Crossfire
39 Um bom dia para casar
Notas iniciais
Mia e Castiel estavam no Mustang e a caçadora ainda não tinha respondido a pergunta do anjo sobre eles caçarem Metatron. Claro que aquela ideia agradava Mia, mas ela hesitava em responder porque ainda estava um pouco surpresa com a iniciativa de Castiel. Principalmente porque ele queria que os dois fizessem aquilo juntos. Mesmo sendo uma missão muito arriscada.
Mas já que, aparentemente, Castiel estava colocando o seu lado protetor de lado, Mia decidiu que faria o mesmo em relação à ele. Apesar de saber que Castiel também estaria se arriscando ao ir atrás de Metatron, Mia sabia que aquilo era o certo a se fazer. Eles precisavam consertar as coisas. E desta vez fariam aquilo juntos.
Pensando nisso, Mia respondeu a pergunta de Castiel com outra pergunta:
– Quando nós partimos, anjo?
– Eu pensei em pegarmos a estrada depois dos casamentos. — respondeu ele após pensar por alguns segundos. — Assim nós teremos tempo para organizar tudo, pensar em um bom plano e descobrir qual foi a última vez que o Metatron esteve na Terra. E onde.
– Claro... Afinal, nós temos que começar por algum lugar. — compreendeu ela.
– Exato. — confirmou Castiel e depois expôs — Eu não posso ir até o céu, mas o Metatron tem vindo na Terra regularmente. E é aqui que nós vamos pegá-lo, Mia. Mas primeiro nós temos que encontrar uma forma de rastreá-lo. E não se engane... Não será uma missão fácil.
– Eu sei, mas para encontrar o Metatron e consertar as coisas, eu vou até o fim do mundo se for preciso. — afirmou ela.
– Então somos dois. — apoiou Castiel e ao perceber um certo sorriso no rosto da caçadora, perguntou — O que foi?
– Eu gosto da ideia de caçar aquele desgraçado com você. Aliás, eu gosto da ideia de caçar qualquer coisa com você. É tão... Romântico. — confidenciou Mia sorrindo de novo ao terminar de dizer isso.
– É uma caçada perigosa, Mia. — lembrou o anjo mostrando que o seu lado protetor ainda estava ali.
– E romântica. — insistiu ela se aproximando e colando seus lábios nos de Castiel com um beijo suave e carinhoso.
Em seguida, Mia apoiou a cabeça no ombro dele e Castiel passou um dos braços em volta da caçadora a abraçando.
Os dois ficaram olhando o bunker pela janela do carro sem dizer mais nada. Nada mesmo.
Dias depois
Natalie abriu os olhos devagar e se espreguiçou em cima do colchão. Ela e Dean tinham voltado para o bunker há poucos dias depois do caso do Hotel Pierpont. No entanto, ela estava sozinha ali porque Dean havia dormido no quarto dele.
De repente, Natalie sorriu ao lembrar que dia era aquele. Em seguida, levantou e caminhou até a cômoda. Abriu uma enorme caixa branca sobre o móvel e passou as mãos pelo vestido de noiva dentro da caixa. Sorriu de novo e instantes depois saiu do quarto.
Ao passar em frente ao quarto de Dean, ela notou que a porta estava aberta e espiou o interior. Mas para sua surpresa, o caçador não estava lá.
Logo Mia surgiu no corredor e explicou:
– Sinto muito, mas o Dean não está aí. Ele e o Sam já foram para a casa do Bobby. É lá que eles vão se arrumar para não correrem o risco de verem as noivas antes do casamento. Mas não se preocupe. Até o fim da tarde, você vai encontrá-lo no altar e depois disso... Felizes para sempre.
Natalie sorriu um tanto ansiosa e perguntou:
– E a Claire?
