Crônicas de Pangaya

3 Capítulo 3 (por enquanto)


Notas iniciais
assim que o 4° capítulo estiver escrito, o cap. 1 2 e 3 serão fundidos em um só

Edgar estava tateando a si mesmo, enquanto Kas lavava o cabelo na pia, tentando tirar os resquícios de sangue seco; “Eu acho… que eu não estou mais esfaqueado…”, Kas subitamente se mexe até Edgar, examinando os talhos no manto, “Hm…”, ele examina de perto a pele de Edgar pelos talhos na camisa e no sobretudo, “Nenhuma cicatriz, nem sequer sinal que algo aconteceu… fascinante…”, ele enxuga o rosto no sobretudo de seu companheiro, que em resposta, o encarou completamente embasbacado, “Vamos, eles já estão nos esperando lá fora”, disse Kas enquanto abria a porta.

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Antes que eles pudessem sair do banheiro, uma confusão de objetos flutuantes passou em alta velocidade pelo corredor, e no olho dessa tempestade, uma pessoa que claramente estava com muita pressa, “Isso vai, isso vai, esse também, esse também…”, Salazar caminhava de um lado para o outro repetindo essas frases para si mesmo, em dado momento, ele agarra a manta que cobria o sofá, que Ajax estava sentado, e a puxa com uma violência quase inumana, jogando Ajax para o chão, ele então cobre os objetos flutuantes com a manta e a amarra bem, e apressadamente passa novamente pela porta do banheiro em direção ao andar de cima.

Ajax olhava meio surpreso, meio achando a situação completamente cômica, e enquanto ele se ajeitava para ficar mais confortável no chão, Kas se aproximou para continuar a conversa.

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Diretamente oposto a porta do banheiro, estava a entrada da cozinha, e sentado em um baquete, Melchior lentamente mastigava um sanduíche; e quando percebeu que Edgar o encarava, ele discretamente tentou abaixar o seu camisão, para cobrir um pouco mais de suas pernas, Edgar nem percebeu isso, e foi direto para a geladeira.

“Então…”, Edgar começou enquanto fuçava a geladeira de cima a baixo, “O que te fez salvar a gente?”, ele lentamente se levanta para encarar Melchior, segurando uma maçã; “C-como assim?”, Melchior parecia assustado, talvez até um pouco embaraçado. Edgar lentamente puxou uma faca de algum lugar da cintura dele, e começa a lentamente descascar a maçã, parecendo estar se concentrando nessa ação, “Por qual motivo, alguém como você…”, ele falou gesticulando com a faca, “”… salvaria os dois criminosos mais procurados do continente?”, Edgar começou a comer a maçã, enquanto encarava Melchior. Nesse momento, foi como se a luz matinal se enfraquecesse, um frio calafrio subiu a espinha de Melchior, seu coração palpitava violentamente no peito, e uma crescente falta de ar o obrigava a hiperventilar, “E-e-eu não sei…”, Melchior gaguejou nervosamente, “… Eu apenas vi duas pessoas feridas, e quis ajudar.”, ele levantou as duas mãos para demonstrar inocência, e após um longo segundo, tudo voltou ao normal, Edgar terminou de comer a maça, limpou a faca, e a guardou de volta na bainha. “Hm, então tá…”.

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O sol já havia subido bastante, indicando que a manhã já estava acabando, e mesmo assim, a pequena vila ainda estava silenciosa, porém o pequeno grupo, que estava do lado de fora da casa, conseguia sentir os olhares raivosos dos moradores através das janelas. Salazar escrevia letras estranhas em um arco ao redor da porta da casinha, enquanto murmurava algo para si mesmo; “O que ele está fazendo?”, Edgar perguntou sussurrando para Melchior, “Runas”, respondeu Melchior, instantaneamente, “Aaaah, sim, sim”, Edgar respondeu acenando a cabeça repetidamente, e então ele se inclinou para Kas, “O que são Runas?”, Kas deu de ombros, “Eu não faço a menor ideia”, Ajax se inclinou para esse grupinho, “Runas eram uma forma rara de canalizar o Arcano, mas as informações são muito escassas além disso”, ele sussurrou em resposta; “E ISSO É TUDO QUE VOCÊS PRECISAM SABER!”, Salazar falou alto, tendo dado os toques finais nas runas, as letras brilharam em um forte tom de azul, e a porta, antes levemente detalhada, agora voltou a uma simples porta de madeira, talvez um pouco antiga; quando Salazar a reabriu, o grupo atrás conseguiu um vislumbre do interior, e estava completamente vazia, como se estivesse inabitada a anos, os ombros de Salazar cairam, talvez de cansaço, talvez de tristeza, talvez de cansaço, e ele fechou a porta pela última vez, “É isso… Vamos, Melchior?” ele perguntou, quase suspirando.

