Cuando te vi

15 Porra Vítor


Notas iniciais
Boa leitura!

Quem inventou o amor? Me explica por favor Quem inventou o amor? Me explica por favor Enquanto a vida vai e vem Você procura achar alguém Que um dia possa lhe dizer Quero ficar só com você Quem inventou o amor?

German

Eu estava puto com Vítor. Já quase saía da sua casa naquela manhã quando insistiu para que

viéssemos à praia. Eu morava ali perto e achei uma boa. Quando chegamos, eu ia deixar o carro na

garagem do meu prédio e ir dar um mergulho no mar em frente, mas insistiu que seguisse de carro até

o posto nove e ficássemos exatamente naquele quiosque. Agora eu entendia por que. Ele sabia que Angie estaria ali.

Enquanto as três moças me Enquanto as três moças me cercavam cheias de charme, só faltando me morder, se

apresentando, oferecendo tudo, eu continuava atento à Angie sentada mais à frente. Ela estava com o

rosto erguido para Vítor e dizia algo, bem séria. Ao seu lado, um rapaz também parecia um pouco irritado e encarava Vítor com cara de poucos amigos. Duas outras moças à mesa sussurravam entre si, lançando olhares a eles.

Minha vontade foi a de largar Vítor ali e ir embora. Mas algo me alertava que o clima não estava bom. Meu primo tinha vindo calado, preocupado. Angie não parecia disposta a ceder. E o cara ao seu lado parecia a ponto de comprar briga.

Sem que eu pudesse evitar, meus olhos desceram pelos cabelos molhados e compridos de

Angie, que caíam sobre os seios redondos dentro de um pequeno biquíni. Tinha a cintura bem fina, a

barriga lisa, quadris deliciosamente arredondados e pernas bem feitas. Era naturalmente linda e

aquelas duas peças pequenas de lycra pouco deixavam a imaginação. Senti o desejo me percorrer e

lutei ferozmente contra ele.

– Quer dar um mergulho, German? – Disse uma das meninas, uma morena bem fechada e

linda, com cabelos pretos e corpão. Sorria sensualmente para mim, como se quisesse me oferecer

outras coisas.

– Depois.

Naquele momento, uma morena escultural e alta, com longos cabelos castanhos, se aproximou

de nós e me estendeu a mão. Seu olhar era decidido e direto.

– German? É um prazer. Nos falamos ontem no telefone. Paola.

– Oi, Paola. Como vai? – Fitei-a, apertando sua mão. Era um mulherão, toda malhada, linda.

O tipo que Vítor sempre gostou. O que explicava por que acabara na cama com ela.

– Tudo bem. Vem aqui para a mesa. Com licença, meninas. – Segurando ainda minha mão,

levou-me até uma mesa vazia e encheu meu copo com cerveja. Sorriu, comentando: — Não sei se fiz

bem, mas te salvei de três taradas chatinhas que não podem ver homem. Não parecia muito feliz ali

com elas.

– Não estou feliz por ter caído aqui de pára-quedas. Só vi onde Vítor estava me trazendo

quando foi tarde demais.

– Seu primo é um babaca.

– Você tem toda razão. – Concordei, lançando outro olhar para ele e Angie. Me preocupei, pois

ele parecia exaltado. – Que merda!

– Cara, ele tem que deixar a menina em paz! Ela não pode dar um passo que esse chato

aparece no caminho. Vontade de ir lá dar uns sopapos nele! – Desabafou Paola.

– Acho que vai ter que entrar na fila. – Vi Vítor se inclinar para Angie e pegá-la pelo braço.

O rapaz ao lado dela levantou na hora e afastou a mão dele. Angie levantou-se também, um pouco

assustada, mas os dois já se estranhavam. – Porra!

Furioso, fui logo até a mesa deles e Paola me acompanhou. A discussão dos dois já tinha

chamado a atenção de todo mundo. Cheguei no exato momento em que Vítor ia partir para cima do

rapaz e o agarrei por trás, imobilizando seus braços, dizendo muito puto:

– Que merda está fazendo? É pra isso que veio aqui?

