Cuando te vi

33 Ciúmes


Notas iniciais
Boa leitura!

Ouvi dizer que são milagres Noites com sol Mas hoje eu sei não são miragens Noites com sol Posso entender o que diz a rosa Ao rouxinol Peço um amor que me conceda Noites com sol Onde só tem o breu Vem me trazer o sol Vem me trazer amor Pode abrir a janela Noites com sol e neblina Deixa rolar nas retinas Deixa entrar o sol Livre será se não te prendem

Constelações Então verás que não se vendem Ilusões Vem que eu estou tão só Vamos fazer amor Vem me trazer o sol

Vem me livrar do abandono Meu coração não tem dono

Vem me aquecer nesse outono Deixa o sol entrar Pode abrir a janela Noites com sol são mais belas Certas canções são eternas Deixa o sol entrar.

German

Eu estava andando pelo corredor da Santa Casa, discutindo com um médico residente o

tratamento mais adequado para um paciente após uma intervenção cirúrgica para tratar uma lesão

vascular intracraniana causada por aneurisma, quando vi Fernanda vir na minha direção, do setor de Dermatologia, onde atendia. Nem sempre nossos horários coincidiam e tínhamos ficado a semana

toda sem nos ver.

– Depois continuamos. – Avisei ao rapaz, ávido por aprender sempre mais e que tinha me

acompanhado naquela cirurgia em questão. Despedi-me dele e parei em frente à Fernanda, beijando

seu rosto. – E aí, tudo bem?

– Tudo Ok, German. – Com os cabelos presos e o rosto maquiado sempre impecável, sorriu para

mim. – E você? Senti saudades.

– Eu também.

– Vai ao clube hoje? Pensei que pudéssemos nos encontrar lá.

Eu fiquei calado, incomodado. Era sexta-feira e desde quarta pela manhã, quando Angie foi

trabalhar, eu não a via. Tinha planejado procurá-la hoje à noite, passar o sábado com ela. Como me

conhecia bem, Fernanda observou-me com atenção e completou:

– Deixa pra lá. Já vi que tem compromisso.

– Foi uma semana corrida, Nanda.

– Ainda está se encontrando com ela? – Perguntou diretamente. Parecia serena, até fria. Mas

eu a conhecia bem demais para perceber que estava um pouco magoada por ser deixada de lado uma

segunda vez.

– Sim, estou.

– Certo.

– Nanda ...

– German, não to cobrando nada. Foi só uma pergunta. – Analisou-me com os olhos e então

sorriu. – Você não vai virar baunilha, não é?

– Acha que isso é possível? – Ergui uma sobrancelha.

– Nunca! Se a está iniciando, por que não a leva no clube e me apresenta devidamente? Quem

sabe podemos nos divertir juntos. Sabe que algumas de suas subs bem que gostaram.

Sim, algumas mulheres tinham ido para a cama comigo e com Fernanda. Mas por algum

motivo, pensar aquilo com Angie parecia quase um sacrilégio e me incomodou profundamente. Eu me

sentia estranhamente possessivo com ela. Mas para não chatear minha amiga ainda mais, fui evasivo:

– Vamos ver como as coisas ficam primeiro. Tudo é novidade para ela.

– Imagino. Vítor é bem tradicional, na cama deve ser a mesma coisa. E você não tem nada de

tradicional. Já até vejo como está, primeiro assustada, depois viciada em você, como elas sempre

ficam. Quem manda ser gostoso?

– Pare de besteira.

– Mas é verdade. Ela transou com Vítor por quanto tempo?

Passei a mão pelo cabelo. Sempre contei tudo a Nanda. Não tínhamos segredos. Mas Angie era diferente. Sentia quase uma necessidade de mantê-la só para mim, até o que se referia a ela. Mas

novamente não podia dizer aquilo a Fernanda. Ela não entenderia. E estava acostumado demais a ser

sincero com ela para começar e mentir agora.

– Eles não transavam.

– Não? – Analisou-me, surpresa. – Não eram noivos?

– Eram.

– Mas por que não? – Arregalou os olhos. – Não acredito! Virgem?

– Sim.

– E você ... Você foi o primeiro? – Fernanda parecia chocada, até empalideceu. – German ...

Sempre disse que virgens não eram para você. Fugia delas. O que ...

– Ficamos atraídos e aconteceu, Nanda.

– Já estou ficando preocupada com essa história. Você está diferente. – Aproximou-se mais,

buscando meu olhar. – Tá a fim dela?

