Crush Culture
6 "É assim que eles te pegam, te beijam e te esquecem" parte 2
"[...] Eu fiz o meu amor chorar
Ele fez de tudo pra me ajudar
Você sabe, me deixou à vontade
Ele me amou de um jeito tão louco
Que me fez tremer nas bases"
Não havia lágrimas, exceto um profundo aperto no peito de Luka, que tinha um sorriso triste. Ele sabia muito bem que não era culpa de Adrien, ele sabia da incapacidade do rapaz de trair Marinette, mas de alguma forma queria negar para si mesmo o que Kagami havia feito aqui.
— Eu... — Sua mente estava atordoada, as palavras lhe fugiam da boca enquanto tentava desviar o olhar e lembrar-se o porquê dele ter voltado para a escola. — Acho que vim pegar esse conjunto de cordas que esqueci...
O rapaz caminhou até uma das mesas e pegou um pequeno envelope.
O clima estava profundamente silencioso, exceto pelos passos de Luka que eram pesados e pareciam confusos. Ele deu meia volta e saiu da sala, ainda perturbado pelo o que tinha visto.
Kagami não sabia o que fazer, mas deu um passo para frente, querendo ir atrás do rapaz, mas sentiu Adrien segurar no seu pulso, fazendo que ela olhasse para ele.
— Acho que não é uma boa ideia — disse sem tirar os olhos de Kagami, mostrando certa seriedade em suas palavras.
— O que você tem a ver com isso? — perguntou atordoada por tal contato.
— Foi a mim quem você beijou, e sei que você não tem nem mesmo um bom pedido de desculpas pra isso — respondeu franzindo o cenho.
Adrien soltou Kagami ao perceber que ela não iria desistir e apenas soltou um suspiro de derrota.
A moça correu para fora da sala enquanto buscava Luka. Ela viu que ele estava quase no final das escadas e correu por elas, sem se importar se tal atitude era perigosa e poderia lhe causar algum tipo de traumatismo caso escorregasse nelas.
Quando o alcançou, ela segurou o pulso dele, fazendo que o rapaz se virasse para ela sem dizer nada, apenas esperando ela dar qualquer tipo de desculpa por aquele beijo que ele tinha visto.
— Luka, o que foi que você viu? — indagou, olhando-o receosa.
— O suficiente — respondeu seco com o olhar sobre a garota.
Aquele olhar frio e mórbido do rapaz fazia Kagami se sentir pequena. Ela queria que ele desse um tapa em sua cara, gritasse com ela, demonstrasse um pingo de raiva. Era muito mais fácil lidar com a fúria do que com a frieza. Era muito mais familiar ver lágrimas, ouvir gritos do que aturar o silêncio sobre um olhar gélido e decepcionado.
— Luka... — Ela buscava as palavras enquanto desviava o olhar daqueles tristes olhos que não reconhecia.
— Por favor, não diga nada. Talvez seja melhor... — Luka interrompeu-a, tinha um nó apertado em sua garganta que estava lhe deixando sem ar, ele apenas precisava sair daquele local. Sua língua sangrava dentro de sua boca, pois mordê-la era seu mecanismo de autocontrole, e naquele momento, ele precisava manter-se calmo.
— Luka, eu não queria...
— Por favor, fiquei quieta — resmungou ele, engolindo em seco, podendo sentir o gosto de sangue em sua boca. — Não quero que a situação piore...
Kagami se aproximou de Luka, mas ele recuou.
— Estou falando sério, Kagami. Se afaste, pelo pingo de chance que temos de arrumar as coisas! — esbravejou o rapaz. Seus olhos oceânicos queriam desaguar, mas ele forçava-se a não deixar que isso acontecesse.
— Eu gosto de você, Luka — falou Kagami com a voz falha.
— Claro, claro — ironizou o rapaz, sentindo um aperto no peito com tais palavras. — É assim que acontece: você me beija e me esquece, para no final dizer que gosta de mim... De todos os deslizes amorosos, esse foi o que mais doeu.
— Eu não queria fazer aquilo, Adrien — reclamou a garota, que colocou as mãos na boca quando se tocou que havia tido um ato falho. — Luka, eu quis dizer Luka!
— Por favor, Kagami, vá para sua aula de russo... Eu tenho um ensaio. — Luka deu as costas para Kagami e saiu caminhando em passos rápidos e pesados.
A garota ficou observando-o se afastar, enquanto seus olhos começavam a ficar marejados. O amor era a pior droga que existia no mundo, aquela que mais viciava e mais tornava dependente. E Kagami estava dependente do amor, do amor de Luka, do amor... do amor de alguém.
O doce sabor salgado de suas lágrimas começavam a escorrer pelo seu rosto. Aquela era a pior sensação de todas, pois dessa vez ela estava sã, sabia o que estava fazendo e sabia que estava errando. Talvez Luka fosse perfeito demais para alguém como ela.
Seu corpo ficou pesado, e ela precisou sentar-se no chão, enquanto soluçava entre murmúrios "volta, por favor".
Uma figura se aproximou dela, se abaixou e colocou um de seus braços ao redor de seu pescoço, e fez-a levantar.
— Você segue fazendo merda, né? — comentou Adrien, entre um suspiro. — Deveria me escutar mais. — Ele tinha um tom sério, mas riu logo em seguida, fazendo que Kagami o acompanhasse.
— Cale a boca... — Ela riu daquilo, ainda entre pequenos soluços.
Adrien limpou as lágrimas de Kagami com um pequeno sorriso no rosto. E foi caminhando com ela para fora da escola. O carro já lhe esperava, e ele insistiu que a garota entrasse nele.
— Entre no carro — ordenou Adrien.
— Eu vou caminhando — negou a garota.
— Você já está atrasada e abatida o suficiente, sua mãe vai te matar — retrucou, vendo Kagami revirar os olhos em derrota.
— Droga, você ainda me conhece tão bem. — Ela entrou no carro pela insistência do rapaz, com a cara emburrada.
— Você não mudou nada — disse, entrando após ela.
— Idiota — resmungou.
Adrien e Kagami foram pelo em silêncio pelo resto do caminho até a casa da garota. Quando chegaram, o rapaz saiu e ajudou a garota a descer.
— Amanhã vamos dar um jeito nos seus problemas — anunciou o rapaz, deixando Kagami confusa.
— Problemas?
— Vamos fazer você parar de ser uma idiota até o Dia de São Valentim...
— Vamos? — A cada palavra que o garoto dizia, ela ficava mais e mais confusa.
— Marinette e eu.
Kagami sentiu as pernas fraquejarem de novo. Cada segundo parecia que o passado revivia-se para ela, a diferença era que agora o passado estaria lhe ajudando com o futuro.
A garota apenas negou com a cabeça e acenou para o rapaz, indo abrir o portão de sua casa, enquanto o rapaz voltava para dentro do automóvel.
As aulas de alemão seriam mais custosas que nunca, com Luka em sua mente seria difícil se concentrar.
O que ela pouco sabia era que o rapaz, naquele momento, não estaria no ensaio. Ele teria furado com a banda e dado um jeito de se afogar no álcool novamente pelas ruas de Paris. E aquilo destruiria a si mesmo e ao feriado mais doce da cidade da luz e do amor.
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