Cry of Legacy
6 Cry of death
Notas iniciais
Lucy, quase morta, se levantou perante os olhos daqueles incrédulos. Ficou reerguida. Seu corpo não escondia o sofrimento que ela sentira nas mãos inimigas. Ainda com os olhos fechados, ela andou um pouco para frente, se distanciando de seus amigos presos na parede.
― Você ainda está viva – disse Yome, dando um riso de “quero mais”. ― Então só devo tortura-la até você morrer!
― Ela está diferente – comentou o velho homem.
Yome lançou um feitiço de bolas de fogo com intenção de mata-la, Lucy ficou imóvel. Natsu e os outros tentou sair da prisão na parede para salva-la mais o feitiço usado era muito forte. Mesmo assim, o ataque não fez quaisquer efeitos na Lucy. Yome ficou desacreditada e começou a ataca-la com todos os feitiços que conhecia, mais nada surtiu efeito.
O inesperado aconteceu logo em seguida, Lucy abriu os seus olhos. Seus olhos perdeu aquela coloração castanha. No lugar, cor de sangue vivo tomava o lugar. Zeel, Yome e o velho olhavam-na, totalmente, chocados. Natsu e os outros estavam curiosos em saber por que eles ficaram daquele jeito, como se estivesse visto um fantasma.
― Como vocês ousam me insultar? – perguntou Lucy, ou era o que parecia.
― Insultar? Do que você está dizendo?
― Lucy! – gritou Natsu, enfurecido.
Lucy olhou para o encontro de seus amigos, mesmo não parecendo feliz em vê-los. Natsu e o pessoal sentiram na pele o que os inimigos viram. Aquela não era a Lucy.
― Quem de vocês ousou me enganar? – perguntou Lucy, olhando para os inimigos.
― Quem é você?! – Perguntou o velho senhor, sentindo uma aura esmagadora vindo da jovem maga torturada.
― Onde está a Lucy? – perguntou Erza, inconformada.
― Desgraçado! O que você está fazendo no corpo da Lucy? – esbravejou Natsu, em fúria.
― Lucy? – disse ela mesma. ― Ela me deu permissão, minha criança.
― Nos tire daqui! – gritou Gray.
― Nossos inimigos nunca que os tirarão daí – disse Lucy, possuída por alguém, ainda de costas aos prisioneiros do feitiço. ― E eu não posso tirá-los daí ainda, pois vocês serão como uma pedra em meu sapato, ou melhor, em minha bota.
― Seu...
― Natsu, cuidado com suas palavras – disse Wendy, tentando acalmá-lo. ― Talvez a Lucy se magoe.
― Você tem razão Wendy – concordou Erza, enquanto tentava sair do feitiço à força.
― Ela não ouvirá – disse a Lucy possuída, de costas. ― Tenho mais o quê fazer do que ficar com essa conversa fiada.
O ser que se encontrava com o corpo da Lucy em posse, se afastou um pouco deles. As paredes de concreto começaram a rachar do nada. O teto do local fragmentou-se. Ela parou de andar. Seus amigos, ou melhor, os amigos da Lucy ficaram a observar sem nada a fazer. Os bruxos prepararam-se para um contra-ataque. A caminho daquele local, a associação de magos santos juntamente com Doroth e Liz estava à cerca de uma hora.
Nuvens se formaram, deixando o céu negro em pouquíssimos segundos. Uma poderosa magia crescia a cada instante causando à fuga de animais e pássaros das áreas florestais. Uma poderosa ventania veio como murros quebrando árvores, arrancando plantas e retirando as telhas das casas próximas ao local.
― Oh Deus da morte! Vós que habitais o vale de carnificina, eu rogo! Empreste-me seu poder – disse a Lucy Possuída, esperando algo acontecer. Um grande poder, uma aura assustadoramente destrutiva, rodeava o corpo da Lucy.
― O que é isso? – perguntou Wendy, assustada.
― Lucy – disse Happy, com uma voz triste.
― Ela está além de nossos feitiços – comentou o velho bruxo a seus companheiros imóveis de tanta excitação.
― Assim é melhor, assim poderei usar todo o meu poder – disse Yome, em êxtase.
― Deus da morte, obrigado por sua oferenda a seu fiel servo – disse Lucy possuída, preparando-se. Ao colocar sua palma da mão direita virada para frente de seus inimigos, ela começa a recitar algo:
Para limpar este mundo do mal,
Ofereço a ti meu corpo e minha alma.
Magia proibida!
Todo o local, dentro das ruínas e por fora delas, ficando rente à floresta e a algumas vilas por perto, apareceu um grande círculo. A vegetação verde ficou negra como a própria terra ficou enevoada. Nas paredes das grandes ruínas, sombras vindas de longe, vagavam sem rumo. A Lucy continuou a recitar:
Eu sou sua rainha nesta terra,
A única a quem deve obedecer.
Agora meus súditos chegaram a hora de vocês lutarem por mim!
Acordem de seu sono eterno e saía de seus túmulos.
Seja minha espada.
Seja meu escudo.
Seja meu honorável exército.
Eu, rainha dos mortos, vós ordeno!
Não temas!
O cheiro de carnificina tomou conta do lugar. Mãos saíram do solo profano em toda sua extensão. Causando terror não só aos magos e bruxos ali presentes, como também aos cidadãos das vilas atingidas. Logo, a cabeça foi posta para fora e com a ajuda das mãos os membros inferiores estavam descobertos da terra negra. O exército de mortos-vivos ficou a se mexer um pouco mais sem sair do lugar. As sombras, que até então estava vagando sem rumo nas ruínas, impregnaram ao corpo da Lucy e foi dada a ela uma foice.
