Cuando te vi

8 Amor proibido


Notas iniciais
Boa leitura!

Gosto de ficar te olhando

Passo o tempo imaginando

Teu modo de amar

Toda vez que eu te vejo eu te quero e te desejo não dá pra disfarçar... Eu preciso dar um jeito nessa paixão guardada dentro do meu peito tenho amor demais pra dar

Angie

Eu havia escolhido um lugar público para almoçar com Vítor e conversar com ele. Em casa

minha mãe não me deixaria em paz. E eu precisava falar com ele, pois depois que eu tomava uma

decisão não conseguia pensar em outra coisa até ter tudo resolvido.

A pressa em encontrar Vítor não era para eu ser logo livre e correr atrás de German. Eu não faria aquilo, embora fosse o meu desejo mais profundo. Eu só não queria mais me sentir culpada, como se eu estivesse enganando Vítor e atrapalhando sua vida. Me arrependia muito por ter dado

tantas esperanças a ele e sabia que a conversa não seria fácil, mas estava decidida a resolver da melhor maneira possível.

O garçom se aproximou da minha mesa, para ver se eu queria mais um suco ou fazer o pedido. Disse que não, já preocupada com Vítor. Ele deveria ter chegado há muito tempo e não era de se atrasar. Não atendeu também o celular, quando liguei alguns minutos atrás.

Enrolei meu rabo de cavalo com o dedo, pensando se haveria algum engarrafamento entre o Alto da Boa Vista e aquele restaurante no Recreio, de frente para o mar. Talvez fosse isso.

Aproveitei que minha mãe não estava por perto e roí a unha do polegar, ansiosa. Meu estômago estava embrulhado e eu não sabia como poderia almoçar com tantas palavras que o

magoariam entaladas na minha garganta. Nunca namorei e nunca precisei desmanchar um namoro.

Antes mesmo de começar eu já queria terminar e correr para minha casa.

Fitei meu pequeno relógio de pulso e olhei em volta novamente, esperando que Vítor chegasse logo. Qual não foi a minha surpresa ao ver quem acabava de entrar no restaurante. Meu coração deu um salto e disparou como um louco. Arregalei os olhos, sem acreditar.

German estava na entrada, olhando ao redor com atenção. Alto, espetacular, com seus cabelos

negros despenteados, ele me fez engolir em seco, prestes a ter um ataque cardíaco. Todo meu corpo

reagiu, quase que entrando em combustão instantânea. Fiquei imóvel, sem conseguir tirar os olhos

dele. Deus, o que ele estava fazendo ali?

Ele estava de tirar o fôlego usando uma calça jeans que marcava seus quadris estreitos e as

coxas musculosas. A blusa num tom goiaba, de malha, marcava seu abdome definido, seu peito forte

e os ombros largos. Moreno, com aquele rosto másculo e aqueles profundos olhos azuis, ele parecia

um modelo de perfeição masculina e de sensualidade.

Seu olhar finalmente encontrou o meu. Me senti acuada, como uma presa imobilizada por seu caçador. Nem me mexi na cadeira. Nem respirei. Um frio esquisito inundou meu estômago quando ele caminhou decidido em minha direção.

German parou ao lado da minha mesa, sem tirar aqueles olhos quase violetas dos meus. Moveu de leve a cabeça e cumprimentou-me bem sério, com o semblante fechado:

– Angie.

Engoli de novo, tentando me tornar coerente. Consegui balançar a cabeça de leve e murmurar:

– Oi.

Era estranho ele estar ali. Eu tinha que perguntar o porquê, mas minha língua parecia pesada, lenta.

Vítor. Lembrei que era Vítor quem deveria estar ali. Por fim reagi:

– Aconteceu alguma coisa?

– Vítor não poderá vir e pediu que eu viesse te avisar. Ele ficou com medo de falar com você por telefone e te assustar.

– Assustar?