– Cara, esse moleque ta me provocando! – Vítor parecia fora de si, tentando se soltar. – Vim

conversar com a Anjinha e ele ficou se metendo! Sempre avisei a ela que esse puto tava a fim dela!

Eu sabia!

– A garota não queria conversa. – Esclareceu o rapaz, nervoso, irritado, pronto para briga.

– German, tenho que falar com ela! – Olhou-a, parando de se debater, ansioso. – Angie, é só uma

conversa! Preciso explicar que ... que ...

Calou-se ao dar com Paola, que o encarava friamente.

– Porra, German , me larga! Já me acalmei!

Angie me olhou, quieta, nervosa. Tive vontade de largar meu primo e cuidar dela. Jogá-la nos

ombros, deixar todo mundo para trás, e sumir dali. Mas soltei Vítor e disse friamente:

– Vamos embora agora. Chega de palhaçada, Vítor. A paciência de todo mundo com você já

acabou há muito tempo.

– Mas ... – Olhou-me, indeciso. – Só queria falar com ela ...

– Você quer conversar com Vítor, Angie? – Encarei-a diretamente.

– Não. – Uma única palavra, firme, sem dúvidas.

Meu primo desabou. Olhou-a desolado e depois para Paola. Corou, na certa sentindo uma

vergonha tardia do papelão que estava fazendo. Por fim, disse baixo:

– Desculpe a todos. Vamos, lá, German. – E se afastou.

As pessoas começaram a falar e cuidar da própria vida. Meu olhar encontrou o de Angie.

– Tudo bem?

– Tudo. – Murmurou.

Por um momento, apenas nos olhamos. Lembrei do beijo na noite anterior, das sensações que

despertou em mim e que estavam ali, sob minha pele, formigando. Fitei seus lábios e o desejo veio

avassalador.

Sabia que uma palavra minha seria o suficiente para fazê-la vir para os meus braços. Mas o

que eu podia fazer, com meu primo ali perto, arrasado? Nada, além de desejá-la com tudo de mim.

Acenei com a cabeça para ela, para Paola e, mesmo contra a vontade, me afastei. Mais uma

vez. Mesmo que minha maior vontade fosse a de ficar. Encontrei Vítor encostado no carro e entrei

sem dar uma palavra. O carro já corria pela rua beirando a praia quando ele disse, por fim:

– Desculpe, cara. Sei que vacilei.

– To cansado do mesmo papo sempre. – Apertei o volante, minha voz fria desmentindo a

raiva que me consumia. – Se quer fazer papel de idiota, faça sozinho. Não me meta no meio. Nem

conte comigo para tirar você das suas enrascadas.

– Eu só queria me explicar com ela e ...

– Não me interessa mais, porra! Aja como homem! Vai ficar chorando, se rastejando,

enchendo o saco da menina?

– Tá, sei que você tem razão. – Passou as mãos pelo cabelo, nervoso. – Todo mundo ta com

raiva de mim. Você, a Angie, a Paola ...

– Culpa de quem? Transou com a garota ontem e hoje corre atrás da amiga dela. Tá pensando

que ela vai achar engraçado?

– Angie foi minha noiva. A Paola ... Cara, foi só sexo!

– Não me interessa mais, Vítor. Me deixa fora disso tudo.

– German, olha, sei que vacilei feio. Tomei uma decisão agora e é sério. Preciso me afastar de

tudo isso, aceitar os fatos, me acalmar. Vou conversar com meu pai e, se ele não se importar, vou

fazer no lugar dele uma viagem de negócios para os EUA e ficar por lá um pouco mais, tirar umas

férias. Aqui eu não estou conseguindo me controlar.

– Ainda bem que percebeu.

– Ele ia na segunda ou na terça. Vou no lugar dele. Talvez volte mais conformado.

Eu não falei nada e Vítor também ficou em silêncio. Mas achei que aquela era a melhor

solução mesmo.

Notas finais
@Violeteros_BR beijos Mari