Tudo estava pronto. Lucy vestia o próprio manto da morte e uma máscara em forma de crânio frontal cobria seu rosto. “Viva por mim, somente por mim” disse Lucy, finalizando a magia. Uma mão de ossos alcançou o teto pelo lado de fora das ruínas e logo apareceu uma cabeça e a outra mão, era uma caveira gigante. Asas negras saíram de suas costas e ela levantou voo, ficando suspensa no ar. Logo a mão da caveira penetrou as ruínas, deixando a palma virada para o céu, fazendo com que a rainha dos mortos repousasse em cima.
― Isso é... Não pode ser – disse Zeel, hesitando. ― Isso muda tudo!
― O que é isso? – perguntaram-se os magos da Fairy Tail, perplexos.
― Odeio admitir isso, mas é impossível pra eu lidar com essa magia – disse Yome, desistindo de confrontá-la frente a frente.
― Todas as magias proibidas há sacrifícios piores do que aquelas consideradas antigas – disse o velho sábio.
― Essa magia é diferente – disse Zeel, suando frio.
― C-Como assim? – perguntaram-se o velho e a Yome, gaguejando.
― Ela é uma das herdeiras do clã dos mortos. Ela é uma ceifeira genuína que usa o poder da morte como sua principal magia – disse Zeel, dando uns passos pra trás. ― Ela é a própria morte em pessoa, não há como escapar dessa.
Lucy observava da palma de seu servo o campo de carnificina. Ela deu as ordens e os mortos-vivos reagiram a suas palavras. Eles começaram a andar para capturar seus inimigos. Yome usou sua varinha e lançou várias bolas de rocha nos zumbis, mesmo assim eles continuaram a se levantar. Zeel socava-os um por um, já mostrava sinais de cansaço. Enquanto isso, o velho homem usou seu cajado e conjurou uma magia de levitação ficando acima de seus companheiros e de cara com a ceifeira.
― Zeel faça alguma coisa! – disse Yome, já ofegante. ― Não aguentarei por muito tempo.
― Meu poder não funciona contra eles!
― Seu poder pode regressar tudo à sua forma original, como pode você não conseguir desfazer isso?
― O poder dela é maior que o meu.
Mãos saíram do chão agarrando os pés de Yome, e logo suas pernas ficaram presas. Os mortos a imobilizaram, agarrando-a. Um círculo negro apareceu sobre ela, correntes saíram, acorrentando-a dos pés à cabeça.
― Zeel, Hendric, salve-me! – suplicou Yome, sendo puxada pelas correntes e por outros zumbis para dentro do buraco negro.
Zeel observou Yome perder sua vida pouco-a-pouco sem ajudá-la. Era impossível contra o poder da morte. Ao mesmo tempo, Zeel lutava para sobreviver. Todos os lados havia zumbis e chegavam mais a cada segundo. Sem perceber, fora pego de surpreso por correntes negras mais conseguiu, de algum modo, escapar.
Lucy nada fizera com o velho, ficou a encarar Zeel por algum tempo, até que deu partida — seu servo tirou-a das ruínas. Quando a magia de Yome já havia se apagado os magos da Fairy Tail foram libertos do feitiço e das paredes já danificadas. Eles viram a vida de Zeel dissipar sem ao menos ajuda-lo a escapar. Os zumbis agarraram-no, e começaram a arrancar sua pele. Estava podre, tudo podre. Os magos ali presentes sentiram nojo e medo. Logo, o corpo de Zeel, fora levado para dentro do buraco, ainda vivo mais totalmente deformado.
Os magos da Fairy Tail não eram os alvos e correram para fora das ruínas deixando o velho homem sobrevoando os zumbis com seu feitiço de voo. Ao chegarem lá fora, viram Lucy vestida no manto e com a máscara sob a palma da caveira gigante.
― Lucy, Volte! – esbravejou Natsu, tentando faze-la acordar.
Lucy cessou sua conjuração ao estalar os dedos. Os magos santos que estavam a caminho junto com Doroth e sua aprendiza presenciaram todos os odores de carnificina cessarem, a vegetação verde e o solo voltarem ao normal e às nuvens negras se dissiparem. Por último, no local das ruínas, o servo de Lucy desapareceu, deixando-a sobrevoando o local ainda com as asas negras.
― Pessoal, desculpe – disse Lucy, chorando após tirar sua máscara.
Dessa vez, Lucy havia voltado. Sangue saía de seus olhos mesclando com suas lágrimas, seu corpo mostrava sequelas. Lucy deixou um doce sorriso sair, naquela tarde de escuridão. Suas asas começaram a dissipar, e logo ela caía céu abaixo. Natsu correu para tentar pegá-la e diminuir o impacto.
Algo passava por entre galhas de árvores, rapidamente. No momento, em que Lucy ia cair nos braços do Natsu, algo a pegou. Era uma rapina adulta e em cima havia alguém. Segurava-a com muito cuidado. Natsu e seus amigos viram outras rapinas com seres humanos sobrevoarem aquelas ruínas atrás do que parecia ser o líder. Então eles, os magos da Fairy Tail, saíram correndo pela floresta o mais rápido possível – eles estavam totalmente exaustos por isso não puderam usar suas magias. Ao chegarem a um precipício, eles ficaram a observar, sem ao menos conseguir impedir dos estranhos levarem sua amiga embora. Eles voaram pelo horizonte banhado pelo pôr-do-sol até que entraram em um portal suspenso.
― Lucy! – esbravejou Natsu, em fúria.
Os outros magos, seus amigos, ao mesmo tempo em que ainda sentia aquela sensação de medo em relação à Lucy, mas não podiam deixar de estarem com raiva, pois também levaram uma preciosa amiga.
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