German parecia muito controlado. Mas percebi que seu maxilar estava cerrado. Ele relaxou um pouco e falou com calma:

– Ele estava vindo pra cá e sofreu um acidente de carro.

– Meu Deus! — Levantei de supetão, empalidecendo, vacilando um pouco.

– Calma, ele está bem. Não foi nada. — German me amparou, segurando meu braço. Ficamos imóveis, pois uma corrente elétrica pareceu nos envolver. Respirei fundo:

– Jura? Ele não se machucou?

– Está com um galo na cabeça e um braço machucado, mas de resto está bem. Já estava saindo

do hospital com seus pais e indo pra casa, quando vim pra cá.

– Certo. — Aliviada, fiquei mais firme e devagar ele me soltou. — Quero vê-lo.

– Levo você.

– Não, eu estou de carro.

– Mas não parece em condições de dirigir. Vítor estava com medo de dar a notícia para você por telefone, você ficar nervosa e dirigir assim. Por isso estou aqui. Depois trago-a de volta para buscar seu carro.

– Tá. — Virei para pegar minha bolsa. Antes que eu me adiantasse muito, German já chamava o

garçom e se antecipava para pagar o meu suco. — Não, eu pago.

Ele nem me olhou. Resolveu com o garçom e voltou até mim. Parecia ainda mais alto naquele dia, talvez porque hoje eu estivesse usando sandálias rasteiras. Senti-me pequena ao seu lado.

– Vamos?

– Sim. Obrigada.

Saímos do restaurante e fomos em direção ao estacionamento. O carro dele era enorme, preto

reluzente, um quatro por quatro importado, com vidro fumê, lindo. German abriu a porta pra mim e esperou que eu me acomodasse, então fechou a porta e deu a volta para o lugar do motorista. Pus a bolsa no colo e atei o cinto de segurança automaticamente.German sentou ao meu lado e bateu a porta. Enquanto ele colocava seu cinto, fiquei bem quieta,

ciente de que estávamos sozinhos ali dentro. Cruzei os dedos no colo, pois eles tremiam.

– Tudo bem, Angie?

– Sim. — A voz dele, rouca e grossa, dizendo meu nome, fez um arrepio percorrer minha espinha. Enquanto ele ligava o carro, o ar condicionado e saía dirigindo com atenção, eu tentei controlar meus sentimentos em polvorosa e pensar com clareza. Consegui perguntar quase que com

aparente calma: — Como o acidente aconteceu?

– Foi culpa do Vítor. Disse que estava com pressa, se distraiu e passou o sinal vermelho. Um carro bateu na sua lateral, bem do lado dele. A sorte é que o outro motorista não estava correndo e conseguiu frear um pouco.

– Deus do céu!

– Poderia ter sido bem pior.

– Vítor costuma ser tão atento. — Incomodada, pensei se aquilo não teria algo a ver comigo.

Talvez ele tenha percebido que algo não ia bem por minha voz no telefone.

Lancei um olhar preocupado a German, mas suas feições não me davam dica do que ele pensava.

Ele estava atento dirigindo e olhei para frente. Mas estava muito consciente dele ao meu lado.

– Vítor não sofreu nada sério mesmo, não é?

– Não. A batida afetou só seu braço, mas também não foi sério. O médico mandou ficar de tipoia por uma semana apenas, nem precisou engessar. Fez exames e está tudo bem.

– E o outro motorista?

– Não sofreu nada.

– Ainda bem.

Fiquei bem quieta do meu lado, procurando respirar normalmente. Mas meu olhar foi atraído

para as mãos dele sobre o volante. Eram grandes e fortes, com dedos longos e firmes de cirurgião.

Seu pulso era grosso, com pelos negros que pareciam macios, subindo por seu antebraço musculoso,

onde algumas veias se destacavam. Imaginei aquelas mãos abrindo a cabeça de uma pessoa, tentando salvar sua vida durante uma cirurgia. E então aquelas mãos na pele de uma mulher, acariciando-a, tocando-a.

