Cuando te vi
17 Chicote?
Notas iniciais
Boa leitura!
O casarão ficava em Cosme Velho, ao final de rua pouco movimentada, com casas antigas,
algumas em desuso. Um enorme portão gradeado, cercado por muros imensos que protegiam apropriedade, estava resguardado por seguranças de terno. A cada carro que passava, eles pediam oconvite e só então permitiam a entrada.Quando o carro de Paola se aproximou, ela entregou os convites parecendo muito segura.Mas ao seu lado eu tremia, nervosa. Estávamos prestes a mergulhar em um mundo completamentedesconhecido. E apesar de toda minha coragem e insistência, eu estava apavorada. Quando nosliberaram e o carro de Paola seguiu pelo caminho sinuoso até o casarão antigo, rodeado por plantas eárvores, eu soltei o ar dos pulmões, olhando a tudo muito curiosa.Na porta do casarão havia quatro homens vestidos como carrascos, com manto e capuzmarrom, mal dando para ver seus rostos. Nos receberam e tivemos que sair do carro, um deles iaestacionar e entregou um tíquete à Paola. Dois abriram as portas duplas e pesadas de madeira,indicando-nos o caminho. Percebi que tremia e na mesma hora apertei a mão de Paola.– Quer desistir? – Ela sussurrou.– Não.Subimos os degraus cobertos por um tapete cor de vinho, até um hall espaçoso, onde umenorme lustre era destaque. Não havia nada sexual ali, apenas uma pequena recepção num canto,onde duas moças usando coladas roupas de vinil pretas guardavam casacos, objetos ou uma delassimplesmente nos cumprimentava de cabeça baixa e abria uma outra pesada porta de madeira paranós. Quando passamos por esta, era como entrar em outra época. O salão enorme que nos recebeu,com paredes feitas de pedras, penumbra e iluminação imitando tochas, parecia ter saído dos temposmedievais. Cortinas de veludo cor de vinho, pesadas, escondiam as janelas, tapeçarias cobriamparedes. Uma música de fundo, dramática, gregoriana, tocava alto.Engoli em seco, ainda de mãos dadas com Paola. Olhei em volta, entre assustada e curiosa,vendo as pessoas que passavam nas mais variadas fantasias, espalhando-se em sofás, mesas ecadeiras, encostadas em um palco de frente, ainda vazio. Lancei um olhar para Paola, linda em umasexy fantasia de mulher gato. Parecia de acordo com as napas e vinis pretos que as pessoas usavam.A minha não tinha um tema em si, mas escolhemos por esconder totalmente meu rosto em umamáscara belíssima, cheia de detalhes. No corpo uma blusa cigana preta de cetim, com um corpete porcima, amarrado na frente desde abaixo dos seios até os quadris. Dali descia uma calça colada e botasde cano alto, até quase os joelhos. Meu cabelo caía em uma trança grossa pelas costas.– Quando quiser ir embora é só falar. – Sussurrou Paola, enquanto entrávamos mais no salão– E não fique tão dura. Tente aparentar tranquilidade.– Certo. – Respirei fundo e então passeamos no local.Não estava muito cheio, mas o bastante para poder circular entre os outros sem levantarsuspeitas. Devia ter ali entre cem e duzentas pessoas. Meus olhos, sob a máscara, olhavam tudoavidamente. Já tinha ouvido falar de BDSM, mas ver de perto, sentir o clima, era muito diferente dequalquer coisa que já experimentei.Bem à nossa frente havia uma mulher com uma máscara de vinil que tapava toda sua cabeça ecabelo, deixando de fora boca, nariz e olhos. Ela circulava com uma roupa colada e botas de salto,segurando a coleira de um homem que a seguia, com uma venda vermelha sobre os olhos, nu edescalço. Era bonito, jovem, com pele clara.Sem que eu pudesse evitar, olhei-os avidamente, surpresa, sentindo o sangue correr maisrápido nas veias. Era a primeira vez que via pessoalmente um homem nu e meu olhar percorreu seucorpo. O pênis ereto e pequeno, os braços cruzados nas costas, a cabeça baixa enquanto seguia suadona de forma submissa. A mulher nos lançou um olhar e seguiu em frente.Pelo meio do salão, diversas cenas me atingiram de uma vez. E enquanto Paola me puxava emdireção a um bar, olhei em volta tentando disfarçar meu espanto e algo mais, que se revolvia dentrode mim, deixava todos os meus sentidos em alerta.Contornamos um homem que estava de quatro no chão, no meio do salão, cercado por outrohomem e uma mulher. Ele usando roupas de couro como roqueiro e ela parecendo um animejaponesa, uma boneca. Ambos estavam com velas vermelhas e acesas nas mãos e pingavam a ceraquente nas costas do rapaz no chão, que gemia e se mexia, seu rosto espelhando puro prazer e dor.Passamos por uma pista de dança como a que frequentávamos na Lapa, mas ali a coisa erabem diferente. Um homem se mexia ao som da música usando uma máscara contra gás lacrimogêneoe era tão musculoso que assustava. Outro tinha o rosto todo coberto por vinil, com buracos apenaspara ver e respirar. Uma morena de viúva negra, com véu preto sobre os olhos, dançava com outra,esta usando uma roupa de camponesa medieval, ambas animadas e sensuais.
