Notas iniciais
Bait -q

Ele não queria, mas sente sua falta toda hora. Passa o dia só, em pensamentos que o alegram e o sufocam alternadamente. Ele detesta se arrastar. Mas detesta não se arrastar. Detesta vê-lo se esvaindo pelos seus dedos sem fazer nada. Detesta o nó na sua garganta quando pensa nele. Detesta demorar horrores para adormecer. Ele detesta muita coisa sobre essa situação. Mas ele o ama. E é a única constante.

Ele amava quando ele aparecia. Ele amava falar com ele. Ele amava vê-lo feliz. Ele amava cada maniazinha e cada chatice dele. E dói. Porque sentia que amava pelos dois. Porque ele estava em queda livre e se esborrachou no chão. Dói porque ele não consegue passar um segundo sem ele. Dói porque ele o quer. Ele só...o ama tanto. Que chega a ser vergonhoso. É patético, na verdade. Ele pensa algumas coisas e fica refletindo como que alguém tem coragem de pensar isso, de querer se despir emocionalmente assim e se entregar por inteiro numa bandeja? É porque o ama. É porque quer fazer tudo ao seu alcance e dar-lhe tudo de si. Porque tudo de si já é dele, embora ele não queira. Ele o ama. Queria gritar isso. Ele é um retardado. Idiota. Energúmeno. Mas ele o ama. Ele queria uma certeza. Ele o queria. Ao invés disso ele tinha migalhas e tentativas vãs de aproximação. Ele tinha medo. Tem. Ele tinha lágrimas espessas que escorriam teimosamente pelo seu rosto. Tem. Ele tinha insônia. Tem. Parece que vai implodir.

Não tem descanso, não tem sossego. E ele tenta manter sua compostura e conversar normalmente e agir normalmente, viver normalmente. Mas a máscara fica perigosamente próxima de cair a todo instante. Porque não sabe o que fazer. Ele sabe bem que isso é porque é um idiota. Mas não pode evitar. Porra, ele o ama. Por que não pode dizer-lhe isso? Por que ele tem que sofrer sozinho? Por que tem que esperá-lo até definhar?

Por um momento ele poderia fantasiar. Que Sanji vem. E está deitado ao seu lado como se pertencesse ali. E ele teria o rosto mais tranquilo do mundo, como se todas as preocupações tivessem sido varridas da sua mente. Como se ficar ali o ajudasse a dormir. Zoro o observaria abobado, quase não acreditando na sua felicidade. Talvez ele mal conseguisse encostar seus dedos em seu rosto, com medo de ser mentira e tudo se esvair como fumaça. Talvez ele o abraçasse bem forte sem medir direito sua força, como o ogro desajeitado que ele é. Talvez ele o acordasse e o outro ficasse sem entender e reclamasse, ameaçando chutar sua bunda. As lágrimas teimosas se formariam automaticamente no canto dos olhos. E a melhor coisa é o porquê. Sanji viria porque o quer. Sanji viria porque o ama. E isso o mataria de alegria.

Zoro abriu seus olhos e quase morreu. A alegria de ver o rosto do outro ao seu lado dormindo debaixo de fios de ouro quase o matou.

Notas finais
Obrigada se leu até aqui..
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!