– Claro que estou, ou não transaria com ela. – Fui seco.

– Entende o que digo, não se faça de bobo. Sempre disse que não se apaixonaria, mas agora ...

– Não estou apaixonado. É sexo, tesão. Sabe o que é isso.

– Levou-a ao seu apartamento. Tirou a virgindade dela. Mesmo sabendo que foi noiva de

Vítor e sei o quanto o adora como um irmão. Não faria tudo isso só por tesão. Tesão pode ter por

qualquer mulher gostosa. – Falou friamente, mas com os olhos verdes brilhando.

– Já falei que é só isso. – Olhei em volta do corredor, irritado. Pessoas passavam a nossa

volta. Encarei-a de novo. – Aqui não é lugar para discutirmos isso.

– Ah, então há o que ser discutido?

– Quer me provocar? Tá a fim de arrumar briga?

– Não, só quero entender. Fiquei chocada agora! Nem pela Angélica vi você assim!

– Assim como? – Odiava quando insistia em um assunto até me tirar do sério.

– German, não minta para mim.

– Não to mentindo, porra! – Baixei o tom de voz, exasperado.

– Então é só sexo? Certo. Se é assim, leve-a no clube hoje. Use-a lá, como fez com as outras.

– Não preciso provar nada.

– Eu sabia. – Deu um passo para trás, pálida, chateada. – Pensei que não houvesse esse tipo

de coisa entre a gente.

– Pare de drama, Fernanda.

– Tchau. Tenha um bom dia. – Passou por mim e se afastou pisando duro. Não a chamei nem a

segui, embora também não quisesse vê-la magoada daquele jeito. Mas estava irritado e tinha me sentido cobrado por ela, posto contra a parede.

Segui meu caminho, suas palavras perturbando-me o resto do dia.

Eu não estava apaixonado por Angie. Tinha sim me sentido atraído por ela desde o primeiro

momento. Mexeu comigo mais do que as outras, mas era só isso. Um tesão, uma atração muito forte.

Que acabaria conforme eu a tivesse. Talvez em menos de um mês. Então cada um seguiria seu

caminho.

Mas continuei perturbado. Eu não a levava ao clube agora, pois não era experiente como as

outras mulheres que tive. Há uma semana atrás ainda era virgem. Já a tinha iniciado na vida sexual de

maneira bruta e até tentei amenizar na terça-feira, para não assustá-la tanto. Me preocupar com aquilo

queria dizer apenas que não era um completo insensível.

Lembrei de terça, quando passou a noite comigo. Depois da primeira transa, fizemos de novo,

bem baunilha. Angie ficou ansiosa, esperando o castigo que prometi. Naquele caso, usei mais uma

dominação psicológica do que física. Não bati nela, não a vendei, nem castiguei. Dormiu nos meus

braços e acordou comigo a chupando, até deixá-la a ponto de gozar. Então sentei

recostado na cama e a fiz ficar por cima, cavalgando em meu pau. O tempo todo senti seu olhar

levemente surpreso, como se esperasse uma mudança brusca de repente. Chupei seus mamilos, disse

pornografias em seu ouvido e a segurei firme. Nem um tapa na bunda. Depois que

gozamos, tomamos banho juntos, entre carícias e afagos, num clima quente e gostoso.

Já estávamos prontos para sair para o trabalho, tomando café juntos, quando Angie indagou:

– Você não disse que não faz sexo baunilha?

– E não faço.

– Mas ontem, tirando a parte da gravata, e hoje ...

Recostei-me na cadeira e sorri, observando-a. Era uma graça, com aquele jeitinho meio

tímido e suave, a pele macia, os olhos grandes e expressivos. Gostava muito de ficar olhando para

ela.

– Mesmo quando foi aparentemente baunilha, você sabia que eu estava transando com você

assim por que eu queria. Podia a qualquer momento amarrar você, bater na sua bunda ou outra coisa.

Muitos dominadores acham que precisam gritar, dar ordens e bater na submissa para mostrar seu

poder. Alguns não admitem de jeito nenhum uma mulher por cima. Não sou assim. Primeiro, acho que

deve ser consensual e prazeroso para ambos. Segundo, pode ser algo mais sutil. Psicológico. Você

nunca vai saber como vou agir. E a dúvida, a espera, deixa-a mais acesa, mais excitada. É um jogo,Angie.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari