Cry of Legacy
5 Cry of reminiscence V
Notas iniciais
“Ainda bem que você voltou.”
“Você sentiu saudades, Rose?”
“Sim, senti”
― Está dormindo? – perguntou algo além da escuridão. ― Lucy-sama!
Lucy despertou. Ela estava na mansão Heartifilia, imóvel enquanto via ela mesma, quando criança, dormindo na escadaria e um dos seus empregados tentando acordá-la.
― O que é isso? – perguntou Lucy a si mesma.
Uma mulher de cabelos loiros e com veste negra passou por ela, e dela saía uma aura assustadora. Lucy observou aquele ser olhar para seu “eu” criança e subir as escadas de sua casa. Lucy tentou falar algo mais ninguém a ouvia.
Nesse momento, ela só pensou em uma coisa: eu morri no mundo real e agora um filme de minha vida está passando pela minha cabeça. Ficou ali parada, vendo a empregada tentando acordar seu “eu” criança.
― Lucy-sama, acorde.
Lucy acordou ainda meio sonolenta, começou a roçar seus olhos com suas mãos e logo se espreguiçou com as mãos para o alto, bocejando. A empregada olhava-a despertar de seu sono.
― Lucy-sama, se está cansada é melhor você descansar em seu quarto.
― Aquela mulher... Está bem? – perguntou Lucy, sonolenta.
― Não é aquela mulher e sim sua mãe – disse a empregada, repreendendo-a. ― Ela não está nada bem, você devia ir visita-la mais. Ou você não gosta dela?
― Eu gosto dela sim! Ela me conta historinhas e me mostra um mundo que não posso ver além dessa mansão! – disse Lucy, totalmente disposta.
― Que tal você ir visita-la hoje, hein? – disse a empregada, tentando reaproxima-las.
― Sim. Vou visita-la daqui a pouco, já que não tenho nada para fazer mesmo.
― Não use sua bondosa mãe como último caso.
Lucy se levantou e saiu correndo pelas escadas, “Pode até ser minha mãe, mas não me lembro dela!” disse em voz alta para todos que estavam por perto ouvirem. Depois disso saiu correndo pelo corredor sumindo de vista.
― Coitadinha, desde que aconteceu aquilo se esqueceu de tudo e de todos ao seu redor. Espero que um dia se lembre pelo menos de seu pai e de sua mãe. Humpf maldito ladrão! Se não fosse por ele, meus patrões viveriam felizes – disse a empregada, inconformada com a situação.
Lucy que estava imóvel em frente à escada ouviu tudo que não sabia. “O que esqueci? Eu me esqueci de meus pais biológicos?” pensou Lucy. Com essa descoberta, passou por entre a empregada — que já estava rumando para seus afazeres domésticos — e subiu as escadas.
Andou por entre os corredores, passou por inúmeros quadros de pintura a óleo. Ao atravessar o corredor, viu seu “eu” criança com um livro e sua boneca favorita, andando pelo estreito corredor. Ela pegou na maçaneta de um dos quartos e abriu à porta, a Lucy mais velha acompanhou-a. Elas entraram no quarto de sua mãe que estava acamada e bastante pálida.
Já se passaram quase um ano desde que Lily Heartfilia ficou acamada em repouso extremo. Dizia os empregados que ela ficou débil após sofrer de uma tentativa de assalto que resultou na morte do bandido e deixando Lucy, sua filha, gravemente ferida.
Lucy não acreditava que estava vendo sua mãe em cores vivas depois de vários anos, mesmo que tudo não passasse de uma ilusão provocada pela sua mente. O seu “eu” criança fora até a cama, ajoelhou-se no chão e ficou a fita-la enquanto Lily dormia. Não demorou muito pra que Lily acordasse e visse sua amada filha do seu lado.
― Lucy, você devia estar brincando agora – disse Lily, sussurrando.
― Eu não quero brincar, só quero ficar próxima de você – disse Lucy, olhando-a. ― Papa disse que mama irá nos deixar, é verdade?
― Sim. Mais eu sempre estarei ao lado de vocês, sempre.
― Eu não quero que você morra! Eu não quero... – disse Lucy, chorando. ― Mesmo que eu não consiga lembrar nada, eu quero ficar próxima de você... Eu quero conhecer mais o meu passado... Eu, eu...
Lucy começou a chorar, inconsolavelmente, perante Lily. Enquanto isso, a outra Lucy que observava cena, não conseguia entender o que havia acontecido. Há pouco tempo, seu “eu” criança desprezava a Lily, pois dizia que não se lembrava dela, mas agora viu seu “eu” dizendo que não queria que ela fosse embora. O quarto ficou escuro de repente.
― É como um filme – disse a mulher de cabelos loiros e veste negra que vira há pouco. ― Eu nunca pensei que você fosse como um gato.
― Quem é você? – perguntou Lucy, olhando para as costas da mulher de negro. ― Como você sabe quem eu sou?
― Sou alguém que amava sua mãe – disse a mulher, virando-se para Lucy. ― Isto responde sua pergunta?
― Você amava-a? Minha mãe nunca falou de você.
― Ela não podia, porque não existo.
― Como assim?
― Me responda: o que você está fazendo aqui? – perguntou a mulher, sentando em uma poltrona de ossos que acabara de se materializar. ― Veio me pedir ajuda?
― Eu não sei, eu estava sendo...
― Entendo, há um jeito de você mudar tudo a seu favor, mas você deverá sacrificar algo com valor correspondente. Você aceita?
― Eu quero ser forte. Eu quero salvar meus amigos! – esbravejou Lucy, com determinação.
― Eu te darei o poder para tal coisa, mais saiba que esse poder foi o mesmo que você usou para matar aquele homem e sua... Mãe.
Lucy ficou perplexa, não se lembrava de algo como isso. Até onde se lembrava, sua mãe morreu de uma doença incurável. Mais algo dizia que o que aquela mulher dizia era verdade, pois Lucy perdeu toda sua memória de quando era mais nova após um incidente. Essas memórias correspondiam a sua infância antes do incidente, as memórias com sua família e seu desejo de usar magia e ser forte igual sua mãe.
― Você não se lembra por causa daquilo que aconteceu há muitos anos – disse a mulher, agora com uma expressão triste. ― Você... Sua existência levou minha querida amada para longe de mim e de tudo que sonhei para ela.
― Não!
― Ela te amava muito, não podia negar seu pedido naquele dia – comentou a mulher de preto, se levantando da poltrona e indo até a Lucy. ― Eu quero proteger a vida que minha querida amada se sacrificou.
Lucy não aguentou ouvir a dolorosa verdade e caiu em prantos. Chorava querendo que tudo aquilo fosse mentira. Aquela pessoa levou-a para o último dia com sua mãe: seu leito de morte. Lucy, que estava ao lado de sua mãe, pôde vê-la ao lado de seu pai e de seu “eu” criança. Eles estavam de mãos dadas e chorando muito. Lily já havia morrido, sem dor.
― Você tem o sangue de nosso clã, mesmo que você use essa magia... – disse a mulher, indo até a Lily. ― Você não morrerá.
― Eu quero proteger meus amigos, quero pelo menos usar essa vida para salva-los – disse Lucy, enquanto chorava e pegando na mão daquela mulher. ― Por favor, me empreste seu poder – suplicou.
― Farei sua vontade da mesma forma que fiz a última vontade de sua mãe – disse a mulher, pegando levemente em seu rosto.
― Antes de tudo, me diga qual o seu nome?
― Meu nome é Layla.
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