Crossfire
3 Tudo culpa de um mal entendido
Notas iniciais
Os clientes da boate continuavam olhando para Dean e Natalie que se encaravam à distância enquanto All she wants is continuava tocando e as strippers prosseguiam com suas performances nos outros palcos.
– Você a conhece? — perguntou um homem que estava perto do Winchester.
– Ela é... Minha... Noiva. — respondeu Dean enquanto continuava olhando para Natalie.
O sujeito riu e deixou escapar:
– Ela é gostosa.
Ao ouvir isso, Dean fechou a cara, voltou-se para o homem e o segurou pelo colarinho da camisa antes de perguntar com raiva:
– O que foi que você disse, son of a bitch?!
– Dean, solta ele! — gritou Natalie tentando evitar uma briga e, consequentemente, um escândalo. E quando os dois olharam para ela, a garota observou as pessoas em volta e disse sem graça — Está todo mundo olhando.
Dean olhou em volta e percebeu que a loira tinha razão. E por mais que ele estivesse com raiva daquele sujeito, uma parte de Dean lembrou do caso que estava investigando ali e de que era melhor não chamar muito a atenção.
Então ele encarou o sujeito mais uma vez e o soltou antes de ordenar irritado:
– Dá o fora daqui! — e depois que o homem se afastou e deixou a boate um pouco assustado, Dean voltou-se para a loira e ordenou — Natalie Jones, desça já deste palco!
O choque e a felicidade por ter reencontrado Dean deram lugar a raiva quando a caçadora lembrou da ligação que fez para ele logo que conseguiu escapar do cativeiro. Então, ela cruzou os braços e ficou batendo um dos pés no chão antes de desafiá-lo:
– Eu quero ver quem vai me tirar daqui!
Alguns minutos depois...
Dean caminhava por um corredor em direção aos fundos da boate carregando Natalie em um dos ombros e segurando as pernas da garota na frente do seu corpo com firmeza. Ela batia nas costas dele enquanto pedia aos gritos:
– Dean Winchester, me coloca no chão agora! Me solta!
Logo ele empurrou uma porta e desceu alguns degraus chegando aos fundos do estabelecimento. Colocou Natalie no chão e antes que ela protestasse, ele a abraçou o mais forte que pôde, passou as mãos pelos cabelos da loira, fechou os olhos e disse aliviado:
– Graças à Deus... Você está bem...
Aquele abraço pegou Natalie de surpresa e a deixou sem reação por alguns instantes. Ela acabou lembrando de um abraço semelhante que Dean lhe deu na cozinha do bunker há alguns meses. Não podia negar que era muito bom ser abraçada daquele jeito, muito menos que ela estava feliz por reencontrá-lo. No entanto, em seguida ela lembrou do que aconteceu quando escapou de Abaddon e tentou avisar Dean, e acabou perguntando um tanto seca:
– Você se importa?
Dean soltou a loira e olhou para o seu rosto sem entender aquela pergunta. Afastou algumas mechas de cabelo que caíam pelo rosto da garota e rebateu um pouco indignado:
– Se eu me importo? É claro que eu me importo, Natalie. Você tem ideia do que eu passei durante esse tempo todo em que você estava desaparecida?
A loira sorriu com sarcasmo lembrando da mulher que atendeu o celular de Dean quando ela ligou para contar que tinha escapado do cativeiro e respondeu:
– Na verdade, eu tenho algumas ideias sim.
Dean franziu a testa sem entender o que Natalie quis dizer com aquilo, mas ele estava tão emocionado por revê-la que rapidamente esqueceu isso e perguntou:
– Como você escapou de Abaddon?
– É uma longa história. — respondeu Natalie evasivamente.
– O que ela fez com você? Ela te prendeu em algum lugar, não foi? Ela te torturou? — perguntou Dean com medo de imaginar a resposta e se arrependendo em seguida porque não queria fazer Natalie lembrar do que devia ter passado nas mãos da ruiva. Mas ao mesmo tempo ele precisava saber o que tinha acontecido e então insistiu — Aquela filha da mãe torturou você, Naty?
– Sim. — respondeu a caçadora sentindo um arrepio percorrer o seu corpo.
Dean passou as mãos pela cabeça e disse com ódio:
– Sabe, aquela desgraçada já estava com os dias contados antes, mas agora... É uma questão de honra. Não vai sobrar um fio de cabelo ruivo pra contar história! Eu prometo, Naty. Isso que ela te fez, vai ter volta. Eu juro que vai...
Natalie não respondeu. Embora quisesse muito destruir Abaddon, não só por tudo que ela lhe fez, mas também pela ameaça que ela representava para todo o mundo, Natalie não se sentia à vontade para conversar sobre aquilo com Dean. Ainda estava tentando assimilar aquele reencontro e entender por que o Winchester estava sendo tão amável com ela sendo que uma outra mulher atendeu o celular dele há alguns meses quando ela tentou procurá-lo.
Dean percebeu que Natalie estava um pouco incomodada e deduziu que falar sobre aquilo lhe trazia lembranças dolorosas. Então resolveu mudar de assunto:
– Mas o que você está fazendo aqui exatamente?
– Provavelmente, o mesmo que você. Investigando o caso dos maridos que mataram as esposas. — respondeu Natalie cruzando os braços e olhando para o chão por alguns instantes.
– E precisava se vestir deste jeito? — reprovou Dean indicando as roupas sensuais que a garota vestia. Mas ao passar os olhos por elas mais uma vez, admitiu maliciosamente — Se bem que... Essas meias ficaram ótimas em você, Naty... Estão me enlouquecendo, sabia? Sem falar nesta parte de cima. — falou indicando o sutiã dos Estados Unidos que Natalie usava — O que eu posso dizer? Que Deus abençoe a América... — brincou ele e então se aproximou e passou as mãos em volta da cintura da garota a trazendo para mais perto de si.
Porém quando aproximou o rosto para beijá-la, Natalie se inclinou um pouco para trás e voltou a falar:
– Chama-se "disfarce". Eu precisava de um porque eu estava infiltrada. Até você aparecer e estragar tudo, é claro. Bem, mas o fato é que os três caras que mataram as esposas, estiveram nesta boate e...
– Então você escapa de Abaddon e já volta para o family business? — indagou Dean a interrompendo e em seguida, acrescentou um pouco intrigado — Por que você não me ligou antes? Aliás, não me entenda mal, eu estou muito, muito e muito feliz por ter reencontrar, Naty, mas você está muito bem para quem estava presa em algum calabouço por aí. Sendo torturada por um demônio.
Houve um breve momento de silêncio durante o qual, Dean esperou que Natalie explicasse aquela questão. Mas, não foi necessário porque pela expressão da garota, ele começou a deduzir o que tinha acontecido, embora não entendesse o que levou Natalie a agir daquele jeito. Então, ele arriscou:
– A não ser, é claro, que você tenha escapado há algum tempo... Natalie, quando foi que você fugiu daquela desgraçada?
– Há alguns meses. — respondeu ela.
– Meses? — repetiu Dean sem ter certeza se havia entendido direito.
– Três, para ser mais exata. — detalhou a loira.
Dean tirou as mãos da cintura de Natalie e deu um passo para trás antes de conseguir dizer:
– Você escapou há três meses e não me procurou? Por quê? Natalie... Você tem ideia do que eu sofri e passei esse tempo todo sem saber onde você estava? Como você estava? Se estava viva ou morta? Imaginando as piores coisas?
A loira ficou um pouco surpresa porque Dean parecia mesmo preocupado com ela. No entanto, ao lembrar daquela ligação, Natalie voltou a se sentir traída e respondeu friamente:
– Como eu disse no começo, sim, eu tenho alguma ideia, Dean.
– Não, você não tem. — discordou ele e a olhando seriamente e magoado, acrescentou — Se você tivesse alguma ideia do que eu passei, você teria me procurado assim que conseguiu fugir daquela ruiva dos infernos! Se você tivesse alguma ideia de quantos demônios eu invoquei, prendi e torturei tentando encontrar alguma pista de onde você estava, você teria me procurado, Natalie. As noites que eu passei em claro ou bêbado pensando em você, pensando numa forma de te trazer de volta, de te salvar, de te resgatar, imaginando o que Abaddon estava fazendo com você, sofrendo como se fosse eu que estivesse sendo torturado... Se você soubesse como eu senti a sua falta, Natalie Jones, de como o meu corpo sentiu falta do seu... Se você tivesse alguma ideia disso tudo, de tudo que eu passei sem você, então você teria me procurado. A questão é: por que você não fez isso?
Natalie ficou alguns instantes sem reação. Finalmente percebeu que sim, Dean havia ficado preocupado com ela. Mais do que isso, ele passou meses sofrendo com o seu desaparecimento e tentando encontrá-la. Começou a se sentir péssima com aquela situação, mas tentou se justificar:
– Você quer saber a verdade, Dean? A verdade é que eu passei uma semana em um cativeiro que mais parecia uma sucursal do Inferno. Comendo o pão que Abaddon amassou, passando por coisas que eu não sei se eu vou conseguir esquecer um dia. Até que de repente, um anjo apareceu do nada e me ajudou a fugir. E eu não sei porque ele fez isso, quem ele era ou o que aconteceu com ele depois porque tudo o que eu lembro é que eu corri. E foi assim que eu escapei. E naquela mesma noite, eu te liguei, Dean. Mas, para a minha surpresa, não foi você que atendeu, e sim uma mulherzinha qualquer com uma voz que me deu vontade de vomitar... E ela disse, tranquilamente, que você estava no banho. Então, respondendo a sua pergunta, eu te procurei sim, Dean, mas você estava ocupado demais pra me atender!
Dean franziu a testa e por um instante pensou que Natalie estivesse inventando aquilo. Mas logo percebeu que ela falava sério e então perguntou:
– Então você não me procurou porque ficou com ciúmes de uma mulher qualquer?
– Ah! Então você admite que eu tinha motivo para ter ciúme? — rebateu Natalie.
– Não. Claro que não. — respondeu ele embora não estivesse entendendo direito o que tinha acontecido.
– Então como você explica isso, Dean? Como você explica que uma mulher tenha atendido o seu celular e dito que você estava no banho? — pressionou a loira irritada e com certo ciúme.
Dean pensou por algum tempo tentando lembrar o que podia ter acontecido e então recomeçou:
– Ok, você disse que ficou uma semana presa no cativeiro, certo? Isso foi há três meses quando eu estava... No Tennessee. E... Talvez eu tenha bebido demais naquela noite porque o demônio que eu torturei não me deu nenhuma pista sobre você. Então eu bebi, bebi e bebi e... Bebi... E...
– E? — indagou Natalie.
Após uma breve pausa, Dean lembrou do que tinha acontecido e relatou:
– E tinha uma garota no bar. Ela percebeu que eu não estava em condições de dirigir e se ofereceu para me levar até o hotel.
– Me corrija se eu estiver errada, mas ela estava no seu quarto, não estava? Provavelmente, na sua cama. Tem certeza que foi só a carona que ela te ofereceu? — desconfiou a loira voltando a sentir ciúmes.
– Sim, só a carona. — garantiu Dean, mas ao perceber que Natalie não havia acreditado, confessou — Ok, talvez ela tenha oferecido outras coisas também, mas isso não importa e sabe por quê? Porque não aconteceu o que você acha que aconteceu.
– Sério? — duvidou a caçadora.
– Sério. — confirmou Dean.
– E eu devo acreditar nisso por quê...? — indagou ela ainda sem acreditar naquela história.
– Por quê? — repetiu Dean um tanto ofendido e depois continuou — Eu pensei que você soubesse por que, mas tudo bem, eu explico. Não aconteceu nada porque não era ela que eu queria aquela noite. Não é ela que eu quero todos as noites. Nem ela nem outra mulher que não seja você, Natalie Jones.
Ao ouvir aquelas coisas, a loira saiu um pouco da defensiva e percebeu que aquilo tudo devia ter sido mesmo um grande mal entendido.
– Você está falando a verdade, não está? — indagou ela envergonhada e se sentindo meio idiota por ter pensado as piores coisas de Dean.
– Sim, eu estou, Naty. — confirmou ele e depois de alguns instantes em silêncio, continuou — E a verdade é que desde que você sumiu, eu meio que virei um monge, sabe? Eu não podia ir para a cama com outra mulher pensando em você, querendo você, sofrendo por você. Eu não podia trair você, Naty. Porque eu te amo. De verdade. Deus! Como você pôde ser tão burra?
– Dean, eu sinto muito. Eu estava confusa, ferida... E então eu ligo pra você e uma mulher atende? O que você queria que eu pensasse? O que você pensaria no meu lugar? Olha... Me desculpe, ok? Eu errei, mas... Me desculpe. Por favor. — disse Natalie dando um passo a frente, mas ao fazer isso, ele deu dois passos para trás.
Então Dean a encarou visivelmente magoado e continuou:
– A gente ia se casar, Naty. E então na primeira oportunidade, você duvida do que eu sinto e fica três meses sem me dar notícias?
– Me desculpe... — pediu ela novamente sentindo uma vontade de chorar que controlou imediatamente.
Houve um longo momento de silêncio até que Dean encerrou:
– Eu fico feliz por saber que você está bem, Natalie. Mas... Eu preciso ir.
E em seguida, ele se virou e começou a se afastar.
– Dean... — chamou ela, porém o Winchester continuou andando até sumir do alcance de visão da loira.
Logo Dean entrou no Impala e deu partida. Natalie ficou alguns minutos parada nos fundos da boate antes de procurar o Camaro no estacionamento e deixar o lugar também. Enquanto dirigia, Dean pensava em como sofreu durante o tempo em que pensou que a mulher que amava estava nas mãos de Abaddon. Já Natalie pensava em todo aquele mal entendido e sentia-se meio estúpida. Completamente estúpida. Precisava encontrar uma forma de se redimir com Dean e com ela mesma por ter sido tão idiota e burra...
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