Crumbs
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"Voltei." Pensou, tentando ao máximo fazer o mínimo de barulho. Quase impossível, já que o silêncio sepulcral da madrugada foi substituído pelo seu coração, cuja frequência aumentava uma batida a cada degrau.
Zoro estava no centro da cama, babando deselegantemente. Essa visão pavorosa fez Sanji revirar os olhos, mas seu coração tinha outra opinião sobre tal. Seu ritmo mudou sutilmente e agora ele batia um pouco mais forte. Ele podia ouvir o barulho do seu pulso intensificar, como o som de tambores, enquanto tentava sutilmente deitar-se ao lado do neandertal.
Ele dormia com o peito desnudo e as cobertas jogadas no chão. O apartamento poente dele era sim um pouco mais quente que o seu, mas isso já era um pouco demais para o frio de doer que fazia lá fora. Zoro dorme em qualquer situação: de costas, de bruços, no frio, calor, na cama, no chão, sozinho, acompanhado, e seu sono é muito pesado. Sanji já havia aprendido isso em suas inúmeras noites ali. Era bem útil para amenizar a vergonha de estarem abraçados durante a noite. Então, ele se levantava de manhã e o moreno nem se mexia. Sanji imaginava se ele sequer notou quando ele chegou. Se faz alguma diferença ele abraçá-lo. Durante um momento de dúvida, seu coração falhou a batida.
Seus dedos então se moveram lentamente até os dele, tímidos e inseguros. E sua pele fria tocou na pele quente do outro. Ele o observava do canto do seu olho descoberto, para ver se alguma coisa mudava em sua expressão. O rosto continuava o mesmo, nenhum músculo contraía. Doía ter tão pouco tempo. Daqui a poucas horas Sanji iria se levantar para trabalhar e mesmo se não o fizesse o idiota iria acordar e ficar ali seria embaraçoso. Sanji fingia que nunca iria acontecer. Que os ponteiros do relógio iriam parar. Que seus braços não ficariam vazios. Por medo do vazio. Medo de não ter em que se agarrar, medo do que não é palpável. Medo de ficar sozinho. A cor do seu rosto foi drenada, estava paralisado dentro de sua própria angústia e seus batimentos enfraqueceram, deixando o quarto silencioso.
No meio do turbilhão de sentimentos e paranoia ele sentiu a mão do outro, antes imóvel, entrelaçar seus dedos e apertar a sua. Seu rosto rapidamente recuperou a cor e tingiu-se de vermelho de vergonha da possibilidade dele ter acordado, o coração recuperou a força, galopeando estrondosamente, descompassando de intensidade. Observou Zoro discretamente, ele ressonava. Como se mesmo dormindo ele pudesse sentir sua angústia e trouxesse conforto. As batidas agora falhavam de emoção, mas ainda assim tudo perfeitamente orquestrado. Como o final épico de uma sinfonia em toda sua glória. Uma que começa apenas com um tímido clarinete e se transforma majestosamente com a entrada de trompetes, trombones, tambores, violinos e contrabaixos. E pensar que durante tanto tempo havia tentado manter seu coração em silêncio.
"O silêncio é superestimado." Pensou, pouco antes de adormecer tranquilamente ao som da canção que vinha do próprio peito.
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