– Está no quarto dela. Olhando para o vestido sobre a cama sem nem piscar e com um sorriso bobo no rosto. — contou Mia que antes de encontrar Natalie no corredor tinha passado no quarto da noiva de Sam, que estava tão ansiosa quanto a loira na sua frente.
– Eu vou falar com ela. — anunciou Natalie e em seguida se afastou.
Mia caminhou na direção oposta até que Castiel, que estava no quarto dela, surgiu na porta e a puxou pelo braço fazendo-a entrar no quarto. Antes que Mia entendesse o que estava acontecendo, ele fechou a porta.
– Ei! O que significa isso? Vai com calma, anjo. O que você está...
Mia se calou no instante em que Castiel a segurou contra a porta e a beijou. As mãos dele desceram até a cintura dela e instintivamente Mia apoiou as mãos sobre o peito dele enquanto seus lábios se envolviam intensamente. Suas línguas se encontraram e uma espécie de corrente elétrica percorreu os seus corpos cada vez mais próximos um do outro.
Momentos depois, Castiel afastou o rosto e, sem fôlego, Mia terminou a pergunta:
– Fazendo?
– Eu não sei... Eu acho que todo esse clima de casamento, me deixou meio romântico. — explicou-se Castiel apoiando a sua testa na de Mia e a olhando de um jeito profundo.
A caçadora ficou olhando para aqueles olhos extremamente azuis e expressivos a encarando e esqueceu que existia um mundo além daquele olhar.
De alguma forma misteriosa aquele olhar parecia aquecê-la. De dentro para fora. Mais do que isso. Aquele olhar a incendiava e acelerava o seu coração a cada instante pelo simples fato de estar ali, fixo nos olhos dela. E ainda comprometia a sua respiração e o seu raciocínio. Fazia Mia se sentir meio idiota.
Algum tempo depois, ela riu voltando a si e pediu:
– Então guarde este romantismo para mais tarde, anjo.
Castiel afastou o rosto e questionou confuso:
– Mais tarde? Por que não agora?
– Porque agora eu tenho um casamento duplo para administrar. E você, como padrinho de uma das noivas, deve me ajudar a fazer isso e não tirar a minha concentração deste jeito. — explicou Mia.
– Então eu estou tirando a sua concentração? — provocou Castiel voltando a encarar Mia enquanto apoiava a testa na dela mais uma vez.
– O quê...? — murmurou ela completamente perdida fazendo Castiel rir. Mia bateu no ombro dele e o anjo afastou o rosto. — Isso não tem graça. — reclamou ela em seguida.
– Desculpe. — pediu ele parando de rir.
– Aliás, o que você está fazendo aqui mesmo? — quis saber Mia. — Você devia estar pendurando aquelas latinhas no Camaro. Você só pendurou na lataria do Impala antes do Dean sair. Mas o casal Awesome ainda não decidiu com qual carro eles vão para a lua-de-mel, então é melhor deixar os dois veículos preparados.
Desta vez foi Castiel que pareceu completamente perdido. Tenso por algum motivo que Mia desconhecia. Então, estranhando o silêncio dele, ela questionou:
– Você ouviu alguma coisa do que eu disse?
– Sim. — respondeu Castiel voltando a si e então recomeçou — Mia, eu... Eu vim aqui porque eu quero te perguntar uma coisa. Uma coisa importante.
– Tudo bem, pergunta. — assentiu ela.
Castiel se afastou e começou a procurar por algo nos bolsos do sobretudo. Parecia mais atrapalhado do que o de costume e Mia franziu a testa sem entender porque ele estava tão nervoso. Também não estava entendendo se Castiel queria perguntar ou mostrar alguma coisa. Ou os dois.
Foi quando o celular da caçadora começou a tocar e ela o pegou dentro do bolso da calça jeans. Castiel parou de procurar a tal coisa e olhou para Mia.
