Eles haviam caminhado o dia inteiro, e enquanto tentavam atravessar uma densa floresta, os céus começaram a escurecer, anunciando a chegada da noite; o grupo se encontrava em um espacinho sem árvores, com uma fogueira simples no meio deles; Salazar e Melchior estavam mais afastados, e mesmo após lutar muito contra o cansaço, a fim de ficar de olho nos outros, Salazar acabou capotando de sono, sentado contra uma arvore meio inclinada, com uma corda amarrada tanto no seu braço, tanto na perna de Melchior, que flutuava uns 30 centímetros acima do chão, também em sono profundo. Edgar estava no lado oposto da fogueira, completamente torto no chão, aparentemente dormindo, sabe-se lá como; Kas’Aldrin estava meditando próximo a fogueira, mantendo a fogueira acesa, enquanto Ajax fingia dormir mais para o lado, “Agora isso passa a ser suspeito”, Kas comentou sem medir a voz, Ajax girou, apoiando a cabeça na mão, dobrando a perna, a luz da fogueira o iluminando de forma sexy, e um sorriso maroto dançando em seu rosto junto das sombras; “Você é muito mais esperto do que parece, Kas’Aldrin, o Druida”, Ajax sussurrou, “Eu digo o mesmo, Ajax, o Belo”; em um susto, Ajax se sentou e se aproximou mais de Kas, “Como você…”, ele percebeu que falou mais alto do que queria, e olhou assustado para a parte do grupo que estava dormindo, Melchior apenas flutuou um pouco mais alto, Salazar resmungou algo, e Edgar parecia ter parado de respirar; “Quando humanos normais dormem, dificilmente algo consegue acordá-los.”, disse Kas, enquanto cutucava o pé de Edgar, que apenas tremeu a perna e se virou, voltando a respirar.

“Como você sabe o meu título?”, Ajax estava perto de atravessar o espaço pessoal de Kas, “O vento me contou.”, os olhos de Ajax brilharam com essa informação, “O vento fala?”, ele perguntou com os olhos refletindo a luz das chamas, “O vento carrega muitas histórias”, Kas respondeu com um sorriso, “Voltando ao assunto, porquê você não dorme, Ajax?”, o brilho no olhar de Ajax diminuiu um pouco, mas um sorriso travesso se formou em seu rosto, “Eu te conto meu segredo, se você me contar o seu…”, Kas’Aldrin abriu os olhos para encarar Ajax, que estava deitado de lado, seu cabelo caindo graciosamente por seu ombro direito, a luz da fogueira fazendo sua pele brilhar suavemente, e aquele sorriso que faria qualquer um cair de amores por ele, “Que segredo eu guardo?”, Kas perguntou, ignorando a aparência de Ajax, “Ora… o porquê de você ter matado—”, antes mesmo de Ajax terminar de falar, o clima já havia pesado completamente, um vento frio atingiu a fogueira em cheio, levando brasas e cinzas para perto de Ajax, os galhos das arvores balançavam violentamente, folhas já caídas rodopiavam como tufões pelo ar, e no escuro quase absoluto, apenas 2 pontinho brilhantes podiam ser vistos, encarando Ajax pela tempestade de ventos e sons, “Ta bom, tá bom, desculpa.”, Ajax tentava suplicar acima da cacofonia; e quando Kas achou que ele havia se desculpado o suficiente, ele fez tudo voltar ao normal, as folhas, agora bagunçadas pelo chão, e em cima das pessoas dormindo, e a fogueira se reascendendo aos poucos, quando o fogo voltou a iluminar a pequena área, Kas percebeu que pequenas flores estavam presas em seus braços, e quando ele as tirou, sentiu uma pequena pontada de dor, parecia que elas haviam nascido diretamente da sua pele, “Vamos começar com algo mais simples…” Kas olhou para Ajax com um pouco de desdem, “Comece me falando sobre a sua Habilidade, e eu falo sobre a minha”, Ajax percebeu que a balança dessa discussão havia mudado de lado, e com um profundo suspiro, olhou para cima, e percebeu que o céu já começava a clarear.

