela não vai te perdoar.

– Não quero nem pensar nisso agora. — Eu me levantei, cansada. — Preciso tomar um banho e

relaxar um pouco.

– Angie, só mais uma coisa. Pense bem no que vai fazer. Esse seu jeito sonhador pode

atrapalhar a sua vida.

– Não é mais um sonho, Paola. Agora é realidade. — Afirmei com certeza. Pela primeira vez

na vida, eu me sentia realmente viva.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari