Csibr - Parte 2
5 Capítulo 5
Cada um começou a procurar as evidências do jogo, eu fui procurar a Heather, digo, Ms. Branca na biblioteca. Aqui o ambiente era menor que a sala de estar, mas ainda sim era grande. Cerca de seis estantes cheias de livros, dos mais variados gêneros e tamanhos, constituíam o lugar. Uma pequena mesa retangular, com mais alguns livros em cima, estava em um canto e uma poltrona de couro branca no outro davam um ar sério para o recinto. Era mal iluminada, ironicamente, e quando entrei, vi que Heather estava apontando sua lanterna pra a parede, seu rosto era um misto de confusão.
- Parece que houve uma briga aqui – disse ela observando gotas vermelhas na parede
- Então a vítima foi assassinada aqui? – perguntei instigando o pensamento dela.
- Não posso confirmar ainda. Preciso de mais informações. E seria bem mais fácil se pudéssemos fazer um exame de DNA.
- Mais aí que está um dos objetivos do jogo. Descobrir à maneira antiga, utilizar-se da lógica e técnica – apressei-me a dizer tentando evitar um contato mais íntimo com esta subordinada — Preciso ir agora, fique a vontade não vou te atrapalhar mais, pode continuar – falei, indo para um corredor estreito para chegar à cozinha, onde provavelmente Meg estaria.
Aqui era o menor compartimento em que estive até então. Os móveis – geladeira, fogão, estante e pia- pareciam acoplados à parede, o que dava um grande espaço para nós andarmos. Como imaginei a encontrei examinando marcas de sapato no chão, sua concentração era tão extrema que quando ouviu o som da minha voz, se sobressaltou.
- Desculpe, não queria te assustar — disse eu timidamente.
- Sem problemas, estou apenas marcando as marcas de sapato, para poder distingui-las da nossa. E a cozinha é um lugar muito importante dentro de uma casa, sabia?
- Sim, é onde todos têm passagem livre a qualquer hora do dia, principalmente os nossos suspeitos.
- Foi o que pensei também, e já tenho outra evidência na minha maleta, quer ver?
- Claro! – afirmei entusiasmado demais.
- Prova A: um perfex sujo com sangue que foi jogado dentro da lixeira – disse ela mostrando um pacote fechado com um lenço, antes branco agora na cor de um vermelho intenso, dentro.
Neste momento apareceu em nosso visor outra informação sobre a vítima, “A Senhora Applewhite apresenta marcas roxas no corpo, a bacia quebrada e coagulação sanguínea no cérebro”.
- Tenho que ir pra outro lugar, depois a gente se fala – disse Meg encerrando nossa conversa anterior e saiu correndo da cozinha.
- Ta, eu vou atrás do Paulo – disse – Não precisa fugir de mim, pensei.
Encontrei o Paulo ainda na sala de estar, sentado no sofá no meio da sala observando a lareira.
- Você não vai fazer nada Paulo? – perguntei curioso.
- Aqui eu sou o Mr. Black – disse me corrigindo – e não eu não farei nada, eu sou apenas um avatar e esta realidade não acontece no meu dia-a-dia, ou melhor, não acontece sem uma equipe, sem análises laboratoriais e sem você me dizendo o que fazer – desabafou, por fim.
- Mr. Black eu não sou um psicólogo, mas se serve como conselho, eu me levantaria agora desse sofá e procuraria por provas do crime ou então terei que fazer um relatório sobre esse comportamento dependente para os meus superiores.
- Pedro, amigão, você sabe que devemos deixar as mulheres ganharem esse jogo, se é que você me entende. – deu um sorriso cínico.
- Isso não é desculpa pra ser mole Paulo! – disse firmemente ainda que no fundo eu concordasse.
Paulo se aproximou da lareira, havia outro quadro em cima dela- um menor que o da senhora- nele estava pintado uma paisagem. Havia uma bela cachoeira e um casal se beijando em cima de uma toalha de piquenique, uma paisagem maravilhosa, pensei. O Mr. Black pegou um dos atiçadores da lareira e começou a verificar se tinha vestígios de sangue. Não tinha, então, desanimado, resolveu formular teorias sobre o caso.