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“Todos???? Como em ‘TODOS OS ELEMENTOS DA NATUREZA’?”, Ajax perguntou, tendo produzido um caderninho de algum lugar, Kas’Aldrin concordou com a cabeça, “E como você conseguiu isso… Quero dizer, eu sempre acreditei que apenas humanos pudessem ter Habilidades, você já nasceu com elas ou…”, Kas interrompeu a fala acelerada de Ajax, “É uma história para outro dia, agora, sua vez”, Ajax parecia meio incomodado com a situação, “De forma simples, flores…”, Ajax estende a mão, e uma rosa nasce de seu antebraço, e vai se enrolando até a palma de sua mão, aonde ela floresce completamente, “Eu posso fazer elas nascerem aonde eu consigo ver, elas também nascem em pessoas que querem fazer o mal contra mim.”, a rosa rapidamente seca, e Ajax gentilmente fecha a mão, e deixa as pétalas voarem com o vento; “E o que elas fazem?”, Kas perguntou, tentando esconder a sua curiosidade, Ajax sorriu de forma zombeteira, “Isso… É uma história para outro dia.”, Kas revirou os olhos e voltou a sua atenção para Melchior, que nesse momento estava deitado no chão, “E você?”, Melchior, em um susto, pulou, e lentamente se sentou, sorrindo embaraçadamente e coçando a cabeça, “Como você percebeu que eu estava acordado?”, “Você parou de flutuar.”, Kas respondeu secamente, “Já que você ouviu os nossos poderes, nos diga qual é o seu.”, Melchior estava com aquele sorriso de quem acabou de acordar e ainda não compreende o que está acontecendo, “Eu consigo voar, não muito rápido, mas em uma altura razoável…”, ele apontou preguiçosamente para Salazar, “Ele consegue… mover as coisas com a mente… ele chama de... telecinese… é, telecinese”, Salazar, mesmo dormindo, conseguiu levantar o braço em protesto, murmurando algo do tipo “Não fala isso pra eles”.

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Edgar sentiu um impacto repentino na sola, e quando ele acordou em um susto, ele viu o pequeno grupo já de pé, Salazar estava arrumando as roupas, e Kas estava estendendo a mão pra ele, “Bora, só falta você”, Edgar pegou a mão, e foi facilmente levantado, “A PROPÓSITO…”, Kas falou em um tom mais alto, para chamar a atenção dos outros, “O poder desse daqui…”, ele disse batendo amigavelmente nas costas de Edgar, “…É causar medo nos outros.”, Edgar lentamente virou a cabeça para Kas, “Eles me falaram os poderes deles, no caminho eu repasso as informações.”, ao ouvir isso, Salazar se virou rapidamente, “Em que momento eu falei isso?”, Melchior tentava disfarçar a sua culpa da pior forma possível, enquanto Salazar lentamente virava a cabeça para o fuzilar com os olhos.

Enquanto eles caminhavam pela mata densa, Edgar concordava solenemente aos poderes de seus, agora, colegas de viagem, Melchior olhava de um lado para o outro, maravilhado com a natureza ao seu redor, ele chegava mais perto das árvores, passava a mão nos musgos, tentava pegar os insetos de forma infantil, “Ele nunca pode fazer isso quando criança?”, perguntou Ajax para Salazar, enquanto esse se afastava a cada tentativa de aproximação, “Nunca tivemos a chance, fomos sempre pelas estradas, seguindo de cidade em cidade.”, Melchior — que agora estava escalando uma arvore — parou subitamente, encarando algo a frente, “Gente, tem uma casinha ali na frente.”, ele estava certo, tinha um pequeno casebre adiante, aparentemente bem cuidado, mas com certeza suspeito, especialmente em um lugar assim, em uma clareira minuscula, no meio de uma densa floresta; “Eu tenho um mau pressentimento sobre isso…”, Salazar foi o primeiro a falar, com Melchior o respondendo rapidamente, “Você diz isso sobre tudo Sal, eu vou entrar lá.”, e prontamente, ele pulou da árvore e acelerou em direção a casinha, Salazar travou por um momento, e logo seguiu atrás; Ajax botou a mão na cintura e olhou para os 2 que não saíram correndo, “Nós ficamos aqui, no caso de ter gente lá dentro, você vai com eles”, Kas disse apontando para Ajax e para a casinha, Ajax assentiu com a cabeça e seguiu os irmãos. “Você também percebeu, né Edgar?”, Edgar, que aparentava estar distraído esse tempo todo, fitava diretamente o casebre, “Sim.”, ele respondeu solenemente, “Vá num pé e volte no outro.”, a presença de Edgar desapareceu, e Kas’Aldrin atentamente observava o pequeno bar.

