Csibr - Parte 2

4 Capítulo 4


Eu mesmo coloquei o meu capacete e lentamente minha camisa de manga curta foi ganhando manga longa até os meus pulsos. Minhas mãos foram se adornando com luvas brancas e o azul, que antes era a cor da minha roupa, se tornou branco e por cima de tudo isso foi surgindo um terno preto que se fechou no meio, deixando-o em formato de “X”, ao mesmo tempo em que uma gravata borboleta preta se fechava em meu pescoço. Além disso, minha calça jeans de antes agora era social da mesma cor que o terno e para finalizar o uniforme, sapatos sociais bem mais encerados do que os meus passaram a calçar os meus pés.

Olhei pra mim mesmo: era um legítimo mordomo. Apesar de não haver espelhos por perto, eu sabia que ainda mantinha o meu rosto, já que tinha mandado o pessoal da informática scanear uma foto minha e de toda equipe, justamente para não parecer estranho vê-los com rostos selecionados pelo computador.

O cenário também não era mais o mesmo de antes. A sala de reunião foi ganhando novas características. Estávamos agora em uma luxuosa sala de estar, na qual uma arrumada toalha dourada de seda decorava uma comprida mesa de madeira, rodeada por cadeiras acolchoadas do mesmo material. Em cima dela, uma vasilha de prata continha algumas maçãs, uvas e laranjas. Enquanto observava meus colegas mudarem também, pude ouvir o crepitar de uma lareira à esquerda com fogo alto e vários objetos de valor acima da base de mármore- ia de vasos vazios exóticos a louças de bronze. À direita, um sofá branco de couro foi colocado de frente para a lareira. Varias almofadas de seda estavam em cima dele.

O que mais chamava atenção, no entanto, era um grande retrato preso à parede do meio do recinto, que era iluminado por um requintado lustre preso no meio do teto. Era de uma senhora com cerca de 70 anos de idade, ou melhor, era somente do seu rosto. Estava bem pintado e observava-se em seu pescoço um bonito colar de pérolas. Entre a sala de estar e o outro compartimento, havia uma escada de granito branco, assim como o chão da sala, que dava para o andar de cima. Para complementar a decoração, dois suportes de gesso estavam enfeitados, cada um, com um vaso de orquídeas bem no final do corrimão. Ao olhar de volta para os outros, percebi que todos já estavam “transformados”.

- Ei galera, eu sou um perito avatar! – Paulo exclamou, em seu terno preto aberto, gravata espessa de seda e seu sapato social marrom. Para completar seu figurino, um distinto chapéu de feltro cinza lhe enfeitava a cabeça, a curvatura amassada (intencional) do acessório dava à Paulo um ar mais cafajeste de ser. Ele parecia transbordar excitação com esse tipo de treinamento, pobre homem. Vamos ver quando ele tentar completar o nível 3 de dificuldade.

- Paulo, menos alegria, ok?! – Disse Meg como se estivesse lendo meus pensamentos. Seu vestido era dourado com estampa lisa e de seda, o que valorizava seu busto (não pude deixar de notar). Costa nua, ele lhe caia até o começo dos joelhos, deixando parte da suas pernas à mostra, finalizando com um sapato scarpin bege. Seus cabelos estavam presos com um broche folheado a prata em forma de borboleta. – Vamos ao trabalho logo, antes de virarmos um glee club e sairmos cantando sobre esse treinamento.

As primeiras informações sobre a vítima começaram a aparecer no visor, podia-se ler Senhora idosa, viúva, rica, com alto grau de miopia, utilizava muletas para se locomover e morava com o seu único filho de 25 anos, o mordomo e a empregada.

- Eu vou começar com a biblioteca, se não se importarem – Heather disse. Diferentemente de Meg, Heather estava com um vestido vermelho, que caía até a sua canela, mas era igualmente sofisticado. A alça prendia por todo o pescoço, mas ainda sim era costa nua. Os sapatos, também scarpin, eram pretos e seus cabelos louros estavam soltos, mas com pequenos cachos nas pontas, o que os faziam balançarem menos (mas ainda muito brilhantes). Depois do que disse, saiu rapidamente da sala de estar na qual estávamos e foi pela direita.

- “Eu vou começar com a biblioteca se não se importarem” – Meg imitou Heather com um falsete.

- Meg não tenha ciúmes, eu sou todo seu baby. – disse Paulo, divertindo-se com a situação.

Quase que eu tenho um ataque de ciúme com a proximidade desses dois, se não fosse pela resposta da Megan, eu não sei o que teria feito com o Paulo.

- Cala boca, bobão! –disse ela com seu biquinho parecendo uma criança que não ganhou o brinquedo que pediu no aniversário.

A partir daquele nosso encontro depois do trabalho, as coisas nunca mais foram as mesmas. Pelo menos para mim. É como dizem por aí “Se você divide uma pizza, você divide tudo”.

Naquele dia conversamos sobre família, amigos, gostos e claro, trabalho, mas percebemos que temos uma química interessante, interesses em comum (talvez até um pelo outro... quer dizer... Sei lá). Pelo menos eu senti algo diferente. De fato, quando eu fui levá-la para casa rolou aquela sensação de algo inacabado, sabe? Talvez o fato que ser proibido relacionamentos desse tipo na CSIBR, nos impediu de fazermos “algo mais”, se é que você me entende... Mas voltando para o teste.