– Espera um pouco, Cas. Eu preciso atender. É a Xerife Mills. — e depois de colocar o celular próximo ao rosto, ela começou — Alô, Xerife? Oi... Sim, eu liguei. Eu queria confirmar a sua presença no casamento duplo do ano. Ah! A senhora já está no hotel? Você... Desculpe. Ah... Eles vão ficar muitos felizes em te ver. Sim... O Bobby vai. — de repente Mia ficou em silêncio apenas ouvindo o que a Xerife dizia do outro lado e olhou para Castiel um pouco tensa. Depois ela continuou — Bem, honestamente, eu não sei porque o Bobby não te avisou que tinha voltado do... Do... Do além, né? Mas eu tenho certeza que ele deve ter uma boa explicação para não ter te procurado depois disso. Não, eu não acho que ele esqueceu. Mas é que... Esse negócio de voltar da morte deixa as pessoas meio confusas, sabe? Nossa... Eu que o diga! E aí, para completar, ele descobriu que tem uma filha e ficou ainda mais confuso. — Mia ficou em silêncio por mais alguns instantes antes de continuar — Se o Bobby falou de você depois que voltou? Bem... — Mia notou que Castiel parecia impaciente e disse para a Xerife do outro lado — Mills, só um minuto, por favor. — e então ela tampou o celular com a mão, voltou-se para o anjo e pediu — Cas, será que nós podemos continuar esta conversa mais tarde? A Xerife está meio brava com o Bobby. E eu preciso dar um jeito nisso.
– Claro. — respondeu Castiel tentando disfarçar a frustração que sentiu por não poder conversar com Mia naquele momento.
– Obrigada. Eu te amo. — encerrou ela.
Em seguida, a caçadora abriu a porta e saiu do quarto.
– Eu também te amo. — disse Castiel, mas ela não ouviu.
Em seguida, o anjo pegou uma pequena caixinha no bolso do sobretudo e a abriu deixando um delicado anel à mostra.
Enquanto isso, Mia caminhava pelo corredor e retomava a conversa com a Xerife Jody Mills:
– Então, agora que você perguntou, eu lembrei. Eu ouvi sim o Bobby falando o seu nome durante uma conversa com os meninos. Sério. Eu só não entendi direito qual era o assunto porque esse negócio de ouvir atrás da porta não é comigo. — e após ouvir a Xerife do outro lado, Mia continuou — Bem você quer saber o que eu penso realmente disso tudo? Eu acho que o Bobby não te procurou ainda porque ele ficou com medo. — e depois de uma pausa, completou — Ah... Medo porque... Porque ele gosta de você. Porque não sabe como agir, não sabe se você vai vê-lo do mesmo jeito depois do que aconteceu... Essas coisas de homens de meia idade e inseguros que voltam da morte, sabe? — e depois de mais uma pausa ouvindo a Xerife, Mia sorriu levemente e garantiu — Ah... Eu tenho certeza que ele gosta de você. Está na cara. Até cego vê.
XXX
Enquanto isso, Natalie estava no quarto de Claire, apoiada no guarda-roupa, observando a amiga que estava sentada na cama acariciando o vestido de noiva sobre o lençol.
– Bem que a Mia disse que você estava com um sorriso bobo no rosto. — notou Natalie.
– Olha quem fala. — rebateu Claire encarando a loira.
Natalie se virou para se olhar no espelho que havia na porta do guarda-roupa e protestou:
– Eu não estou com um sorriso bobo. — mas ao dizer isso, ela sorriu como uma adolescente sem perceber e murmurou — Ai meu Deus... O que está acontecendo comigo?
– Chama-se amor. — esclareceu Claire rindo.
– Humm... Que seja. — disse Natalie dando de ombros, se afastando do guarda-roupa e caminhando até a cama.
– Posso te contar uma coisa? — perguntou Claire enquanto Natalie sentava de frente para ela.
– Claro. — assentiu a loira.
– Eu nem consegui dormir esta noite. — contou a outra.
– Não me diga que você e o Sam ficaram fazendo pesquisa até tarde? — indagou Natalie com certa malícia.
– Eu estou querendo dizer que eu não consegui dormir por causa da ansiedade. — esclareceu Claire.
– Ah... Certo. Bem, eu posso dizer que esta noite, milagrosamente, eu dormi muito bem. — contou Natalie e diante da expressão de interrogação da amiga, explicou — Eu tenho tido pesadelos ultimamente. Com o casamento. Eu estou lá no altar com o Sr. Awesome, você e o Sam bem ao nosso lado, e o padre diz aquela maldita frase: Se existe alguém contra este casamento, que fale agora ou se cale para sempre.
– E o que acontece depois disso? — interessou-se Claire.
Natalie hesitou um pouco ao responder:
– Eu escuto uma voz e olho para trás. E então... A Abaddon surge no meio dos convidados. Com um sorriso cínico, um vestido vermelho colado no corpo e dizendo "Eu não acredito que vocês não me convidaram. Eu amo casamentos. E eu não perderia o de vocês por nada neste mundo."
Claire sentiu-se desconfortável ao ouvir aquilo e disse:
– Eu não sei se eu quero falar sobre a Abaddon hoje.
– Quer saber? Eu também não quero. — respondeu Natalie afastando aqueles pensamentos. — Além disso, eu não sou a Mia e, portanto, foi só um sonho idiota sem nenhum significado.
– Por falar na Mia, por acaso ela te pediu alguma coisa estranha recentemente? — questionou Claire mudando de assunto.
– Na verdade, sim. Ela me pediu uma foto dos meus pais. E quando eu perguntei "para quê", ela só disse que era uma surpresa. — relatou Natalie.
– Que estranho... Ela também me pediu uma foto. Da minha mãe. E ela também pegou uma foto do John e da Mary com o Sam e o Dean. — contou Claire. — O que será que aquela maluca está aprontando?
– Eu não tenho ideia. — respondeu Natalie com um olhar distante e ficando pensativa de repente.
– O que foi? — estranhou Claire.
Natalie voltou a si, apertou as mãos uma contra a outra e perguntou meio sem jeito:
– Claire, será que eu posso te pedir uma coisa?
– Claro. O que é? — quis saber a outra.
– É que... Eu não queria caminhar sozinha até o altar. Então será que você me emprestaria um dos braços do seu pai? — indagou a loira.
Claire a olhou com carinho e sorriu antes de responder:
– Você nem precisava pedir isso, Naty. Eu já tinha comentado algo com o meu pai e já que nós vamos juntas até o altar, eu não vejo nenhum problema em ele te guiar também. Não se preocupe. Você não vai estar sozinha.
– Obrigada. — agradeceu Natalie sentindo um alívio e uma felicidade enorme ao ouvir aquilo.
– Não por isso. — respondeu Claire.
Em seguida, Natalie sorriu e abriu os braços dizendo:
– Ai... Eu acho que eu quero um abraço.
– Boba... — murmurou Claire aos risos enquanto abraçava a loira.
– Ai meu Deus, nós vamos casar com aqueles idiotas! — exclamou Natalie de repente fazendo Claire rir ainda mais.
– É, nós vamos. — respondeu ela enquanto as duas se afastavam.
Mais tarde – Ferro Velho do Bobby
– Ei, Sammy! Por acaso você viu minha gravata por aí? — indagou Dean entrando no antigo quarto de Bobby.
Sam estava sentado na cama colocando os sapatos e ergueu o olhar na direção do mais velho antes de responder:
– Em cima da cômoda.
Dean se aproximou do móvel, pegou a gravata e caminhou até um espelho perto do guarda-roupa. Começou a colocar a gravata e confessou com um sorriso:
– Eu acho que eu estou mais nervoso do que a noiva.
Sam sorriu tentando disfarçar que também estava nervoso, levantou e começou a fechar os botões da camisa. Depois pegou a gravata sobre a cama e tentou dar um nó decente, mas toda vez ficava torto.
Sem paciência, o Winchester mais novo desfez o nó enquanto Bobby entrava no quarto, já vestido à rigor, e dizendo:
– É tão estranho voltar nesta casa depois de tudo que aconteceu. Rever este lugar, aquele ferro velho lá fora, minhas coisas. Bem... Eu não esperava voltar da morte. Vai ver que é isso. E agora eu tenho essa segunda chance e... — de repente Bobby parou de falar ao perceber que tanto Sam quanto Dean estavam com sérias dificuldades em acertarem os nós das gravatas. Então ele se aproximou dos dois e disse — Me deixe ajudar vocês, idjits.
Então Bobby arrumou a gravata de Dean e depois a de Sam.
– Obrigado. — agradeceu o mais novo se olhando no espelho.
– Eu não sei o que nós faríamos sem você, Bobby. Valeu. — agradeceu Dean disputando o espelho com o irmão.
– Não por isso. — respondeu o velho caçador.
Em seguida, os irmãos vestiram dois coletes cinza escuros e enquanto procuravam os smokings pelo quarto, o celular de Sam vibrou em cima da cômoda.
Dean, que estava mais perto, se aproximou e viu um número na tela: 666. Olhou para Sam e Bobby que se aproximavam e avisou intrigado:
– É o Crowley.
– Eu devo atender? — questionou Sam estranhando a audácia do demônio em ligar e sem a menor vontade de ouvir qualquer coisa que ele tivesse a dizer.
Percebendo que o irmão hesitava, Dean resolveu pegar o aparelho e atendeu:
– Eu pensei que eu tinha sido claro quando disse para você não cruzar o nosso caminho de novo.
– Eu não estou cruzando o caminho de vocês, idiota. Eu estou ligando. Por falar nisso, eu liguei para o Moose, não para você. Então... Ele está? — rebateu Crowley rispidamente.
– Grosso. — resmungou Dean colocando o celular no viva-voz e sobre o móvel.
Em seguida, ele olhou para Sam que imaginou que o demônio tinha perguntado por ele e começou:
– Eu estou aqui, Crowley. O que você quer?
– Moose! Sentiu minha falta? — indagou o demônio um tanto animado.
– Não. O que você quer? — disse Sam soando rude e impaciente.
– Apenas conversar. Eu juro. — respondeu o demônio e logo depois perguntou — Então, como anda a busca por aquela arma que vai dar um fim na Abaddon?
Sam olhou para o irmão e para Bobby antes de desconversar:
– Não é da sua conta.
– É claro que é. — discordou Crowley. — Porque assim como vocês, eu quero aquela vadia fora do meu caminho. Mas tudo bem, Moose. Sem perceber, você acabou respondendo a minha pergunta. Eu deduzo que vocês continuam na mesma, não tiveram nenhum progresso... Lentos, como sempre.
Sam respirou fundo antes de questionar com raiva:
– Era só isso? Porque eu estou meio ocupado agora e com um pouco de pressa.
– Pressa? Ocupado? Por quê? — desconfiou Crowley e diante do silêncio de Sam, que sentiu que tinha falado demais, ele supôs — Não me diga que hoje é o grande dia, Moose?
– Está aí outra coisa que não é da sua conta. — intrometeu-se Dean.
– Obrigado por responder a minha pergunta, Squirrel. Eu devia ter imaginado que você estava ouvindo a conversa. — disse Crowley e depois de pensar um pouco, acrescentou — Bem... O que eu posso dizer? Meus sinceros votos de felicidade aos casais. Eu realmente espero que desta vez vocês tenham sorte. E as meninas também, é claro. Elas vão precisar.
– Você terminou? — cortou Sam incomodado com o rumo daquela conversa.
– Ainda não. Na verdade, já que hoje é o grande dia, eu me vejo na obrigação de dar um presente para os noivos. — respondeu Crowley.
– Nós dispensamos. — avisou Dean esticando a mão na direção do celular para encerrar a ligação.
No entanto, ele parou quando o demônio prosseguiu:
– Tem certeza? Porque o meu presente é uma informação muito importante para vocês. Algo que eu acho que vocês devem saber.
Os três se entreolharam e Sam assentiu:
– Fala de uma vez antes que eu me arrependa.
Crowley, que estava no quarto de um hotel, sentado em um pequeno sofá, tomando uísque enquanto observava o corpo desfalecido de uma demônia no chão, pensou um pouco antes de responder:
– Eu soube que a Abaddon está atrás de vocês. Porque ela sabe que vocês estão procurando a Primeira Espada e não gostou nada disso.
– E como ela descobriu? — indagou Dean um tanto tenso. — Só você sabia, Crowley.
– A culpa foi da Lola. — respondeu o demônio olhando o corpo daquela mulher morta.
– Quem? — não entendeu Sam.
– Não se preocupem, eu já dei um jeito nela. — respondeu Crowley olhando para uma faca contra demônios que estava numa mesinha ao lado do sofá, suja com o sangue da mulher morta no chão. Em seguida, ele explicou — A vadia estava levando informações minhas para a Abaddon há semanas. Então, eu desconfiei, fiz ela cair em uma armadilha e comprovei a traição. Mas à essa altura a Abaddon já sabia de coisas demais. Sorry. Eu não devia ter confiado em um demônio. Ainda mais quando é uma mulher.
– Tudo seria tão mais simples se você tivesse mantido a sua boca fechada. — condenou Sam.
– Eu sei, eu falei demais. Mas é que eu tinha bebido além da conta e a Lola... Bem... A Lola... — de repente Crowley se calou percebendo que o seu lado humano estava falando mais alto e que ele estava se mostrando um fraco manipulável.
– Ela te pegou de jeito, não foi? — debochou Dean.
O demônio olhou mais uma vez para a mulher morta sobre o carpete antes de dizer:
– Digamos que ela tinha os seus encantos. Que morreram junto com ela.
Sam, Dean e Bobby se entreolharam até que o mais novo tentou encerrar dizendo com ironia:
– Bem, obrigado por nos avisar, Crowley. Isso conta muito vindo de você.
– Disponha, Moose. E até você, Squirrel. Eu sei que eu fiz besteira, mas eu estou tentando corrigir o meu erro porque eu quero mesmo que vocês encontrem a Primeira Espada e acabem com aquele projeto de Rainha do Inferno. Eu estou torcendo por vocês nesta guerra. Vocês tem todo o meu apoio. — respondeu Crowley e só então percebeu que o seu lado humano estava o dominando de novo.
– O que diabos aconteceu com ele? — estranhou Bobby fazendo Sam e Dean o olharem um tanto tensos por não saberem se era uma boa ideia que Crowley soubesse que ele tinha voltado da morte.
Desde que Bobby ganhou aquela segunda chance, Sam e Dean tentaram atualizá-lo sobre tudo o que havia acontecido durante o tempo em que ele esteve morto.
No entanto, o assunto "Crowley" só foi abordado por alto. Isso porque os Winchesters acreditavam que o demônio estava em fim de carreira, perdendo terreno para Abaddon constantemente e abalado pelo seu lado humano.
Mas ouvir aquela voz tão familiar, foi como um choque de realidade para o demônio. Um choque para o seu lado demoníaco, não para o humano. Então ele franziu o cenho e indagou intrigado:
– Bobby? Bobby Singer? É você mesmo?
Sam ia pegar o celular para desligá-lo o mais rápido possível, mas antes disso, Bobby segurou o aparelho e respondeu com raiva:
– Sim, sou eu, seu filho da mãe desgraçado!
– Como? — quis entender o demônio.