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“Ôôô de casa…”, Melchior já entrou falando, o interior era… humilde, 3 mesinhas, cada uma com 3 cadeiras, um barzinho no canto, um armário de madeira, fechado, atrás dele e uma porta entreaberta levando para os fundos, estava quieto, e havia uma finíssima camada de poeira cobrindo tudo, Salazar lentamente atravessava a porta, sendo o mais cauteloso possível, Ajax o seguiu, andando despreocupadamente e se sentando em uma das cadeiras, Melchior futucava atrás do bar, enquanto Salazar olhava mortificado, “MELCHIOR, modos”, Melchior, que já estava futucando as garrafas semi vazias do bar, subitamente olhou para cima, e silenciosamente se desculpou com Salazar, este que colocou a mochila na mesma mesa que Ajax estava sentado, e se sentou diretamente a frente dele. “Ei, o que tem atrás desse bar?”, Melchior fuçou atrás do bar e encontrou uma garrafa meio cheia, com um líquido de cor amadeirada, ele ergueu para mostrar pra Ajax, que sorriu, e gesticulou para ele trazer. Melchior começou a voar acima do bar e lentamente se aproximou da mesa, Ajax pegou a garrafa, gesticulando-a na direção dos irmãos, que negaram; Ajax cheirou a garrafa, jogou a cabeça para trás como se o cheiro fisicamente tivesse o repelido, sorriu, e lentamente levou a garrafa para os lábios, mas antes que ele bebesse, ele parou, olhou fixamente para os irmãos e começou a sinalizar: ele apontou para si, apontou para a mesa, arrastou o dedo para o lado, apontou para os irmãos, e então para porta; e em um rápido movimento, ele jogou a mesa para o lado, e correu para a porta, essa que se fechou violentamente na cara dele, em conjunto com as janelas, “Mas o que está acontecendo?”, perguntou Salazar, exaltado, “Merda”, foi a única coisa que Ajax respondeu.

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Assim que Edgar desapareceu, Kas’Aldrin se misturou com uma árvore que estava ali perto, e observou atentamente o movimento, foi aí que começou a ficar estranho: não havia nenhum rastro humano por perto, nenhuma trilha, nenhum caminho que alguém possa fazer diariamente, e tudo estava estranhamente quieto, até o vento, que normalmente sussurrava em seu ouvido, estava silencioso; mas o pior estava na própria casa, estranhamente flores estavam nascendo no telhado, claro, poderia ser de um pássaro que levou sementes para lá, mas ele não conseguiu deixar de sentir uma leve suspeita, suspeita essa que se concretizou no instante que ele ouviu uma comoção vindo de dentro do bar, e a porta da frente batendo violentamente, “Merda”, foi a primeira coisa que ele disse, e assim que ele saiu de seu esconderijo, começou a gritar, “EDGAR, EDGAR VOLTA.”, mas o seu coração pesou quando não houve resposta nenhuma.

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Frio

Escuro

Silêncio

O coração de Edgar batia violentamente no seu peito, mas ele não conseguia fazer nada, além de encarar aquilo em sua frente.

Escuro

Frio

Vazio

Dois pontos brilhantes o encaravam de volta, fracos pontos de luz em uma massa viva de escuridão, Edgar não conseguia focar em mais nada, e o primeiro sentimento que veio a tona foi o medo, seu peito parecia não caber nem ar, nem os seus batimentos cardíacos, e tudo parecia que ia acabar quando aquela coisa começou a se aproximar, até que ele começou a ouvir, bem distante,

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“EDGAR PORRA, VOLTA CARALHO.”, o que o despertou desse transe, e antes que ele se desse conta, ele estava sozinho no meio da mata, o único som sendo o vento farfalhando as folhas. Edgar precisou de meio segundo para se recuperar emocionalmente, e na outra metade ele voltou para seu companheiro.

