Csibr

1 CSI Brasil Belém do Pará


Na cidade de Belém do Pará a violência e o medo tomam conta da população. Não há segurança nem onde antes era considerado intocável e sagrado como, por exemplo, o seu quarto. As pessoas temem sair de suas casas, mas, ao contrário do que se imagina, a maioria dos assassinatos acontece porque as vítimas, de alguma maneira, conhecem o seu assassino e permitem um contato mais íntimo como, por exemplo, entrar no seu quarto.

Naquela noite havia um grande número de policiais e vizinhos curiosos, na Rua 14 de março. O movimento era intenso. As pessoas achatavam-se na bonita fachada do prédio “Heaven”. Nem mesmo as enormes árvores, grandes mangueiras que se postavam nas irregulares calçadas, conseguiam disfarçar a balbúrdia do local. Depois de tantos fatos semelhantes àquele, eu não deveria ter ficado surpreso.

Após estacionar meu carro duas casas depois de onde eu gostaria e justamente embaixo de uma mangueira, desci e fui andando até um grande edifício cinza que se erguia diante das pessoas, tentando ignorar a preocupação crescente de que uma ou outra manga caísse em meu singelo Palio, versão de cinco anos atrás. Velho, eu sei, mas ele não mereceria ficar revestido de amarelo-manga ou, pior, ter seu vidro frontal quebrado por uma. De qualquer forma, continuei andando e percebi que a imprensa tinha acabado de chegar e já tinha se colocado a postos. Câmeras, flashes e microfones eram testados, esperando por qualquer furo de última hora. Nesse ínterim, mais e mais interessados se aproximavam da multidão.

Muitos estavam simplesmente dispostos à grade de ferro que separava a quebradiça calçada do lado de fora do bem arrumado jardim do lado de dentro, onde a grama perfeitamente aparada dava espaço para eventuais círculos de begônias brancas. Entre o jardim, um caminho de pedra serpeava até a luxuosa porta metálica automática. No lado esquerdo, uma cabine branca e quadrada, com uma grande janela transparente frontal, completava o ornamento ao ar livre.

Passei pelos populares com dificuldade até conseguir chegar ao identificador de chamada, instalado na diagonal direita do portão. À exceção da polícia, da perícia criminal e dos moradores de lá, ninguém estava autorizado a entrar. A imprensa já estava apreensiva, cheguei a ouvir um jornalista dizer:

- Ótimo. Parece que ela foi esquartejada! Vai dá uma excelente capa para o caderno policial. Esse mês vamos vender muito...

Apertei o botão do aparelho e uma voz ríspida falou:

- Identifique-se!

- Pedro Borges, da perícia criminal- disse, mostrando meus documentos ao segurança que estava sentado na cabine, cerca de seis metros distante de mim.

Ele saiu de lá e foi até o portão verificar se a minha documentação era coerente. Eu tentei informá-lo que estava apenas tentando fazer o meu trabalho e bla, bla, bla. Ainda assim, só depois de algumas trocas de informações com o seu superior que ele me deixou entrar. Atrás de mim, o tumulto parecia cada vez maior.