Crônicas De Um Futuro Incerto

2 Ascensão de Liv: Parte 1


Notas iniciais
Bom, eu falei que postaria essa semana quando me desse vontade então aqui estou kkkkkk acho que estou levemente apressado em postar logo, sei lá kkkkkk, mas enfim espero que gostem. P.S: o "Parte 1" ali do titulo é por que esse capitulo acabou por ficar muito grande, (assim como alguns outros :v) então reparti ele pra poder postar. Atenciosamente, Criminoso Vermelho.

Ele abriu os olhos e observou o teto de seu quarto. Já não era mais um garotinho, agora era quase um homem. E sua irmã agora era quase uma mulher, ou um protótipo de mulher, como ele gostava de chamar. Mas por algum motivo desconhecido até então, estava dormindo ao seu lado na cama, com uma respiração que parecia mais um ronronar de um gatinho do que qualquer outra coisa e os cabelos castanhos ondulados caiam sobre seu rosto, de uma maneira que a deixava ainda mais parecida com uma garota tirada de um conto de fadas. Ela estava trajando suas roupas de dormir convencionais que era basicamente, uma blusa de tecido leve e fino, quase transparente, com uma estampa de coelho e um short curto de igual tecido. Em seus braços estava o Sr. Coelho, o coelhinho de pelúcia que recebera de sua mãe na infância. “Francamente, dez anos e ela ainda dorme com isso.” Pensou o jovem enquanto retirava o lençol de sobre si calmamente e colocava-se de pé por sobre a cama. A garota ainda dormia serenamente como uma criança ao dormir com os pais após ter um pesadelo. Ele sorriu ao ver sua irmã dormindo de maneira tão fofa. Lentamente colocou um dos pés carinhosamente em suas costas e a chutou com toda sua força para fora da cama, derrubando-a com estrondo no chão.

A garota nem mesmo se assustou como se já esperasse por aquilo e simplesmente abriu os olhos devagar e se sentou no piso de madeira enquanto se espreguiçava com um grande bocejo. Piscou algumas vezes e coçou os olhos.

– Bom dia irmão – Disse Lulaby enquanto pegava o Sr. Coelho e voltava a o abraçar. Com um sorriso e um olhar meigo e doce, seus olhos cor de âmbar refletiam levemente a luz fraca do sol que passava entre as cortinas fechadas como se fossem verdadeiras joias. Aqueles olhos que tanto encantavam como podiam assustar.

John não respondeu. Ele apenas se sentou na cama e apoiou o rosto nas mãos com um sorriso tremulo no canto dos lábios, como alguém que acabara de escapar com vida de um terrível acidente. Lulaby percebeu imediatamente que havia algo errado. Ela sempre aprontava algo pela manhã para que seu irmão fizesse ou dissesse algo que os faria rir bastante. Era divertido acordar assim todos os dias, começar a manhã de forma alegre, era isso que seu irmão idiota fazia, deixava tudo mais divertido. Sabia principalmente que seu irmão gostava de acordar e vê-la sorrindo, gostava de fazê-la sorrir mais do que tudo, afinal, quem não gosta de ver sua irmãzinha feliz? Mas ele nada fez. Ficou apenas ali, parado. Não fizera piada, não a pegara para jogar no ar e depois apara-la, não a derrubara e fizera cocegas até ela chorar de tanto rir, nem algo do tipo. Apenas ficou ali, sentado, com o rosto nas mãos e aquele sorriso perturbador.

– Lu... – John disse quase sussurrando – Eu tive aquele sonho.

Lulaby se levantou, sentou-se ao lado dele e o abraçou. Ele estava tremendo. “Aquele sonho”. Ela sabia do que se tratava. “Aquele sonho” era apenas a memória revivida “daquele dia”. A ultima vez que viram seus pais. O dia da morte deles. Naquela época ela era muito nova, portanto não se lembrava muito bem do ocorrido. Apenas flashes de uma casa em chamas, chuva, uma floresta e de um gigante de fogo. Lembrava-se também de uma promessa que fizera a sua mãe, e das palavras de um garotinho sujo e de cabelos bagunçados.

Ele abaixou as mãos e se deixou ser envolvido pelos braços da irmã que não o negou afeto. Ela apoiou seu rosto sobre o dele e o abraçou o mais gentilmente que pode. A garota sabia que seu irmão se lembrava de tudo e às vezes tinha pesadelos com isso. Aquilo mexia com ele, o perturbava, muitas vezes até lhe dava insônia e ele descontava no saco de areia no quintal ate estar tão cansado a ponto de praticamente não conseguir subir novamente as escadas para o quarto. Ela sempre acordava nessas noites e ficava o observando da janela, para o caso dele se machucar. O que não acontecia. Mas ela continuava ouvindo os socos, os chutes. As lagrimas, cujas quais ela não podia ouvir nem ver, mas sabia que estavam lá. Continuava a se preocupar. Ficava o observando entre as frestas da cortina ou simplesmente o ouvindo enquanto recostava-se na janela fechada. Sentia-se até mesmo incapaz de dormir enquanto não o escutasse subindo as escadas e entrando no quarto. Afinal, ele também se preocupava com ela. Por isso os treinos. Por isso que todos os dias ele agia como um idiota e um palhaço. Por isso todos os dias inventava jeitos diferentes de fazê-la sorrir. O seu desejo de protegê-la e cuidar dela. Era isso que o motivava todos os dias.

E ela sabia disso, por mais que não quisesse admitir o quanto era grata e o quanto se orgulhava dele.

“Vou tá sempre contigo O.K.?”

– Ei, eu ainda estou aqui não estou? – Ela se lembrava.

O jovem se aconchegou nos braços da irmã.

– Está... – Respondeu ele quase que para si mesmo. Havia relaxado um pouco. Ela sorriu, e percebeu que ele também havia aberto um sorriso de leve. Percebeu também que seu irmão soluçava levemente e sentiu as lagrimas dele que pesaram em sua blusa de dormir. Ela o abraçou com a maior ternura que pode. Não queria solta-lo, nem se afastar dele. Apenas ficar ali, ao lado dele. Contar-lhe historias até que adormecesse assim como ele o fazia quando ela era menor e chorava a noite por saudade de seus pais.

– Lu... – Ele começou a falar – Você esta crescendo nos lugares certos... – e se aconchegou ainda mais entre os braços da irmã. Uma joelhada no estomago o interrompeu. Lulaby o soltou deixando-o cair no chão com as mãos abraçando o estômago e gargalhando.

– Idiota! – Gritou ela se levantando enquanto começava chuta-lo nas costelas, com os punhos cerrados e o rosto rubro por vergonha e raiva. – Idiota! Idiota! Idiota! – Ela continuava o chutando enquanto ele ria. Como ele era capaz de dizer uma coisa dessas enquanto ela estava ali, preocupada com ele? Era a pergunta que rodava dentro da cabeça da garota. – Você deveria meter o dedo na tomada pra ver se essa antena envia sinal de wifi seu estupido! – mas eis que subitamente ele parou e segurou seu tornozelo com força.

– Quem... — John começou a se levantar lentamente ainda segurando o tornozelo de Lulaby. – Você chamou de anteninha?! — Seu cabelo branco que ia ate os ombros lhe cobria o rosto dando um aspecto ainda mais sombrio para o seus olhos azuis e olhar penetrante. O jovem era muito mais alto que a garota então antes mesmo que ele estivesse completamente de pé à garota se desequilibrou e caiu, mas não chegou a tocar o chão. John se endireitou e a ergueu antes, deixando-a de cabeça para baixo segura pelo tornozelo. Lulaby foi imediatamente com as mãos na blusa, pois ela era tão fina e leve que era capaz ate mesmo de sair de seu corpo na atual posição, e como era uma roupa de dormir, ela não estava usando nada por baixo, fazendo-a ficar com o rosto ainda mais vermelho.