Kas sentiu a presença de Edgar ao seu lado, e engolindo a raiva por ele ter se atrasado, falou rapidamente “A casa está viva.”, Edgar perdeu a postura de combate, e lentamente virou a cabeça para o encarar, “O quê?”, de dentro do bar, Salazar gritou “A CASA ESTÁ VIVA!”; Kas fez um floreio com uma mão, e uma labareda ascendeu nos seus dedos, “NADA DE FOGO”, Ajax gritou lá de dentro, Kas estalou com a língua, e as chamas se apagaram, Edgar pulou para a frente da porta, e tentou chutar ela sem sucesso nenhum; de dentro do bar, Ajax havia sido sentado em uma das cadeira, Melchior estava o segurando, preocupado com a porrada que ele levou na cara e Salazar tentava chutar a porta, alternando com Edgar do lado de fora. Subitamente, a porta de trás do bar se escancara, e o que pareciam ser raízes começaram a avançar lentamente em direção ao grupo que estava preso, Melchior percebeu e agarrou uma cadeira para bater na janela, Kas percebeu do lado de fora, e com um movimento forte, deu um pisão no chão e uma pedra do tamanho de seu punho se ergueu do chão, e com um grito de “Se afastem!” ele fez um violento movimento de soco, e a pedra voou em alta velocidade em direção a janela, e quando a atingiu a janela não quebrou, mas se curvou comportando-se como algo não completamente sólido fazendo com que a pedra caísse no chão, Melchior percebeu isso e começou a bater aonde estava “amassado”, quebrando a cadeira no processo. “Ajuda aqui.” rosnou para ninguém em particular enquanto ele pegava a mesa, Ajax se levantou em um pulo e o ajudou a segurar a mesa; que foi usada para bater contra a janela com toda a força possível — com a ajuda da habilidade de Salazar — contra a janela, quebrando não só ela como a parede ao redor; e então o chão começou a tremer.

“A casa vai afundar!” exclamou Edgar enquanto corria para a janela recém quebrada, “Não vai não!” respondeu Kas colocando as duas mãos no chão e forçando a terra a se manter estável por um pouco mais de tempo. Edgar estendeu a mão para dentro da coisa e o primeiro a o alcançar foi Ajax — que foi puxado como um boneco de pano — seguido de Salazar, que foi empurrado a contra gosto. Kas não conseguiu segurar mais que isso e a “casa” deu um solavanco e começou a afundar.

Com um movimento rápido Melchior pulou pela janela, agarrou Edgar em um meio abraço desajeitado e avançou pelo ar para longe da coisa, essa que caiu em um buraco que antes estava oculto, despencando para fora da vista do grupo.

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“Todo mundo vivo?” perguntou Kas ofegante, Ajax — deitado no chão — levantou o polegar em positivo; Salazar rapidamente confirmou com um aceno; Edgar e Melchior ainda estavam abraçados e olhando para o buraco, mas pareciam bem.

O sol indicava que já havia passado do meio-dia, e Salazar havia tirado comida o suficiente para uma refeição farta de sua mala. “O que era aquilo?” perguntou Melchior enquanto engolia um sanduíche; “Mastigue de boca fechada.” retrucou Salazar. “Era um mímico, pelo menos uma espécie de mímico” respondeu Ajax depois de engolir, “Eu não esperava encontrar um monstro por aqui…” ele disse antes de se perder em pensamentos. Eles se reorganizaram para continuar o caminho, foram feitas múltiplas tentativas de começar uma conversa, mas sempre havia um tópico pessoal, ou uma desconversa no meio — efetivamente ficou um clima pesado, algo de se esperar de um grupo que está junto por “obrigação” — não tardou até eles saírem da floresta e chegarem em uma imensa planície.

Pangaya é cheia dessas vistas de campos verdejantes até aonde o horizonte começa, tocados apenas pelas sombras das nuvens e pela grama balançando ao vento; toda e qualquer tensão parecia derreter com essa vista. Perto do horizonte havia o que parecia ser uma vila, o que significava um bom lugar para dormir, caso não aconteça nenhum contratempo semelhante a cidade anterior.

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Quanto mais eles se aproximavam, mais eles percebiam que a vila era enorme. Mesmo com o sol começando a descer as ruas ainda estavam bem movimentadas, e dava para ouvir fanfarras mesmo estando um pouco longe.

“O plano é o mesmo, vocês dois ficam aqui fora…” Salazar disse apontando para Edgar e Kas “E nós vamos procurar um lugar para ficar lá dentro”; os dois criminosos concordaram com a cabeça; “Ótimo.” concluiu Salazar, que se virou e começou a entrar na vila; “A gente volta, eu prometo” confortou Melchior antes de seguir seu irmão, Ajax já havia desaparecido.

Havia algum tipo de comemoração acontecendo na cidade, todos pareciam estar comemorando nas ruas, danças e músicas regadas de bebidas da mais alta qualidade. Ajax sabia que por aquelas bandas se tinha a tradição de festejar perto dessa data e ele — movido pela extrema curiosidade de um historiador — queria descobrir o exato por que.

Ajax passava por pessoas dançando e trovadores tocando melodias aceleradas, por onde ele passava moças o convidavam para dançar, ou apenas seguravam seu braço e o forçavam a rodar com elas; Ajax elegantemente respondia que estava apreçado, ou dava uma girada rápida e se desvencilhava educadamente.