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“NÃO, NÃO, NÃO, NÃO E NÃO”, Salazar gritava a plenos pulmões, “VOCÊ NÃO VAI SE JUNTAR COM CRIMINOSOS”.

A vida na cidade havia começado vagarosamente, logo após o grupo sair dos portões da cidadezinha, e todos que começavam a caminhar na rua se assustaram com os gritos de Salazar, algo que nunca havia acontecido antes, porém todos eles se lembraram que não era mais problemas deles.

“Essa é a minha chance de viver uma aventura, e você não vai me impedir”, Melchior tentava ser assertivo, mas estava quase implorando para Salazar, “Eu estou cansado de mudar constantemente de casas, dessa vida parada, essa é a minha chance…”, os olhos de Melchior estavam marejando, “ELES… Eles são criminosos, eles tem cartazes de procurado em todas as cidades que passamos…” ele apontou para os outros 3, que estavam parados um pouco distantes, levemente desconfortáveis em presenciar essa discussão, “Eles são procurados pelo pessoal mais poderoso de Pangaya”, Ajax levantou a mão, pedindo um momento de fala, “Abaixe essa mão”, Salazar falou apontando para ele, Ajax obedeceu. “Sal, se eles fossem tão perigosos, tão cruéis assim, eles teriam nos matado enquanto a gente dormia, você realmente não consegue confiar neles?”, Salazar olhou para o irmão como se ele fosse a pessoa mais insana do mundo, “Melchior… eu não sei nem o que falar”, Ajax lentamente levantou a mão de novo, Salazar passou a mão pelo rosto, e disse “Pode falar”, “Eu acho, que eu sei de uma forma de fazer todos aqui felizes…” Salazar e Kas o encararam, “Existe uma cidade, que tanto o caminho até ela, tanto a vida nela em si pode ser considerada uma aventura”, para o horror de Salazar, os olhos de Melchior começaram a brilhar, e Ajax continuou, “E aonde vocês dois…”, disse apontando para Edgar e Kas’Aldrin, “… podem ser livres”, a atenção de Edgar foi captada com essa frase, Kas apenas semicerrou os olhos, e arqueou uma sobrancelha, “Aonde?”, Ajax sorriu, “um lugarzinho chamado Meio-Do-Nada, e só tem uma forma de chegar nele…”, Ajax apontou para Melchior, “… ele tem que nos guiar.”, Melchior mal podia conter a sua felicidade, e Salazar mal podia conter o seu horror.

“Ok… e como eu sei aonde é?”, eles já estavam andando há algumas horas, quando Melchior subitamente parou e perguntou isso em voz alta, “Siga o seu coração”, disse Ajax após o uma brisa carregando petalas de flores passar e esvoaçar o seu cabelo, Melchior olhou de um lado para o outro, olhando a extensa pradaria que ia até onde a vista alcançava, Edgar e Kas’Aldrin caminhavam logo atrás; Salazar estava mais afastado do grupo, extremamente mal-humorado, murmurando para si mesmo coisas que não seriam agradáveis de se reproduzir aqui; Melchior inspirou profundamente, e com um passo decidido, caminhou para fora da estrada.


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“E então?”, o pequeno Gaspar se balançava na cadeira alta, enquanto Kas’Aldrin estava virado de costas, enxugando um copo, “Amanhã, pequenino”, ele disse com um sorriso no rosto, “Agora é hora de descansar, vamos…”, Kas saiu de trás do bar e levantou a criança nos braços, “Você promete?”, Gaspar perguntou com a voz manhosa, “Prometo”, respondeu Kas, logo antes do pequeno cair em um sono profundo.