Sentadas na beira do palco em frente, duas mulheres com fantasias de couro preto e vermelho,estendiam seus pés e um escravo seminu, ajoelhado perante elas, que os beijava, chupava seus dedos,se fartava adorando-os. Uma delas sorria satisfeita, a outra parecia xingá-lo, chutando-oocasionalmente.Havia uma infinidade de fantasias ali, mas todas em estilo ou medieval ou de napa, couro evinil, muitas máscaras. Paramos no bar e Paola foi pedindo logo duas cervejas em garrafinha. Senteiem um dos bancos, mas meu olhar circulava entre todas aquelas pessoas, buscando somente uma:German. Mas ele não estava em lugar nenhum.– Novas aqui? – Indagou o barman, com boina, colete aberto e calça colada preta. Era bonitão, grande, com cabelos castanhos e lisos até os ombros.– Sim, viemos como convidadas. – Esclareceu Paola com um sorriso.– Espero que gostem. – Ele sorriu, simpático, enquanto retribuíamos. – O clube conta comsócios fixos, que devem ser uns duzentos e poucos. Mas os convidados são cada vez maiores, muitosvem, gostam e se tornam sócios também. Atualmente este é o maior clube do Rio de Janeiro. Secontinuar bombando assim, vai ultrapassar os de São Paulo e se tornar o maior do Brasil.– É muito interessante. – Concordou Paola. – E tem outros ambientes?– Claro! As salas de tortura, de jogos, de podolatria, de voyerismo, os quartos particulares, ascelas e, é claro, a masmorra. – Explicou, se debruçando sobre o balcão, olhando dela para mim. –Vocês formam um casal?– Sim, estamos tentando. Ela é minha submissa. – Disse Paola, com a maior cara de pau,tomando um gole da sua cerveja. Lancei um olhar a ela e tive vontade de rir, mas apenas baixei osolhos.– Qual dos sócios convidou vocês? – Ele perguntou.Fiquei sem ação. Mas Paola disse rapidamente:– German.– Ah, German, o doutor. – Ele concordou. Paola trocou um rápido olhar comigo, aproveitou adeixa e indagou:– Será que ele já chegou?– Não vi por aqui. Acho que estava na Alemanha e desde que voltou ainda não apareceu. Nemsei se vem hoje.– Ele disse que viria. – Mentiu Paola.– Então vem.Uma mulher que estava sentada no bar ao nosso lado e que, aparentemente escutara aconversa, virou-se para nós e disse ansiosa:– Ah, vocês o conhecem? Meu Deus, não sabia que ele tinha voltado de viagem! – Erapequena e bonita, usando cinta-liga, conjunto de calcinha e sutiã minúsculo e vermelho e meia-calçada mesma cor. Seus cabelos claros caíam em cachos soltos e usava uma meia máscara púrpura. –Sempre quis ser escrava dele.– Verdade? – Na mesma hora Paola deu-lhe atenção. – Por quê?– Por quê? – Ela arregalou os olhos escuros dentro da máscara. – Ele é demais! Fico aquibabando com as sessões dele! E é tão lindo! Quando usa aquele chicote ... Ah ...– Chicote? – Murmurei.– Nunca viu? – Ela se aproximou mais, excitada, falando baixo. – Tem alguns dominadores aqui, mas não como ele. É tudo de bom! Com os chicotes e o bondage, não tem igual!
Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari
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