Csibr

3 Capítulo 3


- Ei Pedro!Desculpa o atraso. – Disse Paulo.

— Estávamos terminando uns hambúrgueres quando recebemos o bipe. – Meg falou.

— Tudo bem pessoal, agora o recreio terminou! Precisamos ajudar esta moça a encontrar a paz. Não quero que ela me assombre porque não encontramos seu atroz — brinquei.

Paulo e Meg se entreolharam trocando pensamentos silenciosos como se não acreditassem que eu pudesse fazer uma piada em um momento de tanta morbidez.

Algumas horas depois o corpo já havia sido levado ao legista e já tínhamos recolhido possíveis evidências. Quando saímos do prédio, o tumulto estava em um nível intenso. Os policiais responsáveis já estavam concedendo as primeiras entrevistas, dando as informações básicas sobre o crime. Um repórter alto e magro se aproximou de nós três, nos perguntando sobre a possível causa do acidente.

- Eu não pretendo afirmar nada, sem antes esclarecer o que deve ser esclarecido- finalizei, enquanto tentávamos ultrapassar pelas pessoas para chegar até o meu carro. – Com quem vocês vieram?- perguntei aos meus ajudantes.

-Viemos de ônibus mesmo, já há rumores de greve inclusive – disse Meg, andando elegantemente.

- Greve? Outra vez?... Ok. Vocês vêm comigo, então. Temos que ir ao laboratório agora- disse, abrindo a porta do carona pra Meg e enquanto Paulo abria a porta de trás disse:

- Pedro você reparou que a frente do seu carro tá amarelo- manga?

- Filho da pu... — comecei.

- Calma, eu tenho uma flanela que remove isso rapidinho- Meg me interrompeu, pegando uma flanela preta e limpando, em uma só passada, toda a mancha amarelada.

- Ahh o que eu faria sem você Meg?- questionei, entrando no carro, mais pra mim mesmo do que pra ela.

- Eu também não sei- ela disse também entrando no veículo.

- Ok, eu realmente não queria atrapalhar esse romance de vocês, mas se vocês pensam que eu vou de ônibus, continuem sonhando- ironizou Paulo, entrando no banco de trás.

- Que romance?!- exclamaram Pedro e Meg juntos.

- Nada, nada. É melhor a gente sair logo daqui- falou Paulo, terminando o assunto- O caso não se resolverá sozinho se continuarmos de papo furado.

Alguns minutos depois, chegamos a nossa unidade de investigação criminal. Diferentemente do edifício que visitamos para o caso, o nosso local de trabalho apresentava um cenário quase que deprimente. Apesar da rua bem iluminada pelos postes, a pintura do prédio, antes totalmente dourada, estava agora descascada. As grandes letras “CSIBR” em bronze, que representavam nosso slogan, antes dispostas com elegância em cima de um pedestal de dois metros de altura na fachada, agora se encontravam pichadas e o “BR” estava torto, como que na iminência de cair. Na calçada, o desenho do mesmo slogan deveria estar estampado no chão de pedra, mas muitas pedras haviam sumido, formando então uma sigla sem sentido para a situação. De fato, há muito tempo que precisávamos de um reforma.

Entrei no estacionamento subterrâneo (apesar do perigo de eventuais roubos de carros, ali, eu tinha me livrado das mangas) e estacionai o carro rapidamente. O lugar estava escuro, saímos do veículo e seguimos direto para o barulhento e inseguro elevador no final do corredor. Fomos para o quarto andar e chegamos a uma sala aparentemente limpa e com pouca luz. Depois de nos sentarmos ao redor de uma mesa desgastada e em cadeiras do mesmo estado, eu quebrei o silêncio:

- Vamos repassar o que encontramos, começando com a Meg.

— Encontrei sêmen no sofá do primeiro andar, recolhi e mandei para análise. — ela disse com um dar de ombros.

— Certo, então ela estava acompanhada, o que confirma que além de ter aberto a porta da sala, provavelmente abriu outras portas também – eu e Paulo começamos a rir, olhei pra Meg e ela nos olhou de volta com um olhar sério. Congelei meu riso e Paulo deu um pigarro, para conter o dele – ou seja, ela provavelmente conhecia o cara – complementei seriamente.

— A porta tem “olho mágico” e trancas, se fosse um estranho ela não abriria a porta. – Meg continuou, olhando ainda seriamente para nós dois.

- Acho que estamos no caminho certo, mas qual seria a motivação do crime? – questionei

— Olha, eu não imagino qual seja a motivação, mas sei qual é a arma do crime. — Paulo disse, revelando-nos uma foto de uma faca de cortar pão, suja com sangue de Isabella e colocando-a na mesa.

-UAU – dissemos eu e Meg juntos, analisando-a.

-Encontrei-a próxima ao jardim, na frente da residência. — Paulo nos contou – As digitais ainda estavam intactas, mandei para análise junto com os vestígios de sangue.

-Muito bom, Paulo- eu disse olhando para o relógio branco pregado na parede. – Já tá ficando tarde. Vamos pensar nas possibilidades do caso nas nossas casas. Reunião encerrada!

Descemos de volta ao subsolo, dei uma carona para Paulo até a parada de ônibus e levei Meg em casa (é no caminho da minha casa ora, não posso ser um cavalheiro?).