Crônicas De Um Futuro Incerto
3 Ascensão de Liv: Parte 2
Notas iniciais
Na cozinha um pequeno banquete estava sobre a mesa.
— Eita, é natal? Ano novo? Aniversario? – Perguntou John observando todas aquelas delicias. Bolos de milho, de cenoura, chocolate. Ovos fritos, bacon, sucos de diversos sabores, iogurte e algumas outras coisas. – Já sei! A Lulaby finalmente desencalhou! – Falou ele rindo e levantando as mãos em comemoração. A garota simplesmente acertou uma cotovelada em suas costelas. – Ai! Você não acha que já acertou minhas costelas o suficiente não?
— Se a vovó não fosse reclamar se eu quebrasse uma delas eu teria chutado ainda mais – Respondeu a garota com um sorriso irônico nos lábios enquanto John acariciava a parte acertada.
— Já chega vocês dois. Se sentem e comam. – falou Helena a senhora que já tinha seus setenta e poucos anos e estava bem mais conservada que muitas jovens por ai, afinal ela não gostava de ficar parada e estava sempre cuidando de seu corpo e da casa a ponto de parecer ter apenas entre cinquenta e sessenta anos.
— Deixe eles Helena. Eles são jovens, devem se divertir mesmo. – o senhor de oitenta anos ria enquanto se sentava para comer. Roger o avô dos dois irmãos era um velho carpinteiro e marceneiro. Que não cansava de trabalhar, então dessa forma assim como Helena, era bem conservado. Tinha trabalho toda semana. Pessoas vinham até ele por conta de seu ótimo trabalho com madeira. Principalmente mães com pedidos de berços para seus filhos que estavam para nascer. Seu trabalho era conhecido em toda a cidade e ele recebia bem o suficiente para sustentar a todos, com John ajudando em muitos de seus trabalhos e às vezes com trabalhos de meio período.
— Tudo bem. – concordou a senhora com um suspiro – E John, não, não tem nada especial no dia de hoje. – “Exceto que foi no dia de hoje, dez anos atrás, que vocês surgiram no meio daquela sala bem ali” pensou ela relembrando de quando duas crianças sujas e sozinhas surgiram em sua sala. Seus netos. Um deles chorava desesperadamente enquanto o outro o abraçava sorrindo e dizia que ia ficar tudo bem, por mais que também chorasse.
Helena observava o garoto pelo canto dos olhos, ao tempo que continuava comendo para disfarçar. Ele brincava e fazia gestos exagerados que faziam Lulaby e Roger rirem, parando apenas de vez em quando para comer um pouco da pequena montanha que havia em seu prato. “Você estaria orgulhosa dele Natasha.” pensou. Em alguns momentos quando ficava serio, suas feições lembravam a mãe, mas na maior parte do tempo sorria e brincava, assim como seu pai, “ó Deus como eles são parecidos” relembrou um passado que a muito ficou para traz. Talvez estivesse chegando a hora de contar tudo a eles.
— Vó? Tá tudo bem? – John perguntou interrompendo uma piada para encara-la. Só então ela percebeu que estava chorando.
— Oh, sim, sim querido. Tá tudo bem sim. – ela sorriu enquanto enxugava as lagrimas. – Só estava pensando aqui em como é bom ter todo mundo junto aqui.
— Mas vó, nós sempre estamos juntos aqui todos os dias – disse o garoto. Helena sabia bem como aquele garoto era inteligente, não ia cair nessa tão facilmente, por mais que agora dissesse que acreditava nela, logo, logo iria procura-la para saber o real motivo das lagrimas.
Roger engoliu em seco e ficou alternando o olhar entre John e Helena, com uma cara de “Houston we have a problem”. Já Lulaby comia calmamente uma fatia de bolo enquanto também encarava os dois.
— Ora John, eu já sou uma velha com os pés na cova, por mais que façamos isso todos os dias eu não sei o quanto ainda vou viver para ter mais dias assim, então para mim todos eles são especiais.
— É faz sentido. Desculpe a arrogância. – Disse ele meio sem jeito enquanto coçava a cabeça.
— Não precisa se desculpar querido, eu também não deveria ter me deixado levar tanto pela emoção. – Falou a senhora enquanto estendia a mão para tocar a do neto em cima da mesa. – Esta tudo bem. – e sorriu para John que retribuiu igualmente — Chega desse papo, vamos comer. – e lhe afastou a mão.
— Sim senhora – Respondeu ele e começou a atacar o prato como se não houvesse amanhã. – Onde eu estava mesmo? – e voltou a contar sua historia com a boca cheia de comida cuspindo farelos sobre todos.
— John seu porco! Não fale com a boca cheia! Tá sujando todo mundo! – Lulaby reclamava enquanto limpava os farelos de suas vestes e dava um tapa no ombro do irmão, enquanto o mesmo não parava de rir junto com seu avô.
“É talvez ainda tenhamos tempo” Helena pensava e também começava a brigar com John.
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