Sam e Dean encararam Bobby tentando sinalizar que era melhor ele não dizer mais nada. Porém, ele decidiu responder:
– Você quer saber mesmo? Então eu espero que você esteja sentado. — e depois de uma breve pausa, despejou enquanto andava pelo quarto — Eu voltei sim. E desta vez não foi o Cas. Também não foi nenhum pacto que me trouxe de volta. Sabe o que foi? Ou melhor, sabe quem foi? Deus. Você ouviu? Deus me trouxe de volta, Crowley. Ninguém mais, ninguém menos do que Deus. Ele está por aí e se Ele achou que seria importante me trazer de volta é porque esta guerra será bem maior do que nós imaginamos. Então se eu fosse você, eu tomaria mais cuidado. Porque se esta guerra não acabar de vez com você, pode ser que Deus faça isso por todos nós e livre o mundo de um verme como você. E eu não quero estar na sua pele quando qualquer uma dessas coisas acontecer, Crowley. Então, aproveite o seu fim.
Em seguida Bobby desligou, respirou aliviado e virou-se na direção de Sam e Dean que o olhavam um pouco assustados. Foi o mais novo que resolveu começar:
– Bobby, nós não temos certeza se foi Deus mesmo que te trouxe de volta. Eu quero acreditar que sim, que o Cas está certo, afinal ele é um anjo e entende mais dessas coisas do que nós, mas...
– Eu sei. — interrompeu Bobby. — Mas eu precisava fazer o Crowley tremer nas bases.
– Tomando o nome do Senhor em vão? — repreendeu Dean soando engraçado.
– Cala a boca. — resmungou Bobby. — O importante é que funcionou. Ele ficou sem palavras.
– Você desligou na cara dele, Bobby. Na verdade, ele não teve tempo de dizer muita coisa. — ressaltou Sam. — Além disso, eu não sei se saber que você voltou e como voltou, deixou o Crowley assustado mesmo ou...
– Ou? — repetiu Dean quando o irmão parou de falar e ficou hesitante.
– Eu não sei... Mas é que, às vezes, eu me pergunto se o Crowley está no fim mesmo, no fundo do poço ou... Se ele só está precisando de um incentivo para lembrar de quem ele é de verdade. — explicou Sam.
– E você acha que eu acabei de dar o incentivo que ele precisava? — questionou Bobby.
– Eu espero que não, mas... Só o tempo vai dizer. — respondeu o Winchester mais novo.
Após um longo silêncio, Dean passou as mãos pelo rosto, caminhou pelo quarto e recomeçou:
– Quer saber? Que se dane o Crowley. No momento, a Abaddon continua sendo um problema maior do que ele. E agora ela sabe dos nossos planos, o cerco está se fechando e nós não encontramos nenhuma outra forma de matá-la... A minha baby quer ir para o Inferno e... Eu não sei o que fazer para impedí-la... Eu nem sei se eu devo impedí-la...
Bobby decidiu intervir dizendo:
– Dean, só o que você e o Sam tem que fazer hoje, é encontrarem duas mulheres especiais no altar e se casarem com elas. É só com isso que vocês devem se preocupar agora, entenderam? Não deixem a Abaddon ou mesmo o Crowley estragarem este momento.
– Eu não sei, Bobby... Diante da informação do Crowley, talvez seja melhor... Repensar se hoje é um bom dia para casar. — prosseguiu Dean.
– Como assim? — questionou o caçador mais velho.
– Eu acho que o Dean está querendo dizer que seria melhor adiar os casamentos. — explicou Sam.
– O quê?! — surpreendeu-se Bobby deixando claro que não tinha gostado nem um pouco daquela sugestão. — Vocês ficaram loucos? Não me diga que as garotinhas vão amarelar agora?
Sam e Dean se entreolharam um tanto ofendidos e o mais velho pediu:
– Ei, Bobby, vai com calma...