– John! – Ela gritou. E em um acesso movido pela raiva e pela vergonha que estava sentindo, girou o corpo se desvencilhando do garoto e lhe acertando furiosamente um chute reverso no rosto enquanto ainda estava no ar.

O calcanhar de Lulaby acertou em cheio o rosto de John. Ou teria acertado se ele não tivesse aparado o golpe com a mão livre. O garoto simplesmente, com um rápido movimento em conjunto de pulso, cotovelo e ombros, agarrou a perna da jovem ainda no ar e com um giro veloz a arremessou para o outro lado do quarto como se fosse uma boneca de pano. Lu acertou a porta do guarda-roupa de John que partiu no meio. A garota caiu sentada no chão com uma dor lancinante nas costas, mas que passou rapidamente, ela não entendia como ou porque, mas em pouco tempo qualquer ferimento, fosse de corte, fratura ou concussão, estava melhor, percebeu isso aos 12 anos quando quebrou o braço direito em dois pontos e em um mês já estava completamente recuperada. Ignorando isso a jovem se levantou e avançou na direção do irmão que se colocou em guarda e saltando usou a cintura como ponto de equilíbrio para girar e acertar uma sucessão de chutes aéreos na guarda fechada de John que nem mesmo se moveu um passo, com a força do ultimo chute ela se lançou para trás pousando a uma distancia mínima de John para que ela pudesse rapidamente investir-lhe um mortal gancho no queixo.

Por um instante ela imaginou chamas saindo de seu punho. Talvez devesse parar de jogar tanto Street Fighter.

John não conseguiu fechar a guarda veloz o suficiente para defender o golpe, mas ele era ágil então em uma fração de segundos desviou o rosto levemente para a esquerda para evitar o golpe, esticou o braço direito e o colocou por traz do pescoço de Lu e com a mão esquerda segurou seu pulso, com um movimento, girou o corpo forçando a garota a se abaixar com o braço que havia passado em seu pescoço e colocou a perna esquerda por cima do ombro dela e lançou-se para traz em direção ao chão em um Arm-Lock voador derrubando Lu e a fazendo urrar de dor. Mas essa dor também não durou muito. A jovem girou o corpo em uma cambalhota para traz e se livrou do golpe de seu irmão levantando-se rapidamente e tomando distancia, John também começou a se levantar, mas não foi tão rápido e foi ai que a garota aproveitou. Assim que ele se pôs de pé Lulaby avançou ferozmente, sem lhe dar a chance de colocar-se em guarda novamente, e começou a acertar furiosamente uma sucessão de socos no abdômen de John que o fez cambalear para traz e então ela finalizou com um golpe de palma aberta que o fez cair com as costas na janela do quarto fazendo-a rachar.

– John! Lulaby! Parem de quebrar tudo ai em cima ou então eu vou ai e quebro vocês dois! – eles ouviram uma voz gritar no piso abaixo.

– Tá bom vó! – Gritaram os dois em uníssono.

John se levantou sério e olhou para Lu também séria. E então desataram a gargalhar. John foi em direção a Lu e abraçou com força.

– Bom dia irmã – e a beijou na testa.

– Café tá na mesa! – Novamente sua avó gritou do andar de baixo.

– Já vamos! – Gritou John em resposta enquanto dava outro beijo na cabeça de Lu e a afastava – Na próxima vez que inventar de fazer algo assim coloque alguma coisa por baixo beleza?- Disse ele se dirigindo a garota.

– E você – Respondeu Lu lhe dando um soco de leve no ombro – Me arremesse na cama e não no guarda-roupa beleza?

– Acho que o irmão mais velho jogar a irmã na cama seria no mínimo estranho não acha? – Disse ele rindo.

– Idiota você entendeu – Ela respondeu também rindo e saiu do quarto com John logo atrás e os dois desceram as escadas em direção à cozinha. “Estranho” pensou Lulaby “to com um mau pressentimento sobre hoje”.

Notas finais
E é isso kkkk. Comentem o que acharam e nos vemos na próxima semana (ou talvez nessa mesmo quem sabe :v) Obrigado por terem lido, Atenciosamente, Criminoso Vermelho.