- Sabe, ela era idosa e só tinha um filho, é claro que o assassino é o filho dela. A Sra. Applewhite foi morta para o filho receber a sua herança mais cedo. – ele falou.
- Eu não posso confirmar sua teoria, ela não tem fundamento nenhum. – declarei.
Neste momento recebemos mais uma informação desta vez sobre o filho, “o Sr. Applewhite trabalha em uma empresa de turismo, viaja muito, e se sente culpado por não passar muito tempo com a sua mãe”.
Logo depois de aparecer a mensagem, ouvimos os passos da Meg e da Heather vindo na nossa direção. O salto alto das duas poderiam furar o chão de tão grande a vontade de chegar até onde eu estava, isto é, se fosse um piso real.
- Conseguimos! Conseguimos! – comemoraram juntas, olhei para o Paulo e vi que estava tão perplexo quanto eu. Algo estranho aconteceu com essas duas, pensei.
- Isso é uma coisa boa? – minha afirmação saiu como uma pergunta.
- Claro! – disse Heather, soando mais como um gritinho de empolgação.
- Então o que vocês descobriram? – dirigi minha pergunta à Meg, torcendo os dedos com medo da reação demonstrada anteriormente pela a Heather.
-Bom – Meg disse timidamente – Você é o assassino.
- Sério? Por quê? – questionei, mesmo sabendo que elas me deram a resposta certa.
-Eu estava na biblioteca, observando as manchas na parede e elas realmente não são gotas de sangue, eu fiz a medição das gotas e corresponde a um cuspe, e se o reagente a sangue não reagiu, logo só pode ser um cuspe de suco – Heather falou com os braços cruzados, agindo como se não se sentisse confortável com a situação constrangedora provocada pelo seu gritinho.
- Depois de falar com você na cozinha e receber a informação de como estava o corpo da vítima, eu presumi que a morte foi conseqüência de uma queda, afinal, a maioria dos idosos se machucam assim. – Meg disse sustentando o olhar em mim.
- E como eu entro na história? – perguntei provocando-a.
- Eu saí correndo para falar com a Heather e ver o que ela achava da minha teoria da queda. Ela concordou comigo e me ajudou a analisar a escada, conseguimos provar que havia sangue em vários degraus da escada e na base, onde o corpo deveria ter sido encontrado. – Meg continuou.
- Encontramos duas pegadas iguais no topo e na base da escada – Heather disse extrovertida outra vez.
- E como eu já tinha reparado, são as mesmas marcas que correspondem ao seu sapato Pedro, e acho que você não subiu esta escada enquanto nos supervisionava,subiu?. – Meg finalizou o raciocínio.
- Hum não... Gostei da hipótese, mas e a arma do crime?
- Não há arma do crime, Pedro – Paulo se meteu na dedução do crime com mais uma de usas teorias.
- Como assim? – lancei — o um olhar descrente sobre a sua interrupção.
- Se você conduz uma velhinha míope e com locomoção prejudicada por uma escada e a larga lá, é bem óbvio no que isso vai resultar. – Paulo falou.
- E o sangue no lenço? – testei a teoria
- Eu acredito que você o usou para limpar seus sapatos – Meg explicou.
- Ok, vocês me convenceram. – disse olhando com orgulho para Meg e Heather – E até você Paulo teve uma pequena participação nisso tudo, sentado aqui embaixo sozinho sem atrapalhar as meninas.
- Obrigado Pedro – Paulo disse sarcasticamente.
- Agora podemos tirar os capacetes – informei para eles.
Tirei o meu, aliviado por voltar ao mundo real, mal acabei de ajeitar minhas roupas quando fui envolto em um abraço e logo percebi que os braços gentis pertenciam a doce Meg.
- Obrigada por tudo! – ela confessou baixinho no meu ouvido. A sala de reunião já em seu estado normal.
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