– Calma?! — repetiu ele ainda mais indignado. — Calma, paz... São coisas que não fazem parte da vida de vocês. A não ser quando vocês estão com aquelas duas. Eu nunca vi vocês tão felizes, elas fazem bem à vocês. E agora na primeira adversidade, vocês vão desistir? Fácil assim?
– Ninguém está falando em desistir de casar, mas talvez seja melhor mudar a data. — esclareceu Sam.
– E não me interrompa porque eu ainda não terminei, idjit. — cortou Bobby rispidamente fazendo Sam o olhar surpreso e um pouco assustado. — Vamos deixar uma coisa clara aqui? Não existe um bom dia para casar, pelo menos não para caçadores. E no entanto, aí estão vocês, a caminho do altar. Então, por favor, parem de choramingar feito duas garotinhas e façam isso dar certo. Façam alguma coisa dar certo pelo menos uma vez nas suas vidas. Vocês não percebem? Isso é só o primeiro teste. Se passarem por ele, vocês poderão passar por qualquer outra coisa. Mas se... Mudarem a data dos casamentos agora, vocês vão dar para a Abaddon exatamente o que ela quer: acabar com vocês, com a felicidade de vocês, tirar o pouco de paz que vocês conquistaram com aquelas duas malucas. Então eu sugiro que vocês esqueçam o que acabaram de dizer e terminem de se arrumar porque eu vou buscar as noivas agora mesmo. E é bom vocês estarem lá, no altar, esperando por elas. E se por acaso, a Abaddon ou qualquer outro demônio ou monstro aparecer, nós vamos lidar com isso juntos, mesmo que seja no meio de uma festa de casamento. E então? Eu fui claro?
– Muito... — respondeu Sam ainda em choque.
– Como água. — respondeu Dean também mexido com aquelas duras, porém necessárias, palavras. — Mas não se preocupe, eu nunca deixaria a minha baby esperando no altar.
– Nem eu faria isso com a Claire. — afirmou Sam.
Bobby voltou-se para ele e ameaçou:
– É bom mesmo porque caso você não se lembre ela é minha filha. Se você fizer ela sofrer por um segundo que seja, pode dar adeus a esse cabelo sedoso que você adora exibir por aí.
Sam engoliu em seco, assustado com aquela ameaça e Dean não aguentou e riu. Mas ao perceber o olhar severo de Bobby, ele respirou fundo e fez um esforço para ficar sério.
– O mesmo vale para você, Dean. Eu gosto muito da Natalie e ela já sofreu muito na vida. Não a decepcione. Nunca. — pediu Bobby.
– Eu não vou. Pode deixar. — garantiu Dean. — Seria como desapontar a mim mesmo. Não se preocupe, não tem nada que eu mais queira fazer agora do que me encontrar com ela diante do padre Philippe.
– E eu mal posso esperar para me casar com a Claire, Bobby. Eu amo a sua filha. De verdade. — afirmou Sam.
– Ótimo. — disse Bobby mais relaxado e antes de se afastar e deixar o quarto, encarou os dois e encerrou — Então eu vejo vocês daqui a pouco. Não se atrasem, mocinhas.
Quando ficaram sozinhos, Sam e Dean respiraram aliviados e se entreolharam enquanto a tensão no ambiente se dissipava.
– Eu não senti falta deste lado dele. — confessou Dean.
– Nem eu, mas no fim ele está certo. Hoje nós mudamos a data dos casamentos e amanhã vamos acabar abrindo mão de todo o resto. Não, Dean... Desta vez nós temos que fazer isso dar certo. Agora nós temos que ir até o fim. — expôs Sam.
– Nós vamos. Nós vamos nos casar com aquelas doidas e nada nem ninguém vai nos impedir de fazer isso. — assegurou Dean e em seguida pegou o smoking em cima da cama e o vestiu.
Sam fez o mesmo em seguida.
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