Prendi a respiração por um momento, sentindo minha pele formigar. Um desejo quase violento de sentir as mãos dele em mim me engolfou. Imaginei que eu me virava, percorria meus dedos em seu braço, subia por seu ombro, tocava-o em todo lugar. Mordi os lábios para não gemer,

tamanha vontade que me dominou.

– Vítor achou que você aceitaria hoje o seu pedido de casamento.

A voz grossa e dura de German penetrou em minhas fantasias. Deixei o ar escapar e olhei para ele, que voltou seus olhos penetrantes para mim e depois tornou a se concentrar no trânsito. Fiquei surpresa com o que ele disse.

– Ele pensou isso? Acha... Acha que por isso sofreu o acidente?

– Pode ser. Saiu de casa como um louco.

– Eu não queria...

– Você não teve culpa de nada. Vítor é que se precipitou. Posso perguntar se ele tinha razão?

– Não. — Murmurei.

– Não, o quê?

– Ele não tinha razão.

Ficamos em silêncio. A tensão e a atração física parecia tornar o carro mais apertado.

Parecia faltar oxigênio ali dentro.

Pensei o porquê dele querer saber se eu aceitaria ou não o pedido de casamento de Vítor. Ele não deixou claro na festa que nada aconteceria entre nós dois? Talvez ele não fosse tão imune a mim como tentava parecer.

Lembrei de seu olhar me consumindo, antes dele saber que eu era noiva de Vítor. Algo aconteceu entre a gente e não foi só da minha parte. Tanto que ele havia vindo em minha direção, como se fosse me pegar, fazendo com que eu me sentisse perdida por ele. Claro, as coisas mudaram.

Mas talvez a atração ainda fosse recíproca.

Senti vergonha por estar pensando aquelas coisas. Eu ainda era noiva de Vítor. E mesmo depois que tudo terminasse, German não ia querer magoar o primo. Eu não o conhecia bem, mas tinha certeza de que ele não se aproximaria de mim.

Tristeza e raiva me dominaram. Passei toda minha vida esperando aquele homem e quando ele aparecia era proibido pra mim! Por que não ouvi meu coração e terminei com Vítor antes que as coisas se complicassem? E agora, eu deveria me conformar e esquecer? Ao menos tentar esquecer?

O trânsito estava livre e German dirigia bem, com segurança e rapidez, sem provocar medo.

Ficamos quietos um longo tempo. Por fim, tentei diminuir a tensão entre nós puxando assunto:

– E seus tios? Devem ter ficado muito nervosos.

– Muito. Foi um desespero até chegarmos ao hospital, mas felizmente tudo terminou bem.

– É verdade. E você, também se desesperou?

– Claro. Vítor é como um irmão e não quero que nada de ruim aconteça com ele. — Falou secamente. Pensei se aquilo não seria também uma indireta pra mim. — Mas felizmente foi só um susto.

Ficamos novamente em silêncio e achei melhor. Já me sentia sobrecarregada com a presença dele tão perto e precisava de força e concentração para disfarçar, esconder ao máximo os meus sentimentos. Ele também não puxou assunto, mergulhado em seus próprios pensamentos. Mas nem por um segundo me distraí do fato de que ele estava ao meu lado. Com o rabo do olho eu examinava seus movimentos, meus ouvidos estavam atentos a qualquer som que ele fazia ao dirigir e minhas narinas só conseguiam sentir o perfume delicioso dele, que parecia circular no ar entre nós.

Quando chegamos à mansão, German saiu e abriu a porta pra mim. Entramos juntos e seguimos calados e tensos até a enorme e aconchegante sala de estar. Vítor estava lá, sentado em um sofá, com Laurinha ao seu lado e Bernardo acomodado em uma poltrona, tomando um drinque.

Olhei preocupada para Vítor, que tinha o braço direito imobilizado em uma tipoia e um pequeno curativo na testa. Senti um misto de culpa e alívio, pois de resto ele parecia bem. Abriu um enorme sorriso ao me ver e falou:

– Está tudo legal, Anjinha. Estou quase inteiro. Vem aqui. — E estendeu a mão esquerda.

