Cruel
23 Filhas das águas — Parte I (Finale)
Notas iniciais
— Bethany! — Aquela coisa me chamou.
— Essa coisa está te chamando, Beth — Mona me alertou.
Eu achei melhor assumir minha outra forma humana. Eu fechei os olhos e assim que os abri, eu tinha voltado a ser eu.
— O que você quer? — Eu bradei.
— Bethany — A voz daquele ser continuou.
— O que você quer?! — Eu exclamei.
Bethany
O ser começou a andar rebolando sobre a água. Ele vinha na minha direção.
Quando se aproximou do lado da borda onde nós estávamos, eu interferi.
— Pare ai!
— Querida, é sua mãe, Serena — Aquele ser tentou me convencer.
— Não, eu não tenho nenhuma mãe com o nome de Bethany — Eu contestei ela.
—Sim, você tem. Olha, me desculpa. Eu te abandonei na praia. Eu sinto muito.
— E você se diz minha mãe? — Eu a questionei— Quem é meu pai de verdade e onde ele está?
— Seu pai era um faroleiro. Mas, ele não sobreviveu — Óbvio, ela o matou, eu entendo isso — Mas se ele estivesse vivo ele ficaria muito orgulhoso de você, vendo como você cresceu...
— Olha, "mãe"...pelo menos me diga o nome do meu pai — Depois de todo esse tempo que eu fiquei sem saber onde meu pai de verdade estava, eu acho que eu mereço alguma explicação.
—William, seu pai se chamava William O'Brien — Aquela impostora soltou.
—William O'Brien...todo esse tempo procurando pelo meu pai, e só agora você aparece e revela o nome dele? — Eu a questionei.
— Me desculpe. Eu espero que você me perdoe, Bethany.
— Como? E como você sabe o meu nome?
— Você é filha do oceano assim como eu. O oceano é como uma enorme orelha, boas novas vão e vem o tempo todo — Serena me disse. Está bem, eu vou usar o nome dela.
— E você espera que eu acredite nisso? E outra coisa, que nome você usou para foder com a vida da minha nova namorada? Desculpa, eu também não contei que eu comecei a namorar uma humana e acabei me apaixonando por ela.
— Como assim, Bethany?
— Eu ganhei uma nova namorada. E aparentemente tem essa garota que fodeu com a vida dela que eu não sei o nome.
Eu estava bastante indignada pois todo esse tempo e ela nunca realmente apareceu pra me ver, saber como eu estava, ou para me mostrar que eu tinha uma mãe de verdade, não aqueles pais falsos que me encontraram na praia.
Eu acho que nesse ponto eu não queria mais saber dos meus pais adotivos, nem da minha mãe — Serena— Eu apenas queria, não, eu desejava a Mona. Eu tinha certeza de que ela iria me fazer muito feliz e que nós viveríamos o "felizes para sempre" daquele contos de fada tão estranho.
— Me fala logo, Serena — Eu não a considerava minha mãe por ter me abandonado para eu chamá-la de tal maneira — Que nome você usou?
—Está bem, Beth, me desculpa. Eu vou dizer a identidade que eu usei e porquê eu te abandonei — Serena revelou.
— Que ótimo! Fala logo — Eu fiquei de braços cruzados esperando a resposta.
—Vanessa. Eu assumi o nome de Vanessa — Serena atestou — Eu te abandonei na praia pois eu queria outro homem para gerar outro filho e assim continuar o legado passando a imortalidade para o próximo filho e assim por de ante, até que todos matassem os humanos.
— MEU DEUS! Então eu sou parte de um exército de assassinos, ou algo do tipo? — Eu fiquei inconformada com aquela revelação.
— Bem, infelizmente sim. Mas, você provou ser diferente. Você se apaixonou, Beth. E eu acho que está na hora de você passar o seu legado adiante — Serena me disse.
— Como assim? Eu devo passar a minha imortalidade para a Mona? — Eu fiquei confusa.
— Sim, do contrário você morrerá. Quando eu conheci o seu pai, eu me apaixonei por ele e eu queria viver uma vida ao lado dele, nós fizemos amor até a última noite dele, e depois eu o matei, pois era eu ou ele. Se ele sobrevivesse, eu morreria e não teria tido você. Então eu prefiri matá-lo, e deixá-la, para que você tomasse a sua decisão. Você me fez mudar, eu já não queria mais criar filhos para exterminar os humanos. Então eu te deixei a própria sorte.
—Não pode ser...— Mais uma vez eu fiquei inconformada.
Mona veio até mim me consolar.
— Está tudo bem, Beth. A sua mãe fez a escolha certa. Se ela não tivesse feito isso, eu não te conheceria. Eu vou cuidar muito bem de você.
Eu voltei o olhar para Mona e magicamente vi um brilho prateado na água envolvendo a cintura de Mona que estava submersa.
Mona começou a nadar pela piscina e ao vê-la de costas para mim, eu vi uma enorme cauda de peixe vermelha com um brilho dourado.
Eu abri a minha boca, meus olhos se arregalaram e eu fiquei estática. Apenas meus olhos acompanharam Mona nadando até a borda da piscina perto da escada e então dar um salto tão alto com a cauda que a fez ir até a lua que brilhava no negro céu daquela noite.
Ao mergulhar, ela girou o corpo como um parafuso sendo apertado na parede e depois caiu sentada na borda da piscina com sua belíssima cauda estendida para fora da água.
Quando Mona olhou para a sua nova cauda de peixe, ela entrou em choque.
— Meu Deus! Meus pés! Onde estão meus pés? — Mona exclamou — Bethany, o que está acontecendo comigo?
Eu voltei ao meu estado normal, pensei e logo meus pés mudaram para a minha cauda de peixe que era inteirinha prateada e nadei até Mona.
Ao me aproximar de Mona, eu pude ver com mais detalhe a cauda dela e tentei tranquilizá-la.
— Calma, Mona. Você está apenas passando por uma transformação. Logo você será como eu, e nós vamos poder ficar juntas. E você tem uma bela cauda.
—Beth, é sério. Eu quero ser normal. Eu amo você, de verdade, mas eu quero ser normal — Mona estava bastante assustada.
— Mas você ainda pode ser normal. Você pode ser uma sereia, você ser humana, você pode ser quem você quiser, e...o melhor, quando você quiser. E eu vou sempre estar com você, mas segundo Serena, um dia você terá que passar seu amor adiante, e nós ainda ficaremos juntas — Eu explanei para ela.
Eu sorri para Mona e ela de repente se acalmou e nós nos beijamos.
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