Perto do centro da cidade duas senhorinhas estavam sentadas em uma tenda arrumada, ao que parece, exclusivamente para elas. De vez em quando alguém passava por elas dançando e colocava uma flor nos pés delas; Ajax se aproximou cautelosamente, se curvando levemente em frente a elas (o que fez elas cochicharem entre si, soltando risadinhas.) e se sentou em uma área que ainda não tinha sido coberta com flores, “Madames, eu vim de muito longe para fazer-lhes estas perguntas…” ele levantou a cabeça para ver se elas permitiram, e ambas concordaram com a cabeça, “… Eu adoraria ouvir sobre as origens dessas festividades.”

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Era muito difícil se movimentar pela cidade quando todo mundo tenta te fazer dançar e nem Salazar ou Melchior estavam acostumados com esse caos; Melchior estava amando viver isso e Salazar mantinha a cabeça baixa e tentava traçar uma reta até a taverna mais próxima.

Ironicamente, a taverna era a única casa sem movimento por perto, ao entrar foi como se eles tivessem ido para bem longe da muvuca — como se o som tivesse dificuldade de passar pela porta — e atrás do balcão encontrava-se um rapaz bem jovem e magrelo, parecia alguém sem experiência prévia nenhuma com tavernas, uma parte do seu cabelo estava amarrada em um rabo de cavalo e outra caia pelo seu rosto enquanto ele limpava a mesa principal do bar. “Ele olhou para os 2 garotos que acabaram de entrar pela porta; “Bem vindos ao Folha Amarga, o que desejam?” ele falou com uma voz um pouco seca, talvez não esperando companhia nesse dia. “Nós estamos de passagem, e queremos saber se tem quartos livre para essa noite.” respondeu Salazar com uma seriedade fria. O taverneiro sorriu, “Quase todos os quartos estão disponíveis, nessa época do ano tem pouquíssimo movimento por aqui, em prol da festa constante lá fora.” ele respondeu apontando com a cabeça para o lado de fora, “E que festa é essa, meu bom homem?” perguntou um curioso Melchior, se sentando em uma das cadeiras altas. “Tudo o que eu sei, é que é uma comemoração da vitória dos ‘Grandes Heróis’ sobre os Demônios, todo ano rola…” ele suspirou, e lamentou um pouco: “Eu adoraria ter sido avisado sobre as regras sociais desse evento, eu vim para essa cidade pensando ‘Nossa, vai ser uma ótima ideia abrir um bar numa cidade com uma festança.’, mal sabia eu que entrar nas casas é visto como desrespeito as anciãs… e aqui estou eu…” ele disse alisando a mesa carinhosamente “Tendo que cuidar do meu estabelecimento sem poder ir festejar… mas é a vida né? Vai ser só um quarto mesmo?” Ele perguntou para Salazar, “Dois quartos, se não for muito incomodo.” foi a resposta.

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Sendo muito honesto, as velhinhas não eram boas em contar historias; mas Ajax já conhecia todas as histórias dos Grandes Heróis de coração. A história de como eles foram até os Quintos dos Infernos para livrarem os humanos da raça dos Demônios é uma das mais recontadas, uma pena que é a ultima historia deles antes da Queda do Grande Reino.

Ajax deixou a sua própria flor no pé das senhorinhas, deu um beijo nas mãos de ambas e seguiu para onde ele acreditava ser a taverna; ao passar por um quadro de avisos, debaixo de múltiplos panfletos sobre as festividades estavam os cartazes de procurado de Kas’Aldrin e Edgar, e tendo uma ideia brilhante ele arrancou os cartazes, os dobrou elegantemente e guardou-os no bolso.

Chegando no casebre ele encontrou Salazar esparramado em uma das cadeiras, “Aonde estão os outros?” perguntou Ajax, “Melchior foi buscar eles.” Salazar ofereceu uma cadeira oposta a si para ele sentar, que Ajax aceitou de bom grado enquanto pedia para o taverneiro trazer o clássico da casa.

“Qual o seu objetivo?” perguntou Salazar em tom acusatório, Ajax bebericava uma cidra extremamente gelada (que o taverneiro batizou de Fria Fruta) e propositalmente demorou um tanto a mais para terminar seu gole — como se ele precisasse de mais tempo para procurar uma resposta — “No sentido de?” ele perguntou fugindo da acusação; “Você chega na minha casa junto de dois criminosos, faz um papinho de ‘Liberdade’ para cima do meu irmão, convence ele a fugir com os dois criminosos, e constantemente desaparece ou fica inútil em momentos convenientes. Eu vou te perguntar novamente, qual é o seu objetivo?”. Quanto mais ele falava mais raiva ele deixava transparecer na voz, e no uso de sua telecinese, fazendo o copo de Ajax tremer.

Ajax calmamente tirou um caderninho de algum bolso interno, procurou uma pagina específica, e começou a ler: “Salazar Santana; Primogênito; Toda a família foi assassinada de forma misteriosa; Sumiu do mapa junto com o irmão mais novo.”. A face se Salazar se contorceu de raiva para medo, seu coração batia tão alto que ele não ouviu Melchior chegando com duas figuras encapuzadas em seu encalço, Ajax discretamente mostrava uma pagina de seu caderno: “EU SEI O QUE OS MATOU”

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Até o anoitecer as festividades começavam a se acalmar, e o grupo permitiu-se comer algo que o taverneiro (que se chamava Assis) preparasse. Depois de uma maravilhosa refeição, eles decidiram ir para os quartos passar a noite, Salazar e Melchior em um, os três estranhos no outro.

A lua subia, iluminando perfeitamente as ruas da cidade apinhadas de pessoas dormindo no chão; Kas’Aldrin nunca parou de se surpreender com a capacidade e resistência dos humanos, e percebendo que seria uma longa noite, começou a andar até o andar de baixo em procura de bebidas. Salazar estava sentado na escada, e quando Kas se aproximou ele se virou assustado.

Kas cavucava atrás do bar enquanto Salazar o observava do pé da escada, como se estivesse pronto para fugir. “Eu não vou te machucar.” disse Kas encontrando uma garrafa de cidra e enchendo um copo com a bebida, a boca de Salazar se contorceu, e ele virou a cara para longe do Druida: “Você confia em Ajax?” ele perguntou em voz baixa, “Tanto quanto eu confio em você.” Kas respondeu entre um gole e outro. Salazar parecia querer fazer mais perguntas, e ele não estar as fazendo irritava Kas profundamente; “Você está vivo, mesmo depois de falar múltiplas vezes que odiava a mim e a Edgar, e mesmo depois de fingir dormir para ficar me espiando. Eu não sinto malícia vinda de você, ou do seu irmão. Não planejo, pretendo, ou farei mal a vocês.”; Kas terminou a bebida e deixou o copo virado de cabeça para baixo no meio do bar. Salazar fez uma pergunta quando Kas passou por ele para subir as escadas: “E Ajax?”, Kas parou no meio da escada, “Fique de olho nele.” e sumiu na escuridão do andar de cima.

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Todos aparentemente haviam dormindo bem, e se deliciavam com um café da manhã completo. Assis sorria enquanto começava a arrumar a taverna para o dia quando a porta se abriu de forma abrupta.

Dela entrou um homem de idade um pouco avançada, vestido com um colete de couro com uma camisa flanelada por baixo, uma calça justa de mais para alguém da idade dele, um chapéu de couro e um tapa-olho em seu olho esquerdo.

“Carregamento para Assis.” ele disse com um sotaque carregado, e observando a companhia que se encontrava na taverna, ele deu uma boa encarada em Kas’Aldrin e Edgar “Não é todo dia que eu encontro criminosos assim que o sol nasce…” ele disse estalando os dedos, e na taverna entrou o um homem bem musculoso, carregando múltiplas caixas ao mesmo tempo; “Jarbas, pega eles” disse o cowboy.

O homenzarrão demonstrou a sua habilidade se multiplicando em duas cópias, cada uma delas ficando atrás de Kas e Edgar; estes que se entreolharam e calmamente se levantaram, “Vocês vêm?” Kas perguntou. Melchior assentiu com a cabeça; Salazar negou com a cabeça, percebeu o irmão concordando e colocou o rosto nas mãos; Ajax deixou duas moedinhas de ouro na mesa e se levantou para ir com eles, “Estamos juntos pro que der e vier, não?”.

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“Vocês foram presos?” perguntou o pequeno Gaspar com grandes olhos brilhantes.

“Por algumas semanas, sim.” respondeu Kas com um sorriso preso no rosto, “Honestamente, foi uma das melhores coisas que aconteceu com o grupo, deu tempo pra gente se conhecer muito bem.”

“Eu vou ouvir sobre esses dias?”, por um momento, Kas travou e olhou para Edgar, que negava veementemente com a cabeça; “Quando você for mais velho…” ele respondeu bagunçando o cabelo do pequenino. “Agora é hora de ir dormir, depois nós continuamos a história.”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.