Fui até ele, falando:

– Que susto, Vítor! Está mesmo bem?

– Claro, querida. — E me puxou para seu outro lado, ficando entre mim e sua mãe. Ele me beijou com paixão, mas fiquei vermelha e me afastei um pouco, apenas segurando sua mão e constatando com o olhar que ele estava bem. Suspirei então com alívio e só então cumprimentei os

pais dele.

Inconscientemente busquei German com o olhar. Ele estava imóvel, ainda perto da porta,

olhando pra mim. Então ele fitou Vítor e indagou , bem sério:

– Está sentindo alguma coisa?

– Só um pouco de dor de cabeça, mas mamãe já me deu um remédio.

– O certo era ele ter ficado no hospital em observação — retrucou Laurinha. — Mas quem segura esse menino?

Vítor riu e beijou de leve minha mão.

– Deve estar faminta, não é? Vamos almoçar todos juntos. Quer me dizer algo antes de irmos para a sala de jantar? — Ele ergueu uma sobrancelha, na expectativa.

– Hã? — Tentei ganhar tempo, mas sentia meu rosto esquentando. Balancei a cabeça rapidamente. — Não, nada.

– Pelo telefone fiquei com a impressão de que você tinha urgência em falar comigo.

– Não. — Forcei um sorriso. — Só queria que almoçássemos juntos. Só isso.

– Tudo bem. — Ele pareceu um pouco decepcionado. Olhou para os pais e depois para o primo. – Desculpe German. Acabei atrapalhando também o seu almoço com Fernanda.

– Sem problema.

– Ele vai almoçar conosco. — Disse Laurinha, sorrindo para German com carinho.

– Tia, preciso ir embora. Mal pisei no meu apartamento desde que voltei de viagem.

– Ah, mas só depois do almoço. — Ela fez um afago no cabelo do filho e se levantou. — Vou ver

se já está tudo pronto. E o senhor não sai daqui sem comer. — Esticou-se e deu um beijo na bochecha

de German ao passar por ele.

– No final, tudo terminou bem. — Bernardo também se levantou, levando seu copo de uísque. -

Mas espero que tenha mais cuidado e atenção da próxima vez, rapaz.

– Pode deixar, papai.

– Vou pegar mais um drinque.

– Vou com o senhor, tio. — German mal nos olhou e seguiu o tio para fora da sala.

– Enfim, sós. — Vítor puxou-me de novo para seus braços e me beijou apaixonadamente na boca.

Fiquei sem reação, sentindo a estranha sensação de que aquilo era muito errado, de que eu estava traindo meus sentimentos. Traindo o amor da minha vida. Não consegui corresponder ao beijo. Afastei-me sem brusquidão, mas mesmo assim ele estranhou e me fitou com o cenho franzido.

– O que foi, Angie?

– Desculpe. Acho que ainda estou assustada com tudo que aconteceu.

– Bobinha, estou bem. — Ele me abraçou.

Com a cabeça apoiada em seu ombro, fechei os olhos por um momento. Não poderia terminar o namoro ali, na casa dele, cercada pela família dele e pelo homem que eu desejava. Muito menos com ele tendo acabado de sofrer um acidente. Mas também não poderia esperar muito tempo, pois que outras desculpas eu daria para fugir dele?

– Tem certeza de que não ia me falar nada importante no almoço de hoje?

– Tenho, Vítor. Assim como tenho certeza de que estou morta de fome. — Sorri e fugi do seu abraço. Levantei de um pulo e estendi a mão a ele. — Venha, vamos procurar comida.

– Tá certo! — Vítor pegou minha mão e se levantou bem humorado. — Sabe que tem torta para sobremesa?

– Oh, meu Deus! Então ao menos uma coisa boa sobrou desse acidente! Ainda bem que minha mãe não está aqui.

– Foi o que pensei.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari